CRISTÃOS E JUDEUS

 

Colóquios de Paz na Terra Santa

Dörthe Engels

Faz três anos que o lugar internacional de encontro "Beit Ben Yehudah" em Jerusalém abriu as suas portas. Em colaboração com "Aktion Sühnezeichen Friedensdieste e. V.", queria convidar grupos de jovens e adultos do mundo inteiro, para se encontrarem aqui uns com os outros intercambiando-se entre si sobre assuntos políticos, sociais e religiosos.

"Opor ao ódio uma força" diz na proclamação de fundação de "Aktion Sühnezeichen" [Ação de Sinal de Expiação] em 1958. Fim dessa associação era e é assumir responsabilidade para os crimes no nacional-socialismo, pondo um sinal para paz, tolerância e entendimento. Hoje é "Aktion Sühnezeichen Friedensdieste" [ASF = Ação Sinal de Expiação Serviços de Paz] ativa em 13 países, cuja população sofreu especialmente sob o nacional-socialismo. Cada ano, nesses países cerca de 180 homens e mulheres fazem um serviço voluntário de um ano. A Israel vêm desde 1961 25 voluntários por ano. Por 12 meses, trabalham em projetos com sobreviventes da Shoáh, aleijados e famílias socialmente desfavorecidas e em lugares de comemoração. Como parte nova de programa, a ASF oferece o projeto piloto dos serviços de meio-prazo de serviços de voluntários, o qual se expressamente dirige também a pessoas mais idosas, os quais queriam trabalhar durante um espaço de tempo mais curto em abrigos para idosos israelenses. Com isso, as relações entre-humanas de ambos os países duram mais tempo que a sua colaboração diplomática.

Mensageiros alemães em Israel

A sobrevivente da Shoáh israelense Halina Birenbaum disse num encontro com voluntários da ASF: "É para mim uma grande satisfação que hoje há outros jovens alemães que se preocupam de pessoas que sofrem necessidade, solitárias e pobres. Tais sinais de expiação me dão esperança a um futuro mais seguro e feliz." O conceito "expiação" voltou nisso nos últimos decênios no auto-entendimento da Ação Sinal de Expiação a ser sempre mais uma vez discutido. Em 1968, ao nome da associação foi acrescida a palavra "serviços de paz", para enfatizar a perspectiva de futuro ao lado ao olhar para trás à história. Lucas Welz, voluntário no lugar de comemoração da Shoáh Yad Vashem em 2005/6, nomeia uma pergunta típica pelo lado dos israelis aos jovens alemães: "O que deves expiar, se é que não és culpado por aquilo que a geração dos teus avôs cometeu em crimes?" A sua resposta é: "Naturalmente não sou culpado pelos crimes durante o nacional-socialismo. Mas sou responsável, uma vez pelas vítimas desses crimes como também dos descendentes delas que ainda sofrem das conseqüências da Shoáh, e outra vez para o tempo presente em que vivemos."

Israel, da vista alemã, sempre permanecera um país especial, a cujas pessoas muitos alemães se aproximam hoje somente hesitantemente — seja por vergonha ou na base de estereótipos antigos. Nesse país entrechocam-se história e tempo presente, mostram-se a pluralidade da humanidade e o caminho longo à reconciliação "Várias vezes fomos designados como mensageiros de paz da Alemanha. Um comprimento muito bonito, o qual podia ouvir também várias de do lado israelense", relata Dirk Eidner sobre o serviço de voluntários em 2006/7.

"Beit Ben Yehuda" — um lugar de encontro

Em outubro de 2004, a ASF ampliou, com a abertura do seu lugar internacional de encontro em Jerusalém, o diálogo de reconciliação entre alemães e israelis para colóquios de paz entre pessoas do mundo inteiro. O "BeYT BeN YeHUDaH " surgiu como construção nova no jardim atrás da casa histórica, na qual a família de Elieser Ben Yehuda — o fundador da língua neo-hebraica — morava de 1923 até para dentro da década dos 60. Elieser morreu poucos meses antes do acabamento da casa em 16 de dezembro de 1922. Depois de quo o prédio, no bairro tranqüilo da cidade de Talpioth, ficou alguns anos vazio, a cidade de Jerusalém, por iniciativa do então prefeito Teddy Kollek, o pôs à disposição à ASF por uma suma simbólica. Em 1971, a associação instalou aqui a sua central de países. A transição da casa Pax usada pelos voluntários para "Beit Ben Yehuda" podia, com a ajuda de muitos doadores antes de tudo da Alemanha, realizada.

Na construção nova para hospedes, grupos de jovens e adultos encontram lugar em dez quartos com um total de 48 camas. A casa corresponde, no seu equipamento, às necessidades de pessoas mais jovens e mais idosas, as quais se querem encontrar antes de tudo numa atmosfera amigável sem muito luxo. Para colóquios de grupo e oficinas de trabalho há três recintos a disposição, nos quais estão sendo oferecidos seminários de auto-responsabilidade como também de colaboradores de casa pedagogicamente formados. Aos pontos de gravidade de assuntos contam o nacional-socialismo, a perseguição aos judeus, no conflito o Médio Oriente e as relações alemãs-israelenses. Também violações atuais de direitos humanos, bem como formas novas do anti-semitismo estão sendo tratadas. Ainda se atribui ao diálogo inter-religioso uma importância grande. Todos os seminários e oficinas de trabalho (workshops) estão sendo conduzidos por dirigentes com experiência que conhecem bem a intercâmbio de jovens, a cultura de lembrança, a transmissão de história, a mídia, política, cultura e outros assuntos relevantes na Alemanha, Europa e Israel. Atenção especial está sendo prestada ao modo de ver biográfico de história e tempo presente, a saber os hóspedes entram, na sua estadia no "Beit Ben Yehudah" ativistas de paz, colonos, sobreviventes da Shoáh, políticos ou escritores. Fim desse método do aprender história é um fortalecimento a longo prazo das relações entre as gerações na Alemanha, Israel e em outros países.

Elieser Ben Yehuda

Elieser Ben Yehuda nasceu em 7 de janeiro de 1858 como Elieser Yitshak Perelman na pequena cidade de Lituânia Luschki. Já com três anos aprendeu Toráh e Talmude e se ocupava com a língua antigo-hebraica. Na esperança de que Elieser iria tomar a profissão de um rabino, os pais o enviaram a uma yeshivah. Aqui pegou pela primeira vez contato com a iluminação judaica (haskaláh) e o sionismo. Chegou a ser aderente apaixonado da idéia de que os judeus da diáspora poderem em Eretz Israel [Terra Israel] construir um estado e viver ali autodeterminadamente com a sua cultura e língua próprias.

Em estadias de estudo em Paris e Algéria, Ben Yehuda fez a experiência de que o hebraico bíblico seja inteiramente aplicável no cotidiano para a comunicação entre judeus. Em numerosos artigos na imprensa judaica, fez propaganda da língua hebraica, a qual considerava elo unidor entre todos os judeus no mundo. Ben Yehuda encontrou nisso a resistência encarnecida em círculos piedoso-religiosos. Aqui se via o hebraico como, desde 2000 anos, língua exclusivamente judaica, a qual somente foi falada no culto divino, recusando o seu uso profano.

Em 1881, Ben Yehuda, com a primeira onda de imigração (Àliyáh), se mudou para Erets Israel. Pegado da idéia dum povo judaico falando hebraico, proibiu às suas seis crianças o contato a outras línguas. O filho mais velho de Ben Yehuda Ben-Zion está hoje considerado como o primeiro judeu nascido no país com o hebraico como língua materna.

O sucesso de Ben Yehuda era primeiro pouco. Só poucas famílias se juntaram ao seu exemplo de falar exclusivamente hebraico em casa. Colônias de língua hebraica como Rishon LeZion ficaram exceções. Só com a segunda onda maior de imigração a Israel no início do século 20, o hebraico chegou a ser a língua de cada dia dos judeus ali viventes e do sionismo político.

A concepção do primeiro livro neo-hebraico de palavras por Ben Yehuda proporcionou a base para a criação dum sistema de formação hebraico em Yishuv, o Israel pré-estatal. Em 1909, foi, com Tel Aviv, fundada a primeira cidade hebraica. Enquanto hebraico foi ligado a progresso, secularização e sionismo, em breve: à nova autoconsciência judaica, dialetos judaicos da Europa como o yídiche representavam o gueto da Europa oriental, a opressão e a pobreza.

O reconhecimento do hebraico como língua oficial na Palestina pelo portador do mandato britânico, Ben Yehuda não o experimentou vivo. Morreu em 16 de dezembro de 1922 por tuberculose. Hoje numerosas plaquetas de ruas lembram nele, e crianças de escola israelis lêem a biografia do seu filho — o primeiro judeu com língua materna hebraica.


Texto alemão: Friedensgespräche im Heiligen Land
Tradução: 13/12/2007


 
 

Pedro von Werden, SJ

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