CRISTÃOS E JUDEUS

 

Aparecida - reunião de bispos cheia de surpresas

Norbert Arntz

Um acontecimento de importância mundial-eclesial se realizou de 13 a 31 de maio deste ano de 2007 no lugar de peregrinação brasileiro Aparecida. A Vª assembléia geral do episcopado latino-americano e da Caríbia se reuniu sob o assunto discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que os nossos povos nEle tenham a vida. Agora está ameaçada a ser assombrada dum documento final falsificado.

O texto do documento final pode visto no site da CELAM.

Um documento final falsificado?

Pelo fim das deliberações de quase três semanas, os 153 bispos com direito a voto os 102 hospedes convidados não tinham direito a voto despacharam quase unanimemente um documento que foi em 11 de junho de 2007 apresentado ao papa à aprovação e, em 12 de julho de 2007 publicado pelo Conselho episcopal (CELAM) numa sessão em Havana/Cuba.

Comparar-se o texto acordado em Aparecida com aquele publicado pela CELAM, evidencia-se que mais que 200 modificações foram feitas, sem que fosse distinguível quem com que autorização ocasionou quais mudanças. Da lista das mudanças deixam-se registrar três tipos de mudanças.

Primeiro: mudanças redaccionais, estilísticas, gramáticas;

Segundo: Mudança de colocação de trechos com a conseqüência de que a numeração de quase todo o documento foi mudado;

Terceiro: Mudanças de conteúdo, as quais censuram, complementam, abrandam, distorçam ou substituem por outras afirmações.

Uma documentação precisa se feita noutro lugar. Aqui quero somente mostrar em alguns exemplos como foi intervindo nos textos acordados:

Primeiro: Às comunidades de base, se diz no texto acordado no trecho nº 194:

Queremos confirmar e equipar com impulsos novos a vida, bem como a missão profética e santificante das comunidades de base eclesiais na sucessão missionária de Jesus, com decisão. As comunidade eram, depois do Concílio Vaticano II, dons importantes do Espírito Santo na Igreja da América Latina e da Caríbia.

A palavra de Deus lhes vale como fonte da sua espiritualidade, a orientação pelos pastores como guia que os liga com a comunidade da Igreja.

Disso, chega a ser a alínea nº 179, e as frases seguintes estão sendo acrescidas:

Quando ficarem em comunidade com o seu bispo e se incorporarem no plano da diocese, as comunidades eclesiais de base chegam a ser sinal de vitalidade na Igreja local.

Quando assim em comum com os grupos da paróquia, as associações eclesiais e movimentos agirem, poderão contribuir para deixar a paróquia mais viva e a fazer uma comunidade de comunidades.

No seu esforço de enfrentar os desafios do tempo hodierno, as comunidades de base eclesiais devem reparar em não falsificar o tesouro precioso de tradição e do oficio de ensino (magistério) da Igreja.

Segundo: A problemas da Igreja, se diz no trecho acordado nº 109: Lamentamos um certo clericalismo e esforços para uma eclesiologia e espiritualidade, as quais se originam do tempo antes do Concílio Vaticano Segundo, pretensões que interpretam e usam a renovação conciliar reducionisticamente. Lamentamos que não haja senso de auto-crítica, que não haja obediência autêntica e que não haja um exercício de autoridade correspondente ao Evangelho, lamentamos atitudes morais que enfraquecem o significado central de Jesus Cristo.

No texto publicado pela CELAM, chega a ter disso o trecho nº 100 b, risca-se a referência ao clericalismo e à capacidade à autocrítica: Lamentamos tendências de voltar à certa espécie de eclesiologia e espiritualidade, que contradizem à renovação conciliar, respectivamente interpretam e usam a renovação conciliar reduciolisticamente. Lamentamos que não obediência autêntica e nenhuma execução de autoridade correspondente ao Evangelho.

O cardeal Francisco Javier Errázuriz de Santiago de Chile, ao lado do cardeal Giovanni Batista Re de Roma e o cardeal Geraldo Majella Agnelo de Salvador da Bahia no Brasil, um dos três presidentes da reunião, afirmara em circulares e tomadas de posição públicas que não tivessem sido modificações senão não-essenciais. Dos exemplos mencionados, se deixa tirar o contrário. O movimento de comunidades de base não está disposto a aceitar as suposições que o texto modificado contem.

As comunidades de base unidas da América Latina despacharam, durante o seu encontro em Santo Domingo em 28 de julho de 2007 uma carta aos bispos que participaram na assembléia geral de Aparecida, solicitando-os que se empenhassem para que o texto acordado do documento final fosse publicado.

Da Conferencia dos bispos brasileiros apresentam-se vozes que exigem que o documento originalmente acordado volte a ser posto em vigor, porque o tratamento com o texto acordado depois de três semanas de deliberações represente uma agressão à colegialidade dos bispos, desqualificando a Assembléia dos Bispos.

Entre outros: o cardeal Geraldo Majella Agnelo, um dos co-presidentes da assembléia geral de Aparecida.

Essa surpresa má é somente a última na fila de surpresas positivas e negativas, nas quais o inteiro acontecimento de Aparecida era rico.


Texto alemão:  ORIENTIERUNG 71 (2007), pp. 181-186


 
 

Pedro von Werden, SJ

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