CRISTÃOS E JUDEUS |
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O Testemunho de Fé de Israel e a IgrejaNikolaus KleinQuando o papa Benedito publicou em 7 de julho de 2007 o Motu proprio “Summorum Pontitificum”, no qual, ao lado do Missal Romano de 1970 promulgado pelo papa Paulo VI, fixou o Missal Romano revisado pelo papa João XXIII em 1962 como base e norma par uma forma adicional e designada como “extraordinária” do rito latino da Igreja Católica1, ninguém podia suspeitar que esse despacho papal fosse desatar um debate veemente sobre a interpretação de determinação da relação da Igreja e o povo judaico, como ela era feita no capítulo quarto da declaração”Nostra Aetate” do Concílio Vaticano Segundo.Embora já antes da publicação do Motu proprio fosse proferida a preocupação de que uma remessa a textos litúrgicos que estavam em uso antes do Concílio Vaticano Segundo, como o concílio a fez na constituição sobre a liturgia e sobre a Igreja, mas a seguir também no decreto sobre a ecumena e na declaração “Nostra Aetate”, iria pôr em questão a mudança de paradigmas teológica. Depois de que o secretário de estado do Vaticano, o cardeal Tarcísio Bertone, declarara oficialmente que uma (re)admissão geral do Missal Romano de 1962 iria ser tomada em vista como “forma extraordinária”, o círculo de colóquio “Judeus e Cristãos” no Comitê Central de Católicos Cristãos, já em 8 de abril 2007, publicou uma declaração, na qual se referia à liturgia dos dias da Semana Santa: “O Missale Romanum de 1962 contém a intercessão ‘Para a conversão dos judeus’ (Pro conversione Iudaeorum). Também quando nesse missal as designações desqualificadoras dos judeus ‘desleal’ (perfidus) respectivamente ‘descrença’ (perfidia) estejam riscadas, a intercessão da Sextas Feira Santa corresponde à forma de texto como esta foi rezada na liturgia da Sexta Feira Santa desde a Idade Média. O que a fala é de ‘cegueira’ (obcaecatio) do povo judaico e de que este andaria em ‘escuridão’ (tenebrae) contradiz de modo retumbante a declaração do concílio ‘Nostra Aetate’.” Ainda o circulo de colóquio, no mesmo texto, insistiu em que o missal pré-conciliar, na sua ordem de leituras, perante o missal de 1970, preveria um número fortemente reduzido e limitado de leituras antigotestamentárias, pressupondo um entendimento de Igreja que não fizesse jus dos pronunciamentos fundamentais do Segundo Concílio Vaticano. No texto do Motu proprio do 7 de julho de 2007, não se encontra indicação de que tais perguntas críticas teriam sido tomadas em consideração. Foi, portanto, não surpreendente que a aceitação incondiconal do missal de 1962, e com isso do teor da “intercessão pelos judeus” na liturgia da Sexta Feira Santa pelo Motu proprio, encontrou crítica veemente por organizações judaicas, parceiros judaicos do diálogo judaico-cristão e por um número grande de católicos.2 … Hubert Wolf mostrou, num estudo
abrangente, como a tentativa da associação de sacerdotes “Amici Israel”
de efetivar uma reforma básica da liturgia da Sexta Feira Santa na
deliberação final do “Santo Oficio” daquele tempo sob participação
pessoal do papa Pio XI, foi suspendida e cujos recomendadores punidos. …
Essa situação foi ainda agravada porque a única referência expressa no
Moto proprio à liturgia dos dias da Quaresma não está claramente
formulada. O teor do artigo 2 (“em missas que forem celebradas sem
povo, cada sacerdote católico do rito latino – seja sacerdote mundial o
sacerdote de ordem – pode usar ou o missal editado pelo saudoso papa
João XXIII no ano de 1962 ou o promulgado pelo papa Paulo VI no ano de
1970, e isso em cada dia, com exceção do Tridentinum Sacrum“) contém
uma cláusula que se refere ao “tríduo sacro”, isso é a liturgia da
Quarta Feira Santa a Sábado Santo. Essa também foi entendida
diferentemente.Para muitos leitores que interpretavam a frase desde o seu início, essa cláusula significava uma proibição, a qual se somente a missas privadas (“as quais são celebradas sem povo”), mas não a serviços de comunidade, enquanto aqueles que interpretavam a frase a partir da parte final dela, a entenderam como proibição geral de usar nos dias da Semana Santa os formulários do missal pré-conciliar. Assim o arcebispo de Boston, o cardeal O’Malley, verificou que o artigo 2 do Motu proprio proibisse celebrar serviços da Semana Santa em qualquer forma segundo o missal pré-conciliar, enquanto a comissão litúrgica da Conferência dosa Bispos Americanos interpretava o mesmo artigo no sentido contrário, isso é como proibição pronunciada, só para missas privadas, mas não para serviços comunitários.3 Às críticas gerais ao Motu proprio e às interpretações que o artigo 2 encontrou, o secretário da “Comissão para s Relações Religiosas ao Judaísmo” no “Conselho para a Unidade dos Cristãos”, Norbert Hofmann, reagiu em 21 de julho com uma “resposta preliminar”. Nela manteve que naquelas comunas e comunidades eclesiais nas quais, na base dos indultos papais de 1984 e 1988, têm permissão de usar o missal de 1962, teria sido usada sem reclamação a forma pré-conciliar da intercessão da Sexta Feira Santa, precisando essa afirmação com a verificação de que isso iria ser possível também no futuro. Concluiu a sua declaração com a indicação de que uma adaptação ao missal de 1962 poder-se-ia provar necessária, pois a “Comissão para as Relações Religiosas ao Judaísmo” iria examinar as críticas apresentadas e entrar nelas de modo adequado.4 Uma passo para além deu o secretário de estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone com a sua declaração de que a liturgia da Sexta Feira Santa, que por muitos judeus estivesse tendo sentido como insultante, poderia ser substituída pela formulação do missal de 1970, a qual não contivesse indicação para a conversão dos judeus. Isso poderia ser examinado sem grandes complicações.5 Na base dessas tomadas de posição, muitos observadores no agosto de 2007 tinham a esperança de que as repartições vaticanas apresentassem uma formulação da liturgia da Sexta Feira Santa que pelo menos correspondessem da recepção de “Nostra Aetate” e do estágio do diálogo cristão-judaico como esses chegaram a ter expressão no missal de 1970. Tanto mais veementes eram as reações e tanto maior era a decepção quando o “Osservatore Romano” publicou em 4 de fevereiro de 2008 uma formulação da liturgia da Sexta Feira Santa aprovada pelo papa Benedito XVI. Ela diz: “Vamos também rezar pelos judeus. Que nosso Deus ilumine os seus corações e reconheçam Jesus Cristo, o salvador de todas as pessoas humanas. Dobrai os joelhos! Levantai-vos! Onipotente eterno Deus, que queres que todas as pessoas humanas cheguem ao conhecimento da verdade. Para isso Te suplicamos por Cristo nosso senhor.” … A declaração do secretário de
estado (Piero Stefani) do 4 abril de 2008 mantém que a nova formulação
da intercessão não significaria mudança da posição do Vaticano, mas na
entra em reservas teológicas publicamente proferidas.
Enquanto o secretariado de estado introduzia a nova formulação somente
com a indicação de que essa substituísse o texto do missal de 1962
renunciando a comentário ulterior, apareceu no “Osservstore Romano” uma
referência mais longa de 15 de fevereiro de 2008, e esta redigida pelo
msgr. Gianfranco Ravasi, o secretário do “Conselho Papal para a
Cultura”7. Nessa constatou que a intercessão neo-formulada da praxe de
oração juntando-se estreitamente ao teor de escritos neo-testamentários
(Ef 1,18;5,14; At 4,12; 1Tm2,4 e Rm 11,25-27, ligasse assim “conteúdos
de fé” e “intercessão de oração”.Com isso, corresponderia ao topo sobre
a conexão da Lex orandi e da Lex credendi. Estaria assim a intercessão,
em sua forma lingüista, na tradição do orar litúrgico, a oração daria
assim, no seu conteúdo, expressão à esperança da Igreja. Por isso se
trataria, na intercessão da Sexta Feira, nem duma declaração
programática nem de uma estratégia de missão, mas sim ela seriam
expressão dum orante, o qual, para uma “pessoa que lhe está cara e
perto, pede aquilo que ele deseja para si mesmo”. Quando o msgr.
Gianfranco Ravasi lembra com razão do momento performativo do orar,
passa por cima da pergunta justificada de se a sua pressuposição esteja
certa de que para alguém a quem o orante está perto, deva estar a mesma
coisa amável e cara que para si mesmo.“Nostra Aetate” e a noção de IgrejaA esse ponto também se concentra a crítica a qual foi proferida depois da publicação da neo-formulação da liturgia da Sexta Feira Santa.8 … O rábi Brad Hirschfield,
vice-presidente do “National Jewish Center for Learning aqnd
Leadership”, declarou que nenhuma comunidade religiosa pudesse forçar
outra a mudar as suas orações. Simultaneamente porém, cada uma estaria
obrigada encontrar segundo os seus próprios padrões, formas litúrgicas
adequadas. Isso significaria também uma mudança de orações quando estas
fossem ofensivas para os membros de outras comunidades religiosas. …
Nisso se distinguem recomendadores, respectivamente críticos, quase sem
exceção, em qual forma da suplicação da Sexta Feira Santa usam como
base para o julgamento. Partir-se da formulação no missal de 1962,
poder-se-á falar dos progressos que se encontram na neo-formulação da
intercessão. Partir-se da intercessão como ela se apresenta de 1970,
uma série de regressos se deixa perceber.Esses dois modos de proceder, porém, não podem reivindicar para si o mesmo direito. Os que aprovam a neo-formulação da intercessão não observam como, novo teor, pronunciamentos do 4º capítulo da declaração conciliar “Nostra Aetate”, que são essenciais para a declaração de 1970, caíram fora. Não mais mencionada está apreciação para a dignidade de Israel a quem Deus doou Sua aliança, a qual nunca revogou nem revogará nunca. Não está mais mencionada a confissão da Igreja de que os judeus “vivem na fidelidade à aliança de Deus e no amor do Seu nome”. Segundo esses pronunciamentos básicos de “Nostra Aetate” é conseqüente que, nas formulações de 1970, está sendo rezado que Deus conserve os membros do povo judaico nesse caminho, “para que alcancem o fim ao qual o decreto de Deus os quer conduzir”. Mesmo se interpretar-se esse teor uma como “formulação aberta”, ela faz jus ao estado de coisas que deve estar sendo tratado: Porque a Igreja confia em que a fidelidade à sua aliança com Deus vá levar os judeus à salvação, não menciona mais outras condições, p.ex. a confissão a Jesus Cristo. Com supressão desses assuntos na neo-formulação da intercessão, a ordem de idéias básica da declaração conciliar “Nostra Aetate” fica fora do campo de visão.9 A tentativa do cardeal Walter
Kasper, o presidente do Conselho para a Unidade das Igrejas, por uma
interpretação precisa de Rm 11, de “fazer forte” a neo-formulação da
intercessão da Sexta Feira Santa, mostra um resultado paradoxo: Claras
chegam a ser as diferenças entre a argumentação de Paulo e dos
pronunciamentos do conteúdo da intercessão, os quais estão sendo
formulados apoiando-se em Paulo. …
A supressão desses pronunciamentos porém significa, não só uma medida de “ordem técnica”. Observar-se a história do texto e o conteúdo da declaração conciliar “Nostra Aetate”, essa declaração formula a percepção de que, no modo em que a Igreja formula a sua relação ao povo judaico, está no debate a própria existência. Assim Roman Siebenrock constata que no capítulo 4 de “Nostra Aetate”, em comparação com os três capítulos precedentes, o modo de falar muda. “O tom descritivo dos números primeiros muda. Agora se trata da Igreja na sua identidade que se radica no Judaísmo.”10 Essa percepção tem conseqüências consideráveis para a interpretação do conteúdo do respectivo capítulo. Quando nele está sendo elaborada a ligação na origem da história de salvação de Israel e da esperança, está sendo descrita, não só uma história de origem da Igreja, mas a relação duradoura desta ao povo judaico. “O texto daí não tem só uma vista de história teológica. A origem da Igreja determina o seu presente e o futuro permanente.. O “patrimonium espirituale” está para ser lido presentemente.”11 Desse estado de fatos resulta que o debate atual sobre a formulação da liturgia da Sexta Feira Santa se refere, não de um pôr secundário de questão, mas nela se luta pelo auto-entendimento da Igreja Católica. Como no Moto propria foi desistido de nomear um critério eclesiológico preciso para as mudanças – a preocupação para a unidade e a paz, a qual está sendo nomeada não é suficiente – não foi percebido que importância tem a formulação da intercessão da Sexta Feira Santa. Por isso era preciso que se chegasse a essas discussões. Mostram por sua vez que representa uma candurização, quando se entender o Motu proprio como regulamento sobre o lugar próprio duma “forma extraordinária” ao lado da “forma ordinária” do rito dentro da Igreja latina. Antes é que o auto-entendimento fundamental da Igreja está em questão. Notas literárias 1 a 11: No fim do texto alemão! Texto alemão: Israels Glaubenszeugnis und die Kirche ORIENTIERUNG 7/72, 15. April 2008, pp. 82-84 – orientierung@bluewin.ch Tradução: 7/5/2008 |