CRISTÃOS E JUDEUS |
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O Jesus de Joseph RatzingerRabino Walter HomulkaBenedito XVI deu ao Cristo ressuscitado, com o seu livro sobre Jesus, mais uma vez brilho novo para a Igreja e da fé desta. Para o leitor judaico está claro: O autor está aqui bem pessoalmente à procura, já sob a pressuposição da fé, não só agora à procura por fé. A vista judaica, no entanto, se dirige a um de nós que chegou longe, como pessoa humana levar às pessoas humanas a vontade de Deus.1 Sem eco judaicoO rabino britânico Jonathan Magonet2 formulou a atitude do Judaísmo a Jesus assim: De fato é a questão de quem Jesus era ou possa ter sido, só para muitos poucos judeus de interesse. Ou, para ser ainda mais exato, para a maioria dos judeus, Jesus não tem quase importância nenhuma. Onde judeus vieram a ter contato com Jesus e a história do seu efeito, as suas experiências é que eram antes negativas. Séculos de perseguição, supressão, migração forçada e eliminação em nome de Jesus se cunham na memória dum povo que tinha tudo no ocidente cristão, menos facilidade. Talvez é por isso de modo algum para estranhar que parece não haver discussão nenhuma com o livro de Benedito XVI a partir do lado judaico. Porque encontro assim nada, perguntei o meu colega, o rabino Michael A. Signer, professor na universidade católica de Notre Dame Indiana, EUA, um dos iniciadores da tomada de posição judaica a cristãos e Cristianismo, Dabru Emet, do ano de 2002. Também ele não sabia de nenhuma tomada de posição ao livro sobre Jesus do papa, exceto aquela de Jacob J. Neusner, da qual ainda vamos falar. Como Josef Ratzinger pôs no centro do seu livro uma imagem de devoção de Jesus como o Cristo, a qual deve exatamente conduzir por cima das lacunas que a pesquisa histórico-crítica abrira deixando-as abertas, pode ser que havia pouco interesse de cientistas judaicos. De fato, o Jesus histórico, quem a ciência dos últimos dois séculos deixou sobrar, chegou a ser magro demais para Josef Ratzinger. A fenda entre o Jesus histórico e o Cristo da fé chegou a ser cada vez mais profunda, ambas as coisas se desfaziam a olhos vistos. Os progressos da pesquisa histórico-crítica levaram a distinções cada vez mais refinadas entre camadas de tradição, atrás das quais a figura de Jesus, à qual é que a fé se refere, chegou a ser cada vez mais indistinta, perdeu cada vez mais em contorno. Ao mesmo tempo, no entanto, as reconstruções desse Jesus, o qual precisava ser procurado por trás das tradições dos evangelistas e das fontes deles, chegaram a serem cada vez mais contraditórias: do revolucionário anti-romano até ao moralista manso.3 Os resultados divergentes da pesquisa da vida de Jesus criavam antes imagens ideais dos respectivos autores do que tivessem descoberto o Jesus real. A figura de Jesus mesmo afastou-se somente um tanto mais longe de nós. A amizade interna com Jesus, da qual é que tudo depende, ameaçava pegar no vazio.4 O cardeal já salientou na apresentação do livro em Roma que era Jacob J. Neusner que animou o pontífice para a sua nova obra, pelo livro seu Um Rabbi fala com Jesus. Esse anota ao fato de ter chegado a fazer parte duma disputação literária com o papa: Disputação saiu do estilo quando religões perderam a sua confiança no poder da razão para estabelecer verdade teológica. A herança do Iluminismo com a sua indiferença a reivindicações de verdade da religião promoviam toleração religiosa e respeito recíproco no lugar de confrontação e reivindicações de conhecer Deus. Para os dois séculos passados, o diálogo judaico-cristão servia de médium duma política de conciliação social, não inquirição religiosa nas convicções do outro.5 Benedito XVI, ao contrário, seria - igualmente como o próprio Neusner - completamente contra a tendência, um buscador de verdade. No entanto, como pensador cristão, a gente presisaria dar-se com que Neusner mesmo não teria seguido a Jesus: Explico num modo direto e não apologético porque, se estivesse na Terra de Israel no primeiro século e presente no Sermão do Monte, não teria me juntado ao círculo dos discípulos de Jesus. Teria desistido. Espero cortesmente, estou certo com razão sólida e argumento e fato. Se ouvisse o que disse no Sermão do Monte, por razões boas e substantivas, não chegaria a ser um dos seus discípulos.6 Deve-se por em boa conta de Ratzinger que acara a sua atitude de fé uma posição judaica em geral. Pois pelo lado cristão, contribuições de pesquisa de Jesus judaica, na maior parte, foram sentidas, não como posição salutar de problema de própria posição ou até talvez como oferta de oferta para colóquio, mas sim como arrogância. Desde Abraão Geiger na primeira metade do século 19, alguns pensadores judaicos ocuparam-se com Jesus: Joseph Klausner, Leo Baeck, Claude G. Montefiore, Robert Eisler, Joel Carmichel, Martin Buber, Schalom Ben-Chorin, Hans Joachim Schoeps, Pinchas Lapide, Davis Flusser, Bem Zion Bokser, Robert Raphael Géis, Samuel Sandmel, Hyam Maccoby, Ernst Ludwig Ehrlich, Michael Wyschogrod - e justamente Jacob J. Neusner. Esses são nem todos os nomes daqueles que se poderia ter alegado, quando se quisesse apresentar a ocupação do tempo moderno do Judaísmo com Jesus. Lamentavelmente, Jakob Neusner é o único parceiro de disputa, o qual sempre volta na obra de Joseph Ratzinger. Teria, em todo o caso, enriquecido extraordinariamente esse livro se, na sua ocupação com a pesquisa de Jesus judaica não tivesse escolhido essa referência singular, mas tivesse entrado em colóquio com a ampla pesquisa judaica da vida de Jesus. Tomo isso como indício de que para o teólogo no trono de papa, a pesquisa da vida de Jesus não é desejo real quando desdobra a sua imagem de Jesus. E no fundo, Joseph Ratzinger continua devendo a discussão com a posição judaica. Uma paralela encontra-se na sua Introdução ao Cristianismo de 1968. Ali, trata p.ex. da responsabilidade das pessoas humanas por este mundo, e de que essas no fim seriam julgadas segundo as suas obras.7 Esta sendo traçada uma paralela explícita ao Judaísmo: Deveria ser útil lembrar, nesse conexo, as exposições do grande teólogo judaico Leo Baeck, com as quais o cristão não concordará, mas por cuja seriedade também não pode passar sem prestar atenção.8 Joseph Ratzinger resolve a tensão entre a doutrina cristã de graça e da exigência judaica por uma formação ativa do mundo, porém, sem discussão interna com a mensagem de salvação do Judaísmo. E isso, embora a reivindicação universal da ética do Judaísmo lhe esteja clara: Baeck mostra a seguir, como esse universalismo da salvação fundada em ação se cristaliza cada vez mais na tradição judaica, para a final pôr-se em evidência claramente na palavra clássica: Também os piedosos não-judeus participam da beatitude eterna. O desenlace de Joseph Ratzinger está lapidar: Talvez não chegar-se-á finalmente além de um paradoxo, cuja lógica se abrirá somente pela experiência duma vida a partir da fé. Tem-se a impressão de que aqui fala alguém que conhece inteiramente a posição judaica. Mas esta não o incomoda: Não é a nossa tarefa refletir pormenorizadamente como esse pronunciamento possa consistir junto com o pleno peso da doutrina da graça.9 Mas quando a historia da salvação de Deus com o Seu povo não está no fim, quando o Judaísmo continua dando testemunho da sua aliança com Deus e quando está ligado fraternalmente ao Cristianismo, porque então é a posição judaica, para Joseph Ratzinger, somente um a propósito? Que Jesus era judeu não é acaso culturalInteressante é o ponto de referência de Ratzinger em Neusner apesar disso. Pois mostra que a ocupação judaica com Jesus pode também motivar cristãos a refletirem sobre esse judeu importante, lembrando-se de que a sua origem judaica poderia ter sido, não um acaso cultural, mas sim parte da história cristã de salvação. Na sua alocução aos participantes do colóquio vaticano sobre as raízes do antijudaismo no ambiente cristão João Paulo II expressou isso em 1997 assim: Várias pessoas consideram o fato de que Jesus era judeu e que o seu ambiente era o mundo judaico como simples acaso cultural, o qual poderia também ser substituído por outra inculturação religiosa, e da qual a pessoa do Senhor pudesse ser desprendida sem perder a sua identidade. Mas essa gente não só desconhece a história da salvação, mais ainda mais radicalmente: Ataca a própria verdade de chegar a ser pessoa humana, impossibilitando uma concepção autêntica da inculturação.10 Desde o século 19, uma discussão espiritual larga pela buscar Jesus de volta para casa para dentro do Judaísmo era para ser observada, como judeu exemplar, como profeta admoestador, como revolucionário e lutador pela liberdade, como grande irmão e sionista messiânico.11 O impulso para isso foi dado por Julius Wellhausen e a ciência histórico-crítica da Bíblia. Wellhausen formulou a frase, na qual cristãos como judeus se estafaram a seguir: Jesus não era cristão, mas sim era judeu.12 Para ouvidos judaicos do século 19 uma frase plenamente assombrosa. Encontro uma comunidade que, no curso do Iluminismo, aspirava paridade civil, vendo-se impedida nisso pela idéia do estado cristão. Assim chega rapidamente a ser claro que essa ocupação com a figura central do Novo Testamento não era de natureza principal. Aconteceu dum impulso apologético: do desejo para participação na sociedade geral sem abandonoda própria identidade judaica. Que bom então que o próprio Jesus era judeu. Joseph Ratzinger e a contribuição judaica à pesquisa da vida de JesusPorque Joseph Ratzinger nem de leve toca as maiores esboços judaicos à pesquisa da vida de Jesus, é valioso entrar em alguns exemplarmente.
Baeck não vê na pessoa de Jesus a diferença entre Judaísmo e Cristianismo. A diferença fundamental entre Judaísmo e Cristianismo, como ela vem da teologia paulina, tem o seu ponto de partida na doutrina da pessoa humana. É a antiga concepção bíblica, de que a pessoa humana está criada em semelhança de Deus, que como isso está nele inerente uma força criativa e a capacidade da decisão, a liberdade que lhe está dada, assim que o mandamento de Deus se pode apresentar a ela como tarefa moral. A pessoa humana pode na sua vida decidir livremente entre bom e mal. Quando errar, pode voltar. E porque o pode, o deve.16 A esse parecer, a doutrina de graça do Cristianismo paulino com a necessidade de salvação da pessoa humana está claramente oposta. E aqui, na área da moral e da ética, se vê o próprio abismo entre Judaísmo e Cristianismo.17 Na encíclica SPE SALVI, de Joseph Ratzinger de 2007, essa antropologia diferente vem nitidamente à luz do dia: Porque a pessoa humana permanece sempre livre e porque a sua liberdade está também quebradiça, nunca haverá o Reino de Deus definitivamente instalado no mundo. Quem anunciar o mundo melhor definitivamente ficando para sempre, faz uma promissão falsa, olha pelo lado da liberdade humana18 Um mundo que precisa criar justiça mesmo para si, é um mundo sem esperança.19 No centro dessa briga, porem, estava a pergunta pela messianidade de Jesus. Sempre, nesse conexo, foi citada mais uma vez a versão de Harnack de que o Evangelho não teria sido nada de novo. Em referência a esse pronunciamento, teólogos e cientistas judaicos acentuam que os elementos que separassem Judaísmo e Cristianismo um do outro seriam introduzidos somente por Paulo para dentro do Cristianismo.
Os argumentos apresentados aqui exemplarmente não são de modo nenhum passados. Também teólogos modernos estão perante o desafio de explicar como Jesus podia fundar algo de novo, quando para tudo que falou e fez, se deixam encontrar paralelas judaicas. Aqui encontro no livro de Joseph Ratzinger nenhuma explicação que me ajudaria a abandonar a minha cética judaica.
Qual imagem de Jesus resulta então para Ehrlich? Podia-se esboça-la assim: Jesus era um homem importante para o seu tempo, mas não era uma pessoa humana perfeita, e também como homem importante não ocupa uma posição extra-ordinária, pois o Judaísmo produziu muitos homens grandes. Qualquer dignidade sobrenatural não compete a Jesus, como fenômeno e componente da cultura ocidental, porém, estaria imenso também para judeus. Para adjudicar mais a Jesus, Ehrlich não vê motivo, porque por ele não mudou nada, absolutamente nada. E Ehrlich acrescenta como noção: O Judaísmo nunca conhecia o professor único, só a cadeia dos professores, a corrente da tradição. Sempre se opunha contra por uma única pessoa humana no centro.27 O mal-entendimento mais profundo entre judeus e cristãos, Ehrlich o vê posto junto em que Judeus [podem] conduzir uma vida religiosa de pleno valor, sem jamais ter algo ouvido de Jesus e dos Evangelhos.28 Resumindo se pode dizer: Era Jesus, da vista judaica, fariseu ou escriba? Talvez era importante? Sem dúvida. Era o Messias ou até o Filho de Deus? A partir de entendimento judaico: não. Esse Não é que Joseph Ratzinger recebe também do seu parceiro de diálogo Jacob Neusner. Só: Para Ratzinger - por causa da sua fé cristã - isso serva para nada. O Rabbi Jesus - para o cristão somente como Cristo importante?Joseph Ratzinger mesmo diz em um lugar tudo o que um judeu poderia dizer sobre Jesus: que em todo o caso sabemos pouco de certo sobre Jesus e que a fé na sua divindade formou a sua imagem só posteriormente29. Essa impressão penetrou entrementes extensamente na consciência geral da Cristandade, o papa adverte. Isso seria dramático para a fé, porque o seu próprio ponto de referência chega a ser incerto. O que, porém, pode significar a fé em Jesus o Cristo, em Jesus o Filho do Deus vivo, quando é que a pessoa humana Jesus era tão diferente daquilo que os evangelistas apresentam e com o anuncia a Igreja a partir dos Evangelhos?30 Joseph Ratzinger se pergunta. - Sim, o quê? O papa quer esclarecer que tais imagens de Jesus eram somente fotografias dos respectivos autores, mas não fixações do Jesus histórico da Bíblia. A sua resposta está clara: Quando Deus entra na história real, incarnatus est essa fé se precisa expor também à pesquisa histórica, Joseph Ratzinger raciocina31 E essa noção não lhe está nova. Já em 1968, chega ao mesmo resultado na sua Introdução no Cristianismo: A tentativa de, sob exclusão do Cristianismo histórico, construir na retorta do historiador um Jesus puro, do qual então se deveria viver, é simplesmente absurdo. A mera história não cria presente, mas verifica o passado. A romântica de Jesus está portanto exatamente tão sem futuro e tão vazio do presente como o precisava ser a fuga para dentro puro acontecimento de palavra. Apesar disso, o para lá para cá do espírito moderno entre Jesus e Cristo não era simplesmente e vão.32 Com isso Joseph Ratzinger, embora aprecie os resultados da exegese moderna, duvida já desde decênios do alcance dos mesmos. A pesquisa histórico-crítica não poderia compreender a fé de que Jesus como pessoa humana era Deus. Exatamente o efeito análogo da pesquisa judaica e cristã da vida de Jesus deveria ser razão mais profunda de que vários métodos da exegese vão ter mais dificuldades no Vaticano - mesmo quando Joseph Ratzinger não quer que o seu livro seja entendido como ato do magistério. Ler a Bíblia inteira a partir de Cristo - a Hermenêutica de Joseph RatzingerPois Joseph Ratzinger está preocupado com contemplar o processo do chegar a ser da escritura a partir de Jesus Cristo33. Desse ângulo de vista poder-se-ia perceber que no todo houvesse uma direção e Antigo Testamento e Novo Testamento estão relacionados. Teriam os cristãos se despedido do Antigo Testamento, com Adolf Harnack na sucessão de Marcião o exigiu, o nosso Novo Testamento estaria sem sentido em si.34
Está claro que uma despedida do Antigo Testamento não somente, como há pouco indicado, deveria anular o próprio Cristianismo, mas também não poderia servir ao relacionamento positivo entre cristãos e judeus, Joseph Ratzinger disse no seu prefácio à tomada de posição da Comissão Bíblica Papal de 2001 O Povo Judaico e a Sua Sagrada Escritura na Bíblia Cristã. Simultaneamente, a hermenêutica cristã do Antigo Testamento, que sem dúvida é diferente da judaica, corresponde, para Joseph Ratzinger, apesar disso, a uma possibilidade de sentido daqueles textos (nº 64).35 A Comissão Bíblica Papal mesma lutara em 2001 em O Povo Judaico e a sua Sagrada Escritura na Bíblia Cristã para um pronunciamento sobre modo de viver judaico e cristão (ponto 22), o qual põe o ponto um pouco diferente, a saber na validade permanente do modo de viver judaica: cristãos podem e devem admitir que o modo de ler judaico da Bíblia representa um modo de ler possível, o qual resulta organicamente da Sagrada Escritura do tempo do Segundo Templo, em analogia ao modo de viver cristão, o qual se desenvolveu paralelamente. Cada um desses dois modos de viver fica fiel à vista respectiva de fé, cujo fruto e expressão é. Assim, a uma não é reduzível à outra.36 A posição de Joseph Ratzinger na relação do Antigo ao Novo Testamento é categoricamente aquela da fé a priori. Destaca nisso que somente a fé de Jesus Cristo faz essa chave do inteiro para Antigo e Novo Testamento, não poderia provir de método histórico puro. No seu prefácio de 2001, já chega a dar isso: As palavras da Escritura estariam também carregadas de um excedente interno, numa dimensionalidade excedente da fala humana, a qual não está fixada num ponto histórico, mas sim vai adiante para dentro do futuro. A ele interessa, como a palavra de Deus se pode servir da palavra da pessoa humana, para inserir a uma história procedente um sentido o qual aponta para além do momento respectivo, efetuando exatamente assim a unidade do todo. No livro sobre Jesus, refere-se aos seus pronunciamentos anteriores: Aí o autor não fala simplesmente de si mesmo e para si mesmo. Fala a partir duma história comum, a qual o carrega e na qual simultaneamente as possibilidades do futuro dela, do seu caminho ulterior já são presentes em silêncio.37 Judeus e cristãos, então, têm um fundamento comum na Sagrada Escritura , mas são separados nos seus modos diferentes de viver. A crítica de Joseph Ratzinger na pesquisa histórico-crítica é por isso conseqüente: Que, porém, os autores dos séculos pré-cristãos, que chegam a ter voz nos livros antigotestamentários, quiseram pré-apontar para Cristo e à fé do Novo Testamento parece mais que improvável à consciência histórica moderna.38 Estou tentado a anotar aqui: isso parece inverossímil também a um judeu. Do argumento da Escrita Comum assim não resulta proximidade substancial de judeus e cristãos. Fé e razão históricaProblemático é para judeus o postulado de Joseph Ratzinger de que essa decisão de fé carregaria em si até razão histórica.39 Na sua encíclica SPE SALVI do 30 de novembro de 2007, Joseph Ratzinger formula esse cruzamento de fé e razão como idéia central: Para isso, a razão precisa da fé para chegar completamente a si mesma: Razão e fé se necessitam uma da outra, para cumprir a sua essência e missão verdadeira.40 O modo judaico de aderir põe aqui um contraponto claro ao modo platônico de aderir de Joseph Ratzinger, que quer uma re-leitura da Bíblia Hebraica sob as pressuposições da fé cristã como razão histórica. Assim, a ligação de rabinos da Alemanha, uma união de rabinos ortodoxos, constatou pelo fim do século 19 que: enquanto cristãos mantêm a tradição da encarnação, do poder salvador de Jesus e a da rejeição da lei como princípio espiritual e ético fundamental, o Cristianismo não estará livre de elementos que contradizem às exigências da razão, e será a nossa tarefa da riqueza do monoteísmo puro - e com isso da riqueza da mais pura moralidade - contribuir algo à cultura humana em geral e à nossa cultura alemã em especial.41 De perspectiva judaica, portanto, o conceito de razão de Joseph Ratzinger é ilusório, porque supõe a fé.42 Mas se o Cristianismo pretender fazer alguma reivindicação significativa à verdade, ele se deve submeter, desde o Iluminismo, ao mesmo procedimento do exame e verificação como esse está sendo aplicado nas ciências profanas.43 O rabino Abraham Geiger resumiu bem o entendimento judaico de razão: Num retrato dos seus anos de Breslau [Wroclaw] como rabino na sinagoga Storchen de lá, o qual devia nascido depois de 1840, encontramos o seu moto: Pela pesquisa do particular ao conhecimento do geral, pelo conhecimento do passado ao conhecimento do presente, por saber à fé.44 O livro sobre Jesus de Joseph Ratzinger parece querer sugerir que se deveria proceder em contrário. Notas literárias 1 a 44: No fim do texto alemão. Der Jesus Joseph Ratzingers: Ein Andachtsbild |