CRISTÃOS E JUDEUS

 

O que religião pode contribuir para sarar no Médio Oriente?

Deborah Weissman

A imagem prevalecente de religião no mundo hoje — e especialmente no Médio Oriente — é uma imagem de extremismo, de xenofobia e de violência.

É difícil argüir que aquela imagem não tenha verdade a isso: em nome da religião, atrocidades têm sido cometidas. Religião tem, em muitos casos, ateado as chamas de extremismo. O que há cm religião e religiões que preste esclarecimentos para essa aliança não santa entre fé e violência extrema? Muita gente de fé parece ter fé absoluta, que não permite nenhum questionar de autoridade e que não faz espaço nenhum para outras verdades. Quando interpretarmos a realidade através de escritos antigos, possamos perder contato com aqueles ao redor de nós e seus necessidades humanas. E quando esperarmos recompensa pelas nossas ações no mundo-por-vir, isso nos pode impelir a ser violentos a outros no mundo-que-está.

Mas é isso realmente o caso? Poderia não ser mais uma questão de formas extremistas, violentas que estão sendo dadas às nossas religiões do que ao restante de nós? Depois de tudo, um bombear, um ataque a veneradores, a linguagem de incitamento — esses são mais dignos de notícia que diálogo e coexistência pacíficos. Harmonia entre grupos não vende jornais.

  1. Religiões provêem pessoas com um senso particular de identidade, radicação, comunidade e sentido último. O rábi americano Michael Lerner do magazine TIKKUN chamou isso de "a política de significado". Particularismo implica assunção de responsabilidade histórica para uma comunidade identificável. Um ser humano moralmente responsável tem de agir dentro dum contexto particular em que ele ou ela assume responsabilidade por gente particular. É radicidade na experiência histórica dum grupo particular que pode nutrir comportamento moral.
  2. Religiões nos dão culturas tradicionais, que são repositório da sabedoria humana acumulada de gerações de gente que podem ter encardo dilemas similares aos nossos próprios. Elimina identidades "tribais", e eliminarás ancoramento cultural de imperativos morais. Sem as histórias que pessoas diferentes têm do seu sofrimento próprio, que identificação desenvolverão com o sofrimento de outras? Sem um senso de honra tribal, que motivação desenvolverão para comportamento decente? De fato, como o filósofo Michael Walzer sugeriu, "… os membros de todas sociedades diferentes, porque são humanas, podem reconhecer os modos diferentes de cada outras, responder aos gritos de cada outras por ajuda, aprender umas das outras e marchar (por vezes) nas paradas de cada outras.
  3. São precisamente as nossas fés monoteístas que nos deram a noção dum Deus gracioso e compaixante Que nos espera emulá-lO no nosso comportamento humano. Temos geralmente, também, histórias de indivíduos como santos dos quais podemos aprender.
  4. Pelo menos duas das nossas culturas religiosas estão baseadas em sistemas legais complexas - Sharia dentro do Islame e Halaka dentro do Judaísmo. Esses sistemas tomam ideais altos de paz e justiça social, traduzindo-os em ações diárias, incrementais. Nós, também precisamos traduzir os nossos sonhos por paz e justiça social em passos concretos que possamos fazer nas nossas vidas de dia a dia.
  5. Talvez a coisa mais básica que possamos aprender de religião é a noção de esperança. Quando crermos em algum poder transcendente que promove o Bem, temos um modo de lidar com o desespero aparente de sucesso. E vimos que desespero cria violência. Um dos meus queridos amigos é o bispo Mounib Younan, o bispo luterano palestinense de Jerusalém. Quando eu desesperar — e isso está na maior parte do tempo — Mounib me lembra: "Enquanto creres num Deus Vivo, deverás ter esperança."

Não quero, naturalmente, ignorar ou somente minimizar o perigo intenso posto à paz mundial por muita gente que reivindica de estar agindo em nome das suas religiões e causas étnicas ou nacionais. Mas aqui, creio, há dois pontos salientes a serem feitos:

Primeiro, devemos tentar enfatizar dentro de cada um das nossas culturas aqueles elementos que promovam uma atitude mais aberta e compaixonada a outros seres humanos. Para judeus, isso pode ser uma ênfase na herança abraâmica e da Aliança Noáhica. Tudo das nossas tradições religiosas tem recursos que podem informar uma aproximação mais pacífica.

Segundo, por vezes é precisamente quando pessoas sentem que a sua própria identidade está sob ataque, que respondem violentamente. Outra vez, trarei uma citação de Walzer: "Quando meu paroquialismo estiver ameaçado, serei inteiramente, radicalmente paroquial… e nenhuma outra coisa… Sob condições de segurança, adquirirei uma identidade mais complexa do que a idéia de tribalismo sugere."

A nossa meta, então, poderia ser, não a erradicação de identidades de grupo, mas sim a sua autorização por garantir a segurança e seguridade dos grupos diferentes. E nessa tarefa importante, diálogo inter-religioso pode ajudar desenvolver clima mais condutivo a paz.


Texto inglês: What can religion contribute to healing in the Middle East
Tradução: 14/11/2007


 
 

Pedro von Werden, SJ

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