CRISTÃOS E JUDEUS

 

Porquê é que João - no capítulo 19, versículos 7 e 12 - gritarem, sendo ele mesmo judeu?

Não pode ser senão um pequeno grupo de gritadores, os quais então difamaram um povo inteiro?

Herbert Hoffmann

Não somente difamaram. A final, esse trecho do evangelho de João, no decorrer da história, continuamente levou a motivar a perseguição de judeus, até ao holocausto deste século, e não só racista e nacionalista, mas também religiosamente. Cristãos têm chamado os judeus de assassinos de Deus e os responsabilizado em bloco pela execução de Jesus. Daí, o caminho para responsabilizar os judeus de todos os tempos pela morte de Jesus, freqüentemente, não era muito longe.

Se, porém, não tem participado senão um pequeno grupo de gritadores, ..., quem então eram aqueles que entregaram Jesus aos romanos para a execução? Quem estava interessado em tirar Jesus do caminho? Eram uma vez os representantes da aristocracia do templo, então saduceus, os quais temeram pela sua influência, se Roma precisava proceder contra supostos ou reais agitadores do povo. Obviamente, o rábi Jesus de Nazaré causava tanta sensação que se contava com crescente inquietação ou até com uma sublevação, já que veio com os seus discípulos da Galiléia, onde os rebelados zelotes estavam em casa. Outros adversários Jesus tinha nas fileiras dos fariseus fiéis à lei, embora ele mesmo proviesse da casa farisaica. Se o cumprimento minucioso da lei é o caminho à salvação, alguém que tudo nova e originalmente fala da vontade de Deus neste mundo escutando essa vontade do livro-texto da vida, deve aparecer um blasfemo. Vieram dele palavras inauditas na sua época: O sábado existe para o homem, não o homem para o sábado (Mc 2,27). Critério e fim para o agir humano deve ser o amor de Deus e do próximo.

Execuções de agitadores, então, eram na ordem do dia na província romana, com mais ou menos publicidade. Não menos que 7000 sentenças de morte teriam sido executadas durante os dez anos do período de mandato do procurador Póncio Pilato. Porquê, então, João encena a sua história de paixão assim que Póncio Pilato aparece um como advogado de Jesus, o qual não encontra causa para o condenar (Jo 19,4), enquanto os judeus constantemente exigem a sua morte?

Seja quem for o autor do evangelho de João - a questão não pode ser respondida com certeza -, escrito foi pelo fim do primeiro século. Mais do que os evangelhos antecedentes, refletia o crescente alheamento entre os judeus e os cristãos. Tem-se ainda em conta que os cristãos, como representantes duma religião não reconhecida, eram continuamente expostos às chicanas romanas, assim que apareceu recomendável exonerar os romanos, na pessoa de Póntio Pilato, da culpa da execução de Jesus, para não sofrer ainda mais opressão.


Is 3310s.: Agora levanto, diz YHVH(adonáï), ... RUHaKéM - vosso sopro é fogo pelo qual vos comeis a vós mesmos.
377 (=2Rs 196s.): ... Assim está dizendo YHVH(adonáï): ... Eis! estou dando nele RÚaH um espírito, e está ouvindo notícia e está voltando a seu país, e o abato por espada no seu país.

Semanal da diocese de Aachen, Alemanha, 3/1999, p. 10

Tradução: 2/2/2008


 
 

Pedro von Werden, SJ

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