CRISTÃOS E JUDEUS

 

Camadas de tradição nos evangelhos sinópticos

Os trechos copiados dos evangelhos sinópticos encontram-se selecionados:

  • da camada aramáico-judaica da fonte Q em: Edward Schillebeeks, JESUS, deutsch bei Herder  1975, S. 625, Anm. 28 = Schulz, Q-Quelle 55 - 176;
  • da 2.a fase  da fonte Q, heleno-judaica em: Schillebeeks, op. cit. S. 367f;
  • do material pré-marquiano em:  Pesch, Das Markusevangelium,  I. Teil(1,1-8,26),  Herder  1976, S. 67 e II. Teil(8,27-16,20), 1980, S. 1f.

A tradução dos textos bíblicos é a francesa de André Chouraqui traduzida ao português por Leneide e Leila Duarte, (Coleção Bereshit, IMAGO EDITORA LTDA, Rua Santos Rodrigues,201-A - Estácio, 20250-430 - Rio de Janeiro -RJ), com algumas modificações de grafia nas transcrições das palavras hebráicas: Transcrevi a letra tsadé por ts e a letra yod-consoante por y; não acrescentei - como o faz Chouraqui - um s nas desinências de plural hebráicas -ot e -îm.

INDICE

A fonte Q
A camada aramáico-judaica na fonte Q
em Mateus
em Lucas
A 2ª fase da fonte Q, heleno-judáica
em Mateus
em Lucas
Marcos
Material pré-marquiano
Galiléia ...
... Jerusalém
Material marquiano
Galiléia ...
... Jerusalém
Material pós-marquiano
O final longo (16, 9-20)
O final curto

Cuiabá, 2 de fevereiro de 2008
Pedro von Werden SJ

A fonte Q

A camada aramáico-judaica na fonte Q

em Mateus

5,3-4: Em marcha, humilhados do sopro! Sim deles é o reino dos céus!
6: Em marcha, famintos e os sedentos de justiça! Sim, eles serão saciados!
18: Amèn, sim, eu vos digo: enquanto os céus e a terra passarem, nem um yod nem um sinal da Torá passará antes que tudo se cumpra.
32: Mas eu vos digo: quem repudia sua mulher, salvo a propósito de sexo, lhe faz cometer adultério. Quem desposa uma repudiada também adultera.
39-42: Ora, eu vos digo: não vos oponhais ao criminoso. Mas a quem te esbofeteia a face direita, oferece a outra face. A quem quer te fazer julgar e te tomar a túnica, deixa-lhe também a capa. Quem te requisita para uma milha, caminha duas com ele.
Dá a quem te pede; não evites quem quer te pedir emprestado.
44-48: Ora, eu vos digo: amai vossos inimigos, orai por vossos perseguidores, para vos tornardes filhos de vosso pai dos céus: sim, ele faz levantar seu sol sobre os bons e os criminosos, e chover sobre os justos e sobre os injustos. Sim, se vós amais vossos amigos, que recompensa tereis? Até mesmo os coletores não fazem o mesmo? Assim sede íntegros como o vosso pai dos céus é íntegro.

6,9-13: Então orareis assim: <Pai nosso dos céus, teu nome se consagra, teu reino vem, tua vontade se faz, como nos céus na terra também. Dai-nos hoje nossa parte de pão. Perdoa-nos nossas dívidas, uma vez que nós perdoamos a nossos devedores. Não nos faças entrar em provação, mas livra-nos do crime.>
19-22: Não acumuleis tesouros na terra, onde verme e traça os decompõem, onde ladrões penetram e roubam. Mas acumulai tesouros nos céus, que nem verme nem traça decompõem, que ladrões não penetram nem roubam. Sim, onde está o teu tesouro, também está o teu coração.
A lâmpada do corpo é o olho. Se teu olho está intato, todo o teu corpo é luminoso.
25-33: Por isso vos digo: não vos inquieteis por vossas vidas: <Que beber, que comer?> Nem por vosso corpo: <De que vesti-lo?> O ser não é mais que o alimento, e o corpo mais que a vestimenta? Olhai as aves do céu: elas não semeiam, não ceifam, nem armazenam em celeiros. Mas vosso pai dos céus as alimenta. Não sois vós muito mais preciosos que elas?
Qual de vós pode, com sua ansiedade, acrescentar à sua altura um único côvado? Por que vos inquietardes com a vestimenta? Observai as açucenas dos campos, como elas crescem sem se cansar nem fiar. Ora, eu vos digo: nem mesmo Shelomo em toda a sua glória se vestia como uma delas. Se Elohîm veste também a erva dos campos, que existe hoje e amanhã será jogada ao forno, quanto mais vós mesmos, anões da adesão!
Por isso não vos inquieteis dizendo: <O que comeremos?> ou <O que beberemos?> ou <Como nos vestiremos?> Sim, de tudo os goîm estão à procura; ora, ele sabe, vosso pai dos céus, que vós tendes necessidade de tudo isso. Mas procurai primeiro o reino de Elohîm e sua justiça! Tudo isto vos será acrescentado.

7,1-5: Não julgueis, para que não sejais julgados. Sim, com o julgamento que vós julgardes sereis julgados; a medida com que vós medirdes, será medida para vós.
Tu reparas o argueiro no olho do teu irmão; mas a trave no teu próprio olho, não a vês! Como dizes ao teu irmão: <Deixa-me retirar o argueiro do teu olho>, quando tu mesmo tens uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho; após o que, tu verás claramente para retirar o argueiro do olho do teu irmão.
11: Se vós, que sois criminosos, sabeis dar bons presentes a vossos filhos, quanto mais vosso pai dos céus dará coisas boas àqueles que lhe pedem!
Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o vós mesmos a eles: sim, eis a Torá e os Inspirados.

10,28-33: Não temais os que matam o corpo que não podem matar o ser, mas temei quem pode perder o corpo e o ser na Geena.
Dois pardais não são vendidos por um asse? Contudo, nenhum deles é abatido sem a vontade de vosso pai. E vós, até mesmos os cabelos de vossa cabeça são todos contados. Por isso não temais: vós sois mais preciosos que uma multidão de pardais.
Sim, quem se declarar por mim diante dos homens, eu me declarei por ele, também, diante de meu pai dos céus. E quem me renegar diante dos homens, eu o renegarei, também, diante de meu pai nos céus.

23,4: Eles fazem cargas pesadas e as impõem sobre os ombros dos homens; mas eles próprios não querem movê-las com seu dedo.
6-7a: Eles gostam do melhor lugar nos jantares, do primeiro assento nas sinagogas, das saudações nos mercados.
13: Oïe, vós, Soferîm e Peroushîm! Hipócritas! Vós fechais o reino dos céus diante dos homens; sim, vós mesmos não entrais lá; e aqueles que entram, vós não os deixais entrar.
23: Oïe, vós, Sopherîm e Peroushîm! Hipócritas! Vós cobrais o dízimo da menta, do funcho e do cominho; mas vós esqueceis o mais grave da Torá: a justiça, a misericórdia, a adesão. È preciso fazer isto, sem esquecer aquilo.
25: Oïe, vós, Soferîm e Peroushîm! Hipócritas! Vós purificais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina, de voracidade.
29-31: Oïe, vós, Sopherîm e Peroushîm! Hipócritas! Vós construís os túmulos dos inspirados, e enfeitais o sepulcro dos justos; e vós dizeis: <Se estivéssemos nos dias de nossos pais, não derramaríamos com eles o sangue dos inspirados.>... Assim, testemunhais contra vós mesmos de que sois os filhos de assassinos de inspirados.

em Lucas

6,20b-21: "Em marcha, os humilhados! Sim, ele é vosso, o reino de Elohîm!
Em marcha, os famintos de agora!” Sim, vós sereis saciados! “Em marcha, os que choram agora! Sim, vós rireis.”
27-38: Mas, vós ouvintes, eu vos digo: Amai vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam! Abençoai os que vos amaldiçoam, orai por vossos detratores! A quem te bate em uma face, estende-lhe a outra também. Ao que toma teu manto, não recuses também a túnica.
A todo pedinte, dá! Ao que leva teu bem, nada reclames!
Como quereis que os homens façam convosco, fazei-lhes da mesma forma.
Se amais vossos amigos, qual é vosso bem-querer? Mesmo os faltosos amam seus amigos!
E se fazeis o bem àqueles que vos fazem bem, qual é o vosso bem-querer? Mesmo os faltosos agem assim. Se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é vosso bem-querer? Mesmo os faltosos emprestam a faltosos para receber o equivalente! Assim, amai vossos inimigos, fazei o bem, emprestai sem nada receber de volta. Vosso salário será grande e sereis o filho de ‘Éliôn, do Supremo, ele que é bom com os ingratos e também com os criminosos. Sede matriciais, como vosso pai é matricial!
Não julgueis, e não sereis julgados. Não condenais, e não sereis condenados. Absolvei: sereis absolvidos. Daí: ser-vos-á dada uma bela medida, abundante, bem cheia, trasbordante, que será dada em vosso seio. Sim, a medida com que medis, serve para medir-vos.
41-42: Vês o cisco no olho de teu irmão, mas a trave, em teu próprio olho, não a consideras! Como podes dizer a teu irmão: <Irmão, deixa-me retirar o cisco que está em teu olho> quando não vês a trave em teu olho? Hipócrita! Retira primeiro a trave do teu olho! Depois disso, verás claramente para retirar o cisco do olho de teu irmão.

11,1-4: E assim, num lugar onde está, ele ora.
Quando terminou, um dos seus adeptos diz-lhe: “Adôn, ensina-nos a orar como Yohanân também ensinou a seus adeptos.” Ele lhes diz: “Quando orardes, dizei: <Pai, teu nome se consagra; teu reinado vem. Dá-nos a cada dia nossa parte de pão! Que nossas faltas sejam remidas, já que nós também remimos a todos os nossos devedores. E não nos faças penetrar em prova!”>
9-13: E eu vos digo: Pedi, e vos será dado. Buscai e achareis. Batei, e vos será aberto. Sim todo aquele que pede, recebe; todo aquele que procura, acha; a todo aquele que bate, abrir-se-á.
Qual o pai dentre vós a quem seu filho pede um peixe dá-lhe, em vez de peixe, uma serpente? Ou, quando lhe pede um ovo, dá-lhe um escorpião? Se então vós, que sois maus, sabeis dar bons dons aos vossos filhos, quanto mais o pai dos céus dá o sopro sagrado àqueles que lho pedem.
39: Mas o Adôn diz-lhe: “Agora, vós, os Peroushîm, o que está fora da taça e do prato, o purificais; mas o que está dentro de vós está cheio de rapina e de crimes.”
42-44: Oïe, vós, os Peroushîm, porque dais o dízimo da menta, da arruda e de todo o legume; mas passais ao largo da justiça e do amor de Elohîm! É preciso fazer isto, sem negligenciar aquilo!
Oïe, vós, porque sois como sepulcros que nada sinaliza, e por onde os homens andam sem sabê-lo!
46-48: Vós também, instrutores da Torá, oïe! Porque vós sobrecarregais os homens com cargas difíceis de suportar; mas vós mesmos, não tocais nessas cargas, com um único dedo sequer!
Oïe, vós, porque construís os sepulcros dos inspirados que vossos pais mataram! Assim sois testemunhas, aprovais as obras de vossos pais: eles mataram; vós construís!
52: Oïe, vós, instrutores da Torá, porque tomastes a chave do conhecimento! Não entrais nele; e aqueles que entram, vós os impedis!

12,4-9: E eu vos digo, a vós, meus amigos: Não estremeçais diante daqueles que matam o corpo! Depois disso, eles não têm mais nada a fazer.
Mas eu vos previno diante de quem estremecer: estremecei diante de quem, após haver matado, tem o poder de lançar na Geena. Sim, eu vos digo, diante desse estremecei!
Cinco pardais não são vendidos por dois soldos? No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Elohîm. Mas até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não estremeçais! Sois superiores a muitos pardais!
Eu vos digo: aquele que se declara por mim diante dos homens, o filho do homem se declara também por ele, diante dos mensageiros de Elohîm. E quem me renega diante dos homens será renegado diante dos mensageiros de Elohîm.
22-31: Ele diz a seus adeptos: Por isso eu vos digo: Não vos inquieteis pelo ser: o que comer? Nem pelo corpo: de que vesti-lo? O ser é mais que o alimento e o corpo, mais que a vestimenta. Observai os corvos: eles não semeiam nem colhem, não têm despensa, nem celeiro, mas Elohîm os alimenta. Oh! Como sois superiores às aves!
Qual dentre vós pode, por força de inquietar, acrescentar um côvado a sua estatura? Se fordes impotentes para agir com o pouco, por que, então, inquietar-vos com o resto? Observai os lírios e seu crescimento: eles não fiam nem tecem. Ora, eu vos digo: mesmo Shelomo em toda a sua glória não se vestia como um deles. Se Elohîm veste assim a erva dos campos, que existe hoje e será lançada ao forno amanhã, quanto mais não fará ele por vós, anões da adesão!
Vós também não procureis: <o que comer? o que beber?> Não vos preocupeis com isso. Sim, de tudo isso os goïm do universo estão em busca; mas vosso pai conhece aquilo de que tendes necessidade. Assim também, procurai seu reino, e isso vos será acrescentado.
33-34: Vendei vossos bens, dai-os generosamente. Fazei para vós bolsas que não se desgastam, um tesouro que não falta, nos céus, do qual o ladrão não se aproxima, que a traça não consome. Sim, onde está o vosso tesouro, lá também está o vosso coração.

A  2ª  fase  da  fonte  Q,  heleno-judáica

em  Mateus

7,21-22: "Todos os que dizem: <Adonaï! Adonaï!> não entram no reino dos céus, mas somente aquele que faz a vontade de meu pai dos céus.
Muitos me dirão neste dia: <Adôn, Adôn! Não foi em teu nome que nós fomos inspirados, em teu nome que expulsamos demônios, em teu nome que fizemos numerosos prodígios?>”

8,5-13
: Em sua entrada em Kephar-Nahoum, um centurião se aproxima, lhe suplica e diz: “Adôn, eis: meu rapaz está preso ao leito em minha casa, Ele esta paralisado e terrivelmente atormentado.” Ele lhe diz: “Eu vou curá-lo.” O centurião responde e diz: “Adôn, eu não mereço que entres sob meu teto. Mas dize apenas uma palavra e meu rapaz ficará curado. Sim, eu sou um homem submetido a uma autoridade. Tenho soldados sob meu comando. Eu digo a um: <Vai>, e ele vai. Ao outro: <Vem>, e ele vem; ou ao meu servo: <Faze isto>, e ele o faz”. Yéshoua’ o escuta, se maravilha, e diz àqueles que o seguem: “Amem, eu vos digo, em ninguém em Israel, encontrei tal adesão.”
E eu vos digo: muitos virão do levante e do poente instalar-se à mesa com Abraham, Yitshac e Ya’acob no reino dos céus. Mas os filhos do reino serão jogados na treva exterior, onde haverá pranto e ranger de dentes.”
Yéshoua’ diz ao centurião: “Vai, está cumprido segundo tua adesão.” Naquela hora, seu rapaz está restabelecido.

11,16-19: A quem comparar esta geração? É semelhante a meninos sentados nos mercados. Eles interpelam-se um ao outro dizendo: <Nós tocamos flauta para vós, e vós não dançastes. Cantamos lamentações e não vos lamentastes.> Sim, Yohanân veio. Ele não come nem bebe, e dizem: <Ele tem um demônio.> O filho do homem vem. Ele come e bebe, e dizem: <Eis um homem glutão e bebedor, amigo dos coletores e dos criminosos.> Mas a sabedoria se justifica por suas obras.
27: Tudo me foi entregue por meu pai. Ninguém penetra o filho senão o pai; e ninguém penetra o pai senão o filho, e aquele a quem o filho quer revelá-lo

12,22-30
: Apresentam-lhe um homem possuído por um demônio, cego e mudo. Ele o cura; o mudo fala e vê. Todas as multidões ficam intrigadas. E dizem: “Não é este o filho de David?”
Os Peroushîm ouvem a notícia. E dizem: “Este só expulsa os demônios por Ba’al-Zeboul, o chefe dos demônios.” Mas Yéshoua’ conhece suas intrigas. Ele lhes diz: Todo reino dividido contra si próprio se destrói. Toda cidade ou casa dividida contra ela mesma não subsiste. Se Satã expulsa Satã, ele se divide contra si próprio. Como então seu reino poderá subsistir?
Se eu expulso os demônios por Ba’al Zeboul, por quem então os expulsam vossos filhos? Eles serão, portanto, vossos juizes.
Mas se eu expulso os demônios pelo sopro de Elohîm, então o reino de Elohîm terá chegado sobre vós.
Ou, então, como poderia um homem entrar na casa de um forte e se apoderar de seus pertences, se primeiramente não amarrou o forte? Só então ele rouba sua casa.
Quem não está comigo está contra. Quem não ajunta comigo, espalha.

13,31-33: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem pega e semeia em seu campo. Ela é a menor de todas as sementes. Cresce e se torna maior que as plantas; e é uma árvore de tal forma que os pássaros do céu vêm descansar em seus galhos.
O reino dos céus é semelhante ao fermento. Uma mulher o pega, o esconde em três medidas de farinha, até que tudo fermente.”

24,26-28: "Se eles vos disserem: <Eis, ele está no deserto!>, não saiais! <Eis, está nas celas!>, não adirais a isso!"
Sim, assim como o relâmpago sai do levante e brilha até o poente, assim será a vinda do filho do homem.
Onde está o corpo, lá se reúnem os abutres.
37-51: Sim, tal como nos dias de Noah, assim será a vinda do filho do homem. Sim, como estavam naqueles dias, antes do cataclismo mastigando, bebendo, esposando e sendo esposadas até o dia em que Noah entrou na caixa, não sabendo nada até a vinda do cataclismo que os levou os todos, assim serão na vinda do filho do homem.
Então eles estarão dois no campo; um será levado e o outro deixado.
Elas serão duas moendo no moinho; uma será levada e a oura deixada.
Por isso, vigiai, porque não sabeis a que hora vosso Adôn virá.
E guardai isso: se o patrão souber em que vigília o ladrão vem, ele vigia e não permite o arrombamento de sua casa. É por isso que vós também deveis estar prontos! Na hora em que vós não esperais, o filho do homem virá.
Quem é, então, o servo fiel e prudente, que seu Adôn encontrar assim ao chegar. Amem, eu vos digo: ele o constituirá sobre todos os seus bens.
Mas se o mau servo disser em seu coração: <Meu Adôn está demorando>, e se ele se puser a espancar seus co-servos, e se ele comer e beber com os bêbados, o Adôn deste servo virá no dia em que ele não sabe. Ele o separará e porá sua parte com os hipócritas, onde há prantos e ranger de dentes.

25,14-30: “Sim, é como um homem que parte do país. Chama seus servos e lhes entrega seus bens. A um deles, ele dá cinco talentos, a um outro dois, a um outro um: a cada um segundo suas capacidades. Depois ele parte do país. Logo aquele que recebeu cinco talentos negocia com eles e ganha mais cinco. Igualmente aquele dos dois, ele ganha mais dois. Aquele que recebeu um só vai-se, cave a terra, e ali esconde o dinheiro de seu Adôn. Muito tempo depois, o Adôn desses servos volta; ele acerta suas contas com eles. Aquele que recebera os cinco talentos se aproxima e apresenta outros cinco talentos. Ele diz: <Adôn, tu me entregaste cinco talentos. Eis aqui outros cinco talentos; eu os ganhei.> Seu Adôn lhe diz: <Muito bem, servo bom e fiel; sobre muito te colocarei. Entra no júbilo de teu Adôn!> Aquele dos dois talentos também se aproxima e diz: <Adôn, tu me entregaste dois talentos. Eis aqui mais dois; eu os ganhei.> Seu Adôn lhe diz: <Muito bem, servo bom e fiel! Sobre pouco foste fiel; Entra no júbilo de teu Adôn!> Aproxima-se também aquele que recebeu um único talento. Ele diz: <Adôn, eu sei que és um homem duro. Tu colhes onde não semeaste, recolhes onde não investiste. Eu estremeci, eu fui embora, e escondi teu talento na terra. Ei-lo, tu o tens, toma-o!> Seu Adôn responde e lhe diz: <Servo mau, preguiçoso! Tu sabes que colho onde não semeei, que recolho onde não investi. Tu devias, pois, guardar meu dinheiro com os banqueiros. E quando estivesse de volta, eu o receberia com juros. Pegai então o talento que ele tem e dai-o àquele que tem dez talentos. Sim, a quem tiver, lhe é dado, e tem em abundância. Mas a quem não tiver, mesmo o que tem lhe é tomado. Lançai este servo inútil à treva exterior, onde há prantos e ranger de dentes!>”

em Lucas

6,46: “Por que vós me chameis: <Adôn! Adôn!>, e não fazeis o que eu digo?”

7,1-10: ...Ele entra em Kephar-Nahum. Ora, o servo de um centurião está à morte e lhe é muito caro. Ele ouve falar de Yéshoua’ e lhe envia os Anciãos dos Yehoudîm para rogar que ele venha salvar seu servo. Eles se dirigem a Yéshoua’, suplicam-lhe com insistência e dizem: “Ele merece que lhe concedas isto. Sim, ele ama nossa nação e foi ele quem nos construiu a sinagoga.” Yéshoua’ vai com eles. E assim, quando ele não está longe da casa, o centurião envia-lhe amigos para dizer: ”Adôn, não canses! Não, eu não mereço que entres sob meu teto. É por isso também que não vim, eu mesmo, a ti. Mas diz uma palavra: meu rapaz se estabelecerá. Sim, sou um homem submisso a uma autoridade, e tenho soldados abaixo de mim. Digo a um: <Vai!> e ele vai; a outro: <Vem!> e ele vem; e a meu servo: <Faze isto!> e ele faz.” Yéshoua’ ouve e se admira dele. Vira-se em direção à multidão que o segue e diz: “Eu vos digo: não encontrei em Yisraël tamanha adesão.” Os emissários voltam a casa e encontram o servo com saúde.
31-35: A quem, então, comparar os homens desta geração? A quem eles são semelhantes? Eles são semelhantes a meninos sentados no mercado, que se interpelam um ao outro, dizendo: <Tocamos flauta para vós, mas não dançastes! Cantamos lamentações, mas não chorastes!> Sim, Yohanân, o Imersor, veio, sem comer pão e sem beber vinho; e dizeis: <Um demônio está nele!> O filho de homem vem, comendo e bebendo; e dizeis: <Eis um glutão e um bebedor, amigo dos coletores e dos faltosos.> Mas a sabedoria se justifica por todos os seus filhos.

10,22: Tudo me foi entregue por meu pai. Ninguém sabe quem é o filho, senão o pai; e quem é o pai, senão o filho, e aquele a quem o filho quer revelá-lo.

11,14-23: Ele expulsa um demônio; ele era mudo. E assim, quando o demônio sai, o mudo fala.
As multidões se espanam.
Mas alguns dentre eles dizem: “É por Ba’al Zeboul, o chefe dos demônios, que ele expulsa os demônios..” Outros, para pô-lo à prova, procuram dele um sinal do céu. Mas ele sabe seus pensamentos e lhes diz: “Todo reino dividido contra si mesmo é devastado, e, casa sobre casa, desmorona. Assim como Satâ: se está dividido contra si mesmo, como seu reino subsiste? Porque dizeis que é por Ba’al Zeboul que expulso os demônios. Mas se expulso os demônios por Ba’al Zeboul, vossos filhos, por quem eles expulsam? Eles serão então vossos juizes.
Mas se for pelo dedo de Elohîm que expulso os demônios, então o reino de Elohîm veio até vós.
Quando o valente, bem armado, guarda sua corte, seus bens estão em paz. Ao vir um mais forte e bater nele, tira-lhe sua armadura, na qual confiava, e distribui seus despojos.
Quem não está comigo está contra mim; quem não junta comigo dissipa.

12,39-40: Mas, sabei, se o patrão soubesse a que horas o ladrão viria, ele não o deixaria entrar em sua casa. Vós também, estai prontos: na hora em que não imaginais, o filho do homem virá!
42b-46: Que (servo) o Adôn põe sobre seus empregados, para dar-lhes a medida de trigo a tempo? Em marcha, esse servo que, ao chegar, seu Adõn encontra agindo assim! Verdade, eu vos digo, ele o porá sobre todos os seus bens.
Mas se esse servo diz em seu coração: <Meu Adôn demora a vir>, e começa a bater os servos e as servas, come, bebe e se embriaga, o Adôn desse servo virá no dia em que ele não espera, na hora em que ele não sabe. Ele o eliminará e porá sua parte com aqueles que não aderem.

13,18-21: Ele diz então: “A que é semelhante o reino de Elohîm? A que assemelha-lo? Ele é semelhante a um grão de mostarda que um homem toma e joga em seu jardim. O grão cresce e se torna uma árvore; os pássaros do céu habitam em seus galhos.”
Ele diz ainda: “A que assemelhar o reino de Elohîm? Ele é semelhante ao fermento. Uma mulher o toma, esconde-o em três medidas de farinha, até que tudo seja fermentado.”

17,23-24: Eles vos dirão: <Ei-lo, lá! Ei-lo, aqui!> Não vades embora! Não sigais!
Sim, como o relâmpago ilumina o céu, tal será o filho do homem em seu dia.
26-27: Como foi nos dias de Noah, assim será nos dias do filho do homem. Eles comiam, bebiam, casavam-se, davam-se em casamento, até o dia em que Noah entrou em sua caixa. O cataclismo adveio, e fez todos perecerem. 30: Assim será no dia do descobrimento do filho do homem.
34-35: Eu vos digo: Naquela noite, estarão dois em um único leito. Um será levado e o outro deixado. Estarão duas a moer juntas. Uma será levada e a outra deixada.
37: Eles respondem e lhe dizem: “Onde, Adôn?” Ele lhes diz: “Onde está o corpo, ali se reúnem os abutres.”

19,12-27: Ele diz então: Um homem de família nobre vai a uma região longínqua para receber a realeza e voltar. Ele chama dez de seus servos e lhes dá dez minas. Ele lhes diz: <Fazei negócios até a minha chegada.> Ora, esses cidadãos o odeiam. Enviam uma delegação atrás dele e lhe dizem: <Não queremos que este reine sobre nós.> E assim, quando ele volta, após haver recebido sua realeza, manda chamar seus servos nos quais havia dado dinheiro, para saber o que cada um havia ganho nos negócios. O primeira chega e diz: <Adôn, tua mina rendeu dez minas.> Ele lhe diz: <Bem servo bom! Como foste fiel no pouco, recebe o comando de dez cidades!> O segundo vem e diz: <Adôn, tua mina rendeu cinco minas.> Ele diz a esse também: <Tu também, governa cinco cidades!> O outro vem e diz: <Adôn, eis aqui: tua mina, eu a guardei bem guardada em um pano. Sim estremeci, pois és um homem exigente. Tomas o que não depositaste; colhes o que não semeaste.> Ele lhe diz: <Eu te julgo segundo tua boca, servo mau! Sabes que sou um homem exigente, que tomo o que não depositei, e colho o que não semeei. E por que não puseste  meu dinheiro no banco? No meu retorno, eu o teria retirado com juros.> Ele diz àqueles que se encontram lá: <Tomai-lhe a mina e dai-a àquele que tem as dez minas.> Eles lhe dizem: <Adôn, ele tem dez minas!> Eu vos digo, a quem tem, lhe é dado: e a quem não tem, mesmo o que tem lhe é tomado. Entretanto, meus inimigos, aqueles que não queriam que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e degolai-os diante de mim!”

Marcos
Material  pré-marquiano

Galiléia  ...

1,2-15: Como está escrito em Yesha'yahu, o inspirado: “Eis, envio o meu mensageiro diante de tua face: ele aplanará o teu caminho. Voz de quem clama no deserto: Preparei o caminho de IHVH(Adonaï), retificai suas veredas!” É Yohanân imergindo no deserto. Ele clama pela imersão do retorno para a remissão das faltas. Toda a região de Yehouda sai em sua direção, e todos de Yeroushalaîm; são por ele imersos no rio Yardèn, confessando suas faltas.
Yohanân veste-se de pêlo de camelo, traz um cinto de couro nos quadris, come gafanhotos e mel selvagem.
Ele clama e diz: “Vem um mais forte do que eu depois de mim; abaixando-me, não mereço desatar o cordão de suas sandálias. Eu vos imergi na água; ele vos emergirá no sopro sagrado.”
E assim, naqueles dias: Yéshoua’ vem de Natsèrét em Galil. Ele é imerso no Yardèn por Yohanân. Logo, ao sair da água, ele vê: os céus se rasgam; sim, o sopro desce sobre ele como uma pomba. E uma voz dos céus: “Tu és o meu filho amado; de ti eu me agrado.”
Logo o sopro o impele para o deserto.
Ele fica quarenta dias no deserto, sendo posto à prova por Satâ. Esta acompanhado de feras selvagens, e mensageiros o servem.
Após Yohanân ter sido entregue, Yéshoua’ vem a Galil. Ele clama o anúncio de Elohîm. Ele diz: “O tempo está cumprido, e está próximo o reino de Elohîm. Retornai, aderi ao anúncio.”
21a: Chegam a Kephar-Nahum.
29-39: Logo eles saem da sinagoga e vêm à casa de Shim’ôn e de Andreas com Ya’acob e Yohanân. A sogra de Shim’ôn está deitada, com febre. Logo lhe falam dela. Ele se aproxima, desperta-a pegando-lhe a mão. A febre a deixa. Ela os serve.
Vinda a noite, quando o sol declina, trazem-lhe todos os doentes e endemoninhados. Toda a cidade se reúne em frente da porta. Ele cura muitos que estão doentes, de diversas doenças. Ele expulsa inúmeros demônios. E não os deixa falar; sim, eles sabem quem ele é.
De madrugada, antes do fim da noite, ele se levanta, sai e vai a um lugar deserto. Lá, ele ora.
Shim’ôn o segue com seus companheiros. Eles o encontram e lhe dizem: “Todos te procuram.” Ele lhes diz: “ Vamos a outros lugares, nos burgos vizinhos. Clamarei, lá também: sim, para isto eu saí.”  Ele vem e clama nas sinagogas deles, em toda a Galil. Ele expulsa os demônios.

2,15-28
: E assim, quando ele se estende à mesa, em sua casa (de Lévi), muitos coletores e faltosos põem-se à mesa com Yéshoua’ e seus adeptos. Sim. São numerosos os que o seguem.
Os Soferîm dos Peroushîm vêem: ele come com faltosos e coletores. E dizem aos adeptos de Yéshoua’: “Vede! Ele come com coletores e faltosos!” Yéshoua’ escuta o que dizem. E lhes diz: “Os fortes não têm necessidade de médico, mas sim que estão doentes. Não vim para chamar justos, mas faltosos.”
Os adeptos de Yohanân e os Peroushîm jejuavam. Eles vêm e dizem-lhe: “Por que os adeptos de Yohanân e os adeptos dos Peroushîm jejuam, e teus adeptos não jejuam?” Yéshoua’ responde-lhes: “Os filhos das bodas podem jejuar quando o esposo está com eles? Todo o tempo em que o esposo está com eles, não podem jejuar. Mas eis, vêm os dias em que o esposo lhes será tirado, nesse dia, então, eles jejuarão.
Ninguém cose um remendo de tecido não batido sobre uma vestimenta velha, senão a peça nova força a velha, e o rasgão fica pior. Ninguém despeja um vinho novo em odres velhos, senão o vinho racha os odres, perde-se o vinho, e os odres também. Mas: <Para vinho novo, odres novos>.
E assim, no shabat, ele passa pelos campos de trigo. Seus adeptos, ao caminharem, começam a debulhar espigas. Os Peroushîm dizem-lhe: “Vê! Por que eles fazem o que não é permitido no shabat?” Ele lhes diz: “Não haveis nunca lido o que fez David? Ele passava necessidade, tinha fome, e seus companheiros também. Ele entrou na casa de Elohîm, nos dias de Èbiatar, o sumo ministrante. E comeu o pão das faces, que não é permitido ser comido, senão pelos ministrantes. E ainda o deu a seus companheiros.” E lhes diz: “O shabat é feito para o homem e não o homem para o shabat.”

3,1-12: Ele torna a entrar numa sinagoga. Lá, há um homem com a mão seca. Eles o espreitam: irá ele curar no shabat? Poderiam acusá-lo. Ele diz ao homem com a mão seca: “Desperta! Vem para o meio!” Ele lhes pergunta: “É permitido, no shabat, fazer o bem ou o mal, salvar um ser ou matá-lo?” Porém eles se calam. Olhando-os ao seu redor, ele se inflama, ferido pela dureza de seus corações. E diz ao homem: “Estende tua mão.” Ele a estende, e sua mão se restabelece.
Os Peroushîm saem logo; tramam com os homens de Hèrôdes contra ele, para matá-lo.
Yéshoua’ se retira em direção ao mar com seus adeptos. Uma grande multidão de Galil o segue. Mesmo de Yehouda, de Yeroushalaîm, de Edóm e de além do Yardèn, dos arredores de Tsor e Tsidon, uma grande multidão ouve falar sobre o que ele fez e vem até ele. Ele pede a seus adeptos que um barco fique perto, por causa da aglomeração, para que não o  empurrem. Sim, ele fez tantas curas que caem sobre ele para tocá-lo todos os que são molestados pelo sofrimento.
Os sopros contaminados o vêem, caem diante dele, gritam e dizem: “Tu és bèn Elohîm.” Ele os repreende com rigor: que eles não o tornem manifesto!

4,1-10: De novo, ele começa a ensinar na beira do mar. Uma numerosa multidão se reúne perto dele, e são tantos que ele sobe em um barquinho e, no mar, ele se assenta. A multidão toda está em terra, ao longo do mar. Ele lhes ensina muito através de exemplos.
Em seu ensinamento, ele lhes diz: “Ouvi! Eis: o semeador sai a semear. E assim, quando semeia, deixa cair uma parte ao longo do caminho. Os pássaros vêm e a comem. Outra parte cai sobre o rochedo, sem muita terra. E logo brota por não ter terra profunda. Porém, quando o sol nasce, ele a queima, pois, sem raízes, ela seca. Outra cai entre espinhos. Os espinhos crescem e a asfixiam. E não dá fruto. Outras caem em boa terra. E dão fruto, vingam e crescem. E uma produz trinta, outra sessenta, e outra cem.” E ele diz: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”
E quando ele está afastado, os que estão à sua volta com os Doze perguntam-lhe sobre os exemplos.
13-20: Ele lhes diz: “Não compreendeis este exemplo? Como compreendereis todos os exemplos? O semeador semeia a palavra. Assim são os da beira do caminho onde a palavra é semeada: quando eles a ouvem, logo vem Satâ; e retira a palavra que neles foi semeada. Igualmente, aqueles que são semeados sobre os rochedos. Estes, quando ouvem a palavra, logo a recebem com alegria. Eles não têm raízes em si mesmos, são efêmeros. Depois, quando vem a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, logo tropeçam. Outros, semeados entre espinhos, ouvem a palavra. Mas a preocupação desta era, a sedução da riqueza, e as outras cobiças entram neles e asfixiam a palavra; ela se torna sem fruto. Os que são semeados sobre boa terra entendem a palavra, a acolhem e produzem fruto, um trinta, outro sessenta e outro cem.”
26-33: Ele diz: “Assim é o reino de Elohîm: ele è como um homem que joga a semente na terra. Ele adormece e desperta noite e dia. A semente germina, cresce, ele não sabe como. A terra, por si mesma, produz o fruto; primeiro a erva, depois a espiga, e em seguida enche-se de trigo, a espiga. Mas quando o fruto está maduro, logo ele envia a foice, porque é chegada a colheita!”
Ele diz: "A que se assemelha o reino de Elohîm? Através de que exemplo apresentá-lo? È como um grão de mostarda: quando é semeado sobre a terra, é a menor de todas as sementes da terra. Mas, quando ele é semeado, cresce e torna-se maior que todas as plantas, e cria ramos tão grandes, que as aves do céu podem repousar em sua sombra.”
Através de numerosos exemplos semelhantes ele lhes diz a palavra, tal como eles a podem entender, e não lhes diz nada sem exemplos.
35-39: Nesse dia, vinda a noite, ele lhes diz: “Passemos ao outro lado.” Eles deixam a multidão e o levam tal como está, no barquinho. Outros barquinhos vão com ele.
Sobrevem uma forte ventania. As ondas se lançam sobre o barquinho a ponto de enchê-lo de água. E ele está na popa, sobre a almofada, dormindo. Eles o despertam, dizendo: “Rabi, tu não te importas de que pereçamos?” Ele acorda, repreende o vento e diz ao mar: “Silêncio, cala-te!” O vento abranda, e tudo se acalma.
41: Eles estremecem com grande tremor. E dizem, uns aos outros: “Quem é, pois, este? Sim, até mesmo o vento e o mar lhe obedecem.”

5,1-43: Eles vêm do outro lado do mar, ao país dos Gadariîm.
Ele sai do barquinho.
Logo saindo dos sepulcros, um homem vem ao seu encontro. Ele tem dentro de si um sopro contaminado e habita entre as sepulturas. Ninguém pode amarrá-lo, nem mesmo com uma corrente. Sim, muitas vezes o haviam amarrado com travas e correntes; mas ele rompeu as correntes e quebrou as travas. Ninguém tinha força para dominá-lo. Todo o tempo, noite e dia, entre as sepulturas e nas montanhas, ele fica a gritar e a se golpear com pedras. Ele vê Yéshoua’ de longe. Corre e se prostra diante dele. Grita com voz forte e diz: “O que há entre mim e ti, Yéshoua’ bèn Elohîm ‘Éliôn? Eu ti conjuro por Elohîm, não me atormentes!” Sim Yéshoua’ dizia-lhe: “Sai deste homem, sopro contaminado.” E o interroga: “Teu nome:” Ele lhe diz: “Legião é meu nome. Sim, somos uma multidão.” Ele lhe suplica insistentemente para não enviá-los para fora daquela região. Ora, havia lá, perto da montanha, uma grande manada de porcos; eles pastavam. Eles lhe suplicam e dizem: “Lança-nos aos porcos para que entremos neles.” Ele o permite: os sopros contaminados saem; eles entram nos porcos. A manada se arremessa do alto do penhasco ao mar. Aproximadamente dois mil afogaram-se no mar. Aqueles que os guardam fogem e o anunciam na cidade e nos campos. Vêm ver: o que se passou. Vêm em direção a Yéshoua’; vêem o endemoninhado sentado, vestido, são de espírito, ele, que tivera uma Legião; estremecem. As testemunhas contam-lhes o que fora feito ao endemoninhado e aos porcos. Começam a suplicar-lhe para ir embora da fronteira deles. E, quando ele sobe ao barquinho, o endemoninhado suplica-lhe para permanecer com ele. Ele não permite, mas diz-lhe: “Vai para tua casa, para perto dos teus; anuncia-lhes tudo o que o Adôn fez por ti, e como ele te matriciou.” Ele se vai e começa a proclamar nas Dez Cidades o que Yéshoua’ fizera por ele. Todos ficam admirados.
Yéshoua’ atravessa novamente a barco para o outro lado. Uma numerosa multidão se reúne ao redor dele. Ele está na beira do mar.
Um dos chefes da sinagoga vem até ele. Seu nome: Yaïr. Vendo-o, ele cai a seus pés, suplica-lhe insistentemente e diz: “Minha filhinha está morrendo, vem, impõe as mãos sobre ela, e ela será salva, ela viverá.” Yéshoua’ vai com ele. Uma enorme multidão o segue e se comprime contra ele.
Havia, ali, uma mulher de quem fluía sangue há doze anos, ela sofria muito com inúmeros médicos. Gastou todos os seus bens sem apresentar melhora. Ao contrário, piora. Ela ouvira falar de Yéshoua’. Em meio da multidão, chega por trás dele e toca-lhe as vestes. Ela dizia: “Sim, se eu puder tocar-lhe ao menos as vestes, serei salva!” Logo a fonte de seu sangue seca. Ela penetra em sua carne que está curada do mal que a  importunava. Yéshoua’ logo penetra que dele saiu poder. Vira-se para a multidão e diz: “Quem me tocou as vestes?” Seus adeptos dizem-lhe: “Vês, a multidão te comprime e tu dizes: <Quem me tocou?>” Ele olha a seu redor para ver aquela que fizera isto. A mulher freme, estremece, sabendo o que lhe aconteceu. Ela vem, cai diante dele, e diz lhe toda a verdade. Ele lhe diz: “Filha, tua adesão te salvou. Vai em paz! Fica sã do mal que te importunava.”
Quando ele ainda fala, eis, vêm da casa do chefe da sinagoga e dizem: “Tua filha está morta. Por que ainda fatigar o Rabi?” Mas Yéshoua’ ouve as palavras pronunciadas por eles. E diz ao chefe da sinagoga: “Não estremeças! Adere somente!” Ele não deixa ninguém segui-lo, salvo Petros, Ya’acob e Yohanân, irmão de Ya’acob. Eles chegam à casa do chefe da sinagoga. Ele percebe o tumulto: choram e gritam em voz alta. Ele entra e lhes diz: “Por que chorais? A criança não está morta, mas dorme.” Zombam dele. Mas ele os põe para fora. Toma o pai da criança, a mãe, os que estão com ele, e entra onde a criança está. Pega a mão da criança e lhe diz: “Tali taqoumi!”, que se traduz por: "Filha, eu te digo: desperta!" Logo a menina se levanta e anda. Sim, ela tem doze anos. Eles ficam fora de si. Ele lhes ordena insistentemente que ninguém saiba disto. Diz para darem a ela algo para comer e sai.

6,32-56
: Eles vão embora de barquinho à procura de um lugar isolado, à parte. Muitos os vêem partir. E os reconhecem. Então acorrem até lá, a pé, de todas as cidades, e chegam antes deles.
Ao sair, ele vê uma imensa multidão. Tem compaixão deles, porque são como ovinos sem pastor. E começa a lhes ensinar muito.
A hora já está avançada., seus adeptos se aproximam e lhe dizem: “O lugar é deserto e a hora está avançada. Despede-os; eles irão às aldeias e fazendas vizinhas para comprar alguma coisa para comer.” Ele responde e lhes diz: “Dai-lhes vós mesmos o que comer.” Eles lhe dizem: “Iríamos nós comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?” E ele diz: “Quantos pães tendes convosco? Ide ver.” Eles verificam e dizem: “Cinco, e dois peixes.” Ele lhes ordena que se instalem todos em grupos, sobre a relva verde. Eles deitam no chão, em fileiras de cem e de cinqüenta. Ele toma os cinco pães e os peixes. Eleva o olhar para o céu, abençoa e divide os pães. Ele os dá a seus adeptos para lhes servir. Depois reparte entre todos os dois peixes. Todos comem e se saciam. Eles recolhem as porções: doze cestas cheias, e peixes. Os que haviam comido os pães eram cinco mil homens.
Logo ele obriga seus adeptos a subirem no barquinho e irem à sua frente, para o outro lado, a Béit-Tsaïda, enquanto ele despede a multidão. Ele se separa deles e vai à montanha para orar.
Vinda a noite, o barquinho está no meio do mar, e ele, sozinho, em terra. Ele os vê atormentados a remar: sim, o vento lhes era contrário. Por volta da quarta vigília da noite, vem em direção a eles andando sobre o mar. Quer ultrapassá-los. Mas eles, vendo-o andar sobre o mar, pensam: "É um fantasma!" e vociferam. Sim todos o perceberam e se perturbam. Mas logo ele lhes fala e diz: “Coragem! Eu sou. Não tremais.” Sobe para junto deles no barquinho. O vento se acalma.
Estão muito espantados, estupefatos ao extremo em si mesmos. Não, eles não haviam compreendido sobre os pães; seus corações estão endurecidos.
Eles fazem a travessia, chegam à terra em Genesaré e aí desembarcam. Ao sair do barquinho, ele é logo reconhecido.
Eles percorrem toda esta região. Começam a trazer-lhe sobre catres os que estão doentes, até onde ouvem dizer que ele está. Onde quer que ele chegue, aldeias, cidades ou campos, nos mercados, trazem-lhe os enfermos e suplicam-lhe para apenas lhes deixar tocar os tsitsit de suas vestes. Todos os que o tocam são salvos.

... Jerusalém

8,27-33: Yéshoua’ e seus adeptos saem para as aldeias de Caesarea Philippos. Na estrada ele interroga seus adeptos. Diz-lhes: “Quem dizem os homens que eu sou?” Eles declaram-lhe: “Alguns dizem: Yohanân, o Imersor. Outros: Éliyahou. E outros: Um dos inspirados.” Ele os interroga: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Petros responde e lhe diz: “Tu és o messias.” Ele os repreende: que não falem sobre ele a ninguém.
Começa a ensinar-lhes: o filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos Anciãos, pelos chefes dos ministrantes, os Soferîm, ser morto e, após três dias, levantar-se. Petros o toma à parte e começa a repreendê-lo. Mas ele se volta e, vendo seus adeptos, repreende Petros. Ele diz: “Fica para trás de mim, Satã! Sim, tu não pensas os pensamentos de Elohîm, mas os dos homens.”

9,2-13: Seis dias depois, Yéshoua’ toma Petros, Ya’acob e Yohanân e os faz subir uma alta montanha à parte, sozinhos. Ele se metamorfoseia diante deles. Suas vestes tornam-se resplandecentes, muito brancas, tal como nenhum lavadeiro na terra poderia clarear. Apareceu-lhes Éliyahou, com Moshè; eles falam com Yéshoua’. Petros responde. Ele diz a Yéshoua’: “Rabi, é bom que estejamos aqui. Façamos, então três tendas: uma para ti, uma para Moshè, uma para Éliyahou.” Não, ele não sabe o que dizer; estremecem fortemente.
E assim, uma nuvem os cobre com sua sombra. E assim, vinda da nuvem, uma voz diz: “Eis o meu filho, meu amado: ouvi-o” E, repentinamente, olham ao seu redor; não vêem mais ninguém, a não ser Yéshoua’, sozinho, com eles.
Eles descem da montanha. Ele recomenda-lhes que não contem a ninguém o que viram, até que o filho do homem se levante dentre os mortos.
Eles cumprem a recomendação, mas discutem, entre si: "O que significa levantar-se dentre os mortos?"
Eles questionam e dizem: “Por que os Soferîm falam que primeiro deve vir Éliyahou?” Ele lhes declara: “Seguramente, primeiro virá Éliyahou e restaurará tudo. E como está escrito sobre o filho do homem, que sofrerá muito e o desprezarão? Mas eu vos digo: Éliyahou veio e o trataram como quiseram, como está escrito sobre ele.”
30-35: E saindo de lá, atravessam a Galil. Ele não quer que ninguém saiba o que fez. Sim, ele ensina a seus adeptos. E lhes diz: “O filho do homem será entregue nas mãos dos homens. Eles o matarão e, morto, após três dias, ele se levantará.” Porém eles não entendem as palavras. E tremem diante de interrogá-lo.
Eles vêm a Kephar-Nahum. Em casa, ele os interroga: “Em que rumináveis, durante o caminho?” Eles se calam. Sim, no caminho, haviam discutido uns com os outros sobre 'quem é o maior?' Ele senta-se, chama os Doze e lhes diz: “Quem quer ser o primeiro, que seja, de todos, o último, e, de todos, o servo.”

10,1-12
: Ele se levanta e vai dali à fronteira de Yehouda e além do Yardèn.
Multidões, novamente, vão com ele; e novamente, segundo o seu costume, ele lhes ensina.
Peroushîm aproximam-se e o interrogam: “É permitido a um homem repudiar uma mulher?” Eles querem pô-lo à prova. Ele responde e lhes diz: “O que vos prescreveu Moshè?” eles dizem: “Moshè permitiu escrever um ato de ruptura e repudiar.” Yéshoua’ lhes diz: “Foi por causa da esclerose de vossos corações que vos escreveu essa mitsva. Mas, no princípio, quando da criação: Macho e fêmea, ele os criou. Por isso, o homem abandona seu pai e sua mãe; e são, os dois, uma só carne. Portanto, o que Elohîm uniu, que um homem não separe.”
Em casa, novamente, seus adeptos interrogam-no sobre esse fato. Ele lhes diz: “Quem repudia sua mulher e desposa outra, adultera com esta última. E se ela repudia seu marido e esposa outro, ela própria adultera.”
17-27: Ele parte pela estrada. Eis acorre um homem, cai de joelhos diante dele e o interroga: “Bom rabi, que farei para herdar a vida em perenidade?” Yéshoua’ lhe diz: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um: Elohîm. Sabes as mitsvot: Não mates, não adulteres, não roubes, não respondas em testemunho de mentira, não fraudes, glorifica teu pai e tua mãe.” Ele lhe diz: “Rabi, tudo isso observo desde a minha juventude.” Yéshoua’ olha-o fixamente, ama-o e lhe diz: “Estás em falta somente nisto: vai, vende o que o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Em seguida, vem, e segue-me.” Mas, ao ouvir essas palavras, fica pesaroso. Ele vai, entristecido: sim, ele possui muitas propriedades.
Yéshoua’ olha ao redor e diz a seus adeptos: “Como é difícil a quem tem riquezas entrar no reino de Elohîm!” Seus adeptos ficam assustados com suas palavras. Yéshoua’ responde-lhes novamente e diz: “Filhos, como é difícil entrar no reino de Elohîm! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Elohîm.”
Mas eles ficam extremamente impressionados e dizem uns aos outros: "E quem pode ser salvo?" Yéshoua’ os fixa e diz: "Aos homens, impossível, mas não a Elohîm: sim tudo é possível a Elohîm."
32-52: Agora estão na estrada; sobem a Yeroushalaîm. Yéshoua’ vai diante deles. Estão temerosos, e os que o seguem estremecem.
Ele toma novamente os Doze consigo. Começa a lhes dizer o que lhe vai acontecer: “Eis, subimos para Yeroushalaîm. O filho do homem será entregue aos chefes dos ministrantes e aos Soferîm: eles o condenarão à morte, eles o entregarão aos goîm. Eles o escarnecerão, cuspirão nele, o açoitarão e o matarão. Em seguida, após três dias, ele se levantará.”
Ya’acob e Yohanân, os dois Bèn Zabdi, aproximam-se e lhe dizem: “Rabi, queremos que qualquer coisa que te peçamos, tu o faças por nós.” Ele lhes diz: “Que quereis que eu vos faça?  “ Eles responderam: “Dá que nos sentemos, um à tua direita, outro à tua esquerda, na tua glória.” Yéshoua’ lhes diz: “Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que eu bebo, ou ser imerso na imersão onde vou ser imerso?” Eles lhe dizem: “Nós podemos.” Yéshoua’ lhes diz: “O cálice que eu bebo, bebereis; na imersão onde serei imerso, sereis imersos. Quanto a sentardes à minha direita ou esquerda, não cabe a mim fazê-lo, mas... para quem isso está preparado.”
Os dez ouvem e começam a se irritar com Ya’acob e Yohanân. Yéshoua’ os chama e diz-lhes: “Vós sabeis: sim, os que são tidos por governadores dos goîm os dominam, e os seus principais exercem, do alto, sua autoridade sobre eles. Não assim convosco. Sim, aquele dentre vós que quiser tornar-se grande deve ser o vosso servo. Aquele dentre vós que quiser ser o primeiro deve ser o servo de todos. Sim, mesmo o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e dar seu ser como resgate para muitos.”
Eles vêm para Yeriho.
Quando ele sai de Yeriho com seus adeptos e uma numerosa multidão, eis, o filho de Timaï, um cego, está sentado perto da estrada e mendiga. Ele ouve dizer que é Yéshoua’, o Nazareno. Põe-se a gritar e a dizer: “Bèn David, matricia-me!” Muitos os repreendem para que se cale, ele grita mais forte ainda: “Bèn David, matricia-me!” Yéshoua’ pára e diz: “Chamai-o” Chamam o cego e lhe dizem: “Ânimo! Desperta! Ele te chama.” Ele tira fora suas vestes e, num salto, vem até Yéshoua’. Yéshoua’ lhe responde e diz: “Que queres que eu ti faça?” O cego lhe diz: “Rabbouni! Que eu veja!” Yéshoua’ diz-lhe: “Vai! Tua adesão te salvou!” Logo ele enxerga e segue-o na estrada.

11,1-23: Quando se aproximam de Yeroushalaîm, de Bèit-Paguéi e de Béit-Hananyah, próximo ao monte de oliveiras, ele envia dois de seus adeptos, dizendo-lhes: “Ide à aldeia à vossa frente. Logo ao chegar lá, encontrareis um jumentinho amarrado, no qual nenhum homem montou. Desamarrai-o e trazei-o. Se alguém vos disser: <Por que fazeis isto?> Direis: <O Adôn precisa dele. Logo ele o mandará de volta até aqui.>” Eles se vão e encontram um jumentinho amarrado, perto de uma porta, do lado de fora, na encruzilhada. Eles o desamarram. Alguns dos que estão lá por perto lhes dizem: “Que fazeis? Desamarrais o jumentinho.” Eles respondem-lhes como Yéshoua’ lhes dissera; e os deixam ir. Trazem o jumentinho até Yéshoua’. Jogam sobre ele suas vestes; Yéshoua’ monta nele. Muitos estendem suas vestimentas pelo caminho; outros, ramos que cortaram nos campos. Os que vão adiante e os que seguem gritam: “Hosha’na - Salva, então! - É bendito o que vem em nome de YHVH(Adonaï), e bendito o reino que vem de David, nosso pai! Hosha’na nas alturas!”
Ele entra em Yeroushalaîm, no santuário; e olha a seu redor. É tarde, agora. Ele sai para Béit-Hananyah, com os Doze.
E assim, no dia seguinte: eles saem de Béit-Hananyah. Ele tem fome. De longe, ele vê uma figueira com folhas. Aproxima-se; lá, talvez encontrará algo? Aproxima-se mais e não encontra senão folhas: não era tempo de figos. Ele responde e lhes diz: “Ninguém, jamais, em perenidade, comerá fruto de ti.” Seus adeptos o escutam.
Eles chegam a Yeroushalaîm; ele entra no santuário. E começa a colocar os vendedores e compradores para fora do santuário. Derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. Ele não deixa ninguém transportar utensílios pelo santuário. Ele os ensina e diz: “Não está escrito: Minha casa é chamada casa de oração para todos os goyîm? Mas fizestes dela um covil de bandidos.” Os chefes dos ministrantes e os Soferîm o escutam. Eles buscam uma maneira de matá-lo mas tremem diante dele: sim, toda a multidão está impressionada com seu ensinamento.
E quando entardece, eles saem da cidade.
Ao passar, de manhã, vêem a figueira seca, desde as raízes. Petros se lembra e lhe diz: “Rabi! Vê! A figueira que amaldiçoaste secou.” Yéshoua’ responde e lhe diz: “Aderi a Elohîm. Amèm, eu vos digo: aquele que disser a esta montanha: ‘Levanta-te e lança-te ao mar’, sem ter dúvida no coração, mas aderindo, crendo que o que disser vai se realizar, assim será para ele.
27-33: Eles regressam a Yeroushalaîm; ele anda pelo santuário.
Os chefes dos ministrantes, os Soferîm e os Anciãos vêm até ele e dizem-lhe: “Com que autoridade fazes isto? Quem te deu essa autoridade para fazer isto?” Yéshoua’ lhes diz: “Eu também vos interrogarei: uma única palavra. Respondei-me, e vos direi com que autoridade faço isto: A imersão de Yohanan, era ela do céu ou dos homens? Respondei-me.” Eles ruminam entre si e dizem: “Se nós dissermos: <Do céu>, ele dirá: <Por que então não aderistes a ele?> Mas se dissermos: <Dos homens?>” Eles tremem diante da multidão. Sim, todos acreditam que Yohanan era realmente um inspirado. Eles respondem a Yéshoua’ e dizem: “Não sabemos.” Yéshoua’ lhes diz: “Eu também não vos direi com que autoridade faço isso.”

12,1-17: Ele começa a falar-lhes através de exemplos: “Um homem plantou uma vinha. E ao seu redor ergue uma cerca, cava um lagar e constrói uma torre. Arrenda a vinhateiros e parte para longe. Vindo o tempo, ele envia um servo até os vinhateiros, para deles receber os frutos da vinha. Eles o agarram, espancam-no e o despacham, sem nada. Envia-lhes, novamente, um outro servo. E a esse também ferem a cabeça e o insultam. E envia ainda outro: a uns, espancam, a outros, matam. Resta ainda um: seu filho amado. Esse, envia-lhes por último. E diz: <Respeitarão meu filho.> Mas os vinhateiros dizem entre si: <É o herdeiro! Vamos, matemo-lo! A herança será nossa!> Agarram-no, matam-no e o lançam para fora da vinha. O que fará o Adôn da vinha? Virá, fará perecerem os vinhateiros, e daria a outros a vinha. Não haveis lido este escrito: <A desprezada pelos construtores tornou-se pedra angular: Isto é de YHVH(Adonaï), é maravilha a nossos olhos.>?"
Procuram prendê-lo, mas tremem diante da multidão. Sim, sabem que ele deu este exemplo pensando neles. Deixam-no e vão embora.
Enviam-lhe alguns Peroushîm e homens de Herôdes, para pegá-lo com alguma palavra. Eles vêm e lhe dizem: Rabi, sabemos que tu és verdadeiro; não te intrometes com ninguém. Não levas em conta as faces dos homens, mas ensinas, conforme a verdade, o caminho de Elohîm. È permitido pagar imposto a César, ou não? Pagar ou não pagar?” Mas ele penetra a sua hipocrisia e lhes diz: “Por que me pondes a prova? Trazei-me um denário, para eu  ver.” Trazem-lhe. Ele diz: “De quem é esta efígie: E esta inscrição?” Dizem-lhe: “De César.” Yéshoua’ diz-lhes: “O que é de César, dai a César; e o que é de Elohîm, a Elohîm.” Ficam intrigados com ele.
34c-37: E ninguém ousa interrogá-lo mais.
Yéshoua’ ensina no santuário. Ele responde e diz: “Como os Soferîm dizem que o messias é filho de David? David disse no sopro sagrado: <Discurso de YHVH(Adonaï) a meu Adôn: Senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos sob teus pés.> O próprio David diz: <Adôn>, como é ele seu filho?” Uma numerosa multidão ouve suas palavras com alegria.
41-44: Ele se assenta diante do tesouro, e observa a multidão lançar moedas no tesouro. Muitos ricos lançam muitas. Uma viúva, pobre, vem e lança dois centavos: sim, um quarto de soldo. Ele chama os discípulos e lhes diz: “Amèm, eu vos digo: esta viúva que é pobre lançou no tesouro mais do que todos os que lançaram. Sim, todos lançaram de sua abundância; mas ela, em sua penúria, lançou tudo o que possuía, toda a sua vida.”

13,1-2:  À saída do santuário, um de seus adeptos lhe diz: “Rabi, olha! Que pedras! Que edifícios!” Yéshoua’ lhe diz: “Vês estes grandes edifícios? Não será deixada aqui pedra sobre pedra que não seja destruída.”

14,1-72: Ora, será Péçah e os Ázimos dentre de dois dias.
Os chefes dos ministrantes e os Sofherîm procuram uma forma de prendê-lo com um ardil e mandá-lo à morte. Dizem: “Não durante a festa, para que não haja desordem no meio do povo.”
Ele está em Béit-Hananyah, na casa de Shim’ôn, o leproso, estendido à mesa. Vem uma mulher. Ela tem um vaso de alabastro com um perfume de nardo puro, muito caro. Quebra o vaso e derrama-o sobre a cabeça de Yéshoua’. Então, alguns se irritam com aquele gesto: “Por que desperdiçar este perfume? Sim, este perfume podia ser vendido por mais de trezentos denários para dar aos pobres.” E eles a tratam mal. Mas Yéshoua’ diz: “Deixai-a! Por que importuná-la? Ela teve um bonito gesto para comigo. Sim, os pobres tereis sempre convosco; e quando quiserdes, podereis fazer-lhes o bem. Eu, porém, não me tereis para sempre. O que ela tinha, usou. Agiu antecipadamente, e perfumou meu corpo para o sepultamento. Amèm, eu vos digo: Onde quer que o anúncio venha a ser proclamado, em todo o universo, o que esta mulher fez será contado, também em sua memória.”
Yehouda, o homem de Qériot, um dos Doze, vai ao encontro dos chefes dos ministrantes para entregá-lo. Eles o ouvem, se alegram, e prometem dar-lhe dinheiro. Ele procura a ocasião para entregá-lo.
Ao primeiro dia dos Ázimos, quando sacrificam o Péçah, seus adeptos dizem-lhe: “Onde queres que preparemos o Pèssah para que tu comas?” Ele envia dois de seus adeptos e lhes diz: “Ide à cidade. Lá encontrareis um homem carregando um cântaro de água. Segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono: <O Rabi diz: Onde é minha sala, onde comerei o Péçah com meus adeptos?> Ele vos mostrará, no local, uma grande sala, toda decorada. Lá prepareis tudo para nós.” Seus adeptos saem. Vão a cidade e encontram aquilo que ele lhes havia dito. Preparam o Péçah.
Vinda  a noite, ele vai com os Doze. Sentam-se à mesa e comem. Yéshoua’ diz: “Amèm, eu vos digo, um de vós me entregará, aquele que come comigo.” Eles começam a se entristecer. Dizem-lhe, um a um: “Serei eu?” Ele lhes diz: “Um dos Doze, aquele que põe a mão no prato comigo. Sim, o filho do homem se vai, como está escrito a seu respeito; mas oïe, aquele homem, por quem o filho do homem é entregue! Melhor seria para aquele homem não ter nascido!”
Enquanto comem, ele toma o pão, abençoa-o, parte-o e lhes dá. E diz: “Tomai! Isto é o corpo, o meu.” Ele toma um cálice, dá graças e lhes dá. Todos bebem dele. Ele lhes diz: “Isto é o sangue, o meu, o do pacto, derramado por muitos. Amèn, eu vos digo: Não beberei mais do fruto da videira, até aquele dia em que beberei um novo, no reino de Elohîm”.
Após haver cantado o Hallel, saem em direção ao monte das Oliveiras.
Yéshoua’ lhes diz: “Todos tropeçareis, como está escrito: <Golpearei o pastor, e os ovinos se dispersarão.> Mas, depois de despertar, irei adiante de vós em Galil.” Petros diz-lhe: “Mesmo se todos tropeçarem, eu certamente não tropeçarei!” Yéshoua’ diz-lhe: ”Amèm, eu ti digo: sim tu, hoje, esta noite ainda, antes que o galo cante duas vezes, me negarás três vezes!” Mas insistindo ainda mais, ele diz: “Mesmo que eu deva morrer contigo, não, não te negarei!” Todos também dizem o mesmo.
Eles vêm em direção a um lugar chamado Gat-Shemanîm. Ele diz a seus adeptos: “Assentai-vos aqui, enquanto eu oro.” Leva consigo Petros, Ya’acob e Yohanân. Começa a sentir-se invadido de pavor, oprimido. Ele lhes diz: “Meu ser está encoberto por uma tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai.” Ele se afasta, cai em terra e ora para que, se possível, aquela hora passe longe dele. Ele diz: “Abba, pai, tudo é possível para ti! Então afasta de mim este cálice! No entanto, não o que eu quero, mas o que tu queres!” Ele retorna e os encontra adormecidos. Diz a Petros: “Shim’ôn, tu dormes! Não tiveste força para vigiar uma hora? Vigiai e orai, para que não venhais à provação! O sopro, ele é verdadeiro, é ardente, mas a carne enferma.” Ele se retira novamente; e ora, dizendo a mesma palavra. Volta e os encontra adormecidos: sim seus olhos estavam pesados; eles não sabem o que lhe responder. Ele vem uma terceira vez e lhes diz: “Dormi agora e repousai. Basta, é chegada a hora. Eis, o filho do homem é entregue nas mãos dos faltosos. Despertai! Vamos! Eis, aquele que me entrega se aproxima.”
Enquanto ele fala, logo chega Yehouda, um dos Doze, e com ele, uma multidão com espadas e pedaços de pau, enviados pelos chefes dos ministrantes, os Soferîm, e os Anciãos. Aquele que o entregava lhes havia dado um sinal, dizendo: “Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o, levai-o com segurança.” Logo ele vem, aproxima-se dele e diz: ”Rabi!” E se inclina para beijá-lo. Lançam as mãos sobre ele; prendem-no.
Uns dos que lá estão desembainha sua espada. Ele fere o servo do sumo ministrante. Corta-lhe um pedaço da orelha.
Yéshoua’ responde e lhes diz: “Como para um bandido, saístes com espadas e pedaços de pau, para prender-me. Todos os dias estava convosco, ensinava no santuário, e vós não me prendestes. Mas para que se cumpram os Escritos...”
Deixam-no, fogem todos.
Um adolescente o segue, enrolado com um pano, sobre o corpo nu. Eles o prendem. Porém, largando o pano, ele foge, nu.
Levam Yéshoua’ até o sumo ministrante. Todos os chefes dos ministrantes, os Anciãos e os Soferîm se reúnem. Petros o segue, de longe, até o interior do pátio do sumo ministrante. Ele fica sentado com os guardas e se esquenta, próximo ao fogo.
Então, os chefes dos ministrantes e todo o Sanhedrîn procuram um testemunho contra Yéshoua’, para condená-lo à morte. Não encontram. Muitos testemunham falsamente contra ele; mas os testemunhos não são coerentes. Alguns se levantam, proferem contra ele um falso testemunho e dizem: “Nós o ouvimos dizer: <Destruirei este Templo feito pela mão do homem e em três dias construirei ou outro, não feito pela mão do homem.>” Mas mesmo nisso seus testemunhos não são coerentes. O sumo ministrante se levanta, no meio deles. Interroga Yéshoua’ e diz: “Tu não respondes nada? Que testemunhos contra ti!” Mas ele se cala e nada responde.
O sumo ministrante o interroga novamente. E lhe diz: “És tu o messias, o filho de Benedito?” Yéshoua’ diz: “Eu sou. Vereis o filho do homem sentado à direita do Poder. Ele vem com as nuvens do céu.” O sumo ministrante rasga suas túnicas e diz: “Que necessidade temos, ainda, de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia. O que vos parece?” Todos o condenam: passível de morte!
Alguns começam a cuspir nele; cobrem-lhe o rosto, esbofeteiam-no e dizem: “Faz-te de inspirado!”
Os guardas o recebem a bofetadas.
Petros está no pátio, embaixo. Vem uma das servas do sumo ministrante. Ela vê Petros se esquentando; fixa-o e diz: “Tu também estavas com Yéshoua’, o Nazareno.” Mas ele nega, dizendo: “Não sei; não compreendo o que dizes.” Sai em direção ao primeiro pátio. E eis, um galo canta. A serva o vê e recomeça a dizer aos que lá se encontram: “Este é um dentre eles!” Mas ele nega de novo. Pouco tempo depois, novamente, os que lá estão dizem a Petros: “É verdade, tu és um dentre eles. Sim, inclusive, tu és de Galil.” Ele começa a jurar com anátemas: “Não sei quem é esse homem de quem falais.” Logo um galo canta. E Petros recorda-se da palavra que Yéshoua’ lhe havia dito: “Antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás três vezes.” Fora de si, ele chora.

15,1-47
: Logo de manhã os chefes dos ministrantes entram em acordo com os Anciãos, os Sopherîm e todo o Sanhédrîn. Amarram Yéshoua’, transportam-no e entregam-no a Pilatos.
Pilatos o interroga: “Tu és  o rei dos Yehoudîm?” Ele responde e lhe diz: “Tu o dizes.”
Os chefes dos ministrantes multiplicam suas acusações contra ele. Mas Pilatos o interroga novamente: “Não respondes nada? Vê tudo de que te acusam!” Mas Yéshoua’ nada mais responde, a ponto de Pilatos se admirar.
Ora, a cada festa, ele lhes soltava um prisioneiro, o que eles pedissem. Havia um, chamado Bar-Abba - Filho do Pai - ligado aos revoltosos, que havia cometido homicídio durante uma revolta. A multidão sobe e começa a pedir que fizesse para eles segundo o costume. Pilatos lhes responde e diz: “Quereis que eu vos solte o rei dos Yehoudîm?” Ele sabia, sim que os chefes dos ministrantes o haviam entregue por inveja. Mas os chefes dos ministrantes incitam a multidão, para que, de preferência, ele lhes solte Bar-Abba. Ora, Pilatos responde novamente e lhes diz: O que quereis que eu faça deste que dizeis ser o rei dos Yehoudîm?” E novamente eles gritam: “Crucifica-o!” Mas Pilatos lhes diz: “Afinal, que mal ele fez?” Eles gritam cada vez mais alto: “Crucifica-o!”
Pilatos querendo satisfazer a multidão, lhes solta Bar-Abba.
E Yéshoua’, ele o entrega para ser açoitado, e em seguida crucificado.
Então os soldados o transportam para o interior do pátio, isto é, ao pretório. Convocam toda a coorte. Vestem-no de púrpura e o cingem com uma coroa trançada de espinhos. Começam a saudá-lo: “Shalôm, rei dos Yehoudîm!” Batem-lhe na cabeça com um caniço, cospem nele, ajoelham-se e prostram-se diante dele. E após o terem escarnecido, despem-lhe a púrpura e tornam-lhe a vestir suas vestes. Em seguida, o conduzem para fora, para ser crucificado.
Requisitam um passante, Shim’ôn de Cirene, que vinha dos campos, - é o pai de Alexandros e Rufus -, para que lhe carregue a cruz.
Arrastam Yéshoua’ ao lugar chamado Gólgota, que se traduz: Lugar da Caveira. Dão lhe vinha com mirra, mas ele não toma. Repartem suas vestes, lançando a sorte: quem pegará o que? È a terceira hora.
Crucificam-no.
Na inscrição de sua acusação está escrito: “O rei dos Yehoudîm.”
Com ele, crucificam dois bandidos, um à direita e outro à esquerda. Cumpre-se o escrito que dizia: “Com malfeitores ele foi contado.”
Os que passam blasfemam contra ele. Meneiam a cabeça e dizem: “Oïe, tu que destróis o santuário e o reconstróis em três dias! Te salva a ti mesmo! Desce da cruz!”
Os chefes dos ministrantes também zombam dele. Com os Soferîm, dizem uns aos outros: “Ele salvou os outros, não pode salvar a si mesmo! Messias, rei de Israël, desce agora da cruz, para que possamos ver e aderir!”
E os que estão sendo crucificados com ele também o insultam.
Chega o meio-dia, a sexta hora. E a treva vem sobre toda a terra, até a nona hora.
À nona hora, Yéshoua’ grita em alta voz: “Elohaï, Elohaï, lama sabaqtani!” Que se traduz: “Meu Elohîm, meu Elohîm, por que me abandonaste?” Alguns dentre os presentes ouvem e dizem: “Eis, ele chama por Éliyahou.” Alguém corre, embebe uma esponja em vinagre, a põe na ponta de um caniço, lhe da a beber e diz: “Deixai! Veremos se Éliyahou virá para descê-lo!”
Yéshoua’ deixa escapar um forte brado; ele expira.
E o véu do santuário se rasga em dois, de alto a baixo. O centurião que está a sua frente vê que ele expirou. E diz: “É verdade, este homem era o filho de Elohîm.”
Há também mulheres, ali; elas olham de longe. Entre elas Miriam de Mágdala, Miriam, a de Ya’acob, e Shelomit. São as mulheres que o seguiam e o serviam, quando estava em Galil; e muitos outros também, que haviam subido com ele até Yeroushalaîm.
E já sobrevém a noite. É a preparação, isto é, a véspera do shabat.
Chega Yosseph de Ramataïm, um nobre conselheiro. Ele também esperava o reino de Elohîm. Tomando coragem, vai até Pilatos e pede o corpo de Yéshoua’. Pilatos se admira de que ele já esteja morto. Chama o centurião e o interroga: ele já expirou? Ele é informado pelo centurião e concede o cadáver a Yosseph. Este compra uma mortalha, e o deposita numa sepultura escavada na rocha. Em seguida, rola uma pedra até a entrada do sepulcro.
Miriâm de Magdala e Miriâm a de Yosseph, contemplam onde o depositaram.

16,1-8: Passando o shabat, Miriâm de Magdala, Miriâm, a de Ya’acob, e Shelomit compram aromas para vir messiá-lo. E de manhã, no primeiro dia da semana, elas vêm à sepultura, ao nascer do sol. Dizem umas às outras: “Quem rolará, para nos, a pedra à entrada do sepulcro?” Elas elevam o olhar e vêem um adolescente sentado à direita, vestido de branco. Elas se atemorizam. Ele lhes diz: “Não vos atemorizeis! Procurais Yéshoua’, o Nazareno, que foi crucificado? Ele despertou. Não está aqui. Eis o lugar onde o puseram. Mas ide, dizei a seus adeptos e a Petros: Ele vai adiante de vós, a Galil; lá o vereis, como ele vos disse.” Elas saem, fogem do sepulcro: sim, pois um tremor as tomara, um estupor.
Não dizem nada a ninguém: sim, elas tremiam.

Material marquiano

Galiléia ...

1,1: Princípio do anúncio de Yéshoua’ messias bèn Elohîm.
16-20: Caminhando junto ao mar de Galil, ele avista Shim’ôn e Andreas, o irmão de Shim’ôn. Eles jogam rede no mar: sim, são pescadores. Yéshoua’ lhes diz: “Vinde atrás de mim, eu vos tornarei pescadores de homens.” Logo eles deixam suas redes e o seguem.
Ele anda um pouco à frente. E vê Ya’acob bèn Zabdi e Yohanân, seu irmão: eles também estão nos seus barcos consertando as redes. Logo ele os chama. Eles deixam seu pai Zabdi, no barco com os empregados. E vão atrás dele.
21b-28: Logo, no shabat, ele entra na sinagoga e ensina.
Ficam impressionados com seu ensinamento. Sim, ele lhes ensina como quem tem autoridade, e não como os Soferîm.
Logo chega à sinagoga deles um homem com o sopro contaminado. Ele vocifera. E diz: “O que há entre nós, Yéshoua’, o Nazareno? Vieste extermina-nos! Sei quem tu és: o consagrado de Elohîm!” Yéshoua’ o repreende: “Cala-te! Sai dele!” O sopro contaminado agita-o convulsivamente, solta um forte grito e sai dele.
Todos se assustam, a ponto de discutir uns com os outros. Eles dizem: “O que é isto? Um novo ensinamento! Cheio de autoridade! Sim, ele dá ordens até mesmo aos sopros contaminados. E eles lhe obedecem!” Logo sua fama se difunde em toda a região em torno da Galil.
40-45: Um sarnento vem em sua direção, suplica-lhe, e cai de joelhos, dizendo: “Sim, se tu quiseres, podes purificar-me.” Tomado de compaixão, ele estende a mão, toca-o e diz-lhe: “Eu quero, sê puro!” Logo sua sarna desaparece; ele fica purificado. Ele o repreende. Logo o manda embora. E diz-lhe: “Atenção! Não digas nada a ninguém: mas vai, mostra-te ao ministrante, e oferece para tua purificação o que Moshè impôs como testemunho para eles.” Mas ele sai, começa a proclamá-lo muito e a difundir a palavra, a tal ponto que Yéshoua’ não pode mais entrar abertamente em uma cidade, tendo que ficar fora, em lugares desertos. E vêm a ele, de todas as partes.

2,1-14: Ele entra novamente em Kephar-Nahoum alguns dias depois. Ouve-se dizer que ele está em casa. Lá, reúnem-se todos, e são tantos que não sobra mais lugar, nem mesmo diante da porta. Ele lhes diz a palavra.
Vêm e colocam diante dele um paralítico carregado por quatro pessoas. Como não podiam apresentá-lo a Yéshoua’ por causa da multidão, desfazem uma parte do teto, onde ele se encontrava. Tendo aberto um buraco, fazem passar o catre onde o paralítico estava deitado. Yéshoua’ vê a adesão deles. E diz ao paralítico: “Filho, tuas faltas te são perdoadas.” Ora, alguns Soferîm estavam sentados lá perto, e ruminavam em seus corações: “Como! Aquele ali fala assim! Blasfema! Quem pode perdoar as faltas, senão um só: Elohîm?” Logo, em seu sopro, Yéshoua’ sabe que eles ruminam interiormente. E lhes diz: “Por que ruminais assim em vossos corações? O que é mais fácil? Dizer ao paralítico: <Tuas faltas te são perdoadas> ou dizer-lhe: <Desperta, toma o teu catre e anda>? Ora, o filho do homem tem poder, sobre a terra, de perdoar as faltas. E para que vós saibais...” Ele diz ao paralítico: "A ti, eu digo: Desperta, toma o teu catre e vai para tua casa." Ele desperta e, logo, toma seu catre e sai diante de todos. Todos ficam estupefatos; e glorificam Elohîm dizendo: “Isto, nós nunca vimos antes.”
Ele sai novamente para a beira do mar. Toda a multidão vem até ele. Ele lhes ensina.
Ele passa, e vê Lévi bèn Halphaï sentado na coletoria. E diz-lhe: “Segue-me.” Ele se levanta e o segue.

3,13-35
: Ele sobe a montanha. E chama para si os que ele quer. Eles vão até ele.
Ele constitui doze para que estejam com ele, e para enviá-los a clamar com o poder de expulsar demônios. Ele constitui os Doze: impõe a Shim’ôn o nome de Petros; Ya’acob bèn Zabdi, Yohanân, irmão de Ya’acob; e ele lhes impõe o nome de Benéi Ra’ash, isto é os Filhos de Trovão; Andreas, Philippos, Bar-Talmaï, Matiyah, Toma, Ya’acob bèn Halphaï, Tadaï, Shim’ôn, o Qanaï, e Yehouda, o homem de Qériot, aquele que o entregou.
Ele vem à casa. A multidão se reúne de novo, de tal forma que eles não podem nem mesmo comer o pão.
Os seus o ouvem; e saem para agarrá-lo. Sim, eles dizem: “Ele está fora de si!”
Os Soferîm, descendo de Yeroushalaîm, dizem; “Ele tem o Ba’al Zeboul! Pelo chefe dos demônios, ele expulsa os demônios!” Ele os chama e lhes fala através de exemplos: “Como Satã pode expulsar Satã? Se um reino está dividido contra si próprio, tal reino não pode subsistir. Se uma casa está dividida contra si própria, tal casa não pode subsistir. Se o Satân se levanta contra si próprio e se divide, não pode subsistir, pois está acabado. Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e saquear seus pertences sem antes ter amarrado o homem forte. Então, pode saquear a casa. Amèn, eu vos digo: tudo será  perdoado aos filhos dos homens, as faltas, as blasfêmias, todas as que blasfemarem. Mas o blasfemador contra o sopro sagrado não tem remissão em perenidade, mas é passível de falta em perenidade.” Isto, porque eles diziam: “Ele tem um sopro contaminado.”
Vêm sua mãe e seus irmãos. Ficam do lado de fora e mandam chamá-lo. Uma multidão está sentada ao redor dele. Dizem-lhe: “Eis aqui tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs; eles estão lá fora e te procuram.”
Ele lhes responde e diz: “Quem são minha mãe e meus irmãos?” Olha ao redor, aos que estão sentados em círculo em torno dele, e diz: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Quem faz o querer de Elohîm, este é meu irmão, minha irmã minha mãe.”

4,11-12
: Ele lhes diz: "A vós, o mistério do reino de Elohîm foi revelado. Porém, a esses outros que estão de fora, tudo é por exemplos, para que, olhando, olhem e não vejam, e ouvindo, ouçam e não compreendem, a fim de que eles não façam o retorno e não lhes seja feita a remissão.”
21-24: E lhes diz: “Vem a lâmpada para ser posta sob o alqueire ou sob a cama? Ela não é para ser posta sobre um lampadário? Não, nada está oculto que não deva ser manifestado; nada é secreto que não deva tornar-se manifesto. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”
Ele lhes diz: “Acautelai-vos no que ouvis! A medida com a qual medis serve para vos medir e ainda vos será acrescentado.’’

6,1-31: Ele sai de lá e vem à sua pátria, seus adeptos o seguem.
Chega o shabat; ele começa a ensinar na sinagoga. Muitos o ouvem, ficam impressionados e dizem: “De onde, isso? A este aí! Que sabedoria! Ela lhe é dada? A ele! E que admiráveis prodígios feitos por suas mãos! Aquele não é o carpinteiro, filho de Miriám? Irmão de Ya’acob, de Yosséi, de Yehouda, de Shim’ôn? E suas irmãs, não estão aqui conosco?” Tropeçam nele. Yéshoua’ lhes diz: “Um inspirado só não tem glória em sua pátria, entre seus próximos, e em sua casa.” Ali, ele não pode efetuar nenhum prodígio, salvo para alguns inválidos: ele lhes impõe as mãos e os cura. Admira-se por causa da não-adesão deles.
Circula pelas aldeias próximas. Lá, ele ensina.
Chama os Doze e passa a enviá-los dois a dois. Ele lhes dá autoridade sobre os sopros contaminados. Ele lhes ordena que não levem nada pelo caminho, apenas um só bastão: nem pão, nem alforje, nem bronze na cintura, mas calçados de sandálias e: “Não leveis duas túnicas.” Ele lhes diz: “Quando entrardes em uma casa permanecei nela, até dela vos retirardes. Se um lugar não vos acolher, que eles não vos ouçam, parti de lá, sacudi o pó que está sob vossos pés em testemunho contra eles.” Eles saem para clamar o retorno, expulsar inúmeros demônios, messiar inúmeros inválidos e curar.
O rei Herôdes ouve falar: sim, seu nome tornou-se célebre. Dizem: “Yohanân. o Imersor, despertou dentre os mortos: por isso os poderes agem por ele.” Outros dizem: “O próprio Éliyahou!” E outros ainda: “Um inspirado, como um dos inspirados.” Mas Hèrôdès ouve e diz: “Aquele que eu decapitei, Yohanân. Foi ele que despertou.” Sim, Herôdes mandara prender Iohanân e o deixara atado na prisão, por causa de Herôdias, a mulher de seu irmão Philippos, que ele desposara. Sim, Yohanân dizia a Hèrôdès: “Não te é permitido possuir a mulher de teu irmão!” A partir de então, Herôdias o odeia, quer matá-lo, mas não pode fazê-lo: sim, Herôdes estremece diante de Yohanân, pois sabia ser ele homem justo e consagrado. Protege-o, ouve-o, perplexo, e gosta de ouvi-lo.
Chega um dia propício: o aniversário de Hèrôdès. Ele dá um jantar para seus grandes, seus oficiais, para os principais de Galil. Entra a filha daquela Hèrôdias: dança e agrada a Herôdes e aos convivas. O rei diz à adolescente: “Pede-me o que quiseres, eu to darei, até a metade de meu reino.” Ela sai e diz à mãe: “Que pedirei?” Ela diz: “Cabeça de Yohanân, Imersor.” Logo ela volta, com pressa, para junto do rei, pede e diz: “Quero que me dês imediatamente, sobre um prato, a cabeça de Yohanân, o Imersor.” O rei fica muito penalizado. Por causa do juramento e dos convivas, não quer recusar o pedido. Logo o rei envia um guarda e ordena-lhe que traga a sua cabeça. Ele vai e o decapita na prisão. Ele traz a cabeça sobre um prato e a entrega à adolescente. A adolescente a dá à sua mãe.
Os adeptos dele ouvem. Vêm, tomam seu corpo e o sepultam em um túmulo.
Os enviados se reúnem em torno de Yéshoua’. Eles lhe anunciam tudo o que haviam feito e ensinado. Ele lhes diz: “Vinde, vos outros, a um lugar deserto, à parte. Repousai um pouco.” Sim, são numerosos os que chegam e os que partem. E não encontram nem mesmo um instante para comer.

7,1-37
: Os Peroushîm e alguns Sopherîm, vindos de Yeroushalaîm se reúnem em torno dele. Eles vêem que alguns de seus adeptos, com as mãos sujas, isto é, não lavadas, comem o pão.
Sim, Os Peroushîm e todos os Yehoudîm observam a tradição dos antigos e não comem sem lavar as mãos, até o pulso. Ao chegarem do mercado, eles não comem sem serem aspergidos. E ainda, muito do que receberam, eles guardam: imersão de taças, cântaros e utensílios em bronze.
Os Peroushîm e os Soferîm o interrogam: “Por que teus adeptos não andam segundo a tradição dos antigos, mas com as mãos sujas, comem o pão?” Ele lhes diz: “Yesha’yahou foi bem inspirado a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: <Este povo me glorifica com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Eles me rendem culto em vão. Os ensinamentos que ensinam são apenas mitsvot aprendidas dos homens!> Vós deixais a mitsva de Elohîm e guardais a tradição dos homens.” Ele lhes diz: ”Vós, verdadeiramente rejeitastes a ordem de Elohîm para guardar vossa própria tradição. Sim, Moshè disse: <Glorifica teu pai e tua mãe.> e: <O que maldisser pai ou mãe será punido de morte, de morte.> E vós dizeis: <Se um homem diz ao pai ou á mãe: é Qorbân, isto é ‘Presente para Elohîm’, aquilo que possuo e que poder-te-ia ser útil>, vós não o deixais fazer mais nada em favor do pai e da mãe. Anulais a palavra de Elohîm com vossa própria tradição, que nos transmitis. E fazeis muitas outras coisas semelhantes.” Ele convoca novamente a multidão e lhe diz: “Ouvi-me todos e compreendei! Nada do que entra no homem, vindo de fora, pode sujá-lo. Mas o que sai do homem suja o homem.
Quem tem ouvidos para ouvir ouça.”
Quando ele entra em casa, longe da multidão, seus adeptos o interrogam sobre o exemplo. Ele lhes diz: “Então vós também não tendes discernimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem, não o pode sujar, porque não entra em seu coração, mas no ventre, e é expelido?” Ele tornava puros todos os alimentos. E diz: “O que sai do homem, é o que suja o homem. Sim, de dentro, do coração dos homens, emanam as más ruminações: prostituição, furtos, assassinatos, adultérios, amor pelo lucro, crimes, fraude, devassidão, olho mau, blasfêmias, orgulho, loucura. Todas essas perversões emanam de dentro e sujam o homem.”
Levanta-se dali e vai para a fronteira de Tsor. Entra em uma casa. Quer que ninguém o saiba. Mas é impossível escondê-lo.
Logo uma mulher ouve falar dele, e tendo uma filhinha com um sopro contaminado, vem e cai a seus pés. A mulher é uma helênica, de raça siro-fenícia. Ela pede-lhe que expulse o demônio de sua filha. Ele lhe diz: “Deixa os filhos se fartarem primeiro. Não é bom que se tome o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos.” Ela responde e lhe diz: “Sim, Adôn, mas os cachorrinhos, sob a mesa, comem as migalhas dos filhos.” Ele lhe diz: “Por causa desta palavra, vai. O demônio saiu de tua filha.” Ela retorna à sua casa. Encontra a criança deitada sobre o leito: o demônio havia saído dela.
De novo, ele deixa a fronteira de Tsor. Passa por Tsidôn, em direção ao mar de Galil, em meio às fronteiras das Dez-Cidades.
E eis, lhe trazem um surdo que se expressa com dificuldade. Suplicam-lhe que imponha sobre ele sua mão. Ele o toma à parte e, afastando-se da multidão: coloca os dedos em seus ouvidos, cospe, e toca-lhe a língua. Eleva o olhar para o céu, geme e diz-lhe: “Efatha”, isto é “Abre-te.” Logo seus ouvidos se abrem, desfaz-se o laço de sua língua: ele fala direito. Ele o proíbe de contar a qualquer pessoa; mas quanto mais os proíbe de fazê-lo, mais amplamente o proclamam.
Estavam sobremaneira impressionados. Dizem: “Ele faz tudo bem: faz ouvir os surdos e falar os mudos.”

8,1-26
: Naqueles dias, há novamente uma multidão numerosa. Não tem nada para comer. Ele chama seus adeptos e lhes diz: “Estou tomado de compaixão por esta multidão. Sim, eis já três dias que eles estão ao meu lado; e nada têm para comer. Se eu os fizer retornar a suas casas em jejum, desfalecerão no caminho. Alguns dentre eles vieram de longe.” Seus adeptos respondem-lhe: “Como se poderá saciá-los de pão, aqui, no deserto?” Ele os interroga: “Quantos pães tendes convosco?” Eles dizem: “Sete.” Ele ordena à multidão que se estenda no chão. Tomando os sete pães, dá graças, reparte-os, e entrega-os a seus adeptos para serem servidos. Eles servem à multidão. Eles têm alguns peixinhos. Ele abençoa-os e manda que sejam servidos também. Eles comem e se saciam. Recolhem as partes que sobram: sete cestos. Ora, eram aproximadamente quatro mil pessoas. Ele os despede. Logo ele sobe ao barquinho com seus adeptos e vem para as proximidades de Dalmanoutha.
Os Peroushîm saem. Começam a discutir com ele, pedindo-lhe um sinal do céu, para pô-lo à prova. Ele geme em seu sopro e diz: “Por que esta geração procura um sinal? Amèm, eu vos digo: não será dado nenhum sinal a esta geração.” Ele os deixa e novamente sobe no barquinho.
Vai para o outro lado. Eles esquecem de levar os pães: salvo um único pão, nada mais tinham consigo no barquinho.
Ele lhes recomenda e diz: “Vede, guardai-vos do fermento dos Peroushîm e do fermento de Herôdes.”
Mas eles continuam a ruminar, uns aos outros: è que eles não têm pão. Ele lhes penetra e diz: “Por que ruminais por não terdes pão? Ainda não percebeis? Não compreendeis? Tendes o coração endurecido! Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis! Não vos lembrais, quando eu reparti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes?” Eles lhe dizem: “Doze.” “E os sete, para os quatro mil? Quantos cestos cheios de pedaços recolhestes?” Eles dizem: “Sete.” Ele lhes diz: “Ainda não compreendeis?”
Eles chegam a Béit-Tsaïda.
Trazem-lhe um cego. Suplicam-lhe para tocá-lo. Ele toma a mão do cego e sai com ele da aldeia. Cospe em seus olhos, impõe-lhe as mãos e o interroga: “Vês alguma coisa?” Ele levanta os olhos e diz: “Vejo homens como árvores; vejo-os andando.” Então, ele novamente impõe as mãos sobre seus olhos: ele vê claramente, está restabelecido; e fixa tudo distintamente. Ele o envia de volta para casa e diz: “Não entres na aldeia.”

... Jerusalém

8,34-38: Chama a multidão e seus adeptos, e lhes diz: “Se alguém quer seguir-me, que se negue a si mesmo, carregue a sua cruz e me siga.
Sim, quem quer salvar seu ser, o perde. Mas quem perde seu ser por minha causa e por causa do anúncio, o salva.
Sim, que utilidade terá para um homem ganhar o universo inteiro e destruir seu ser? Sim, que daria um homem, em troca de seu ser?
Sim, aquele que se envergonhar de mim e de minhas palavras, nesta geração adúltera e faltosa, o filho do homem também se envergonhará dele, quando vier na glória de seu pai, com os mensageiros sagrados.”

9,1: Ele lhes diz: “Amèm, eu vos digo: há aqui entre os presentes alguns que não experimentarão a morte antes de terem visto o reino de Elohîm vir no poder.”
14-29: Vêm em direção a seus adeptos. Vêem uma grande multidão em torno deles: e os Soferîm discutem com eles. Logo toda a multidão o vê e, assustada, corre para saudá-lo.
Ele os interroga: “Sobre o que discutíeis com eles?” Um dentre a multidão responde: “Rabi, eu ti trouxe meu filho. Ele tem um sopro mudo, que, quando se apossa dele, o rasga todo e baba, rilha os dentes e fica seco. Pedi a teus adeptos que o expulsassem, mas eles não tiveram força.” Ele lhes respondeu e diz: “Ó geração sem adesão, até quando estarei convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-mo.” Trazem-no até ele. Ao vê-lo, o sopro logo o sacode em convulsões. Cai no chão, rola e espuma. Yéshoua’ interroga seu pai: “Há quanto tempo isto lhe ocorre?” Ele responde: “Desde a infância. Sim, freqüentemente o sopro o lança sobre o fogo ou sobre a água para matá-lo. Mas, se tu podes, socorre-nos, compadece-se de nós.” Yéshoua’ diz-lhe: “Este <se tu podes>!... Tudo é possível a quem adere.” Logo o pai da criança grita e diz: “Eu adiro! Socorre minha não-adesão.” Yéshoua’ vê a multidão que acorre. Repreende o sopro contaminado e lhe diz: “Sopro mudo e surdo! Eu te ordeno: Sai dele, e não entres mais nele.” Ele grita, o convulsiona com força e sai. E ele está como morto, de tal forma que muitos dizem: “Está morto.” Mas Yéshoua’ toma sua mão e o desperta: ele se levanta. Quando chega em casa, seus adeptos, à parte o interrogam: “Por que não o pudemos expulsá-lo?” Ele lhes diz: "Essa espécie não sai a não ser através de oração e jejum.”
36-50: Ele toma uma criancinha e a coloca no meio deles. Toma-a nos braços e diz-lhes: “Quem acolher uma criancinha como esta em meu nome, a mim me recebe. E quem me recebe, não é a mim que recebe, mas ao que me envia.”
Yohanân diz-lhe: “Rabi, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Nós o impedimos de fazê-lo, porque ele não nos segue.” Porém Yéshoua’ diz: “Não o impeçais. Não, nenhum homem que faça prodígio em meu nome pode, em seguida, falar mal de mim.
Quem não é contra nós é por nós.
Sim, aquele que vos der de beber um copo de água em nome do messias, de quem vós sois, amèm, eu vos digo: não perde a sua recompensa.
Quem fizer tropeçar a um destes pequenos que aderiram, melhor seria que uma mó de jumento lhe fosse posta ao pescoço e que fosse lançado ao mar.
Se tua mão te faz tropeçar, corta-a. Melhor para ti entrar na vida maneta, que teres as duas mãos e ires à Geena, para o fogo inextinguível. Se teu pé te faz tropeçar, corta-o. Melhor para ti entrar na vida coxo, do que teres os dois pés para seres lançado no Geena. Se teu olho te faz tropeçar, tira-o fora. Melhor para ti entrar com um só olho no reino de Elohîm, que teres os dois olhos para seres lançado na Geena, onde seus vermes não morrem jamais e o fogo  não se apaga.
Sim, tudo se salga ao fogo. O sal é bom; mas se o sal fica sem sabor, com que o temperareis? Guardai o sal em vós mesmos, e estai em paz uns com os outros.”

10,13-16
: Trazem-lhe umas criancinhas para que as tocasse. Os adeptos as repreendem. Mas Yéshoua’ vê isso, irrita-se e lhes diz: “Deixai vir a mim as criancinhas. Não as impeçais: sim, é para seus iguais, o reino de Elohîm.
Amèm, eu vos digo: quem não aceita o reino de Elohîm como uma criancinha, não entra nele.”
Ele as toma nos braços, e as abençoa pondo sobre elas as mãos.
28-31: Petros começa a lhe dizer: “Eis, nós mesmos tudo deixamos e te seguimos.” Yéshoua’ diz: “Amèm, eu vos digo: ninguém deixa casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por minha causa e por causa do anúncio, sem receber o cêntuplo agora, neste tempo: casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos - com perseguições - , e no tempo por vir, a vida em perenidade. Muitos primeiros serão os últimos, e os últimos, os primeiros.”

11,24-25
: Assim, vos digo:: “A tudo o que vierdes pedir orando, aderi. Crendo que recebereis, assim será para vós.Quando estiverdes de pé para orar, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso pai celeste, também, perdoe vossas quedas.”

12,18-34a: Tsadouquîm vêm até ele, aqueles que afirmam não haver levantar. Interrogam-no e dizem: “Rabi, Moshè deixou escrito para nós: <Se o irmão de alguém morre e deixa uma mulher, se não deixou filhos, seu irmão tomará a mulher e suscitará uma semente para seu irmão.> Ora, havia sete irmãos. O primeiro toma uma mulher e morre sem deixar semente. O segundo toma-a e morre, sem deixar semente atrás de si. O terceiro, de igual modo. E os sete não deixam semente. Após todos eles, morre também a mulher. No levantar dentre os mortos, quando eles levantarem, de qual deles será ela esposa? Sim, os sete a tiveram por esposa.” Yéshoua’ diz-lhes: “Não vos deixeis desviar por estas coisas! Não sabeis os Escritos, nem o poder de Elohîm. Sim, aqueles que levantam dentre os mortos não casam e não se dão em casamento. Mas são como os mensageiros dos céus.
Mas quanto aos mortos, sim eles despertam. Não haveis lido no livre de Moshè, na sarça, como Elohîm fala-lhe e diz: <Eu mesmo, o Elohîm de Abrahâm, o Elohîm de Yitshac, o Elohîm de Ya’acob>? Ora, ele não é o Elohîm de mortos, mas de vivos. Vós vos desviais muito.”
Um dos Soferîm aproxima-se dele; ouve-os discutir, e penetra que Yéshoua’ lhes havia respondido bem. Ele interroga-o: “Qual é a primeira de todas as mitsvot?” Yéshoua’ responde: A primeira é: <Ouve, Yisraël, YHVH(Adonaï), nosso Elohîm, YHVH(Adonaï) único, e amarás YHVH(Adonaï) teu Elohîm de todo o teu coração, de todo o teu ser, de toda a tua inteligência, e de toda a tua intensidade.> E a segunda é: <Ama teu companheiro como a ti mesmo.> Mitsva maior que esta não há.” O Sofèr diz-lhe: “Bem, Rabi! Falaste com verdade: ele é o único, e não há outro senão ele. Amá-lo de todo o coração de todo a inteligência, de toda a intensidade, amar o companheiro como a si mesmo, é mais importante que todos os erguidos, que todos os sacrifícios.” Yéshoua’ vê que ele responde com sagacidade. E lhe diz: “Não estás longe do reino de Elohîm.”
38-40: Em seu ensinamento ele diz: “Guardai-vos dos  Soferîm: eles querem andar com vestes e saudações nos mercados, e primeiras cadeiras nas sinagogas, e primeiros lugares nos jantares, estes devoradores das casas das viúvas que, pela aparência, oram longamente. Eles receberão a pior condenação.”

(13,1-2: À saída do santuário, um dos adeptos lhe diz: "Rabi, olha! Que pedras! Que edifícios!" Yéshoua' lhe diz: "Vês estes grandes edifícios? Não será deixada aqui pedra sobre pedra que não seja destruída.")
13,3-37: Ele se assenta no monte das Oliveiras, de frente para o santuário.
Petros, Ya’acob, Yohanân e Andreas o interrogam, à parte: “Dize-nos, quando isso ocorrerá? E qual será o sinal de quando tudo isso deverá se cumprir?”
Yéshoua’ começa a lhes dizer: “Acautelai-vos para que ninguém vos desvie. Muitos virão em meu nome. E dirão: <Eu sou> e desviarão muitos. Ouvireis sobre guerras e rumores de guerras, não vos inquieteis: é preciso que isso aconteça. Mas não será ainda o fim. Sim, se levantará nação contra nação, reino contra reino, com sismos em vários lugares e fome: o início das dores! Mas acautelai-vos! Entregar-vos-ão aos sanhedrîns. Nas sinagogas, vos espancarão. Comparecereis diante dos tiranos e reis por minha causa, como testemunho para eles.
A todos os goîm, primeiramente, o anúncio deve ser proclamado.
Quando vos conduzirem e vos entregarem, não vos inquieteis, de antemão, com o que ireis dizer: mas aquilo que vos for dado a dizer, naquele momento, dizei. Não, não sereis vós que falareis, mas o sopro sagrado.
O irmão entregará outro irmão à morte, o pai um filho, os filhos se levantarão contra os pais, e os entregarão à morte. Sereis odiados de todos por causa de meu nome. Mas quem perseverar até o fim será salvo.
Mas quando virdes o horror devastador, lá, onde ele não deve estar - quem lê, perceba! - , então, aqueles de Yehouda, que fujam as montanhas! Quem está no terraço, que não desça; nem entre em sua casa para pegar nada. E quem está no campo, que não volte atrás para pegar suas vestes! Mas oïe, as que carregam no ventre, e amamentam, naqueles dias! Orai para que isto não advenha no inverno! Sim, aqueles dias serão uma tamanha tribulação, como nunca houve antes, desde o princípio da criação, criada por Elohîm, até agora, e jamais haverá. Se YHVH(Adonaï) não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne seria salva. Mas, por causa dos eleitos que ele elegeu, abreviará tais dias.
Se alguém vos diz, então: <Vede, aqui está o messias! Vede, ali!> não adirais. Sim, falsos messias, falsos inspirados se revelarão. Farão sinais e prodígios, para desviar, se possível, até mesmos os eleitos. Mas vós mesmos, acautelai-vos! Eis: tudo vos anunciei antecipadamente.
Porém, naqueles dias, após tal tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu, os poderes dos céus se abalarão.
Então, verão chegar o filho do homem nas nuvens, com grande prodígio e glória. Então, enviará os mensageiros; reunirá os eleitos dos quatro ventos, da extremidade da terra à extremidade do céu.
Ora, da figueira, aprendei um exemplo: quando os seus ramos ficam tenros e suas folhas brotam, sabeis que o verão está próximo. Assim, vós também, quando virdes isso acontecer, sabei: está próximo, as portas.
Amèm, eu vos digo: não passará esta geração sem que advenha tudo isso.
O céu e a terra passarão; mas minhas palavras não passarão.
Mas aquele dia e aquela hora, ninguém os conhece; nem mesmo os mensageiros nos céus, nem mesmo o filho, mas somente o pai.
Acautelai-vos, vigiai. Não, não sabeis quando será o tempo.
É como um homem que parte para longe. Ele deixa sua casa e dá autoridade a seus servos, a cada um segundo o seu trabalho. Ao porteiro ordena que vigie. Vigiai, então! Não sabeis quando vem o Adôn da casa: se ao crepúsculo, à meia noite, ao cantar do galo, ou pela manhã, para que, vindo subitamente, não vos encontre adormecidos.
Ao que vos digo, digo a todos: Vigiai!"

Material pós-marquiano
(em  alguns dos manuscritos)

O final longo (16,9-20)

9-15: Ele se ergueu de manhã, no primeiro dia após o shabat. E apareceu primeiro a Miriâm de Mágdala, de quem ele havia expulsado sete demônios. Ela vai e anuncia àqueles que, tendo estado com ele, se enlutavam e choravam. Quando ouvem que ele vive e que lhe apareceu, não aderem.
Depois disso, a dois dentre eles que andavam, indo para o campo, ele se torna visível, sob outra forma. Aqueles se vão, e o anunciam aos outros, Àqueles dois também não aderem.
Mais tarde, ele se torna visível aos Onze, quando estavam na mesa. Censura-lhes a não-adesão, a esclerose  de seus corações: não, àqueles que o haviam visto despertado, eles não aderiram.
15-20: Ele lhes diz: "Ide por todo o universo. Proclamai o anúncio a toda a criação. Aquele que aderir e for imerso será salvo. Mas aquele que não aderir será condenado.
Eis os sinais que acompanharão aqueles que aderem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; segurarão serpentes em suas mãos. Se ingerirem veneno, não lhes fará mal. Imporão suas mãos sobre os inválidos, e eles ficarão curados."
Então, após lhes haver falado, o Adôn Yéshoua' é elevado ao céu, ele está sentado à direita de Elohîm.
Eles saem e proclamam em todos os lugares. YHVH(Adonaï) age com eles, confirmando a palavra através de sinais que os acompanham.

O final longo de Marcos vem substituindo, no decorrer do tempo

O final curto

que se encontra também em alguns poucos manuscritos (tradução minha do texto em Nestle/Aland, NOVUM TESTAMENTUM GRAECE, 24a. Edição, Stuttgart 1960, página 187):

Tudo o anunciado informaram, sem rodeios, àqueles em redor de Petros.
Depois disso, o próprio Jesus, do levante e até o poente, enviou através deles o santo e imperecível anúncio da eterna salvação.


 
 

Pedro von Werden, SJ

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