CRISTÃOS E JUDEUS

 

Mini-ensaios israelenses

Reuven Kritz

É que és sionista, ou?

Numa discussão quente que, como habitualmente, saltou de assunto a assunto, o meu participante do colóquio me perguntou: É que és sionista, ou?

Respondi, um pouco excitado:

Sou sionista. E o olhei examinando, se percebera a minha distanciação não-pronunciada.

Quando refleti mais tarde sobre esse colóquio, me veio à mente que tivéramos repetido uma troca de palavras entre duas personalidades líderes do sionismo:

Herzl, o fundador do sionismo político, quis, com o dinheiro do barão Rotschild, comprar a Palestina do sultão turco, para a seguir realizar a colonização, com as garantias internacionais das grandes potências, rápida e elegantemente. O plano parecia plausível: O sultão como sultões freqüentemente estava metido em dívidas para cima das orelhas. Herzl negociava, tratava com o imperador alemão, com o primeiro ministro inglês e com o papa. O sultão, porém, não o quis receber. Herzl nunca se perguntava por quê. O seu fim estava claro: fundar um estado judaico como lugar seguro de refúgio reconhecido pelos povos, para proteger os judeus contra perseguições.

Achad-haAm, ao contrário, o defensor do sionismo espiritual, exigiu da juventude judaica mudança de escola dos corações: Só poucos escolhidos, solidamente preparados, deveriam ir à Terra Louvada e fundar aí um centro espiritual.

Herzl quis domesticar em cinco anos cinco milhões de judeus na Palestina, criando um estado moderno, progressivo. A sua preocupação principal era encontrar navios suficientes pata isso. Propôs fundar uma sociedade de navios nacional, cuja bandeira devesse ser, como aquela do estado jovem, branca, como símbolo para a vida nova, e com sete estrelas áureas, para o dia de trabalho de sete horas. Os seus dois livros eram O estado judaico e Terra nova antiga. No primeiro mostrou porque o estado judaico seria uma necessidade absoluta, no segundo um romance descreveu a vida nesse estado futuro. Não se pronunciou sobre a língua: Provavelmente achava que se falasse ali alemão, o que então diferente?

Achad-haAm advertiu da transferência dos defeitos do exílio para dentro da pátria histórica. Primeiro, dever-se-ia fundar seminários hebraicos de professores, uma universidade hebraica e uma grande editora de livros nacional e editar uma enciclopédia hebraica.

Para Herzl, o mais importante era proteger os judeus das perseguições anti-semitas; Achad-haAm afirmava que fosse a coisa mais importante segurar o futuro do Judaísmo, para o proteger da assimilação. Levado a esse ponto, Achad-haAm pensava: Quando tivermos o centro para o Judaísmo, os judeus já iriam seguir; - Herzl ao contrário pensava: Quando dermos aos judeus um país, no qual estão segurados, já se desenvolverá um Judaísmo moderno.

Eles nunca trocaram as suas idéias pessoalmente. No primeiro congresso sionista (Basiléia, 1897), quando Herzl foi ao palco, Max Nordau o deteve, para lhe apresentar Achad-alAm. Ambos se defrontaram em silêncio penoso, até Herzl disse:

Mas o Sr. é sionista, ou?

Ao que Achad-alAm, um pouco irritado, respondeu:

Sou sionista, e olhava a Herzl provocantemente. Herzl foi chamado ao palco, e isso terminou a troca de palavras breve, certamente para o alívio de ambos.

E se Menachem Ussischkin estivesse estado junto, teria murmurado: Sou sionista! e se teria esforçado, para as colônias jovens, adquirir mais um campo aqui e mais outro lá, mais umas vacas e barracas, secar mais uns pântanos e plantar mais algumas plantações..

E nós? Até o dia de hoje estamos em desacordo e não nos está claro o que no sionismo é ou deveria ser o principal. Portanto, peço, não me digas e não perguntes se somos sionistas, mas diz o que entendes com isso!

Viva Papadopolos!

Na boa Viena antiga, um papagaio loquaz uma vez escapou da sua gaiola e se sentou numa árvore. Um cidadão honesto subiu acima para o pegar. Quando se aproximou, o papagaio chilreou: Bom dia! O homem tirou o chapéu e disse: O sr. desculpe, quase pensei que o sr. fosse uma ave!

Desse acontecimento me lembro, quando olho nos olhos do nosso Papadopolos. Faz oito anos que nos adotou, quando correu atrás de nós temerariamente, balançando o seu coto de rabo na rua. Era amor à primeira vista.

Assim como a maioria dos escritores hebraicos para julgar segundo as exposições biográficas do professor Klausner também os pais de Papadopolos devem ter tido propriedades inteiramente contraditórias. Podia dizer comumente com Goethe: Do pai tenho a estatura da mãe tenho a natureza. Provavelmente é o fruto de amor proibido duma cadela de água com um solitário zangado, razão por que não o consideramos como racista.

Os nossos gatinhos receberam nomes latins: Claudius por causa dos seus muitos envenenados parentes, Brutus porque o repreendemos depois de fato vergonhoso no tapete. Agora quisemos, para equilibrar, algo de grego, procurando modeles célebres no léxico da mitologia grega: Como é que aquele, que se chamava aquele vigia de cem olhos, guia, com o navegador mudo, das almas dos mortos sobre o Styx ou era o Acheron? ou aquele fiel, o qual e-latiu a sua vida por alegria quando reconheceu o seu dono desaparecido o qual disfarçado como mendigo, voltou da guerra troiana? Entrementes, falou-se no rádio dum certo Papadopolos, o qual chegou ao poder na Grécia ou foi despoderozado. Um de nós repetiu o nome, os outro pensavam que era o nome procurado no Léxico

Nomen est omen! Quando o nome decidir o destino, como no romance Cem Anos Solidão, no qual o destino se acomodou ao erro da quiromante, a qual confundiu dois nomes?

Tantas vezes quantas chamamos por ele, todos os passantes se voltaram rindo, logo toda a cidadinha o conhecia. Abreviamos o seu nome um pouco complicado, chamando-o de Papsi, Papusch, mas também Dopsi e Dopolos.

Não é maior que 40 cm, porque repartiu o seu quarto de criança com pequenos gatos, tinha problemas de identidade, tenta a subir em árvores e salta por cima de sebes que têm uma altura de três vezes a sua.

Por vezes assusta estranhos, que andam pela estreita vielinha, saltando por cima da sebe do nosso jardim, latindo a eles furiosamente.

Em visões políticas, é oportunista e pluralista; um espírito livre. Injustamente, foi considerado como a-religioso, porque freqüentemente latia a cidadãos piedosos que foram à oração de manhã do sábado, o que porém se dirigia ao caráter a-simpático deles, e não à sua fé. Também o suspeito de que seria racista, porque alguns dos nossos primos trabalhadores de construção da vizinhança não deixou passar sem serem molestados, não era infundado. Também não é inimigo de mulheres, só que não gostava de mulheres de casa corpulentas que vieram , nas suas bicicletas, balançando cestas de compra cheias pela nossa vielinha. Quis e isso com razão protestar contra o tráfego de trânsito, especialmente quando se trava de bicicletistas inexperientes, inseguras. Certamente admirais que ninguém se queixava na polícia exigindo muita; ora bem, é que Papadopulos dispunha de um charme irresistível.

Uma vez se perdeu na praia, encontrou porém a volta de alguns quilômetros para casa. Desde então, o prazer de andar o anima. Quando tem aflição de amor, desaparece por alguns dias, voltando a seguir emagrecido, morto de cansaço, sujo, desgrenhado.

Os seus cabelos desgrenhados, que lhe cobrem os olhos, o fazem aparecer zangado, e ele está sendo, o que se refere aos cabelos, ao poeta Schlonski. Tivemos pouco tempo para nos dedicar a sua educação, e assim chegou a ser uma prova viva para a doutrina de educação de Rousseau. Como em Gorki, a própria vida era a sua universidade, aprendeu muito de experiências amargas.

Antes de atravessar uma rua, olhava primeiro para à esquerda, a seguir à direita, na lâmpada esperava pacientemente até que a luz vermelha parava o transito. Sentia quando queremos sair e planejamos deixar ele em casa; então desaparece a tempo, espera aguardando na distância de algumas ruas, num lugar pelo que precisamos passar, ou nos acompanha secretamente por uma viela paralela, e a seguir, exatamente quando chegamos à fila na caixa do cinema, já nos espera e nos olha trocista.

Quando mudamos para Ramat-Aviv, acostumou-se bem, tinha algumas amigas nos WGs de estudantes e na vizinhança.

Também em assuntos de amor é oportunista e pluralista. Na universidade dá preferência às ciências do espírito. Conhece tanto as salas como também as horas nas quais conferencio, raspa um quarto de hora depois do começo na porta, deita-se embaixo da cátedra e escuta um pouco. Quando acha que o assunto seria irrelevante para ele, raspa de novo e parte para o gramado na luz do sol. Se por acaso o encontrardes ali, marrom-claro, com pele eriçada no cachaço e sobre os olhos, não considereis, por favor, a sua cara zangada-indiferente, mas saudai-o amigavelmente e lhe dizei: Papadopolos, querido, desculpa, pensávamos que fosses um cão!


Reuven Kritz

 

 

 

Tradução do texto alemão em compass-infodienst.de ONLINE-EXTRA Nr 65
Israelische Mini-essays

Tradução:14/2/2008


 
 

Pedro von Werden, SJ

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