Ódio de judeus no Islame
Chaim Noll
Nota prévia: repressão do assunto na reflexão histórica
islâmica
Nas discussões pelo Islame, seu caráter e os seus efeitos à
nossa vida,
moslins e amigos ocidentais do Islame apontam para a essência
relativamente tolerante dessa religião, especialmente no trato dos
judeus, os quais cerca de 1.300 anos viviam sob domínio moslêmica.
Enquanto as perseguições cristãs dos judeus desse período estejam
presentes na consciência européia e muito mencionadas, há pouco
conhecimento sobre a situação dos judeus nos diversos reinos islâmicos.
Isso se motiva uma vez na tendência divulgada entre intelectuais
ocidentais de ver o Cristianismo mais criticamente que o Islame, outra
vez numa historiografia islâmica cheia de lacunas, muitas vezes
arbitrária, que tem medo de cada começo crítico. Mesmo ali onde há
documentos, crônicas ou anotações históricas, atitudes tradidas não
permitem, na maioria dos casos, nenhum acesso científico livre, para
não falar em análise crítica ou discussão pública.
Pensar ocidental moderno parte de que catástrofes históricas não são
geralmente “destino”, mas sim pelo menos favorecidas por falsas
decisões humanas, que daí vale descobrir as atitudes erradas, para
reconhecer os defeitos na estrutura própria e introduzir correções
salutares. Um exemplo para a capacidade é a mudança que, dentro de
pouco tempo, na segunda metade do século 20, o relacionamento das
Igrejas aos judeus experimentou. Ela nasceu da noção de que ódio
cristão aos judeus prejudicou, não só os judeus, mas também o
Cristianismo.1 Pelo deixar acontecer o Holocausto, as Igrejas perderam
a sua credibilidade como instituições que, segundo o entendimento
próprio, devam responder pela preservação do humano.
Em 1952, o papa Pio XII levou a um exame de todos os livros de escola e
textos de educação católicos referente ao seu conteúdo hostil aos
judeus2. Sob João XXIII, as passagens hostis foram afastadas de livros
de oração e textos litúrgicos, assim em 1959 a fórmula existente desde
séculos na prece da Sexta Feira Santa pro perfidis judaeis.
A ruptura sucedeu com a declaração de princípio Nostra Aetate
do Segundo Concílio Vaticano.
Nas “normas” publicadas por Paulo VI, o ódio aos judeus foi abjurado,
porque “as ligações espirituais que ligam a Igreja com o Judaísmo
proíbem qualquer forma de anti-semitismo (…) como contrariante ao
espírito do Cristianismo”.3
Também a Liga Mundial Luterana separou-se em 1983 de qualquer
antijudaísmo. A Comissão Européia Luterana Igreja e Judaísmo elaborou a
isso em 1990 uma tomada de posição fundamental: “Deus elegeu Israel
para o Seu povo. Essa declaração não está cancelada e está sendo (…)
renovada e e confirmada na confissão neotestamentária”.4
Em 1982, seguiu o Conselho Ecumênico das Igrejas, em 1987 a Igreja
Presbiteriana com declarações à comudade profunda da causa de judeus e
cristãos.
Essas declarações sejam aqui citadas, porque provam o exame de
consciência e o trabalho de pensar, os quais dentro de poucos decênios
conduziram a uma mudança na atitude da Cristandade européia referente
aos judeus. Em seguida a essa mudança, a tomada de relacionamentos
diplomáticos entre o Vaticano e Israel chegou a ser possível, passo que
a esmagadora maioria dos estados islâmicos até hoje não resolveu dar.5
Dos países islâmicos, só a Jordânia, o
Egito e a
Turquia estabeleceram relações diplomáticas com Israel. …
Também às declarações citadas das Igrejas, até agora não há
nada semelhante pelo lado islâmico.
Até hoje, o trato de sociedades islâmicas com acontecimentos
históricos problemáticos continua vastamente determinado por repressão
e negação.
O exemplo talvez mais retumbante é a incapacidade da Turquia a
confessar o genocídio cometido em 1915 nos armênios. Leis estatais
proíbem a discussão pública desse genocídio.6
Em 11 de outubro, a Corte Criminal
Sisli de Istambul sentenciou Arat
Dink, o editor do magazine turco armênio, Agos, e o proprietário da
licença do magazine, Sarkis Serkopyan, para um ano de termos de prisão
suspendidos. Foram convencidos sob o artigo notório 301 do Código Penal
Turco por acusações de “insulto à turquidade”. …
Historiadores, escritores e jornalistas que se preocupam com
isso estão
sendo perseguidos de direito penal ou – como recentemente o autor
armênio Hrant Dink – matados por fanáticos.
No que se refere à relação da própria história, padrões completamente
outros do que nos ocidentais reinam em sociedades islâmicas, também
outras intenções que em ocidentais.7
Já a imaginação daquilo que está para
ser entendido
sob “ciência” ou
“conhecimento credível” (árabe ilm) difere consideravelmente de
noções
ocidentais. Com ciência, assim Ignaz Goldzieher, … o moslim crente
entenderia “nunca os resultados do pensar próprio ou até a informação
recolhida de lado não-corporativo”. No lugar, “valeria como real
somente o que seria, na forma de cadeia de tradição reta, oral remetido
aos fiadores mais antigos capazes de ensinar. E também em outros ramos
de saber, só essa forma de tradição valia como o critério da certeza.
Nomeadamente também na história. O conhecimento dum acontecimento
histórico pode credivelmente somente ser fixado remetido a uma cadeia
de testemunhas oculares (moslêmicas) dignas de fé. Só essa forma podia
reivindicar consideração.”
Só dissidentes isolados, na maioria vivendo no ocidente,
defendem uma
atitude crítica à história própria, talvez também no relacionamento do
Islame aos judeus, não raramente sob perigo de vida e sem encontrar até
agora um eco maior nos países moslêmicos.8
A isso o escritor turco que vive na
Alemanha, Safer
Zenocak: “Não são
dispostos para uma análise crítica da própria tradição, para uma
confrontação impiedosa da sua fé com a realidade de vida em sociedades
modernas.” …
Primeiro, existe aqui um problema teológico: a teologia
islâmica –
diferentemente da judaica e da cristã – não parte geralmente duma
responsabilidade própria da pessoa humana pelos seus atos. Aláh não
permite às Suas criaturas liberdade de decisão como o Deus bíblico; por
conseqüência, todos os feitos dos moslins, também os seus crimes, valem
como queridos por Deus.9
Cf. Morris S.Seale …: Todos os
teólogos moslins,
baseando-se no hadith, eram predestinatorianos, negando a
liberdade da vontade da
pessoa
humana. …
Além disso, a sociedade masculina islâmica fica largamente
influenciada
pela muruwa, a tradição arcaica de virtude de tribalismo, honra de
grupo e violência, a qual Maomé, em antagonismo contínuo à mensagem
bíblica, assumiu no seu sistema religioso10. Por isso, também a imagem
histórica de sociedades islâmicas fica apologeticamente parcial, no
sentido de vaidosidade de um lado e da degradação do respectivo
adversário de outro lado11. A imaginação islâmica tradicional do que
seria para ser entendido com “ciência” ou “conhecimento que merece
crédito”, exerce também um efeito impedidor à qualquer consideração
livre ou até crítica da história própria.12
Apesar de tais déficits historiográficos, é possível averiguar como foi
a atitude de reinantes, administrações e populações islâmicos referente
aos judeus que viviam no seu território e para os quais prescrições
religiosas, regulamentos legais e convênios sociais foram cunhados.
Já o Corão contém numerosas passagens , as quais se ocupam com os
judeus, a religião e a história deles, e outras que prescrevem aos
moslins como se devem comportar referente aos judeus.
Também o hadith, a coleção dos ditos e feitos de Maomé, e o
sistema de
determinações de direito surgido pelos séculos (sharia e fiqh)
se pronunciam ao assunto.
Aqui pretende ser considerado o fenômeno de ódio aos judeus no Islame
durante três épocas:
na primeira, o tempo islâmico primitivo determinado por Maomé e do
nascimento do Corão;
na segunda, nos séculos da existências de minorias judaicas em
reinos islâmicos, a qual era regulamentada pela assim chamada dhimma, o
“contrato de proteção”;
na terceira, em nossos dias, desde a ruína do último reino grande, do
osmânico, e do nascimento do estado judaico novo quase no mesmo tempo.
1. Ódio aos judeus no Corão e no tempo de vida de Maomé
Judeus expulsos da Judéia viviam nos dias de Maomé desde cerca
de um
milênio na Babilônia, exerciam agricultura altamente cultivada,
artesanato e comércio, observavam mandamentos da Toráh, estudavam e
ensinavam.
Nos primeiros séculos do tempo cristão, a política restritiva da
ocupação romana levou a mais imigração de judeus em regiões árabes.
A isso havia numerosas comunidades cristãs na região, as grandes
cidades eram muitas vezes sedes de bispo. Muitas tribos beduinas da
península arábica caíram na influência de ideário bíblico. Sob o nome
de Aláh, derivado do nome divino hebraico ÊL,13 um Deus único
todopoderoso chegou a ser adorado e o ambiente mental em Medina e nos
arredores dominado crescentemente pelo ideário bíblico, seja por causa
da importância dos judeus e cristãos que viviam ali, ou seja por causa
da fascinação que saia da religião judaica-cristã.
Cf. Morris S.Seale …: “A palavra al,
variamente
traduzido como ‘deus
alto’ ou ‘jugo’, é o equivalente exato dos dois termos cognatos árabes
alu e ula (…). A mesma palavra hebraica encontra-se na forma verbal
como alah, ‘ir para cima’, ‘subir ao grau de dignidae’; significava o
equivalente exato do árabe cognato.” …
Em 610, também certo Maomé, da tribo beduina Qurash, começou a
agir
como pregador para esse Deus.14
Quão muito a doutrina de Maomé se alimentava de ideário bíblico,
Abraham Geiger (o posterior fundador do Judaísmo de Reforma alemão) o
mostrou na sua dissertação publicada em 1833 “O que é que Maomé assumiu
do Judaísmo”, um estudo de fundo da ciência lingüista. Geiger chega à
conclusão de que era a intenção da Maomé “plagiar bem muito do Judaísmo
e o incorporar no seu Corão”. Isso porém não teria acontecido por
simpatia para com o Judaísmo, já que Maomé teria sentido “ódio
indelével” referente aos judeus,15 muito antes era “o poder, que
os judeus conseguiram na Arábia, importante o bastante para que ele os
devesse querido desejado como adeptos”, e ainda “eram em conhecimentos
superiores a outras comunidades de fé”.16 Poder e influência dos
imigrantes judaicos, Geiger os explica com a sua cultura, dos seus
conhecimentos em agricultura e artesanato, nem por último pela sua
religião monoteísta, a qual lhes mandava união e solidariedade
nacional, enquanto a população arábica, nos seus ciclos de vida
nomádicos, ficou atrapalhada em guerras de roubo tribais das tribos.
Quase todo o material narrativo do Corão é tirado da Bíblia ou de
outros escritos judaicos ou cristãos,17 em que Maomé – segundo a
opinião de Geiger provavelmente um analfabeto – adquiria os seus
conhecimentos por ouvir falar, não sabendo fazer diferença entre
Bíblia, Mishnáh, Gemara, Midrash ou textos cristãos, “para ele,
portanto, tudo devia ter valor igual, tudo se chamava de bíblico”.18
O recontar de histórias bíblicas,
talmúdicas e
cristas primitivas –
embora ocasionalmente adaptadas até à irreconhecibilidade – formam o
corpo narrativo do Corão.
Cf. A. Geiger…:
Além disso, “tanto conceitos, vistas de fé, moralidade e de vida em
geral (…) influíram do Judaísmo para dentro do Corão” … . Para o
material assumido de fontes cristãs primitivas, Geiger recomenda um
exame especial, o qual rebentaria o quadro do seu trabalho …
A censura de plágio foi feita ao pregador já no tempo da sua
vida,
primeiro pelos seus ouvintes arábicos, sobre o que Maomé, no Corão, se
queixa em muitos lugares19.
Entre outros lugares na sura 8,
versículo 31; 16,26;
16,105; 23,85;
25,5; 26,6; 27,70; 46,16; 68,15; 83,13. A contagem dos versículos do
Corão segue a tradução usada por Geiger (Wahl) e diverge de outras
traduções (Paret, Adel Khouri e outras).
Ao mesmo tempo, tomava em conta a pressão do seu público
arábe-nómade,
adaptando o material bíblico, que proferia nos seus sermões, no sentido
da capacidade de recepção daquele.
Nesse sentido, declarou a si mesmo defensor da doutrina contra os
alunos desobedientes dela, os judeus e os cristãos, os quais, embora
tivessem recebido “o livro” anteriormente a ele, teriam sido
“amaldiçoados” pela não-obediência da mensagem dele (sura 5, versículo
13 e outros).
Na mesma medida, em que Maomé anunciava a um público nômade
ignorante a
essência de idéias bíblicas como mensagem própria, executou a
delimitação de judeus e cristãos, aos quais a devia. Embora na sura 2,
versículo 59 esteja ainda sendo concedido a judeus e cristãos que
possam, sob circunstâncias, participar da graça divina, já no versículo
107 da mesma sura lhes está sendo tirado o direito de mesmo visitar
ainda os lugares de oração, porque os “desonrariam”.
A afirmação de que a mera presença de não-moslins represente
já uma
ameaça para moslins, baseia-se na sura 2,191, segundo a qual uma
“tentação partinte de infiéis” (seria) “pior que matar”. Chega a ser, a
partir de agora, um motivo guia do Corão para, a partir de agora,
declamar a agressão violenta a “infiéis” como ato da defesa.
Muito discutido na discussão de hoje acerca do Islame fica a questão de
se os judeus na apresentação do Corão sejam “infiéis” ou, como
apologética islâmica o afirma, “gente do livro”, que seria poupada das
numerosas punições cruéis citadas no Corão para infiéis. Antes de tudo,
a sura 5 discute os judeus que, em versículos anteriores, estão sendo
salientados como possuidores da doutrina, em outros, p.ex. no versículo
85, estão sedo equiparados aos “infiéis”: “Descobrirás com certeza que
os maiores inimigos dos fiéis são os judeus e idólatras.” A equiparação
de judeus e idólatras em versículos como esses efetua a degradação
gradual do “povo do livro” para “infiéis”, contra os quais,
conseqüentemente, as punições citadas no Corão são para serem aplicadas.
Que o repúdio dos possuidores anteriores “do livro” significa
simultaneamente uma tomada de posse da propriedade
espiritual-religiosa, o versículo 62 o dá para entender: “Oh fiéis, não
tomais nunca como amigos aqueles aos quais foi dado o livro antes de a
vós, e os infiéis que consideram a vossa religião com troça.” A
religião do livro está sendo aqui já “vossa”, logo transferida a posse
dos adeptos de Maomé, enquanto os proprietários anteriores a partir de
agora estão sendo postos no mesmo grau com os “infiéis”. A sura 48
(intitulada “vitória”) declara a Toráh os Evangelhos escritos nos quais
os adeptos de Maomé estariam sendo apresentados (versículo 29). Também
figuras singulares, como o tronco Abraão, estão sendo reclamados para o
Islame; a sura 3, versículo 60, declara que esse teria sido, “nem judeu
nem cristão, mas sim moslim”. Nas suras 2,135 e 3,67 diz que o Islame
seria a religião de Abraão, portanto também a única verdadeira para
todos que descendem, razão por que judeus e cristãos seriam apóstatas,
portanto para serem punidos.
Não só a matéria das pregações corânicas era tomada dos livros
religiosos dos judeus, mas também o assentamento por escrito era
impensável sem a ajuda judaica. Entre os árabes de Medina e arredores
havia numerosos conversos judaicos, aos quais presumivelmente também
Waraqah ibn Naufal ibn Asad pertencia, um primo da Khadija, da primeira
mulher de Maomé, o qual, segundo um hadith, teria posto em escrito as
revelações de Maomé como primeiro. Desse primeiro escritor de Maomé
dizem que teria “dominado a escrita hebraica e copiado dos Evangelhos
em hebraico aquilo que agradava a Aláh que o escrevesse”.20
Geiger prova detalhadamente que a maior parte dos “conceitos, opiniões,
determinações morais e legais, vistas de vida e histórias”21 do Corão
provêm de fontes bíblicas e outras judaicas e cristãs primitivas, com
exceção daqueles mandamentos e concepções que Maomé, com consideração
do público árabe,.aceitou da muruwa, do código árabe tradicional de
costumes, o qual, como Ignaz Goldzieher mostrou mais tarde, está
diametralmente oposto ao bíblico, de onde a maior parte da ambivalência
interna do texto do Corão se explica.22
Da profunda dependência do ideário judaico de Maomé resulta o seu
crescente ódio aos judeus: Em virtude duma emancipação radical e
delimitação das fontes, finalmente a negação destas, até, como Geiger o
chama, da sua “contestação”.23 O ódio aos judeus por Maomé encontra
expressão em imputações e acusações no texto do Corão, as quais dão até
hoje pretexto para agressão e violência contra judeus, por exemplo,
como Geiger alega: “os judeus seriam inimigos dos moslins (sura 5,85),
teriam matado profetas (2,58; 5,74) (…), falsificaram a Bíblia (2,73 e
outros lugares), constroem o Templo nos túmulos dos profetas (suna
70ss.)” e – para acrescentar a essa enumeração um detalhe absurdo –
adorariam contra a Escritura um Filho de Deus, a saber o profeta Esra
(sura 9,29). A última acusação serve para a legitimação dum mandamento
(expresso no mesmo versículo) de “combater” os judeus.
A segunda razão para o ódio aos judeus de Maomé teria sido, como Geiger
acha, a sua intenção de “realizar uma união de todas as vistas de fé”,
uma espécie de religião mundial ou uma concepção de dominação do mundo
religiosamente disfarçada, “e ninguém lhe estava aqui mais no caminho
do que os judeus como as suas leis (bíblicas)”. Pois Maomé “amava os
costumes árabes e se mantinha nelas; exatamente ao contrário dos
judeus, os quais puseram o maior peso no cumprimento das leis”24. Esse
dilema religioso do Islame, o “contraste profundo e incapaz para
mediação” entre código de honra da sociedade masculina árabe e das
concepções éticas da Bíblia foi mais tarde exatamente examinado por
Ignaz Goldzieher nos seus “Estudos Maometanos”.25
“Pois profunda e incapaz de
intermediação é a
contradição entre a visão
do mundo do arabismo e aqueles ensinamentos (tirados da Bíblia) que o
profeta anunciava.” I. Goldziher, …
Apesar dos muitos lugares hostis aos judeus no Corão, Hadith e
outros
textos islâmicos de base (dos quais aqui só poucos podiam ser
mencionados)26, adeptos do Islame reportam-se a alguns lugares do
Corão, nos quais os judeus, como povo do livro, estão sem distinguidos
perante os outros “infiéis”.
Mais drásticos que os lugares hostis
aos judeus no
Corão são aqueles no hadith, a coleção de ditos e feitos do
profeta, às quais
extremistas
islâmicos hodiernos podem remeter; cf. p.ex. os ditos citados na Carta
da Hamas (da coleção Buhkari/Moslim): “A honra não virá até que os
moslins combaterem os judeus e os matarem” etc. …
Os respectivos lugares nomeiam, porém, honras muito duvidosas,
como por
exemplo o destaque de mulheres e filhas judaicas como “delícias”, as
quais – diferentemente das mulheres de outros “infiéis” – são
permitidas aos conquistadores moslêmicos para casamento e aceitação no
harém (sura 5,5). Também toda a terra dos judeus não conquistados deve
pertencer aos moslins vitoriosos, e ainda as suas habitações e tudo o
que lhes pertence (sura 33,27).
Aos primeiros que Maomé sacrificava à sua nova doutrina, pertenciam os
judeus de Medina. Os homens foram no ano de 627 eliminados num banho de
sangue, as suas mulheres, crianças, casas e outras propriedades
distribuídas entre os moslins. “Durante a noite foram através da praça
do mercado, escavadas fossas para receberem os cadáveres dos homens”,
Sir William Muir escreve no seu livro sobre o nascimento do Islame. “Na
manhã Maomé, que mesmo pertencia aos espectadores da tragédia, mandou
que os prisioneiros masculinos fossem aduzidos em grupos de cinco ou
seis cada. Cada grupo foi mandado a sentar em fila na margem da fossa,
a qual era destinada para chegar a ser a sua cova, ali lhes foram
cortadas as cabeças e os cadáveres empurrados para baixo (…) A matança
que começara de manhã cedo, durou o dia inteira, sendo continuada na
luz de archotes até noite adentro. Depois de que assim embutira a praça
com o sangue de sete a oito mil vítimas e dado a ordem de aplainar a
terra sobre os cadáveres, Maomé adiantar-se desse espetáculo horrível
para encontrar consolo nos encantos da Rihana, cujo homem e parentes
masculinos acabaram por perecer no massacre.”27
A ampla comunidade judaica da colônia Chaibar, cerca 150 km ao norte de
Medina, em algumas fontes chamada de uma “terra” ou de um “reino”, caiu
vítima dos guerreiros de Maomé no ano seguinte, em 628. Muito tempo as
fortificações dos judeus, situadas numa planície de montanha, foram
sitiadas, tomada por estratagema, muitos prisioneiros assassinados e as
suas mulheres, como recomendado pelo texto do Corão, aceitas nos haréns
dos vencedores moslêmicos.
Aqui, Maomé aplicava pela primeira vez um método de sujeição que
encontrou entrada no direito e de formação de legendas sob o nome de
dhimma, literalmente “convênio de proteção”. Os judeus de Chaibar
realizavam agricultura altamente efetiva, e os conquistadores
moslêmicos temiam que a terra fértil, privada dos seus habitantes
judaicos, chegasse a ser estepe, ficasse ermo e não abastecesse mais a
população árabe dos arredores, como de costume, com produtos de
agricultura. Por isso, Maomé permitiu aos judeus sobreviventes, sob
imposição da impostos altos, a continuarem a cultivar a terra.
No entanto, a maioria desses foram, já quatorze anos mais
tarde, em
642, expulsa pelo califa Omar, depois de que tiveram iniciados muitos
moslins na arte de produção de plantas e criação de animais e não eram
mais indispensáveis para os arredores arábicos. Um primeiro exemplo, de
quão unilateral, pouco convincente do lado moslêmico era a dhimma deste
o começo: revogável a qualquer tempo.
2. Vida em baixo da dhimma – minorias judaicas nos
reinos
islâmicos
Os lugares do Corão que fazem base da dhimma são os já
citados
versículos29 e 30 da sura 9, nas quais os moslins são mandados a
combaterem “aqueles aos quais a Escritura foi dada antes” até que se
submetam e paguem aos moslins o pagamento de tributo (jizya).
Trata-se
de um mandamento independente do tempo, ao que também o moslim
observante se deve sentir obrigado até hoje até que o mundo inteiro
tiver chegado a ser moslêmico (suras 2,1.93; 8,39 e outros lugares).
Do ponto de vista jurídico, um orientalista alemão observa, que a
instalação da dhimma dificilmente possa ser chamada um convênio, porque
se realizou sob aplicação de força, logo cumpriria um fato de extorsão,
dito mais exatamente – por causa do pagamento regular dum dinheiro de
proteção pelos subjugados com ela ligado – da “extorsão de dinheiro
para proteção”28. A disposição dos judeus que vivem nos reinos
islâmicos de aceitarem uma instalação tão desvantajosa explica-se
somente pela inutilidade da sua situação. Privados de estadade própria
desde a caída de Jerusalém no ano 70, sucessivamente expulsos do seu
país; crescentemente sem direitos e desprezados, não lhes ficou outra
escolha do que aceitar a dhimma.
A conquista do Próximo Oriente pelo Islame era um processo de agressão
militar e destruição de cultura, ligada a destruição em massa, ligada
com massacres, violações em massa, deportações, pilhagens, incineração
de cidades e devastação de paisagens. Milhões de pessoas de diferentes
religiões foram escravizados. A dureza e crueldade mandadas no Corão
dos guerreiros de Deus de Aláh deixaram às populações dos países
castigados freqüentemente só a alternativa de morte ou conversão ao
Islame. Uma conversão ao Islame, porém, não significava, como no
Judaísmo antigo, a libertação (que a lei de Moisés manda) garantida
depois do decorrer de alguns anos, ao contrário: o Islame, com pretexto
religioso, institucionalizou outra vez a escravatura por toda vida, que
a lei da Toráh tentava a abolir.
Perante esse segundo plano de inescapabilidade plena é compreensível
que judeus e cristãos, onde lhes foi oferecida, uma sobrevivência sob
as condições da dhimma. A dhimma, porém, não modificava
nada em que a
pressão de conversão por parte dos reinantes e repartições islâmicos –
exceto de poucos períodos curtos – continuava pelos séculos, sendo
aplicada politicamente em ocasiões oportunas. A extorsão relativamente
não-violenta de dinheiro de proteção da dhimma, atitude
tolerante
ocasional de reinantes moslêmicos – como no tempo da dominação de
umayades na Espanha no século 11 (modelo de Córdoba”) ou a recepção de
fugitivos judaicos pelo sultão Bayezid no ano 1492 – podia ser
terminada a qualquer tempo por ondas fundamentalistas de violência e
conversão. Assim sob a dinastia dos almohades que chegou ao poder em
1130, cuja pressão à conversão e terror cotidiano expulsava judeus e
cristãos da Espanha e da África do Norte, entre eles a família do
filósofo judaico Maimônides (Rabbi Moshé ben Maimon, chamado Rambam),
que testemunha a crueldade da dominação islâmica no século 12 nos seus
escritos.
Em muitas cidades islâmicas, os judeus viviam num mellah ou outro
bairro judaico denominado diferentemente o qual, na maioria dos casos,
estava situado na cidade velha (medinah) e na proximidade do
palácio do
reinante para, por uma proximidade tal, oferecer aos dhimmi uma
certa
segurança contra abusos pelos co-cidadãos islâmicos. Essa concepção que
se baseia em segregação no trato com os judeus lembra o gueto em uso em
países cristãos, significando tão pouco como este uma segurança real
para os judeus ali internados. Em Fez em Marrocos, por exemplo, onde os
judeus desde 1438 viviam numa mellah chegou, apesar disso, a ter um
massacre de judeus no qual quase todos os judeus da cidade foram
vitimados. Já no ano de 1033, já foram chacinados quase seis mil judeus
em Fez por moslins. Massacres na população judaica chegavam a ter
sempre mais uma vez, 634 em Gaza, 1066 em Granada, 1077 em Jerusalém,
1232 em Marrakech e alhures nos diversos reinos islâmicos.
Em outros tempos, os reinantes islâmicos usavam os judeus para
refazerem rapidamente prosperar paisagens devastadas por guerra ou
cidades esvaziadas por expulsões, sendo também isso um efeito calculado
da dhimma. Seguia-se o modelo de Chaibar, de levar os
subjugados a
darem o seu conhecimento e saber e depois os expulsar ou empurrar a
desprezo e pobreza.
Esse procedimento repetia-se no reino otomano: primeiro uma espécie de
inclusão simbólica dos judeus pelos sultões, os quais se serviam, no
sentido dos seus planos imperiais, dos seus conhecimentos e
capacidades, dos relacionamentos comerciais e ligações internacionais
dos subjugados, mas depois, quando tudo isso estava transferido ao
controle dos moslins, uma deterioração do status da dhimmi
judaica, um
simples relaxar da tolerância a eles concedida.
A dhimma baseava-se fundamentalmente no princípio da humilhação, como
primeiro proferido nos versículos do Corão nos quais essa instituição
se baseia: “Combati aqueles aos quais foi dada a Escritura e aqueles
que (…) não se confessam à religião da verdade (entendido está ao
Islame), até que estejam rebaixados e paguem tributo” (sura 9.29).
Aos dhimmi, o abaixamento foi chamado à consciência em cada
ocasião,
por regras fixadas nas prescrições de leis islâmicas (sharia e figh),
as quais regulamentavam todo o prático e pessoal da sua existência: que
se devessem deixar insultar, bater, escarnecer sem ter permissão de se
defender (por sua vez bater num moslim, lhes era proibido por pena de
morte), que lhes era proibido a posse de armas e a sua declaração
perante o juizado era sem valor, que se devessem movimentar na rua em
atitude humilde devendo saudar primeiro, que não tivessem permissão de
andar a cavalo e que devessem descer da sua cavalgadura - mula ou asno
– sempre que lhes um moslim veio ao encontro, que tivessem de usar ou
não usar peças de roupa, coberturas de cabeça, sapatos discriminantes,
que tivessem de fixar no seu vestido distintivos que marcassem o
seu status de dhimmi etc.
Quão opressiva era e ficava a situação dos judeus nos reinos islâmicos,
testemunhos judaicos ocasionais o manifestam, os quais ousam descrever
a situação sem rodeios. Entre esses está a carta confidencial do
Maimônides às comunidades judaicas iemenitas, igeret tejman, um
responsum rabínico à uma solicitação desesperada por causo
da pressão
reforçante para conversão pelas repartições islâmicas. Nisso,
Maimônides, que em repartições moslêmicas exercia ofícios altos e a
quem outros judeus culpavam acomodação demasiada a costumes
islâmicos,29 de modo nenhum como adversário decidido do Islame. A sua
descrição da situação de vida do seu povo sob a dominação moslêmica
está um tanto mais fidedigna:
“Por causa do grande número dos nossos pecados, Deus nos deixou cair
sob esse povo, os árabes (Yishma’el), que nos duramente
perseguem e nos
impuseram leis funestas (…) Nunca antes alguém nos oprimiu, degradou,
abaixou e odiou tanto como eles (…) Conformamo-nos, velhos como jovens,
a suportar o abaixamento (…) Apesar disso, não conseguimos escapar do
mau-trato que nos quase esmaga.”30
Pronunciar-se tão francamente significava, para Maimônides um risco
grande, como ele mesmo acrescenta pelo fim do igeret tejman:
tanto a
sua crítica verbal no domínio moslêmico como também – em vários outros
lugares da carta – a sua recusa da superioridade religiosa do Islame
ter-lhe-iam ter custada a cabeça. Vale notar que, apesar disso, ousou e
desaconselhava aos judeu iemenitas cederem em questões de fé, que
chamava Maomé um “alienado” ou “obsesso” (ha meshuga) e a sua
religião
uma “falsificado”. Compara o Islame com uma “estátua que aparece de
fora como uma pessoa humana”, mas cuja estrutura interior mostra
“nenhuma elaboração competente”, enquanto o interior duma pessoa humana
é “verdadeiramente maravilhoso e testemunho da sabedoria infinita do
seu criador”. Só um “simplista” poderia confundir ambas as coisas e
considerar o Islame uma como religião igual ao Judaísmo.
Notável é também que nenhum dos leitores da carta denunciava o
escritor, pois Maimônides vivia, apesar de crítica tal em Maomé, para a
sua doutrina de fé e da ordem política nela construída, até para dentro
da sua idade na corte de Cairo. Efetivava o extremo em ajuda referente
a outros judeus, ao que era capaz: apesar da situação própria apertada,
fiscalização e legislação restritiva de dhimma, exortava a
comunidade
iemenita para a manutenção da sua fé, encorajava-a para a manutenção da
su identidade judaica, fornecendo-lhe os argumentos que lhes facilitam
isso.
A solidariedade intra-judaica que este caso ilustra, fez sem duvida a
vida dos judeus sob a dominação islâmica mais suportável. Mas isso é
uma realização inteiramente judaica, a qual tem pouco a ver com as
condições externas sob o domínio islâmico.
3. Inimizade aos judeus do Islame até hoje – continuidade
histórica
Segundo opinião divulgada, a atitude hostil aos judeus dos
estados
islâmicos está sendo atribuída à existência do Estado de Israel, de
mais a mais à “ocupação de áreas palestinenses” israelense, até a
movimentos de política do dia deste ou daquele governo. Depois de tudo
o que foi dito anteriormente, mostra-se que esse começo está
demasiadamente superficial. As raízes do problema vão mais para fundo,
a inimizade aos judeus de sociedades islâmicas tem uma pré-história
longa pelos séculos, até aos começos do movimento islâmico, até o ódio
aos judeus de Maomé e o caráter hostil aos judeus do Corão.
A atividade de colonizar judaica na área do Israel hodierno e a
fundação dum estado judaico são que talvez ativaram o ódio aos judeus
tradicional dos arredores islâmicos. A prosperidade constante, rápida,
quase sensacional do estado judaico tradicional no século vinte no
Médio Oriente realiza-se nos escombros do último grande império
islâmico, do osmânico o qual depois de longa letargia foi, com a
Primeira Guerra Mundial, definitivamente à ruína: uma coincidência
simbólica, para muitos moslins insuportável.
Ainda mais: a existência do Estado de Israel na sua situação
geopolítica atual parece a muitos moslins ortodoxos a razão primária
para o fracasso até agora das tentativas religiosamente mandadas de
começar com a construção de um dar al-Islam mundial que procede
do
Médio Oriente. É míope restringir essa idéia de império islâmica a
grupos, movimentos ou organizações de terror atuais. Em verdade, é o
estabelecimento dum império mundial islâmico uma concepção do Corão,
pelo menos nos seus modos de leitura predominantes, já tendo sido
varias vezes começado na história.
Daí, é também este modo específico de ódio aos judeus islâmico – “o
anti-sionismo” aparentemente de espécie nova, focalizada no estado
judaico – somente a articulação hodierna do fenômeno histórico. É tão
antiqüíssimo e tão novo como outros estereótipos da inimizade aos
judeus transmitida dentro do Islame, como p.ex. a acusação da
falsificação da Escritura, do assassino de profetas, da “maldição” por
Deus etc. Da assunção obvia de grandes quantidades de material bíblico
para dentro do Corão, a propaganda islâmica fabrica – hoje como faz
séculos – na perversão de fatos a contra-imagem exata à verdade
histórica: uma pretensa falsificação do Corão pelos judeus.
Especialmente clérigos shiitas, que partem da não-autenticidade e
incompletidade de edição sunitas do Corão31 – as quais são desde
sempre as mais divulgadas, já pela razão por que há mais sunitas que
shiitas -, culpam os judeus de ter causado uma deformação do texto.
Assim um clérigo chiita mundialmente conhecido, o líder da revolução
iraniana, o ayatollah Ruhollah Khmejni: “Percebemos hoje que os judeus
– Aláh os amaldiçoe – manipularam no texto do Corão.” A essa declaração
segue uma conclusão surpreendente: “Devemos protestar contra isso e
levar à consciência das pessoas humanas que os judeus e os seus
apoiadores estrangeiros (…) estabelecem a dominância judaica em cada
lugar no mundo inteiro.”32
Ódio aos judeus islâmico articula-se hoje a partir de todos os ângulos
de vista possíveis: religiosos e políticos, tradicionais e táticos.
Está sendo cultivado tanto em comentários de Corão modernos divulgados,
p.ex. no Ma’arif al Quran ou na versão inglesa The Meaning of the
Noble
Quran with explanotary notes by Mufti Muhammad Taqui Uthmani [O
significado do Nobre Corão com notas explicatórias pelo Mufti M. T. U.]
como também no Covenant of the Islamic Resistance Movement Hamas
[Convênio do Movimento de Resistência Islâmico Hamas]. Se está aqui o
comentário religioso à sura 5 ou outros lugares dedicados aos judeus
dos sermões de Maomé que dá motivo bem-vindo a comentários e invectivas
anti-judaicos, é ali a dedução de estratégias políticas hodiernas para
a destruição de Israel dos estereótipos tradicionais do ódio aos judeus.
“Com dinheiro tomaram controle da mídia mundial”, diz por
exemplo o
artigo 22 da Carta Hamas sobre os judeus. “Com dinheiro espalharam
revoluções em vários países ao redor do mundo. Estavam atrás da
Revolução Francesa e da revolução comunista (…) Com dinheiro formaram
organizações segredas pelo mundo inteiro para destruir sociedades e
para servirem aos interesses dos sionistas (…) Não há fim ao que pode
ser dito sobre o seu envolvimento em guerras locais e guerras mundiais.
Estavam atrás da Primeira Guerra Mundial, pelo que conseguiram a
destruição do Califado Islâmico (…), obtiveram a Declaração de Balfour
e estabilizaram as Nações Unidas. Onde quer que haja guerra no mundo,
são eles que puxam os fios atrás das cenas.”
Também esse resumo de clichês hostis aos judeus pelos séculos encontra
a sua legitimação em citações do Corão , com o que a continuidade
histórica do ódio aos judeus islâmico dos dias de Maomé até hoje está
provada e a destruição do estado sionista deve ser integrado no esforço
global do Islame, no jihad eterno. Nesse sentido, a Carta da
Hamas cita
a sura 5, versículo 65 e a sura 3, versículo 118: “As suas mãos (dos
judeus) sejam atadas e sejam maldiçoados pelo que falam (…) Viajam pela
terra para provocar desgraça (…) O ódio vem da sua boca, e o que
escondem no seu coração é ainda pior. Esclarecemo-vos os indícios para
que entendais.”33 A última frase está sendo repetida na Carta da Hamas:
“Para que entendais.” O que deve ser entendido é a necessidade de luta
armada contra o adversário transmitido do Corão, o “inimigo sionista”,
até a destruição completa dele.
Notas literárias: 1 a 33: No fim do texto alemão.
Texto alemão: Judenhaß
im Islam
Tradução: 26/2/2008 
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Pedro von
Werden, SJ
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