CRISTÃOS E JUDEUS

 

"Pensavam que tivessem ganhado"

Rupert Neudeck

Comecemos com uma observação! Não conheço outro país em que esteja sendo mais discutido e refletido e publicado sobre a própria origem, sobre as condições das possibilidades de política e a necessidade de reformas, sobre guerra e paz do que em Israel.
…
Tom Segev - depois do seu grande livro historiográfico "A sétima milhão. O Holocausto e a Política de Israel da Lembrança" (1995) - escreveu um segundo livro, que retrocede mais no poço da história da Palestina: "Havia uma vez uma Palestina. Judeus e árabes antes da fundação do Estado de Israel" (2005). Quero primeiro esboçar em traços grossos esse livro, porque é a adução ao livro que saiu agora "1967".

Havia uma vez uma Palestina

O que nos assusta na leitura de "Havia uma vez uma Palestina": A divisão da terra Palestina era ligada com a deportação ou a "transferência forçada" dos árabes que ali viviam. No diário de Ben Gurion ocorre a palavra "transferência forçada". Era perante a comissão Peel, que — como Tom Segev escreve — era regiamente ocupada, em ouvir a qual Ben Gurion declarou em 1936 que a Bíblia fosse o "mandato" do povo judaico.

"Em concordância com a política sionista oficial, cuidava-se de usar o conceito 'estado'; tudo o que os judeus almejassem, seria um lar nacional. O mufti constatou que entre duas nações tão diferentes não houvesse uma possibilidade da coexistência em um único país, e que qualquer tentativa de forçar uma existência tal só fizesse mal a ambos os lados. A comissão Peel exercia até então uma pesquisa de fundo das causas ao conflito na Palestina; no entanto, a sua própria finalidade consistia, não em examinar alguma coisa, mas sim em ajudar o governo de se livrar do fardo da Palestina. O lorde Peel parecia já ter-se formado a sua opinião. 'As diferenças sociais, morais e políticas entre a comunidade árabe e a judaica já estão sendo intransponíveis, escreve ao ministro de colonização. O relatório final cita o provérbio inglês 'A metade de um pão é melhor que pão nenhum' — transferido então: 'O pardal na mão é melhor que a pomba no telhado' — e fazia propaganda entre judeus e árabes expressamente para uma divisão da Palestina."

Os judeus deviam receber Tel Aviv, a planície da costa, os vales do norte e uma parte da Galiléia, os árabes a beira ocidental do Jordão, a região montanhosa e o deserto no sul. Além da divisão, a Comissão Peel recomendava a mudança de milhares de famílias árabes das regiões do estado judaico projetado para dentro da parte árabe, em "imitação do 'intercâmbio' de população, o qual se iniciara entre a Turquia e a Grécia em 1923".

A "deportação", assim Tom Segev chama o transestabelecimento, não era naturalmente tão simples para ser motivada. Mas era já co-pensada desde Theodor Herzl. "Tentamos levar a população pobre despercebidamente através da fronteira, procurando-lhe trabalho nos países de passagem, mas negando-lhes qualquer trabalho no nosso próprio país, Herzl escreveu em junho de 1995 no seu diário. Tom Segev resume a posição dos sionistas com poucas exceções: "Fazer os árabes desaparecer era, não somente parte central do sonho sionista, mas também uma pressuposição indispensável da realização desse." Menachem Ussischkin, um sionista russo líder da primeira hora, disse: "Estou disposto a defender o aspecto moral (desse transestabelecimento. R.N.) perante Deus e perante a Ligação dos Povos." Era apoiado por Ben Gurion: "Não vejo nisso algo reprovável." Tom Segev cita uma expressão de Wladimir Ze'ev Jobotinsky da década dos anos quarenta: "O mundo se acostumou à idéia da migração em massa, é que até a incluiu no seu coração, escreveu Ze'ev Jabotinsky, apresentando que 'Hitler - seja ele tão odioso para nós como for — fez essa idéia ser chique no mundo inteiro'."

A noção do transestabelecimento era enraizada na idéia sionista, pois esta, nascida na Europa central, baseava-se na idéia de estabelecer o estado judaico na tradição da cultura européia, e não na do Médio Oriente. Essas considerações foram promovidas adicionalmente pela recusa árabe de concordar com a fundação dum estado com maioria judaica em algum lugar na Palestina e pela campanha árabe de terror.

Havia também uma minoria judaica que continuava propagando comuna binacional. Arthur Ruppin fundara a organização Brit Shalôm, uma associação de paz. No verão de 1930, Brit Shalôm esboçou muitas propostas para a transformação duma tal aproximação entre judeus e árabes, da comercialização comum de laranjas, da colaboração no Corpo de Bombeiros, da luta comum contra a malária até de sindicatos, partidos e escolas comuns. Ao mesmo tempo, organizações como com Brit Shalôm, Ihud e outras iniciativas privadas quiseram ficar fiéis à idéia sionista. A isso, Tom Segev escreve: "Por vezes, o risco de ser excluído do campo sionista inquieta mais que o perigo de que o sionismo pudesse levar a guerra." Martin Buber está sendo citado, que univocamente pertencia à essa gente: "Somos todos bons sionistas."

A certo mito, Segev, com o seu livro, tira o fundamento: "Se tivesse-se realizado a divisão, a história do nosso povo teria tomado outro rumo, e seis milhões de judeus na Europa não teriam sido matados — a maioria deles como estariam agora em Israel", Ben Gurion escreveu na década dos anos 50 numa carta. Ben Gurion aludiu com isso ao fato de que os britânicos, em 1938, começaram a distanciar-se do plano de divisão. Tom Segev escreve a isso que essa expressão carecesse de qualquer fundamento, também quando tomasse as prevenções de Ben Gurion como critério, pois a comunidade judaica na Palestina não teria tido condições de aceitar milhões de judeus. E também não se poderia falar em ocasião perdida. "Quando a proposta chegou à mesa, já não tinha mais chance de resolver o conflito pacificamente." De mais a mais, os britânicos não teriam tido mais interesse no plano da divisão porque, depois da insurgência árabe, não eram mais convencidos que a ocupação da Palestina estaria certa. "Ficaram somente porque não sabiam como se deveriam retrair."

Jefim Gordin vem à Palestina

Em muitos lugares se pode vivenciar, quanto os judeus imigrados na Palestina continuam cunhados pela Europa. Dois grandes capítulos circulam ao redor do, nesse sentido, sionista prototípico Jefim Gordin que, mais tarde, se deu na Palestina o nome de Chaim Shalôm Halewi. J. Gordin partiu no ano de 1926 de Vilna, Lituânia, para chegar ao país dos seus sonhos sionistas. Na escola secundária hebraica em Vilna passara o exame final e foi estimulado pelos seus professores a iniciar um estudo na Suíça ou na Itália. Mas Gordin escolheu o caminho marítimo à Palestina. No porto romeno Constanta escreveu aos seus pais um cartão postal: "Esse cartão postal é o último que escrevo como europeu; dentro de poucas horas serei um asiático." E continuou: "Não estou de luto por perder essa etiqueta bonita, cultivada de 'europeu'. Deus dê que tudo vá bem e nos tornemos a ver logo face à face no Monte Sião." Esse era o sionista entusiasmado antes da chegada em Palestina.

Mais tarde, fazia outras experiências. Procurava-se uma ocupação, sentava diante a máquina de escrever, mudou-se para o Hotel Vilna. Editou o por ele mesmo datilografado jornal "be-Artseinu"! ("No nosso País"). Antepôs ao jornal um moto de três partes:

"É bom viver no nosso país;
é bom sofrer no nosso país;
é bom trabalhar no nosso país."

Na primeira edição, descreve saudavelmente a vista do monte Carmelo: "Longe distante, onde o mar termina, Europa se situa; a Polônia está lá. Quantas lembranças estão ligadas a isso." Chegar a ser asiático, assim Tom Segev ressume, não lhe era fácil.

O ano de destino 1967

Com o livro "1967", Tom Segev se precipita na história da guerra de 1967: a história anterior, os dias da guerra, o tempo depois da guerra. É antes um livro sobre a situação ambiente da população israelense no tempo antes da guerra e do tempo da guerra e depois da guerra do que um livro sobre a guerra. E contém descrições comoventes e inesquecíveis daquele tempo sobre os quais até agora não foi reportado com tanta precisão. Muita coisa foi, por motivo do consenso, mantida embaixo do tapete. Lendo o livro, ele tem efeito de "encostador de porta", coma a revista britânica Economist em 26 de maio de 2007 o escreveu numa resenha da edição inglesa. Não se pode, com esse modo magistral, parar de ler. A apresentação das preocupações pessoais do reservista Yehoshua Bar-Dayan está sendo entretecida com as apresentações das decisões do gabinete israelense e do presidente americano Lyndon B. Johnson. Pertencia aos 40.000 reservistas que foram convocados já em 19 de maio 1967, brevemente depois do Dia de Independência (14 de maio de 1967).

Na gaveta de luvas do veículo confiscado pelo exército, que lhe foi dado à disposição, encontrou calendário de bolsa, no qual escreveu o seu diário. Deste, Tom Segev toma continuamente entradas para sondar o ambiente cotidiano no povo. Entre primeiras entradas conta a pergunta, que era para todos os reservistas e o povo inteiro de significado dramático: "O quê é que Nasser quer?"

Tom Segev pode citar dos protocolos de sessões de gabinete, de relatos segredos, também de relatos do serviço segredo egípcio. O acontecimento inteiro culminava nos dias decisivos em histerias de medo, conjurações políticas, cabalas e polemicosidades. Levi Eshkol, provavelmente um chefe de estado de grande responsabilidade, não tinha o esplendor e o carisma de conduzir o país para guiar o país nos olhos dos políticos líderes. Shimon Peres e Menachim Begin tentaram ganhar Ben Gurion para um renovado tempo de encargo, mas não sabiam que Ben Gurion era no fundo contra a guerra. Tom Segev descreve o ambiente entre os políticos e militares líderes. Aí estavam no caminho das propostas preventivas, da tática preventiva de intimidação, tratando-se aí rapidamente de chances perdidas. A isso vem ainda que a pergunta "O quê é que Nasser quer?", para a política israelense equivale à pergunta: "O quê é que A América quer?"

Medo, as Nações Unidas, Vietnã, os russos, o Holocausto, Dimona eram apontamentos que, na dramática extremíssima desse ano e dos últimos dias antes da guerra jogavam um papel.

Tom Segev usa a palavra alemã onomatopoética "Angst" [medo] no texto inglês. "Consenso do medo" diz num lugar dramático, onde cita as poucas tentativas de parar ainda que assim. Cita Akiba Ernst Simon, membros do movimento para um estado árabe-judaico binacional e Uri Davis, que liderava a luta contra o direito a guerra, os quais publicavam em "Há-aretz" uma chamada, na qual Israel está sendo solicitado para esperar antes que vá à guerra. "Quem ganha tempo, poderia ganhar também a paz." Mas, como Tom Segev declara, tais vozes alternativas se perdiam sem serem ouvidas no "consenso do medo". O choque dos israelis que seguiu a exigência de Nasser pela saída das tropas das Nações Unidas foi seguido pelo medo.

A Organização das Nações Unidas não tinha nesses anos um secretário geral forte, ou digamo-lo claramente, não um que, apesar da fraqueza da Organização das Nações Unidas, estivesse na condição de agir decididamente. O secretário geral daquele tempo, Sithu U Thant, era sem fantasia e se declarara imediatamente a cumprir a exigência de Nasser para a saída dos Capacetes Azuis do Sinai. Teria, porém, de proteger os seus Capacetes Azuis. Dag Hammerskjöld, o predecessor de U Thant, que perdeu a vida numa caída misteriosa no Congo, assim Tom Segev cita uma testemunha diplomática do tempo, teria reagido bem diferente à exigência do Egito: "Devagar, devagar, schwaje, schwaje — agora é que tomo primeiro um avião a Cairo, tentando pelo menos ganhar tempo e alisar as ondas."

O quê teria havido se?

Sempre mais uma vez Tom Segev solicita a figura não permitida para o historiador e para os contemporâneos, mas sempre palpitante e produtiva do "O quê teria havido se?": Tivesse Thant sido mais criativo, experto, auto-crítico e corajoso, teria podido evitar a guerra." Da perspectiva daquele que na retrospecção sabe que o ganho de terra depois da Guerra dos Seis Dias trouxe, não a tranqüilidade e força duma posição incontestada na comunidade dos estados, mas sim insegurança e perigos que nunca querem terminar, essa pergunta atravessa o livro inteiro: Não teríamos tido evitado a guerra, metendo-nos a um outro lado-a-lado reconciliante com os estados árabes?

Uma pergunta semelhante é que Tom Segev se põe depois da descrição de todas as tentativas de Shimon Peres e Menachim Begin para ganhar o fundador do Estado de Israel, Ben Gurion, para o cargo de presidente de ministros e para convencer Levi Eschkol a chegar a ser o seu vice. "Ben Gurion, entrando no governo, teria podido evitar a guerra ou, pelo menos podido reduzi-la a uma reabertura do estreito de Tirã? E qual dos dois cavalos de tração Eshkol e Ben Gurion teria talvez pulado sobre a própria sombra para impedir a guerra?"

Vietnã jogava um papel grande: "Se os americanos não estivessem arruinados em Vietnã, tudo estaria muito mais simples", Levi Eschkol está sendo citado. Esquecemos hoje rapidamente que, antes de 1989, todas as posições eram determinadas pela posição da Guerra Fria. Tom Segev cita do diário do Bar Dayan: "Todos estavam de uma única opinião: A guerra estaria inevitável, e os russos teriam culpa disso."

Dimona e o estreito de Tirã são os dois apontamentos que decidiram provavelmente de começar a guerra em 5 de junho de 1967. O chefe do reconhecimento, Aharon Yariv, já chegara em 20 de maio à avaliação de que os egípcios estivessem concentrados para ataque e não para a defesa. Razão para essa mudança de opinião era a suspeita de que o Egito quisesse destruir o reator atômico de Dimona, antes que Israel estivesse em condição da construção duma bomba atômica.

Todo o edifício da segurança de existência de Israel pousava no axioma: "Evitar qualquer ação não aprovada pelos EUA." Os EUA solicitaram depois do 23 de maio de 1967, quando Nasser arisco fazer o golpe fechando o estreito de Tirã, um moratório de quarenta-e-oito horas. O gabinete de Levi Eschkol enviara imediatamente o ministro do exterior, Abba Eban, a Washington, o que se lamentou depois, pois durante a permanência nos EUA não se podia naturalmente atacar.

Levi Eschkol, assim chega a ser claro na exposição de Tom Segev, foi empurrado para dentro da guerra pela histeria do medo, na qual o povo se encontrava, e a histeria dos planos militares preventivos dos generais. No círculo dos ministros, Levi Eschkol fez declarar: "Israel não queria guerra nenhum. As convocações a devem impedir. Caso que aviões egípcios invadirem o espaço aéreo israeli, a força aérea iria responder fortemente a isso." Yitschak Rabin — essa é um dos não suprimidos humanismos nesse livro — sofre um colapso nervoso. Expusera-se a um colóquio com um adversário da guerra. Rabin teria espalhada de repente insegurança ao redor de si. Quando Eser Weizmann o visitou na sua casa, sentava "deprimido e quebrado" na sua sala de estar..

Política de lembrar depois do processe de Eichmann

Sobre o trato do Holocausto, Tom Segev escreve que sempre teria oscilado entre sentimento genuíno e argumentação manipulativa, "e ambas as coisas nem sempre se deixam manter facilmente separadas". Manipulativa era naturalmente a equiparação plana de Nasser com Hitler. Tom Segev, cita Ze'ev Schiff, que escreveu: "Nasser se exprime tão claramente como Hitler na véspera da Segunda Guerra Mundial" e David Ben Gurion que disse: "Ninguém de nós pode esquecer o Holocausto (…), e quando alguns líderes árabes, com o egípcio na ponta, declaram dia e noite que Israel deva ser destruído, não podemos deixar de fazer caso disso." Isso, assim Tom Segev o verifica, era também a linha da propagando pública. O ministério do exterior israelense ordenou a embaixada de Israel em Washington que solicitasse um encontro urgente como o redator gerente do New York Times, James Reston, e convencer este que a única diferença entre Nasser e Hitler consistisse em que Hitler tivesse afirmado que o que ele mesmo quisesse seria paz, enquanto Nasser se confessas claramente para a destruição de Israel. O medo, sobre isso Tom Segev não deixa o leitor em dúvida por momento nenhum, o medo pela existência nua era realmente real.

Em 1966, um primeiro grupo de jovens israelenses visitara os campos de extermínio na Polônia. Tom Segev cita Ofer Feniger, um homem jovem, que descreve a atitude que se estava cristalizando depois do processo de Eichmann numa carta à sua amiga: "Sinto que de todo esse horror e desamparidade resulta em mim uma força poderosa. Forte até nas lágrimas, aguda como faca, tranqüila e formidável: Assim quero ser! Quero ter certeza de que nunca mais olhos vazios se cravem atrás de cercas elétricas!"

Para a apresentação da guerra mesma, Tom Segev usa nos seu livro somente as páginas 403 a 497, como se o importante seria, não a guerra, mas sim a pergunta de devia ter chegado a essa (400 páginas)? E o que trouxe para os quarenta anos seguintes (300 páginas)? Assim a gente percebe no livro de Tom Segev que o governo israelense se preocupava, menos da duvidosidade da guerra preventiva e ocupação, do que pelo fato de como se quisesse tratar com um milhão adicional de palestinenses. Para Tom Segev o sionismo, com a sua atitude, perdeu a sua reputação internacional, pois um estado, que tivesse tido certeza das suas melhores raízes, teria havido força suficiente de assumir no seu país mais que um milhão de pessoas. Porque não lhe deu na cabeça construir um relacionamento de vizinhança aos árabes e aos estados árabes? Essa é a base no livro "1967" de Tom Segev.

Detalhadamente, Tom Segev descreve como a esperança de transferir os árabes da Palestina a outras regiões do mundo acompanhou o movimento sionista desde o começo. Já no ano de 1962, Esra Danin, um dos agentes segredos do movimento sionista e mais tarde conselheiro para assuntos árabes no ministério do exterior israelense, tinha a idéia de acordar fugitivos palestinenses à emigração para Alemanha. Como a República Federal Alemanha tinha naquele tempo uma grande precisão de forças de trabalho estrangeiras, Israel tentava conseguir um convênio entre Alemanha e Jordânia. Com a ajuda dos sindicados alemães, isso devia efetivar uma emigração em massa de refugiados palestinenses. Uma oficial do ministério do exterior israelense, Ruth Wolf, está sendo citada por Tom Segev: "Talvez será necessário indicar perante os alemães que eles, por causa do Holocausto, carregam 'culpa' especial na fundação do Estado de Israel. Aqui se oferece a oportunidade de ajudar no re-estabelecimento de refugiados, cujos problemas resultam da fundação desse estado."

Depois da Guerra dos Seis Dias, Ada Sereni foi encarregada para isso Os planos da transferência eram ainda segredos, mas ao mesmo tempo, pelo mundo inteiro foram sondadas possibilidades para eles.

"A esperança de que o problema de refugiados possa ser resolvido por meio de países longínquos de imigração recebeu alimentação nova de uma direção inesperada. O senador americano Edward Kennedy apoiava o plano de distribuir 200.000 fugitivos da Faixa de Gaza no mundo inteiro. Entre 25.000 e 50.000 deles deviam encontrar um novo lar nos Estados Unidos. Jacob Javits, outro senador, iniciou um plano para o re-estabelecimento de refugiados, e o cônsul israeli em Nova Iorque relata que a Igreja luterana prometeu a sua ajuda.Também da Austrália é que chegaram finalmente notícias positivas. Em cooperação com 'agentes de viagem' de Gazit e Sereni, e obviamente também com Mossad, o ministério do exterior israelense fez o que podia para motivar refugiados para a emigração para o Brasil e outros países da América do Sul. Já nas primeiras semanas depois da guerra, os embaixadores israelenses nesses países foram solicitados a preencher um questionário sobre as perspectivas de imigração. Em agosto de 1967, Eschkol escreveu a Eban que tirou de conversas com o embaixador brasiliano em Israel a conclusão que milhares senão 'dezenas de milhares' poderiam ser animados para a imigração nesse país. O ministério do exterior informou Gazit sobre a chegada dum agente de viagem do Brasil, o qual era especializado em emigrantes."

Ao lado dos 95 páginas que são dedicados ao decorrer da guerra, Tom Segev usa as 700 páginas restantes do livro para a descrição da situação e da política de Israel. Apresenta os fatos detalhadamente. Algumas coisas, a gente pensa ao ler, é que não se precisa sabe-los tão exatamente. Mas a gente percebe a intenção. O autor quer expor a dependência de Israel da política americana. Até para dentro dos últimos dias e horas antes da Guerra dos Seis Dias, os israelis eram preocupados com só uma coisa, que os EUA não os fossem seguir. Mas desenvolve-se, sob o ministro do exterior americano Robert McNamara e o chefe da CIA Richard Helms, a noção de que os generais seriam os americanos melhores. O que os militares em Vietnã não trazem mais, está sendo realizado pelos heróis no Médio Oriente. Os EUA estavam somente preocupados com não pôr dentro a União Soviética.

Leviana era a maquinaria e ideologia de Israel. Decidiu-se rapidamente, para proteção das regiões de fronteira, ocupar a Faixa de Gaza. Um general está sendo citado: "Seria pena renunciar à manchete 'Gaza em nossas mãos'." No entanto, alguém chegou a seguir a dizer: que se deveria então — depois da conquista de Gaza — cuidar dos refugiados. O general citado disse somente: "Isso devemos deixar para outros", entendo com isso a Organização das Nações Unidas.

Moshé Dayan, que Levi Eschkol precisara fazer ministro de defesa, Abba Eban, Yigal Allon und Meir Amit encontram-se ainda um dia antes que o sinal para ataque está sendo dado. Dayan era para o começo imediato da guerra. A força aérea egípcia devia ser destruída imediatamente, o Sinai — não porém a Faixa de Gaza — ocupado. A força que foi exercida em Levi Eschkol conduziu consigo o cheiro dum golpe geral.

"Anos mais tarde, Yigal Allon disse que da vista militar, uma única semana de espera não teria selado o destino de Israel. O governo e os militares teriam temido que o adiamento levasse a mais vítimas de morte. Mas um perigo existencial para o estado não teria havido. 'A crise era de espécie psicológica.' Não a situação da fronteira, mas sim a crise de confiança do governo teria sido a causa principal para a guerra. 'Até hoje me pergunto se as coisas sem aquele balbuciar na alocução de rádio não teriam talvez tomado um outro rumo?' Obviamente, Israel era fraco demais para evitar a guerra."


Texto alemão: "Sie dachten sie hätten gewonnen" em ORIENTIERUNG 71 (2007), pp. 245-248 http://www.orientierung.ch

Tradução: 23/12/2007


 
 

Pedro von Werden, SJ

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