CRISTÃOS E JUDEUS | |
O quê é anti-semitismo árabe?Menahem MilsonEssa revivência do anti-semitismo tem, porém, duas características novas diferentes:
Isso exige uma atenção especial para o problema do anti-semitismo árabe presente, este que é completamente diferente daquilo que era a posição moslêmica a judeus e Judaísmo antes do tempo moderno. Esses dois assuntos, embora de modo diferente em uma razão, têm conexos históricos completamente diferentes , devendo portanto ser tratados separadamente. O status dos judeus como minoria tolerada no mundo moslêmico antes do aparecimento do sionismo está sendo infelizmente sempre mais uma vez enfatizado na competição entre judeus e árabes pelo favor da opinião pública. O leigo está muitas vezes desconcertado entre os argumentos de ambos os lados. De um lado, ouve que os judeus (e cristãos) tinham o status duma minoria protegida sob o Islame, e que os judeus na Espanha moslêmica gostavam uma era áurea de paz e riqueza na Espanha moslêmica; de outro lado dizem-lhe que judeus e cristãos a respeito de direito não eram postos em igualdade, tendo sido nunca algo diferente de cidadãos de segunda classe. Bernard Lewis pôs essa versão contradizente numa perspectiva equilibrada: Até nos seus tempos melhores, o Islame medieval era bem diferente da imagem, que Disraeli e outros escritores românticos esboçaram. A era áurea era um mito, e a fé nesta era mais um resultado da simpatia judaica pelo Islame. O mito foi inventado por judeus no século 19 no Europa, como uma reprovação a cristãos — e foi no nosso tempo assumido pelos moslins como reprovação aos judeus. Como a maioria dos mitos mais poderosos, também este contém um elemento de verdade histórica. Mas se tolerância significar a ausência de perseguição, então a sociedade clássica islâmica era de fato tolerante tanto aos seus súditos judaicos como também aos seus cristãos — mais tolerante talvez na Espanha do que no Oriente, e em ambos mais incomparavelmente tolerante que na Cristandade medieval, mas quando tolerância for a falta de discriminação, então o Islame nunca era e nunca afirmava ter sido tolerante, mas insistia ao contrário em supremacia privilegiada do fiel verdadeiro neste mundo como naquele por vir. A minha exposição está limitada ao assunto anti-semitismo árabe como fenômeno na mídia contemporânea; evita propositadamente a discussão do comportamento moslêmico a judeus e Judaísmo antes do tempo moderno. Mas isso não significa que menosprezo o efeito da tradição de séculos. Como pode ser esperado, estereótipos do judeu islâmicos medievais influenciavam a resposta árabe a Israel e ao sionismo. Para ilustrar isso, aponto a uma testemunha muito confiável: o grande erudito do século 14 Ibn Khaldun. No seu célebre Al-Muqaddima (introdução no estudo da história) num dos capítulos menos conhecidos, nos quais trata dos princípios da educação, Ibn Khaldun adverte os seus leitores contra a ordem de disciplina rígida dos alunos e contra a aplicação de punições físicas, porque estas previsivelmente danificam as propriedades morais. "Medidas duras na educação quebram o espírito das crianças, extinguem as virtudes e levam a qualidades más como mentira e perfídia (khubth)." O efeito danoso de restrições danosas e regras repressivas, Ibn Khaldun afirma, se vê, não só em indivíduos, mas também em grupos. Isso, explica, está claramente provado nos judeus, que estão suspeitos em qualquer lugar pelas suas propriedades baixas e perfídia. Essa é uma contemplação extremamente instrutiva à imagem dos judeus no Islame medieval, especialmente porque está sendo proferida por Ibn Khaldun em ligação a um outro assunto: Ibn Khaldun quer neste capítulo não ensinar ao leitor algo de novo sobre os judeus. De jeito nenhum — já assume que isso pertence ao conhecimento geral. Exatamente porque Ibn Khaldun não tem dúvida de que cada um em qualquer lugar reconhece que os judeus são falsos e pérfidos, os pode convenientemente mencionar como exemplo forçador. Permiti-me uma anedota pessoal! Em junho de 1979, estive em Cairo. Era uma visita especial: Vim a lá como hospede do presidente Sadat. Morava no Hotel Shepheard e ninguém do pessoal do hotel sabia que eu sou um israeli, além do gerente do hotel e a pessoa na central de telefone, por motivos que aqui não precisa explicar. No pequeno almoço, uma moça criada me perguntou de onde eu viesse. Respondeu: Israel, mas ela não o quis crer e disse: "Não, o sr. faz troca de mim, o sr. é jordaniano." A seguir suspeitava algo mais — libanês, líbio, mas não quis concordar com que eu seria um israeli. Disse: "Conheço os israelis; muitos jornalistas israelenses estavam aqui. Conheço os israelis quando os vejo." Achei isso fascinante: "Como a srª os conhece?" "Agora, eles têm aquele olhar perverso." Atingiu-me realmente; eEssa moça criada caracterizava os israelis exatamente assim como Ibn Khaldun os judeus seis decênios antes. Queria enfatizar aqui que não suponho que Ibn Khaldun teria sido antijudaico. Isso, com probabilidade alta, não era o caso. Quando menciona os judeus em Muqaddima, como o faz ocasionalmente para comparações históricas, fala deles absolutamente objetivamente, sem qualquer sinal de antagonismo. O que se refere a essa coisa mencionada, pode-se perceber na sua observação um sub-tom de simpatia pelo judeu suprimido. E também não estou a culpar a moça criada egípcia amigável de ser anti-semita. A minha intenção era iluminar aqui e propriedade de longa duração de estereótipos. Como se relaciona isso ao anti-semitismo presente no mundo árabe? Muitas vezes se ouve que em países com a mídia controlada pelo estado, a publicidade desenvolve uma resistência sadia à linha do partido, desenvolvendo as suas simpatias e antipatias independentemente da mídia. Podemos supor que a publicidade nos países árabes, acostumada como é de desconfiar nos meios de comunicação oficiais, recusa as matérias anti-semitas as quais estão sendo da mídia oficial como propagando "oficial" (isso é falsa)? Temo que não haja razão para uma suposição otimista tal. O comportamento da moça criada egípcia no hotel Shepheard de Cairo ilustra os estereótipos amplamente divulgados, prevalecentes desde séculos, os quais bem mostram uma fraqueza para aceitar imagens negativas, quando estas estão sendo apresentadas na mídia. Anti-semitismo arábico com fenômeno na mídia ideológico corresponde ao aparecimento do sionismo e do nascimento de Israel como nação soberana. Essa relação mútua chega a ser plenamente óbvia quando vês os dados da publicações anti-semíticas em árabe. O primeiro romance árabe com assuntos anti-semitas inconfundíveis saiu em 1921; a primeira tradução árabe dos "Protocolos dos Sábios de Sião" em 1927. Vimos bem claramente o aumentar das publicações anti-semitas em árabe depois de 1947. Mas estaria errado reduzir o anti-semitismo árabe como função do conflito árabe-israelense. De onde vem a repugnância de se ocupar com o anti-semitismo árabe?Quando só considerarmos o grande número de referências anti-semíticas e publicações anti-semíticas, será impossível não perceber a repugnância de acadêmicos israelenses de se ocuparem com essa coisa. Há algumas exceções (em Israel e alhures): Yehoshafat Harkabis "O ponto de vista dos árabes ao conflito israelense-árabe" (hebraico. 1968) fica até hoje a obra criadora a esse assunto. Harkabi não hesitou qualificar esse fenômeno como anti-semítico. A isso seguiu o artigo de Bernhard Lewis em 1971: "Semitas e Anti-Semitas" e outros dos seus trabalhos. Há ainda alguns outros: Rivka Yadin, Norman, Stillman, bat Yeor e Ron Nettler; mas ficaram exceções. A maioria preponderante dos expertos do Médio Oriente, em Israel e no exterior, evitaram o assunto. Deixai-me explicar esse fenômeno surpreendente. Aqui, fatores psicológicos estão sendo misturados com motivos ideológicos e políticos. Precisamos considerar que o empreendimento sionista inteiro intentava resolver o problema do anti-semitismo. Daí a descoberta que o ódio — de que críamos ter escapado quando deixamos a Europa — está endêmico no Médio Oriente, era algo que muita gente preferiu reprimir ou negar. E talvez haja ainda outro motivo político atrás da indignação de se ocupar com os modos de comportamento anti-judaicos arábicos: O medo que o desmascarar da emoção anti-semita no lado árabe iria reforçar inflexibilidade em Israel, indo jogar para dentro das mãos de grupos políticos que recusam qualquer compromisso territorial. Como sempre, aqueles entre nós que — como eu — apóiam uma política israelense duma solução de compromisso, devem reconhecer que o fechar dos olhos perante o anti-semitismo árabe é, não só intelectualmente falso, mas sim também politicamente contra-produtivo. Não nos podemos permitir ignorar o anti-semitismo árabe; devemos observá-lo precisamente. É fato infeliz, aflitivo que o anti-semitismo árabe desde a década dos 30 é agora a forma mais perigosa do ódio contra os judeus, onde quer que seja que eles se encontrem. Isso é assim especialmente por causa da cooperação estreita entre os anti-semitas árabes e os seus correspondentes ocidentais. O quê é anti-semitismo árabeA definição óbvia é: quando algo criado por árabes, em árabe e para público árabe é anti-semítico — então isso é anti-semitismo árabe. Muitas vezes, anti-semitas árabes se dirigem a público estrangeiro para ganharem apoio deste. Quais são as características inconfundíveis do anti-semitismo árabe. As conclusões seguintes estão sendo tiradas na base de um estudo extenso Memri duma grande seleção de publicações e foros árabes (jornais, revistas, programas de televisão, sermões de sexta feira em mesquitas, livros e páginas web). Três conteúdos principais parecem perfazer a propaganda anti-judaica árabe:
A componente islâmica — macacos e porcosUm escárnio costumeiro de judeus, não só nos sermões de sexta feira, mas também em artigos políticos, é que os judeus são macacos e porcos ou descendentes destes. Essa referência insultuosa baseia-se numa quantidade de versões do Corão, as quais explicam que alguns judeus foram transformados por Deus em macacos e porcos, porque quebraram o Shabat.
Esse escárnio não deveria ser ignorado, nem meramente como insulto vulgar, nem a crença de que judeus teriam sido transformados em macacos ou porcos como somente sinal dum pensar mágico primitivo, nem a menção repetida dos judeus como animais desprezados desumaniza-os, fornecendo a justificativa para a sua destruição. A seguir só alguns exemplos de como esse escárnio está sendo usado em formas diferentes. Em um dos seus sermões, o xeque saudita Abd Al-Rahman Al-Suddayyis, imã e pregador na mesquita al-Haram — esta é a mesquita Kaaba em Meca, o santuário mais importante do mundo moslêmico, disse: Lede a história e entendereis que os judeus de ontem são os antecedentes maus dos judeus de hoje, os quais são descendentes maus, infiéis, falsificadores das palavras [de Deus], adoradores de bezerro, assassinos de profetas, negadores da profecia, escória da humanidade, os quais Aláh amaldiçoou e transformou em macacos e porcos Isso são os judeus, continuação duradoura da fraude, da obstinação e da digressão, da maldade e da corrupção. Essa imagem se fixou na consciência pública, até em crianças. Em maio de 2002, Iqraa, a estação de tv da Arábia-Saudita a qual segunda o website dela "que queria destacar os aspectos da cultura árabe, que inspiram admiração a imagem genuína, tolerante do Islame e acusações que estão sendo levantadas contra nós", perguntou "uma menina genuinamente moslêmica" de três e meio anos sobre os judeus no programa "O magazine da mulher muçulmana". A pequena menina foi perguntada se gostaria dos judeus; respondeu "não". Quando foi perguntada porque não, disse que os judeus são "macacos e porcos". "Quem disse isso?" o moderador perguntou. A menina respondeu: "nosso Deus". "Onde o disse?" "No Corão." No fim do colóquio, o moderador disse contento: "Nenhuns (pais) podem pedir Aláh que lhes dê uma menina mais crente que esta Aláh a abençoe e ambos os pais, seu pai e sua mãe". Salim Azzouz, colunista do jornal oposicional egípcio Al-Ahrar, o qual está ligado com o Partido Liberal religioso, descreve o recesso de Israel do Líbano em maio de 2000 como segue: "Fugiram com somente a pele nos seus corpos, como porcos fogem. E porque dizer "como", já que estão de fato porcos e macacos?" A promessa das pedras e das árvores — Wad al-hajar wa-l-dhajarOutro motivo antijudaico tradicional muito popular é a "promessa das pedras e árvores". Uma tradição profética (hadith) frequentemente citada confirma que, antes do dia do juízo, os moslins combaterão os judeus e os matarão. Fugindo, os judeus se escondem atrás das árvores e arbustos e as pedras e árvores gritarão: Oh moslim, oh servo de Deus, um judeu se esconde atrás de mim. Vem e o mata!" Algumas semanas antes da segunda guerra do golfo, um pregador na mesquita mais grande de Bagdá citou esse hadith na televisão, nisso balançou uma espada longa e gritou: "cortaremos as cabaças deles", o que pôs milhares de ouvintes em êxtase. Elementos ocidentaisO anti-semitismo árabe assumiu todos os mitos anti-semitas europeus, até aqueles que, por anti-semitas ocidentais, foram recusados como primitivos demais. Os exemplos mais evidentes: a acusação notória de assassínio ritual, os "Protocolos dos Sábios de Sião" e a acusação — antes estranha para moslins — de que os judeus teriam matado Jesus. A calunia de assassínio ritualA calúnia de assassínio ritual continua ainda divulgada no mundo árabe e moslêmico, emergindo até nos jornais de governo mais importantes. Alguns autores voltam a mencionar essas acusações conhecidas, acrescentando-lhes um jeito cada vez novo. Um exemplo tal é o uso de sangue humano por judeus para a preparação das comidas tradicionais de farinha para Purim [e para Peçah; K.P.] As acusações de assassínio ritual na mídia árabe podem ser encontradas mais frequentemente em contexto de crítica nas ações de Israel contra palestinenses. Um exemplo para isso levou a que o Juizado mais alto de Paris, em agosto de 2002 culpou Ibrahim Nafi, o editor do jornal egípcio Al-Ahram, de campanha difamatória para violência anti-semita e racista, porque permitiu a publicação do artigo "Matsa judaica [pão de farinha não fermentado; trad.] feita de sangue árabe" em Al-Ahram do 28 de outubro de 2000. O artigo ligou a calúnia de assassínio ritual de Damasco de 1840 com as atividades nas áreas ocupadas. É notável que as acusações contra Nafi, que é presidente do sindicato dos jornalistas árabes, provocou uma tempestade de protesto no mundo árabe inteiro. Essas [acusações do juizado] foram, pela mídia árabe, descritas como "terror intelectual", "um golpe contra a liberdade de opinião", "uma agressão sionista contra a imprensa egípcia", "extorsão pelo lobby sionista na França" e até "um insulto de toda imprensa árabe". Os Protocolos dos Sábios de SiãoDesde a primeira tradução árabe dos Protocolos no ano de 1927, estes foram frequentemente usados no discurso antijudaico no mundo árabe, para alicerçar a afirmação da "conspiração judaica mundial". Muitos formadores da opinião pública citam esse documento falsificado, para mostrar como o plano malvado dos judeus, como este está fixado nos Protocolos, agora está sendo convertido. Os judeus estão sendo acusados de aplicar métodos pérfidos para alcançar o seu fim: controlar a economia e a mídia, corromper a moral e acalentar conflitos internacionais e de política interna. Quando os Protocolos estão sendo mencionados na mídia arábica, toma-se referência autêntica sem questionar. Para estar seguro, há muitos escritores árabes que sabem que os Protocolos são uma falsificação; a maioria, porém não todos, continuam usando os Protocolos porque — assim argumentam — "não tem importância se são fato ou ficção; as suas profecias foram realizadas na sua maioria". Um exemplo para isso é um artigo do jornalista cristão libanês Ghassan Tueni: Não saberíamos que os Protocolos, pelo serviço segredo russo - foram falsificados pelo fim do século 19
então diríamos que Há também umas poucas exceções, entre elas também personalidades proeminentes como o dr. Jalal al-Azm, conselheiro do presidente Mubarak e o dr. Ahd al-Wahhab al-Masin, autor da enciclopédia do Judaísmo em língua árabe. Os judeus assassinaram JesusEssa acusação cristã primitiva chegou a ser norma, ao clichê amplamente divulgado do discurso anti-semítico árabe. Um exemplo é o diário saudita editado em Londres Al-Sharq Al-Awat, no qual o conselheiro de Arafat, Bassam Abu Sharif, se remete à estatua da Virgem Maris, a qual, durante o assédio israelense da igreja de Nascimento de Belém foi danificada. Escreveu: O sorriso triste da Virgem Maria, que protegeu o seu filho, o Messias, não proibiu os soldados da ocupação israelense tomarem posição e atirar na face desse anjo palestinense [isso é Jesus] e assassinar esse sorriso para assassinar o que não podiam assassinar durante 2000 anos. Em Belém foi cometido um crime novo. Esse, naturalmente, era a tentativa fracassada de assassinar a paz , o amor, e a tolerância, exatamente os seus antepassados tentavam assassinar a mensagem profética, quando pregos e estacas de ferro pregavam pelo corpo do Messias na cruz de madeira. Negação do Holocausto e equiparação de Sionismo com nazismoA moda mais usual da escrita anti-sionista árabe é equiparar o sionismo com o nazismo. Artigos e discussões públicas no mundo árabe mostram uma semelhança pretensa entre as ideologias desses dois movimentos, especialmente em relação ao racismo. A afirmação de que assim como os nazistas creram na superioridade da raça ariana, os sionistas crêem num "povo escolhido" — isso é os judeus - ; disso resulta que ambos os movimentos não excluíram uma expansão militar. Uma afirmação adicional é que os sionistas colaboraram com os nazistas para destruir o povo judaico; porque os sionistas consideravam Palestina como o único ponto de alvo para e imigração judaica, omitiram um esforço puramente humanitário de salvar os judeus. Tais falsificações são o foco da dissertação de doutor do funcionário principal da repartição palestinense de autonomia, e do secretário geral do comitê executivo da PLO, Mahmoud Abbas, também conhecido como Abu Mazen, no instituto moscovita para orientalística. A edição árabe da dissertação foi publicada em 1984. Outra dessas afirmações se refere à situação política presente no Médio Oriente. Ações israelenses ou sionistas contra o povo palestinense estão sendo equiparadas com ou até julgadas como piores que o crime nazista contra os judeus. O significado político dessas afirmações e óbvio: se não tiver havido um Holocausto, os alemães não precisam ter sentimentos de culpa referente aos judeus. Além disso, se não tiver havido um Holocausto, os alemães — e o mundo ocidental — devem um conhecimento de culpa referente aos palestinenses. Correspondente a esse argumento, se os judeus fazem o aos palestinenses o que os nazistas fizeram aos judeus, os alemães não precisam sentir vergonha. Esse é o contexto que liga o anti-semitismo do Médio Oriente com o seu correspondente ocidental, criando assim um eixo anti-semítico estratégico. O demonizar o judeuCom conseqüência, para assim dizer, lógica, de tudo mostrado acima, vem a demonização do judeu, individual e coletivamente. Apesar das informações acumuladas sobre as identidades dos perpetradores, os ataques de terror do 11 de setembro, funcionários, jornalistas e líderes religiosos no mundo árabe e islâmico inteiro continuam afirmando que os perpetradores desses ataques não eram árabes os moslins. A afirmação de que elementos americanos ou judaicos/israelenses efetuaram essas ataques é um mito aprovado, costumeiro do mundo árabe. Segundo algumas versões dessa fantasia grotesca, o presidente dos EUA George W. Bush e o ministro do exterior Colin Powell imaginaram esses ataques. O quê pode ser feito?Finalmente a pergunta: o quê se pode fazer aí? A resposta breve é: vigiar o anti-semitismo árabe, traduzi-lo e o desmascarar na esperança de que esse desmascarar conduza a protestos internacionais e pressão diplomática. As experiências mais recentes mostram que governos árabes e intelectuais não ficam indiferentes perante protestos e pressão do exterior. Os artigos de Ozama al-Baz no dezembro passado, nos quais condena o anti-semitismo, eram um passo bem vindo para frente. A mesma significação tem a notícia (publicada no diário saudita Al-Watan do 14 de março de 2003) de que o Instituto para Estudos Islâmicos na universidade al-Azhar de Cairo recomendou que pregadores moslêmicos deixassem de comparar judeus com porcos e macacos. É duvidoso se esses passos teriam sido empreendidos, se os mais recentes protestos e crítica do congresso dos EUA e da mídia não viessem. Texto alemão: Was
ist arabischer Antisemitismus? |