CRISTÃOS E JUDEUS | |
Jesus o JudeuWilliam LoaderDeixai-me começar reconhecendo certa hesitação no tratar desse tópico! Estou na tradição cristã. O que estou fazendo, falando sobre judaicidade? Contemplei mudar o título da minha fala para 'Jesus, não um não-judeu'. Ainda, estou cônscio de que, tratando um tópico tal dentro do contexto do diálogo judaico-cristão, não posso e não devo evitar o contexto e a história mais amplos que circundam o assunto. Em muitas culturas, reuniões formais começam como um momento de luto e relembrança dos mortos. Isso é apropriado aqui. Pois nos estamos dirigindo a um tópico que, em algumas mãos, chegou a ser o chão para ódio aos judeus, encontrando a sua manifestação mais horrível no Holocausto. Essa pena pertence à verdade, com o faz a culpa incorporada que compartilho como membro de uma tradição que favorecia a sua causa. No entanto, essa tradição me leva ao arrependimento e a busca pela verdade. Abordo o tópico 'Jesus, o Judeu' como um historiador.2 Em particular, o abordo como um historiador dos escritos primitivos cristãos, comumente chamados de Novo Testamento da Bíblia Cristã e do mundo social, cultural e religioso em que esses escritos surgiram. Tenho justamente um estudo maior, intitulado 'Jesus. Atitude a respeito da lei'. Um estudo dos Evangelhos3 e outro visavam um público de leitores mais amplo, intitulado 'Jesus e o Fundamentalismo do Dia dele'.4 Onde a gente começa? Quais são as nossas fontes para discutir Jesus, o judeu? As nossas fontes primeiras são os evangelhos cristãos. Aqueles do mais valor histórico para o nosso assunto são os quatro incluídos na Bíblia Cristã, os Evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João. A isso, o historiador moderno toma em consideração o Evangelho de Tomas, um evangelho do segundo século contendo ditos de Jesus, muitos dos quais preservam tradição primitiva. Os evangelhos cristãos começaram a emergir na quarta década depois da morte de Jesus. Exceto dum prólogo breve que alguns têm, preservam coleções de anedotas e ditos enfileirados juntos, dentro uma estrutura narrativa de menos de um ano, no caso de Mateus, Marcos e Lucas, e de três anos no caso de João. Cada evangelho reflete autoridade cuidadosa, muitas vezes adaptando habilidade literária, mas também perspectivas ideológicas, informadas pela fé cristã de comunidades particulares da Igreja e das concernências destas. Observando o modo em que os autores de Mateus e Lucas re-escreveram Marcos, podemos apreciar tanto a natureza conservativa do processo de transmissão como o modo em que esse, não obstante, levou a mudanças, por vezes sutis, por vezes radicais. O que eles, escrevendo na década dos 80, fizeram com Marco, precisamos assumir que Marcos o fez, pelo fim da década 60 ou no início da década dos 70; com as suas fontes, e como as daqueles, formam um fundo através de quarenta anos. Isso o faz difícil reconstruir o teor exato do dito de Jesus e, por vezes, mesmo saber se aquilo que temos diante de nós é histórico mesmo, ou parte dos processos criativos da tradição. A busca para o Jesus histórico e a busca para os temporários históricos de Jesus, dos seus co-judeus são carregadas igualmente com dificuldades. Ambas as imagens são coloridas por eventos subseqüentes. O historiador precisa ponderar cada unidade do material criticamente, fazendo isso em diálogo com outros que procuram a mesma diligência crítica, dos quais não há poucos! Aqui, não há atalhos, sejam estes inspirados por asseverações dogmáticas de valor histórico ou por reconstruções baseadas em códigos de PeSheR [interpretação] ou empenho jornalístico. Por vezes, a obra criativa dos portadores da tradução de Jesus está relativamente manifesto para todos verem. Assim, muito do Evangelho de João assume o caráter duma peça teatral em que Jesus, como a personalidade líder, vocaliza a fé da comunidade, e os oponentes vocalizam aquela dos oponentes da comunidade. Mas isso é o caso em todos os outros evangelhos. Tudo isso é coisa de degrau. E, semelhantemente, em tudo há matéria de valor histórico indubitável, inclusive no Evangelho de João. A nossa informação sobre Jesus, o judeu, precisa, portanto, ser avaliada à luz do contexto literário e histórico dos evangelhos. Tem também de ser avaliada à luz de fontes mais amplas sobre o mundo do tempo, especialmente do religioso, social e cultural da Palestina no primeiro século. Aqui enfrentamos outra vez o desafio das fontes avaliadoras. A tradição tanaítica da MiShNóH e da TOÇéFTA e dos primitivos MiDRaShíM acaram o mesmo inquérito rigoroso como os evangelhos: não precisa ser necessariamente assumido que atribuições, preservadas do fim do segundo século em diante sobre os ditos alegados e pareceres do Judaísmo pré-70 sejam exatas. Aqui, também, não há atalhos que nos capacitem a pularmos cento e trinta anos para trás. No entanto, há pouca dúvida de que muito das tradições é muito mais antigo que o tempo da compilação da MiShNóH, refletindo vida e valores já presentes antes da destruição do Templo. As décadas recentes descobriram e recuperaram uma ordem rica de escritas judaicas que emanam do século primeiro da era corrente e antes. Além do imenso corpo de Filo e Josefo e de vários testamentos, tratados, contas e obras apocalípticas, que já era conhecido por muito tempo, temos agora os manuscritos diversos da livraria encontrada em Qumran no Mar Morto. A arqueologia também joga um papel significante, especialmente quando combinada com estudos demográficos, econômicos e sociológicos. Sabemos muito mais sobre a Galiléia e a Judéia do que tivera sido sabido por gerações prévias. Algo disso depende em informação nova; algo depende de olhar uma informação antiga em modos novos. A gente precisa só mencionar a avaliação nova do impacto da helenização na Palestina ou a complexidade de movimentos políticos e sociais do tempo. A análise bem supersimplificada do Judaísmo pré-70 para três seitas ou partidos maiores, Saduceus, Fariseus, Essênios (e, como quarta, Zelotes) deu caminho para a percepção de que até dentro desses havia diversidade considerável e além desses também. Ao mesmo tempo, havia uma apreciação crescente dos sistemas sociais e culturais do mundo mediterrâneo, a qual vai longe além de um foco a indivíduos, como se esses estivessem independentes do seu mundo.5 Essa é porta apropriada pela qual a nossa discussão de Jesus, o judeu, entrar. Não há disputa sobre a afiliação étnica, nem sobre o fato de que ele cresceu na Galiléia. Era um judeu do norte, provavelmente descendente daqueles judeus assentados pelos hasmoneus na região um século antes. Deferente de muitos dos seus contemporâneos, com Filipo e André, Jesus tinha um nome judaico: YéShUA`, abreviação de YeHOShUÁ`. Nomes familiares indicam um cometimento forte às tradições de Israel: irmãos YaÀQôB (Tiago), e YOÇêF (José), e ShiMÓN (Simão) e YeHUáH, e pai José e mãe Maria/MiRYaM.6 Mesmo sem saber mais que isso, podemos assumir que Jesus e a sua família eram observantes da Toráh, pagavam dízimos, observavam o Sábado, circuncidavam os seus homens, atendiam a sinagoga, observavam as leis de pureza a respeito de alimentos, mantinham os dias de purificação em relação ao nascimento e menstruação, observavam o código de dieta e se pode continuar a todos os outros elementos da Toráh que se aplicavam à vida diária. Enquanto os evangelhos cristãos recordam disputas sobre a interpretação de Jesus de alguns poucos desses, e a esses voltaremos, estamos, sem dúvida, em chão seguro no assumir que Jesus, como a sua família, era observante. Em tais sociedades estreitamente organizadas, não-observação se teria salientado. Teríamos ouvido dela. Mateus até nos conta que Jesus usava borlas como marco de cometimento à observância da Lei e, certamente, Marcos indicara o mesmo. A noção de um Jesus cristão, que não vivia pela Toráh ou somente pelos valores éticos dela, não corresponde às realidades históricas. Jesus era, primeiro e antes de tudo, um judeu, um de dentro, de fato, sugiro, se alguma coisa, bem conservativo. Creio que algumas anedotas preservadas nos escritos de evangelho corroboram essa análise.7 Confrontado por uma mulher gentílica, uma siro-fenícia querendo ajuda para a sua filha, a primeira resposta de Jesus é: '"Deixa as crianças serem alimentadas primeiro! Não está reto tomar o pão das crianças e o jogar aos cachorros" (Marcos 7,27). Marcos não está embaraçado a mencionar isso, porque prossegue mostrando que a mulher astuta persuadiu Jesus baixar as barreiras respondendo à necessidade dela. Uma reação semelhantemente conservativa aparece, quando um leproso irrompe as barreiras estabelecidas e pede nos pés de Jesus para cura (1,40-44). Um dos nossos manuscritos mais antigos reporta que Jesus estava furioso (1,41D) e todos concordam que mandou o homem asperamente ao sacerdote com a lembrança de que faça a oferta prescrita (1,43). A sua ofensa ao ser tocado pela mulher com o fluxo de sangue (Mc 5,25-34), provavelmente, reflete a sua sensibilidade sobre a impureza dela na forma mais primitiva da história. A sua resposta ao centurião gentílico querente ajuda para o seu filho está inicialmente protelando: "Estou para vir e o sarar?" (Mt 8,7). Isso é porque o centurião responde imediatamente confessando a sua indignidade: "Não sou digno para venhas sob o meu telhado." Sentiu a hesitação de Jesus e entendeu porque. Lucas tem Pedro tendo a mesma reação nos dias da Igreja primitiva, precisando de intervenção do céu para o persuadir de outra maneira. Jesus responde aos pedidos do homem, mas mesmo assim, como com a mulher siro-fenícia, não entra na casa gentílica. Essas não são respostas judaicas do tempo. São talvez respostas judaicas conservativas típicas. É notável que têm sido preservadas. O mesmo conservatismo se reflete em algum degrau no mando de Jesus aos seus discípulos que não entrem no território samaritano ou se aventurem nas áreas de gentílicos na sua missão (Mt 10,5-6). Via a sua missão própria e a deles uma como 'às ovelhas perdidas de Israel'. Quando Mateus remodela a história de Marcos sobre a mulher siro-fenícia (Mt 15,21-28; cf. Marcos 7,24-30), explica a atitude de Jesus em palavras exatamente essas: "Estou enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 15,24). E, para reforçar o ponto, Mateus descreve a mulher como cananéia! Lucas preserve atitude similar. O arrependimento celebrado de Zaqueu, o coletor de impostos, que fazia restituição quadruplicada pelos seus malfeitos, recebe a acolhida de Jesus: "Hoje a salvação veio a esta casa" (Lucas 19,9). As palavras que seguem são reveladoras: "Porque ele também é filho de Abraão." O fato de que Jesus focalizou somente nos seus co-judeus, também faz bom sentido da história subseqüente, quando os primeiros cristãos tinham para agarrar como se quisessem expandir os seus horizontes ou não e, então, em que base. Isso chegou a ser problema, porque Jesus o fizera claro que a sua missão era a Israel. Qual era a sua tarefa? Quando nos dirigirmos à tarefa de Jesus, começamos ver o padrão ou estrutura de pensamento, os quais tinham provavelmente um lugar para gentílicos no tempo. A gente pode pensar da tarefa de Jesus como aquela de um curador. Afinal, a maioria dos incidentes que mencionei até agora é dessa natureza. A anedota que nos conta que João Batista inquiriu sobre o papel de Jesus tem Jesus respondendo por descrevendo as suas atividades de curar. Mesmo permitindo exagerações e exageros que inevitavelmente acompanham heróis, há pouca dúvida de que Jesus estava reconhecido como curador por fé e exorcista, seja positiva, ou seja, negativamente. Curadores por fé e exorcistas eram raros, mas não desconhecidos nas tradições proféticas e carismáticas de Israel como também entre outros povos. Mas Jesus via tal atividade dentro de uma perspectiva mais ampla. Numa era de intranqüilidade e opressão, mesmo se, por vezes, opressão simplesmente calma e inerte ou comprometida pelo alívio de sobrevivência, havia uma variedade de respostas às que eram vistas como forças que não eram de Deus, especialmente regentes políticos. Muita gente tinha saudades pela libertação de Israel. Lucas está, provavelmente, não longe desse marco, quando retrata judeus devotos, que oram no Templo pela volta das fortunas de Israel, pelo jogar para baixo os poderosos e pelo levar para cima os pobres (Lucas 1-2). Jesus pertencia à escola de João Batista, pelo menos, na escola de pensamento deste. João anunciou que Deus levaria o mundo ao julgamento e chamar Israel a prestar contas. As pessoas poderiam perceber isso, se submeter a si mesmas ao julgamento de Deus e mostrar que isso entendiam deixando-se submergir no Rio Jordão. O Jordão era um ponto de volta em mais que um modo. Assim, os batismos marcaram um começo novo. Jesus mesmo se batizara. Desse fato há pouca dúvida. Ele, também, submetido ao julgamento e à promissão de Deus. As tradições do evangelho nos contam que esse evento de repente tornou o de trinta anos num profeta cheio de espírito que proclamou a mensagem de Deus e realizou atos de liberação através de curar. Essa era a sua missão. Nos primeiros três evangelhos, essa cena idealizada sinaliza o fim do ministério de João e o início da obra de Jesus. O Evangelho de João os tem obrando como contemporários por um período. Seja qual for a realidade histórica, o encontro com João é altamente significante para entender Jesus o judeu. João enfrentara a apatia daqueles que repousaram no seu status de crianças de Abraão, não observando a Lei. Chamou para mudança séria. Jesus era semelhantemente confrontacional e semelhantemente exigindo. A Lei de Deus permanecia. Não havia nenhum remendar com mesmo o menor traço duma letra. Mateus está provavelmente certo quando mostra Jesus saindo fora do seu caminho para prender suspeitos de que de modo algum procurou minar a Lei (5,17-19). Mateus o tem no ataque, como João, contra gente que diluía a Lei. Os contrastes muito-celebrados que o Jesus de Mateus cria (5,21-48) eram, não contrastes entre o que a Lei ensinou e o que ele ensinou, mas sim entre os modos que as pessoas ouviram a Lei e aquilo que esta realmente significava. Assim, como outros grandes professores judaicos do seu tempo e depois, Jesus ralhou, não só contra assassínio, mas sim contra ira e ódio, não só contra adultério, mas contra exploração lúbrica de mulheres. Como alguns dos professores mais rigorosos do seu dia, atacou juramentos e divórcio. Nisso chamou para uma moralidade ainda mais alta que aquela que a Toráh mandava, justamente como o fizeram os escritores do Rolo do Templo e os professores de Qumran. É tão descaminhador ver esses comentários como ab-rogantes a Toráh na parte de Jesus como seria acusar os radicais de Qumran do mesmo. Está também claro que Jesus esposou uma atitude a respeito da Toráh que possa descrever uma hierarquia de valores. Encontrou acordo com um escriba no afirmar que o maior mandamento era amar Deus e o segundo amar o seu vizinho (Marcos 12,28-34). Esses importaram mais que todos os sacrifícios que alguém pudesse oferecer. Os Salmos e os Profetas já afirmaram isso. Lucas nos conta um número de histórias que sublinham o mesmo ponto. O modo de viver é observar os mandamentos, e isso significa aprender ser vizinho daqueles que estiverem em necessidade, como o bom samaritano (10,25-37). Numa imagem de céu e terra, Abraão deplora a falha de pessoas para atenderem a chamada à compaixão para com os pobres (16:28-31). Marcos preserve uma anedota, segundo a qual um homem rico se aproximou a Jesus com o assunto do modo de herdar a vida eterna (10,17-22). O encontro é instrutivo e indubitavelmente reflete incidente histórico. Endereçado como "Professor Bom", Jesus imediatamente recusa o cumprimento: "Porque me chamas de bom? Ninguém é bom exceto um Único: Deus." Podes ouvir ecos do ShMA`. O que é a resposta de Jesus à pergunta do homem? "Conheces os mandamentos!" Marcos nos conta que Jesus olhava o homem com afeição quando declarou que desde a juventude observara os mandamentos. Mas a seguir a resposta de Jesus expõe uma falha radical. Desafiado a vender os seus bens e os dar aos pobres e se juntar a Jesus, o homem desiste e vai embora triste. Não era que Jesus estava adicionando aos mandamentos ou exigindo que se convertesse. O desafio de Jesus expôs a falha do homem para entender o que subjaze aos mandamentos: compaixão pelos necessitados. Mantendo práticas retas ao significado da letra não significa nada, se não haja compaixão. Jesus desejava que pessoas lhe seguissem nisso. Mas como professor, não propriamente como um 'professor bom', porque Deus era o centro das coisas. É interessante encontrar Jesus, por vezes, em caminho de guerra como João contra mal-prática. Ataca hipocrisia (Marcos 7,1-13; Lucas 11,37-52). Ataca líderes que vestem uma aparência, exploram os pobres, as viúvas. Como João e como os profetas, alerta para desastre impendente, se as pessoas abandonarem os modos de Deus. Levará a destruição do Templo, adverte (Marcos 13; Lucas 13,34-35). Isso importa porque o Templo é casa de Deus (Marcos 11,17; João 2,16). João fala do zelo de Jesus pelo Templo (João 2,17). Levará à sua caída, como veremos. Jesus não atacou o Templo em si mesmo ou os sacrifícios deste, tampouco que os profetas antes dele o fizeram. As coisas de Deus eram para serem dadas a Deus, incluindo isso sem dúvida os dízimos (Marcos 12,17). Mas atacou algumas pessoas por serem preocupadas com quantidades minuciosas de ervas, de fato, algumas que a MiShNóH explicitamente isenta, enquanto negligenciando justiça e amor de Deus. Mas é interessante como aquela confrontação termina. Referendo-se a tais valores e a dizimação minuciosa declara: "Deveste ter observado estes, enquanto não negligenciando aqueles" (Mt 23,23; Lucas 11,42). Isso é, que afirma tal dizimação, todavia. Jesus demanda pô-lo em continuidade com João. Com João, compartilha a crença de que as pessoas devam ser responsáveis e que enfrentarão o julgamento divino. Até parece compartilhar a visão de João que tal julgamento deva estar perto a mão. Mas está nesse ponto que discernimos também diferenças. O pouco que temos do ensinar e pregar de João focaliza no julgamento. No ensinar de Jesus, o clímax da história está, pela maior parte, retratado em termos muito mais prometedores. Jesus emprega as visões bíblicas de esperança, especialmente de Isaias: 'Como bonitos nas montanhas são os pés de alguém que proclama a Sião: O teu Deus reina' (52,7). Os exilados olhavam para aquele dia glorioso. Essa visão gloriosa inspirava Jesus. O Israel pobre é para ouvir essa notícia boa: "Abençoados sois vós pobres, porque vossos é o reino de Deus, benditos sois vós que tendes fome, porque sereis saciados; abençoados sois que choram, rireis!" (Lc 6,20-21). Imagens de uma festa grande, de alegria e riso, de colheita e plenitude abundam no ensino de Jesus. Proclamou a esperança bíblica: Deus está montando o Seu reinado. A vida será transformada. As crianças de Israel se reunirão de todos os perímetros e festejarão junto com Abraão, Isaac e Jacó no reinado (Mt 8,11; Lucas 13,28-29). Exatamente a sua escolha de doze discípulos reflete a judaicidade da sua esperança: Israel cresceria como uma árvore. Talvez compartilhou também da esperança comum tão belamente retratada nos Salmos de Salomão de que os gentílicos, também, afluíssem para se juntarem a Israel na veneração de Deus (Sl 17). Aí encontrariam um lugar de se aninhar. Talvez haja uma insinuação disso nas aves encontrando sombra sobre o arbusto de mostarda (Marcos 4,32; cf. Lucas 13,19). Quando Jesus de Nazaré saiu de João, entrando nas áreas povoadas da Galiléia baixa para proclamar a sua mensagem, estava refletindo esse otimismo novo sobre o futuro. O reinado de Deus, o reino de Deus estava à mão (Marcos 1,14-15). Como a oração QaDÍSh, a oração que ensinou aos seus seguidores, incluía a petição de que o reinado de Deus seja logo estabelecido: "O Teu reinado venha!" (Lucas 11,2; Mt 6,10). A alegria de expectação transbordou na espera presente, assim que o próprio presente chegou a ser apanhado na realidade da esperança. Mas havia mais a isso que aquilo. Jesus parece ter identificado as suas próprias realizações e tarefa como pertencentes à estratégia de Deus para a introdução do reinado. Aqui está onde pôs os seus milagres e atos de exorcismo. Executados na força do espírito, eram indicações do triunfo sobre o mal e a dor que estavam por vir. "Se pelo dedo de Deus expilo os demônios, então o reinado de Deus veio sobre vós" (Mt 12,28; Lc 11,20). Não só a atividade de curar de Jesus, mas também a exposição da lei de Deus pertencem ao contexto da sua visão do futuro. Em algum modo, era isso que se pudesse esperar. Se desejares o que será o triunfo de Deus no fim, então desejarás certamente que esse triunfo já chegue a ser realidade no presente. A visão da paz futura encontra o seu eco no ensino de Jesus sobre confiança: desafiou a inquietação sobre alimento e abrigo, apontando à vida idílica do lírio do campo e das aves da natureza (Lucas 12,22-32); Mt 6,25-34). Enquanto Jesus sacou pesadamente dos profetas, Isaias em particular, muito desse ensino consistia em apelos ao entendimento popular da natureza e de valores humanos. Deus é como um pai cuidadoso que se recusa abandonar uma criança teimosa (Lucas 15,32). Essas são imagens dos sábios de Israel, mas refletem também a piedade dos Salmos. Jesus era um contador de histórias e um usuário de imaginação. É interessante que essa visão profética da esperança de Israel funciona como ponto integrativo de referência para Jesus. Não que substituiu o mandamento maior. Antes, o Deus que está para ser amado é o Deus que compartilha o desejar para a visão de chegar a ser realidade. É modo de thinking apici God. Quis dizer que exposições da vontade de Deus tenderão vir daquele ponto de partida antes de um depósito formal de autoridade, tal como a escritura e a lei. Isso o põe na categoria de professor carismático antes de um intérprete bíblico (cf. Marcos 1,22). Vimos isso se elaborando nas atitudes de Jesus de hospitalidade e alegria. Seja dando hospitalidade ou a recebendo, Jesus se referia aos rejeitados e desprezados num modo que indicou a inclusão deles (Marcos 3,13-22; Lucas 7,31-35; Mt 11,16-19). Os desqualificados foram tratados como os qualificados. Entendeu tal inclusão radical como prefigurando a inclusão radical de todos na festa do reinado. A refeição chegou a ser um símbolo importante, mais tarde estilizado depois da sua morte para chegar a ser um sacramento maior cristão. No processo, Jesus se parece ter engajado abertamente no que se poderia chamar de um estilo de vida celebratório. Não jejuava e não se sujeitava às disciplinas de asceticismo como João o tinha feito. Viera para dentro do deserto. Não havia nada não-judaico sobre esse comportamento, mas era, pelo menos, inusitado e, para alguns, perturbador. A sua resposta à crítica de que era um glutão e bêbado que mantinha companhia má era contar que a sabedoria se iria provar no curso longo (Lucas 7,31-35; Mt 11,16-19). Estamos começando a nos mover em direção à controversa. Do que até aqui disse, nada indica que Jesus era não-judaico, muito menos antijudaico. Nem é, creio, qualquer coisa do material considerado até agora que indique que Jesus estaria abandonando a fé do seu povo. Completamente ao contrário, a sua visão e comportamento dependeram dela. Não era a primeira figura carismática, profética. Nem todos os professores de Israel eram do molde scribal, nem todos eram intérpretes da escritura no sentido estreito. Havia sábios, figuras proféticas, visionárias, revolucionários, homens santos. A ênfase um tanto notável do reinado de Deus vindo não era esquisitice para o tempo. Se alguma coisa, a esperança futura era algo de preocupação, especialmente entre aqueles articulados o bastante para verem o que andara errado. O que é que andava errado com Jesus ou com o seu relacionamento com o seu povo? Mesmo pôr a questão deste modo torce o assunto. Nunca era tão simples como isso. Deixai-me voltar a alguns dos conflitos, nos quais sabemos que Jesus estava envolvido. O que é que adicionaram ao que? Um já tem sido mencionado: Jesus não era como João. Talvez a dificuldade real não era entre os seguidores de Jesus e os seguidores de João. Porque Jesus não se comportava como João? Nada na escritura disse que a gente precisa se comportar como João. Isso não era matéria de observância. Mas o assunto estava confuso pelo fato de que Jesus se parece ter intencionalmente misturado, não justamente com os necessitados, mas com os ricos (que eram amplamente reconhecidos como criminais ou, pelo menos, imorais), entre os quais estavam coletores de impostos e prostitutas: Ele era freqüentemente o associado e comensal em refeições. O que alguém reivindicando ser inspirado pelo espírito de Deus era fazer cortejo de tal companhia? Tudo certo se isso for estratégia missionária, mas pareces que estejas alegrando a ti! O apodo de Jesus: 'Os doentes precisam de doutor, não aqueles que estão bem' (Mc 2,17) tem algo de sentimento de missão acerca de si, mas ele não era o Exército de Salvação e se deve ter comportado de modo que lhe deixou aberto para a acusação de que se era pessoalmente associando com tais tipos. Esse comportamento teria sido repugnante a muitos co-judeus, nem por último aos escritores dos documentos sectários dos Rolos do Mar Morto, mas a muitos outros também. Jesus aparece ter visto tal associação como expressão de inclusividade. Formalmente, isso rompeu nenhuma lei da escritura, mas representava uma posição inusitada a respeito à santidade. Será que compaixão por pessoas vale expor-se à contaminação moral e ritual? Sem dúvida, muitas dessa gente eram lassas a respeito à Lei em matérias de pureza pessoal, de observância do dízimo exato, de evitação de impurezas. Apesar de tudo, esses, também, eram mandados por Deus. Podes dificilmente aclamar o primeiro mandamento, ignorando o que Deus manda! Marcos relata duma ocasião quando, curando um homem paralítico, Jesus declarou os pecados deste perdoados (2,1-12). Cristãos leram isso muitas vezes como reivindicação por Jesus para perdoar pecados. Marcos reflete a controvérsia de dias posteriores, retratando os oponentes de Jesus como o acusando de blasfêmia. O processo de Jesus começou. Chegou a ser bem comum transpor controvérsias posteriores para trás ao ministério de Jesus. Na anedota, Jesus declara que os pecados do homem estão perdoados. Por quem? Talvez por Deus. É a forma passiva. Em certo estágio, isso foi sublinhado pela afirmação de que Jesus, o Filho de Homem, tem autoridade na terra de perdoar pecados - como os sacerdotes, como outros carismáticos, como João Batista que o fez cada dia em associação com o seu rito de água. Jesus, como João, incluiu a declaração do perdão de Deus na sua mensagem. A Lei de Moisés não estabelece monopólio a respeito de quem possa declarar o perdão de Deus, embora isso seja, na maioria dos casos, algo ligado com o Templo. Asseveração de perdão forma parte da piedade do judeu que conhecia os Salmos. No entanto, tanto João como Jesus enquanto não agindo contrário à Lei era um tanto como maverick [rês não marcado com ferrete]. Canais não-ortodoxos de poder espiritual são inconfortáveis para qualquer sistema religioso. Os cristãos sabem tudo sobre isso e, sem dúvida, rábis carismáticos levantam temores semelhantes. Acrescenta a isso poderes miraculosos! E haverá pouca surpresa de que uma receita primitiva fosse declarar que, sim, Jesus fez tudo isso, mas pelo poder dos demônios. Alguns o tentaram. Jesus replicou que dificilmente faria sentido para um demônio prevenir o desfazer da destruição demoníaca (Marcos 3,22; Lucas 11,15-22). Havia outros pormenores, pela maior parte a partir de perspectivas bem extremas. Um era sobre lavar as mãos antes de comer (Marcos 7,1-21). Assume posição, segundo a qual mãos imundas possam tornar alimento imundo, o qual torna uma pessoa imunda. Isso é um tiro longo - três remoções da pureza original e por todos os padrões teria de ser extremista. A resposta de Jesus é apodo típico: 'Não o que entra na pessoa a faz impura, mas o que sai dela o faz' (Marcos 7,15). Um humor terrestre dessa dica aparece, se parafrasearmos neste modo: 'O que fede é aquilo que sai, mas não aquilo que entra.' Poderia, sem dúvida, ser entendido como contraste como: 'Desejo clemência, não sacrifícios' (Is 6,6). Em outras palavras, pureza de atitude e comportamento éticos valem mais que pureza cúltica. Mas como dizimar pequenas ervas, não desvalorizou nenhum aspecto de pureza. Só mais tarde é que Marcos e a tradição deste tornaram as palavras para um contraste absoluto, tendo Jesus efetivamente negando a validade das leis bíblicas de pureza. Tanto Mateus como Lucas desistiram duma posição tão radical, Lucas omitindo o episódio, Mateus o endireita com a Lei bíblica outra vez, com o resultado de que Jesus está rejeitando interpretação extremista.8 Há série de ocasiões quando Jesus incorre crítica por causa de comportamento no Sábado. A mais bem conhecida deriva da ocasião quando os discípulos, andando pelos campos de grão no Sábado, arrancam cabeças de grão e as comem (Marcos 2,23-28). Distância do lar não é o assunto. Arrancar cabeças de grão poderia ser uma infração técnica, embora só na leitura mais estrita. O apodo original de Jesus faz parecer a queixa pouco importante: 'O Sábado foi feito para as pessoas, e não as pessoas para o Sábado!' Não era que os discípulos estivessem numa necessidade desesperada. Aparecem ter estando inofensivamente cortando as cabeças de grão ocasionais e as mastigaram. A resposta de Jesus é argumento teológico que diz: A preocupação principal de Deus é com as pessoas e não com regras. É bom relaxar, o que é o ponto para se excitar sobre tais coisas menores. Mas é fronteiriço e controverso. Logo outras interpretações entraram na história para justificar a aproximação. Assim, os discípulos chegaram a ter fome, como Davi e os seus homens que comeram os pães de exposição. Jesus tem autoridade de declarar a interpretação reta (O Filho de Homem é senhor do Sábado). Mateus e Lucas preferem ambos omitir o apodo radical de Jesus a favor de leituras mais seguras. Todas as outras controvérsias de Sábado incluem atos de curar no Sábado. Todas raiam. Porque não esperar um dia? Porque esperar? "É legal fazer bem no Sábado ou fazer mal?" (Marcos 3,4). O apodo é quase vexatório, mas faz o seu ponto. A defesa de Jesus parece ter sido um apelo ao que é observância apropriada do sábado, não tentativa de justificar a não-observância. Em outras palavras, é ainda discussão intrajudaica. Mais tarde, os cristãos transformariam a autoridade de Jesus para a interpretarem numa autoridade de sobrepujar e descartar. Marcos chega perto disso e, certamente, esposa um entendimento tal em algumas partes. João tem Jesus repondo a autoridade da Lei ao todo, reduzindo-a para uma testemunha em seu favor próprio (1,17; 7,39). Mas nem Mateus nem Lucas permitem a uma aproximação tal estar de pé. Jesus observa a Toráh retamente, defendendo a intenção dela. Outra base possível para a crítica era a atitude de Jesus a respeito de família, riqueza e terra. Parece ter desafiado o apoio que essas tinham nas pessoas, por vezes em modos muito ofensivos. Por exemplo, diz a um pretenso discípulo, que quis primeiro enterrar o seu pai, que deixe os mortos enterrarem os mortos e que lhe siga imediatamente (Mt 8,22; Lucas 9,60). Mas não ouvimos nenhuma disputa sobre isso e nenhuma indicação qualquer o teria visto como mais do que Jesus reivindicando uma necessidade mais urgente. Era radical sugerir que sistemas familiares pudessem estar no caminho da vontade de Deus, mas isso era o caminho de Jesus. A sua própria família, como Marcos nos conta, pensava que estivesse louco, mas Jesus se recusou a ser curado; em vez disso, declarou que aqueles que fazem a vontade de Deus seriam a sua família (Marcos 3,21.31-35; Lucas 4,23). Noutro lugar, confrontou as pessoas sobre desonrando pais (Marcos 7,10-13), assim não havia sentido em que estivesse alijando esse mandamento, estava chamando a atenção ao fato de que nunca devesse competir com lealdade à vontade de Deus. Jesus não chamou a todos andarem na sua turma. Mas ao longo com aqueles que o fizeram, Jesus parece ter feito uma declaração contra os valores da sociedade. Havia uma prioridade mais alta que riqueza e terra, embora essas também fossem benções da aliança de Deus. Jesus era, nesse sentido, tão contra-cultural como os professores do período que colocamos na ampla categoria de cínicos. Eles também zombavam com pretensão, atacavam a hipocrisia, viviam numa vida ostensivamente simples, usavam imagens terrestres, ordenando confiança simples em Deus. Mas se Jesus poderia cair nessa categoria, o faz assim como um judeu e como alguém também apaixonado pelo futuro de Israel.9 Enquanto isso, Jesus parece um carismático, apaixonado pela visão da bondade e amor de Deus e determinado a os aplicar no presente. Ele está em cada geração de judeus, como suspeito. Pertence firmemente, pelo menos, ao interior do âmbito do Judaísmo pré-70 como o entendo. Mas algo andou errado. Bastante esquisitamente, isso parece ter pouco ou nada haver com controvérsias sobre a observância da Lei. Pelo menos, nada nos primeiros relatórios da prisão e processo de Jesus indica que a observância da Lei deu destaque como acusação, a despeito das ligações que Marcos tenta a forjar. Tanto Marcos como João nos queriam fazer crer que o movimento de Jesus estaria inspirado pelo Templo e começaram a construir o memorial num estágio muito cedo. Mesmo assim, a observância da Lei não é o assunto. Isso não quer dizer que matérias de controversa não teriam contribuído para a inquietação em Jerusalém sobre Jesus, mas temos pouco a passar. Penso que é bem possível que Jesus, como muitas figuras carismáticas no tempo, era uma preocupação para as autoridades. O Evangelho de João provavelmente cata a situação bem, mostrando o sumo sacerdote preocupado para frenar Jesus e o movimento deste, para que os romanos não o vejam abrigando inquietação e cheguem a ser mais opressivos (11,47-53). Jesus não vai ter ganhado muita simpatia das autoridades religiosas do sistema do Templo. A sua parábola do Samaritano bom está dificilmente sutil no seu desprezo a respeito de sacerdotes e levitas, que passam pelo homem necessitado ao lado da estrada. Mas, então, mofar autoridades religiosas pode bem ser fenômeno comum no norte ressentido, sendo isso certamente um esporte que sobrevive até o dia de hoje em qualquer lugar onde houver autoridade centralizada, política ou religiosa. Aqui havia esta e aquela. Se João as incomodou, Jesus o iria muito pelas mesmas razões, mas como Marcos o indica, João era enigma para as autoridades e Jesus talvez o era inicialmente (Marcos 11,27-33). É duro não sentir alguma simpatia com as autoridades desse tempo; havia tantos corpos estranhos emergindo na véspera de esperança e fervor, alguns aparentemente bem loucos e outros francamente perigosos. Mas, então, escrevo no assim chamado primeiro mundo. Jesus não parece ter contido a crítica a algumas das autoridades religiosas, especialmente em casos de exploração e hipocrisia. Estava evidentemente intimidado sobre a comercialização nos recintos do Templo. Penso que está mais provável que via o sistema como corrupto, concluindo que o fim devesse ser o julgamento. Outros judeus, como o escritor do Jubileus e os professores de Qumran, tiveram sido convencidos disso por décadas, senão por mais que um século. Jesus estava levando a mensagem de João à conclusão lógica desta, ecoando os sentimentos de Jeremias contra a liderança do Templo do seu dia. A ação de Jesus de virar as mesas do câmbio de moeda e afugentar os animais para sacrifício pode simbolizar o julgamento por vir ou pode ser ato espontâneo de ira pelo que representaram. Está provavelmente descaminhador procurar a causa nas taxas de câmbio empregadas ou na manipulação de preços. Quem quer que pôs as palavras de Jeremias nos lábios de Jesus, de que o Templo chegara a ser uma toca de ladrões, era pensando sem dúvida, não nessas transações, mas sim no sistema como um todo. Era um ato rápido singular num canto pequeno dum pátio vasto, nem suficiente para valer os guardas de vigilância intervirem, mas talvez notado pelos observadores. Talvez também era essa a cena onde Jesus fez algumas declarações sobre a destruição do Templo. Fatídico, porque qualquer coisa que pudesse ser construída como ato contra o Templo, poderia também ser construída um como ato contra a nação e, o que seria pior, contra os mestres romanos. Isso significaria morte.10 Havia um processo diante do Sanhedrin? João tem só uma audiência informal com Anás, o Sumo Sacerdote anterior e sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote naquele tempo. É mal possível desmaranhar as complexidades da evidência referentes aos últimos dias de Jesus neste papel. Vou identificar elementos que pertencem ao alto fim da escala de probabilidade. Jesus foi crucificado sob Pôncio Pilatos pelos soldados deste. Mas autoridades judaicas do tempo estavam envolvidas de algum modo. O cenário mais provável é que as autoridades do Templo achavam Jesus ofensivo e sendo ameaça por causa das reações que o seu movimento pudesse provocar dos romanos. A saída melhor era preservar a estabilidade e liberdade relativa de culto. Movimentos populistas que pudessem afinal ser sediciosos deviam ser eliminados por causa do povo. Esses eram perigos reais. A história o mostrara e o iria mostrar. A acusação formal contra Jesus para a cruz e o seu escárnio como 'Rei dos Judeus', a sua execução entre dois bandidos, a tradução sobre trocar Jesus pelo bandido, Barrabás, a aparência de motivos messiânicos régios: todas essas coisas sugerem que Pilatos encarou um homem acusado de sedição em termos gerais. Mas a falta de envolver os seguidores de Jesus para a execução indica que o seu não estava sendo visto um movimento militante. Ele mesmo teve de ser removido. É uma das singularidades do material do evangelho: essas feições de messianidade nesses últimos dias, enquanto essa está ausente do restante da tradição primitiva. Só em uma única ocasião ela aparece: quando Jesus está sendo reportado com aceitando a aclamação de 'Messíah', mas imediatamente Pedro, que a expressou, está sendo exposto como mal-entendendo de que se tratava (Marcos 8.27-33). Parece improvável que os cristãos aclamavam Jesus de Messíah depois da sua morte somente por motivo de que isso era uma acusação falsa levada contra Jesus. Podemos só especular que Jesus possa ter estado querendo que tal apelação se aplicasse a ele nos últimos dias. Mas não está sendo relatada como a sua intenção anterior a estes. Mesmo então, a acusação estava falsa em um único nível. Não estava querendo ser o que muitos esperavam para um Messíah Davídico. A respeito a um processo ou interrogatório judaicos, é muito provável que acusações posteriores contra a fé cristã deram forma às acusações. Isso é muito provável ser o caso na matéria de blasfêmia. Reivindicar uma espécie de messianidade não era incomum e não tinha nada de blasfemo. Essa acusação chegou a ser relevante só quando os cristãos desenvolveram a sua taxação alta de caráter e origem de Jesus; mas exatamente no Evangelho de João a acusação está sendo vigorosamente defendida. O assunto de alguma espécie de messianidade jogou muito provavelmente um papel e alimentou a acusação a Pilatos. A primeira acusação mencionada, a afirmação de estar para destruir o Templo, está apresentada como falsa, mas vela finamente o que era uma preocupação válida. Como Jeremias, Jesus atacava as autoridades do Templo e as advertia da destruição deste. Disso há pouca dúvida. Como já mencionado, uma tal acusação deu peso à visão de que Jesus era sedicioso. Pode bem ter sido vinculado em algumas mentes com aspirações messiânicas, a saber, a reconstrução dum Templo glorioso, como o de Salomão, o primeiro filho de Davi. Teria a execução de Jesus feito a primeira página dum jornal? Possivelmente sim, possivelmente não. Visto duma perspectiva com leitura ingênua dos evangelhos, poderíamos imaginar que o mundo parou e todo o Israel reteve a sua respiração. Isso não é provável. Execuções eram comuns. A vida humana era barata. Os tempos eram desesperados ou o podiam ser se inquietação não fosse apagada. As realidades políticas tinham de ter precedência sobre aspirações individuais. As autoridades deviam ter crido que estavam agindo nos melhores interesses da nação. Jesus não seria o primeiro inocente a cair vítima de tal necessidade. Esses eram os dias quando os regimes totalitários eram a norma. Jesus morreu com uma visão e um sentimento profundo de cumprir a vontade de Deus. Os romanos o mataram. As autoridades religiosas do seu povo fizeram parte do ato. Isso é também muito diferente das reivindicações selvagens e perigosos de que 'Os judeus mataram Jesus'. É também um caminho longo da super-reação contra os horrores do anti-semitismo que apaga qualquer envolvimento de autoridades judaicas e especula que estas estavam trabalhando para a sua soltura. Estavam presas no sistema. Jesus não foi crucificado porque negou a sua Judaicidade, abandonou as Escrituras ou deserdou o seu povo. Morreu com resultado duma combinação de fatores que conspiraram também contra outros do seu povo, os quais capturaram a visão e lançaram desafios proféticos. Mas permanecia judeu, Jesus de Nazaré, o judeu da Galiléia. Porque não podia ficar deste modo? Porque a divisão posterior entre o movimento de Jesus e a maioria dos seus compatriotas? Responder a essa questão requer outro papel, mas vou indicar dois aspetos maiores que, creio, levem a essa separação de caminhos, o que é um modo bem inócuo de falar sobre o que, para alguns, era um evento muito penoso e traumático de família e comunidade. Primeiro, havia o assunto de inclusividade. O movimento parece ter mantido tendências igualitárias de Jesus e também se continuava associar regularmente com pecadores e proscritos. Em si mesmo, isso não era necessariamente problema. Era justamente perigoso. Chegou a ser problema mais agudo quando, fossem expulsos ou fossem como itinerantes justamente ativos, membros do movimento de Jesus se encontravam em sinagogas ou em outros lugares públicos onde gentílicos foram atraídos pela sua mensagem. Afirmaram muito prontamente que o espírito de Jesus sancionasse tal ampliação do apelo. A suposição é que o Deus de Israel é o Deus do universo; assim, este tinha de requerer proclamar a bondade de Deus a todos os povos. Israel não deve manter Deus para si mesmo. O que, então, aconteceria com não-judeus? Deveriam estes ser admitidos para dentro? Provisões sobre chegar a ser judeu são relativamente sem ambigüidade. Havia precedentes bíblicos e havia mandamentos bíblicos. Isso poderia ter sido o fim daquilo. Mas esse movimento carismático, como o seu líder carismático, Jesus, não parece ter atendido primeiramente a tais requisitos, mas de fato recebeu tais pessoas no seu movimento e então, depois, encarava os assuntos. Alguns estavam para que todos seguissem completamente os procedimentos normais, inclusive a circuncisão dos convertidos. Mas estes já estiveram aceitos e estavam participando no espírito do movimento, compartilhando refeições e culto comuns. Assim outros creram que, pelo menos, a circuncisão pudesse ser abandonada. O âmbito de opiniões se desfraldava ainda mais. Alguns criam que todas as leis bíblicas que funcionavam como marcadoras de identidade deveriam cair. Alguns, como Paulo, argüiam que o novo movimento tivesse a sua própria base suficiente para a bondade que mais que satisfaria o que era o espírito e a intenção da Lei. Alguns se viam como precisando abandonar a herança judaica completamente. O âmbito reflete também alguns assuntos como divisão e dor, porque eram judeus que falavam a judeus dentro do movimento. Jesus não encarara essa situação. Não deixou indicação nenhuma do que pudesse ter sido a sua resposta. Os judeus cristãos dependiam da sua iniciativa própria. Mas é que estavam sob a influência de Jesus e, em alguma extensão podes ver que ele tinha uma orientação que tinha o potencial para conduzir a algumas dessas direções. Afirmava a lei ritual e cerimonial, mas dava prioridade mais alta aos mandamentos éticos de amor. Afirmava amor a Deus, mas parece ter visto isso primariamente em termos personalistas de confiança e oração, antes de em termos de culto. Quando enfrentado com escolha entre preservar o que sentia como barreiras que pudesse manter de pé, e o que respondia a necessidade humana, podia baixar as barreiras. Mas é uma coisa dizer que algumas coisas importassem mais que outras: um contraste inclusivo. É coisa completamente outra, começar a dizer que alguém possa abandonar uma coisa: um contraste exclusivo. Muitos judeus cristãos, enfrentados com a novo situação de gentílicos, argüiram que a inclusão teria significar a remoção das barreiras. Gentílicos não teriam chegar a ser judeus. Não teriam de chegar a ser judeus culturalmente. Isso, naturalmente, pede a questão na visão daqueles para os quais a escritura é Escritura. A Lei de Deus é imutável. Vimos aqui o fenômeno interessante de encontro de culturas cruzado, no qual as pessoas de uma cultura estão sendo forçadas a decidir o que é absoluto e de valor permanente, e o que pertence a particulares da sua cultura que não precisam ser preservados. Nós todos conhecemos essa experiência. Precisas justamente olhar na Cristandade, para ver que os mesmos assuntos acabam por fatigar e fatigar outra vez. Deus instituiu o nosso modo de fazer as coisas - naturalmente! O mundo helenístico do império romano e antes trouxera encontros considerável através de culturas. Os judeus dispersados pela região tinham exposição longa aos assuntos, tomando, na maioria dos casos, uma linha conservativa, mesmo embora tivesse muitos exemplos de espiritualização de particulares cúlticos como o sacrifício, as leis de alimento e pureza e as semelhantes. Já a escritura, ela mesma, afirmara que a circuncisão do coração seria a prioridade, o coração contrito valeria mais que muitos sacrifícios. Não era um passo muito grande de contrastes inclusivos para contrastes exclusivos. Agora não mais: a circuncisão do coração mais que a circuncisão da carne; mas a circuncisão do coração em vez da circuncisão da carne. Jesus e outros judeus que estavam desenvolvendo inclusive contrastes (e provavelmente aborrecendo autoridades do Templo porque fizeram isso - semelhante à dica: 'Não precisas realmente vir à igreja regularmente para ser cristão' -) eram os precursores para o rompimento mais radical. Para alguns judeus, tal abandono significava abandonar o povo de Deus, Israel, e o modo judaico de viver. Debates sobre a qualidade de observância e não-observância não eram novos e continuam. As alas radicais do movimento cristão tomaram a posição liberal referente à inclusão, o que significava que tivessem de redefinir o seu relacionamento a sua herança judaica. Lendo os escritos de Paulo, podes ver quanto essa continuidade importava. Mas muitos judeus permanecem sem serem persuadidos de que no Paulo permaneça continuidade suficiente. Não era que a piedade cristã perdeu o que a Lei representa, nem ética nem culturalmente. A tragédia da execução inocente de Jesus, como momentos de tragédia terrível em outros tempos, gerou energia espiritual extraordinária, assim que escritores como Paulo a fizeram central para o significado da sua vida, ajudando a legar à tradição cristã um senso profundo de que a morte conduzisse à vida, de a dor levasse à liberação. Despejado, o amor inocente chega a ser o sacrifício ultimado além de todos os outros, assim que os cristãos chegavam a afirmar: 'Cristo morreu por todos!' Todos precisam viver pela força desse amor vulnerável, que se dá a si mesmo. Era ainda o amor do Deus de Abraão, Isaac e Jacó. O judeu cristão via Jesus como representando, simbolizando os sofrimentos de Israel. São traídos, sempre que tal sensitividade profunda for torcida contra o seu próprio povo e a cruz não posta ao lado do seu sofrimento, mas sim usada para o infligir. A outra área maior, usualmente vista como a área principal de conflito, é o modo em que os cristãos chegaram a falar sobre Jesus. Penso que haja evidência insuficiente para justificar a reivindicação de que Jesus se via como algo diferente que um ser humano. Quando falou de si como criança de Deus e de Deus como o seu pai, tirou isso de modelos judaicos, não fazendo uma reivindicação de DNA. Sem dúvida, reivindicou um lugar especial para si, como o fizeram figuras especiais antes dele. Age com autoridade carismática. Autoridades carismáticas são sempre um incômodo para autoridades estabelecidas, como vimos, mas aparecem de vez em quando. Como João, Jesus agia com autoridade, reivindicando a autoridade de Deus. Só num nível funcional se pode dizer: representando Deus. Mas então tais distinções enodoam quando contemplarmos que isso não é como se Deus seria algo diferente. Paulo disse: 'Deus estava em Cristo'. Deus estava também em Moisés. Os cristãos querem dizer que Deus estava unicamente em Cristo. Não estou seguro que isso teria feito muito sentido no Jesus histórico. O que significa unicamente? Não há questão de que Jesus exerceu autoridade, no curar, no ensinar, no pregar. Era, não autoridade acima e contra a Toráh, mas sim autoridade em declarar a vontade de Deus, e esta focalizada especialmente no futuro e impacto desta já conhecido no presente, antes que exegeticamente na exposição da lei escritural. A frase enigmática 'Filho de Homem' aparece nos lábios de Jesus no material evangélico. É difícil saber quanto de memória histórica preservar. Penso ainda que se derive da especulação apocalíptica, aludindo primariamente a um humano que agirá com agente de Deus no clímax da história. Jesus se via como agindo esse papel? Talvez. E talvez assumia que também o seu bando assumiria liderança num Israel renovado das tribos restauradas (cf. Mt 19,28; Lucas 22,30). Quando os discípulos reivindicaram que viram Jesus vivo depois da morte deste, significa isso para eles que Deus vindicara Jesus sobre e contra os acusadores deste. A fé na ressurreição não era incomum. Aqui, no entanto, incluía a reivindicação de o tempo das ressurreições, o tempo do fim, estivesse à mão. Provou-lhes que Jesus estava certo naquilo que disse e reivindicava. Isso explica a continuidade: o movimento de Jesus continuou a proclamar a vinda do reinado de Deus e o comportamento em comunidade e inclusividade que Jesus tinha. Naturalmente, Jesus move para dentro do centro do pensamento deles num modo novo. Chega também a fazer parte das esperanças deles. Justamente, o que acontecera a Jesus? Afirmando que Jesus era o Messíah, o movimento estava transformando uma categoria que permanecera uma vez baseada em aspirações políticas. Deus entronizara Jesus no céu. Um dia, Jesus reinaria na terra com Messíah, como rei de Israel, uma tradição firmemente persistente dos cristãos judaicos. Mas o foco na locação celestial de Jesus moveu o pensamento judaico sobre Jesus para dentro do reino do mistério. Alguns grupos judaicos tinham um interesse forte em realidades celestiais. O céu não era somente um lugar para anjos, mas também para seres humanos exaltados, como Moisés ou Elias ou Henoc. Espiritualizar a tradição messiânica régia jazia atrás da reivindicação desses judeus de que Jesus tivera sido entronizado no céu. Era, não justamente coisa de recompensa, mas sim de autorização. Deus encostou o seu nome sagrado, o nome que está sobre qualquer outro nome, a este Jesus. Isso implicava autorização. A idéia não era inteiramente nova. Alguns especularam sobre uma entronização similar de Moisés e de Henoc e dos anjos, por vezes com tal nomeação. Autorizado com o nome divino, que espécie de ser é este? As tradições rabínicas refletem concernência com especulações sobre dois poderes no céu.11 Possivelmente, a especulação judaica cristã sobre Jesus está na mente. Certamente, os cristãos aclamaram Jesus de 'Senhor'. A combinação de títulos levou a 'Senhor Jesus Cristo'. Os judeus cristãos começaram ligar Jesus nesse status exaltado com papeis atribuídos à sabedoria divina. De Provérbios 8 passando pelo Sirácida, ao Sabedoria de Salomão e a Filo e alhures, a sabedoria de Deus aparece personificada como companheira de Deus, a agente de Deus na criação, a Lei de Deus em pessoa. Não era passo grande identificar Jesus nesses termos. Em algum sentido, as realidades celestes não conhecem tempo nenhum. O que era verdadeiro de Jesus deve agora ter sido verdadeiro então. A partir dessas crenças judaicas desenvolvidas de que Jesus tivera sido com Deus e carregado o nome de Deus, compartilhava na realidade de Deus a partir de antes da criação, e de que Jesus era a manifestação da Sua realidade. A história subseqüente mostra que ninguém intentava abandonar princípios judaicos nesse processo. Nem a unicidade de Deus nem a humanidade de Jesus eram para ser comprometidas. Que desenvolvimento! E além desses pontos havia outras explicações, típicas para o tempo, para explicar porque Jesus era o modo que era: semente divina numa Maria humana, mas, primeiramente, focalizada em concepção miraculosa. Pode-se entender que judeus que não compartilhavam a posição de Jesus e dos seguidores deste achavam tudo isso um pouco 'acima do topo'. Como poderíeis fazer um ser humano uma deidade em tão pouco tempo? Um ultraje blasfêmico! E assim o deve ter parecido de fora e até a alguns de dentro. Como as divisões sobre a escritura, as divisões sobre o que pensar sobre Jesus eram muitas. O mais desenvolvido em tais especulações é o evangelho de João. Apresenta Jesus como oferecendo vida e verdade e pão e luz e água. Apresenta-o como falando da sua descendência do seu Pai para dentro da vida humana como o embaixador do Pai e, então, planejando o retorno. O Evangelho de João nos conta que muitos crentes judaicos cristãos achavam tudo isso demais e abandonaram o movimento, ou, pelo menos, a versão joanina deste. Mas o autor faz esforço para apontar que, como vimos, as incumbências de que Jesus reivindique igualdade com Deus ou tente se fazer Deus são falsas. Na estrutura do pensamento de João são falsas. O Jesus dele é enviado subordinado, uma cifra para a realidade de Deus, sempre glorificando a Deus, não a si mesmo.12 Tivesse não havido disputas sobre a Lei, o movimento cristão judaico teria sido provavelmente mais sensitivo para a sua herança no desenvolvimento dos seus pensamentos sobre Jesus, embora sem abandonar as suas reivindicações únicas para ele. Mas no contexto das tensões que os assuntos da Lei produziram, as reivindicações para Jesus também escalaram para além de um ponto onde muito diálogo era possível. A pena triste de divisão exacerbava as tensões e o processo deu ímpeto a ódio em vez de ao amor. Demonizar cada um dos seus oponentes aparece, tanto na relação entre judeus cristãos e outros judeus e dentro do próprio movimento cristão, em um caso bem ilustrado no Evangelho de João (especialmente em João 8), e em outro caso na Primeira Epístola de João (especialmente 2,18-22; 4,4-6). Os cristãos ainda querem afirmar que Deus estava em Cristo, e isso unicamente. O que unicidade significa? Sinto que haja um espetro de modos de afirmar que Deus se dirige a nós em Jesus. Já há tal espetro no Novo Testamento. Alguns dos modos cristãos primitivos de dizer isso poderiam provavelmente ficar dentro das possibilidades judaicas aceitáveis, outros estão longe disso. Para alguns, essa é a base principal para a separação dos caminhos e continua o maior ponto de atolar. Sinto também que haja um espetro de modos de tratar com a Toráh na escritura. Aqui as atitudes cristãs e judaicas mostram uma diversidade similar, suspeito, e estas incluem a importância de continuar a tradição oral posteriormente escrita e codificada. Mas há um fim ao espetro a que poucos judeus se atreveriam, pelo menos, teoricamente. É onde as pessoas relativizam as leis de culto e de pureza, assim-chamadas externas, como particularidades culturais e as abandonam. Na prática, isso não é incomum. Até Filo, apesar de todo o seu espiritualizar, ralhou contra essa opção (MigrAbr 98-93). Para muitos, suspeito, até antes que a cristologia era o ponto de atolar, isso era o ímpeto para partir. Continua sendo a diferença maior, embora, ironicamente, a Cristandade esteja mais que cheia de particularidades feitas absolutas. Em ambos esses espetros, o Jesus histórico está confortavelmente colocado dentro da área de superposição parcial, na sua visão do seu próprio papel e pessoa e a sua atitude referente à Lei. Nesse sentido se poderia talvez reivindicar que Jesus era confortavelmente cristão e certamente confortavelmente judeu e não teria sentido o conflito como outro que intramural, dentro da sua comunidade própria de fé. No entanto, o que gerou desafiou as pessoas para dentro do desconhecido e, como os profetas da antiga, as chamou à compaixão radical, evocando outras respostas também, e não por último, uma tradição de adulação. Enfim, por meu ver, a reivindicação permanente de Jesus jaz, não naquilo que dividia, mas sim naquilo que une. Tal vida radical como aquela de Jesus o judeu, vivida sob a visão do reinado, pode bem a nós todos ter querendo-o marginalizar. Pois os bens do mundo, auto-interesse, individualidade, cultural e nacional, que nos circundam com os seus altares e queimam os pobres do mundo nas suas covas, têm o seu modo de apagar a luz da verdade, contando-nos que haja paz onde não há paz. Descartaram-no, como gerações depois insensíveis cruelmente descartam o seu povo, mesmo em nome dele.. Da sua dor e da dor do seu povo, um grito grande por compaixão e justiça saiu para dentro do mundo. Jesus o judeu teria chorado pelo seu povo e por nós. Bibliografia: e Notas de pé: 1 a 12 Veja no fim do texto inglês! Texto inglês: Jesus the Jew |