Camadas de tradição nos evangelhos
sinópticos
Os trechos copiados dos evangelhos sinópticos
encontram-se
selecionados:
- da camada aramáico-judaica da fonte Q em: Edward
Schillebeeks, JESUS, deutsch bei Herder 1975, S. 625, Anm. 28 =
Schulz, Q-Quelle 55 - 176;
- da 2.a fase da fonte Q, heleno-judaica em:
Schillebeeks,
op. cit. S. 367f;
- do material pré-marquiano em: Pesch, Das
Markusevangelium, I. Teil(1,1-8,26), Herder 1976, S.
67 e II. Teil(8,27-16,20), 1980, S. 1f.
A tradução dos textos bíblicos é a
francesa
de André Chouraqui traduzida ao português por Leneide e
Leila Duarte, (Coleção Bereshit, IMAGO EDITORA LTDA, Rua
Santos Rodrigues,201-A - Estácio, 20250-430 - Rio de Janeiro
-RJ), com algumas modificações de grafia nas
transcrições das palavras hebráicas: Transcrevi a
letra tsadé por ts e a letra yod-consoante por y; não
acrescentei - como o faz Chouraqui - um s nas desinências de
plural hebráicas -ot e -îm.
INDICE
A fonte Q
em Mateus
em Lucas
em Mateus
em Lucas
Marcos
Galiléia ...
... Jerusalém
Galiléia ...
... Jerusalém
O final longo (16, 9-20)
O final curto
Cuiabá, 2 de
fevereiro de 2008
Pedro von Werden SJ
A fonte Q
A camada
aramáico-judaica na fonte Q
em Mateus
5,3-4: Em marcha, humilhados do
sopro! Sim deles é o reino dos
céus!
6: Em marcha, famintos e os sedentos de justiça!
Sim,
eles
serão saciados!
18: Amèn, sim, eu vos digo: enquanto os céus
e a
terra
passarem, nem um yod nem um sinal da Torá passará antes
que tudo se cumpra.
32: Mas eu vos digo: quem repudia sua mulher, salvo a
propósito
de sexo, lhe faz cometer adultério. Quem desposa uma repudiada
também adultera.
39-42: Ora, eu vos digo: não vos oponhais ao
criminoso.
Mas a
quem te esbofeteia a face direita, oferece a outra face. A quem quer te
fazer julgar e te tomar a túnica, deixa-lhe também a
capa. Quem te requisita para uma milha, caminha duas com ele.
Dá a quem te pede; não evites quem quer te pedir
emprestado.
44-48: Ora, eu vos digo: amai vossos inimigos, orai por
vossos
perseguidores, para vos tornardes filhos de vosso pai dos céus:
sim, ele faz levantar seu sol sobre os bons e os criminosos, e chover
sobre os justos e sobre os injustos. Sim, se vós amais vossos
amigos, que recompensa tereis? Até mesmo os coletores não
fazem o mesmo? Assim sede íntegros como o vosso pai dos
céus é íntegro.
6,9-13: Então orareis assim: <Pai nosso dos
céus, teu
nome se consagra, teu reino vem, tua vontade se faz, como nos
céus na terra também. Dai-nos hoje nossa parte de
pão. Perdoa-nos nossas dívidas, uma vez que nós
perdoamos a nossos devedores. Não nos faças entrar em
provação, mas livra-nos do crime.>
19-22: Não acumuleis tesouros na terra, onde verme
e
traça os decompõem, onde ladrões penetram e
roubam. Mas acumulai tesouros nos céus, que nem verme nem
traça decompõem, que ladrões não penetram
nem roubam. Sim, onde está o teu tesouro, também
está o teu coração.
A lâmpada do corpo é o olho. Se teu olho está
intato, todo o teu corpo é luminoso.
25-33: Por isso vos digo: não vos inquieteis por
vossas
vidas:
<Que beber, que comer?> Nem por vosso corpo: <De que
vesti-lo?> O ser não é mais que o alimento, e o corpo
mais que a vestimenta? Olhai as aves do céu: elas não
semeiam, não ceifam, nem armazenam em celeiros. Mas vosso pai
dos céus as alimenta. Não sois vós muito mais
preciosos que elas?
Qual de vós pode, com sua ansiedade, acrescentar à sua
altura um único côvado? Por que vos inquietardes com a
vestimenta? Observai as açucenas dos campos, como elas crescem
sem se cansar nem fiar. Ora, eu vos digo: nem mesmo Shelomo em toda a
sua glória se vestia como uma delas. Se Elohîm veste
também a erva dos campos, que existe hoje e amanhã
será jogada ao forno, quanto mais vós mesmos,
anões da adesão!
Por isso não vos inquieteis dizendo: <O que comeremos?> ou
<O que beberemos?> ou <Como nos vestiremos?> Sim, de tudo
os goîm estão à procura; ora, ele sabe, vosso pai
dos céus, que vós tendes necessidade de tudo isso. Mas
procurai primeiro o reino de Elohîm e sua justiça! Tudo
isto vos será acrescentado.
7,1-5: Não julgueis, para que não sejais
julgados.
Sim,
com o julgamento que vós julgardes sereis julgados; a medida com
que vós medirdes, será medida para vós.
Tu reparas o argueiro no olho do teu irmão; mas a trave no teu
próprio olho, não a vês! Como dizes ao teu
irmão: <Deixa-me retirar o argueiro do teu olho>, quando
tu mesmo tens uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave
do teu olho; após o que, tu verás claramente para retirar
o argueiro do olho do teu irmão.
11: Se vós, que sois criminosos, sabeis dar bons
presentes a
vossos filhos, quanto mais vosso pai dos céus dará coisas
boas àqueles que lhe pedem!
Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o
vós mesmos a eles: sim, eis a Torá e os Inspirados.
10,28-33: Não temais os que matam o corpo que
não
podem
matar o ser, mas temei quem pode perder o corpo e o ser na Geena.
Dois pardais não são vendidos por um asse? Contudo,
nenhum deles é abatido sem a vontade de vosso pai. E vós,
até mesmos os cabelos de vossa cabeça são todos
contados. Por isso não temais: vós sois mais preciosos
que uma multidão de pardais.
Sim, quem se declarar por mim diante dos homens, eu me declarei por
ele, também, diante de meu pai dos céus. E quem me
renegar diante dos homens, eu o renegarei, também, diante de meu
pai nos céus.
23,4: Eles fazem cargas pesadas e as impõem sobre
os
ombros dos
homens; mas eles próprios não querem movê-las com
seu dedo.
6-7a: Eles gostam do melhor lugar nos jantares, do
primeiro
assento nas
sinagogas, das saudações nos mercados.
13: Oïe, vós, Soferîm e Peroushîm!
Hipócritas! Vós fechais o reino dos céus diante
dos homens; sim, vós mesmos não entrais lá; e
aqueles que entram, vós não os deixais entrar.
23: Oïe, vós, Sopherîm e
Peroushîm!
Hipócritas! Vós cobrais o dízimo da menta, do
funcho e do cominho; mas vós esqueceis o mais grave da
Torá: a justiça, a misericórdia, a adesão.
È preciso fazer isto, sem esquecer aquilo.
25: Oïe, vós, Soferîm e Peroushîm!
Hipócritas! Vós purificais o exterior do copo e do prato,
mas o interior está cheio de rapina, de voracidade.
29-31: Oïe, vós, Sopherîm e
Peroushîm!
Hipócritas! Vós construís os túmulos dos
inspirados, e enfeitais o sepulcro dos justos; e vós dizeis:
<Se estivéssemos nos dias de nossos pais, não
derramaríamos com eles o sangue dos inspirados.>... Assim,
testemunhais contra vós mesmos de que sois os filhos de
assassinos de inspirados.
em Lucas
6,20b-21: "Em marcha, os humilhados! Sim, ele é
vosso,
o reino
de Elohîm!
Em marcha, os famintos de agora!” Sim, vós sereis saciados! “Em
marcha, os que choram agora! Sim, vós rireis.”
27-38: Mas, vós ouvintes, eu vos digo: Amai vossos
inimigos,
fazei o bem aos que vos odeiam! Abençoai os que vos
amaldiçoam, orai por vossos detratores! A quem te bate em uma
face, estende-lhe a outra também. Ao que toma teu manto,
não recuses também a túnica.
A todo pedinte, dá! Ao que leva teu bem, nada reclames!
Como quereis que os homens façam convosco, fazei-lhes da mesma
forma.
Se amais vossos amigos, qual é vosso bem-querer? Mesmo os
faltosos amam seus amigos!
E se fazeis o bem àqueles que vos fazem bem, qual é o
vosso bem-querer? Mesmo os faltosos agem assim. Se emprestais
àqueles de quem esperais receber, qual é vosso
bem-querer? Mesmo os faltosos emprestam a faltosos para receber o
equivalente! Assim, amai vossos inimigos, fazei o bem, emprestai sem
nada receber de volta. Vosso salário será grande e sereis
o filho de ‘Éliôn, do Supremo, ele que é bom com os
ingratos e também com os criminosos. Sede matriciais, como vosso
pai é matricial!
Não julgueis, e não sereis julgados. Não
condenais, e não sereis condenados. Absolvei: sereis absolvidos.
Daí: ser-vos-á dada uma bela medida, abundante, bem
cheia, trasbordante, que será dada em vosso seio. Sim, a medida
com que medis, serve para medir-vos.
41-42: Vês o cisco no olho de teu irmão, mas
a
trave, em
teu próprio olho, não a consideras! Como podes dizer a
teu irmão: <Irmão, deixa-me retirar o cisco que
está em teu olho> quando não vês a trave em teu
olho? Hipócrita! Retira primeiro a trave do teu olho! Depois
disso, verás claramente para retirar o cisco do olho de teu
irmão.
11,1-4: E assim, num lugar onde está, ele ora.
Quando terminou, um dos seus adeptos diz-lhe: “Adôn, ensina-nos a
orar como Yohanân também ensinou a seus adeptos.” Ele lhes
diz: “Quando orardes, dizei: <Pai, teu nome se consagra; teu reinado
vem. Dá-nos a cada dia nossa parte de pão! Que nossas
faltas sejam remidas, já que nós também remimos a
todos os nossos devedores. E não nos faças penetrar em
prova!”>
9-13: E eu vos digo: Pedi, e vos será dado. Buscai
e
achareis.
Batei, e vos será aberto. Sim todo aquele que pede, recebe; todo
aquele que procura, acha; a todo aquele que bate, abrir-se-á.
Qual o pai dentre vós a quem seu filho pede um peixe
dá-lhe, em vez de peixe, uma serpente? Ou, quando lhe pede um
ovo, dá-lhe um escorpião? Se então vós, que
sois maus, sabeis dar bons dons aos vossos filhos, quanto mais o pai
dos céus dá o sopro sagrado àqueles que lho pedem.
39: Mas o Adôn diz-lhe: “Agora, vós, os
Peroushîm, o
que está fora da taça e do prato, o purificais; mas o que
está dentro de vós está cheio de rapina e de
crimes.”
42-44: Oïe, vós, os Peroushîm, porque
dais o
dízimo da menta, da arruda e de todo o legume; mas passais ao
largo da justiça e do amor de Elohîm! É preciso
fazer isto, sem negligenciar aquilo!
Oïe, vós, porque sois como sepulcros que nada sinaliza, e
por onde os homens andam sem sabê-lo!
46-48: Vós também, instrutores da
Torá,
oïe!
Porque vós sobrecarregais os homens com cargas difíceis
de suportar; mas vós mesmos, não tocais nessas cargas,
com um único dedo sequer!
Oïe, vós, porque construís os sepulcros dos
inspirados que vossos pais mataram! Assim sois testemunhas, aprovais as
obras de vossos pais: eles mataram; vós construís!
52: Oïe, vós, instrutores da Torá,
porque
tomastes a
chave do conhecimento! Não entrais nele; e aqueles que entram,
vós os impedis!
12,4-9: E eu vos digo, a vós, meus amigos:
Não
estremeçais diante daqueles que matam o corpo! Depois disso,
eles não têm mais nada a fazer.
Mas eu vos previno diante de quem estremecer: estremecei diante de
quem, após haver matado, tem o poder de lançar na Geena.
Sim, eu vos digo, diante desse estremecei!
Cinco pardais não são vendidos por dois soldos? No
entanto, nenhum deles é esquecido diante de Elohîm. Mas
até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos
contados. Não estremeçais! Sois superiores a muitos
pardais!
Eu vos digo: aquele que se declara por mim diante dos homens, o filho
do homem se declara também por ele, diante dos mensageiros de
Elohîm. E quem me renega diante dos homens será renegado
diante dos mensageiros de Elohîm.
22-31: Ele diz a seus adeptos: Por isso eu vos digo:
Não
vos
inquieteis pelo ser: o que comer? Nem pelo corpo: de que vesti-lo? O
ser é mais que o alimento e o corpo, mais que a vestimenta.
Observai os corvos: eles não semeiam nem colhem, não
têm despensa, nem celeiro, mas Elohîm os alimenta. Oh! Como
sois superiores às aves!
Qual dentre vós pode, por força de inquietar, acrescentar
um côvado a sua estatura? Se fordes impotentes para agir com o
pouco, por que, então, inquietar-vos com o resto? Observai os
lírios e seu crescimento: eles não fiam nem tecem. Ora,
eu vos digo: mesmo Shelomo em toda a sua glória não se
vestia como um deles. Se Elohîm veste assim a erva dos campos,
que existe hoje e será lançada ao forno amanhã,
quanto mais não fará ele por vós, anões da
adesão!
Vós também não procureis: <o que comer? o que
beber?> Não vos preocupeis com isso. Sim, de tudo isso os
goïm do universo estão em busca; mas vosso pai conhece
aquilo de que tendes necessidade. Assim também, procurai seu
reino, e isso vos será acrescentado.
33-34: Vendei vossos bens, dai-os generosamente. Fazei
para
vós
bolsas que não se desgastam, um tesouro que não falta,
nos céus, do qual o ladrão não se aproxima, que a
traça não consome. Sim, onde está o vosso tesouro,
lá também está o vosso coração.
A
2ª fase
da fonte Q,
heleno-judáica
em Mateus
7,21-22: "Todos os que dizem: <Adonaï!
Adonaï!>
não entram no reino dos céus, mas somente aquele que faz
a vontade de meu pai dos céus.
Muitos me dirão neste dia: <Adôn, Adôn!
Não foi em teu nome que nós fomos inspirados, em teu nome
que expulsamos demônios, em teu nome que fizemos numerosos
prodígios?>”
8,5-13: Em sua entrada em Kephar-Nahoum, um centurião se
aproxima, lhe suplica e diz: “Adôn, eis: meu rapaz está
preso ao leito em minha casa, Ele esta paralisado e terrivelmente
atormentado.” Ele lhe diz: “Eu vou curá-lo.” O centurião
responde e diz: “Adôn, eu não mereço que entres sob
meu teto. Mas dize apenas uma palavra e meu rapaz ficará curado.
Sim, eu sou um homem submetido a uma autoridade. Tenho soldados sob meu
comando. Eu digo a um: <Vai>, e ele vai. Ao outro: <Vem>, e
ele vem; ou ao meu servo: <Faze isto>, e ele o faz”.
Yéshoua’ o escuta, se maravilha, e diz àqueles que o
seguem: “Amem, eu vos digo, em ninguém em Israel, encontrei tal
adesão.”
E eu vos digo: muitos virão do levante e do poente instalar-se
à mesa com Abraham, Yitshac e Ya’acob no reino dos céus.
Mas os filhos do reino serão jogados na treva exterior, onde
haverá pranto e ranger de dentes.”
Yéshoua’ diz ao centurião: “Vai, está cumprido
segundo tua adesão.” Naquela hora, seu rapaz está
restabelecido.
11,16-19: A quem comparar esta geração?
É
semelhante a meninos sentados nos mercados. Eles interpelam-se um ao
outro dizendo: <Nós tocamos flauta para vós, e
vós não dançastes. Cantamos
lamentações e não vos lamentastes.> Sim,
Yohanân veio. Ele não come nem bebe, e dizem: <Ele tem
um demônio.> O filho do homem vem. Ele come e bebe, e dizem:
<Eis um homem glutão e bebedor, amigo dos coletores e dos
criminosos.> Mas a sabedoria se justifica por suas obras.
27: Tudo me foi entregue por meu pai. Ninguém penetra o filho
senão o pai; e ninguém penetra o pai senão o
filho, e aquele a quem o filho quer revelá-lo
12,22-30: Apresentam-lhe um homem possuído por um
demônio,
cego e mudo. Ele o cura; o mudo fala e vê. Todas as
multidões ficam intrigadas. E dizem: “Não é este o
filho de David?”
Os Peroushîm ouvem a notícia. E dizem: “Este só
expulsa os demônios por Ba’al-Zeboul, o chefe dos
demônios.” Mas Yéshoua’ conhece suas intrigas. Ele lhes
diz: Todo reino dividido contra si próprio se destrói.
Toda cidade ou casa dividida contra ela mesma não subsiste. Se
Satã expulsa Satã, ele se divide contra si
próprio. Como então seu reino poderá subsistir?
Se eu expulso os demônios por Ba’al Zeboul, por quem então
os expulsam vossos filhos? Eles serão, portanto, vossos juizes.
Mas se eu expulso os demônios pelo sopro de Elohîm,
então o reino de Elohîm terá chegado sobre
vós.
Ou, então, como poderia um homem entrar na casa de um forte e se
apoderar de seus pertences, se primeiramente não amarrou o
forte? Só então ele rouba sua casa.
Quem não está comigo está contra. Quem não
ajunta comigo, espalha.
13,31-33: O reino dos céus é semelhante a um
grão
de mostarda que um homem pega e semeia em seu campo. Ela é a
menor de todas as sementes. Cresce e se torna maior que as plantas; e
é uma árvore de tal forma que os pássaros do
céu vêm descansar em seus galhos.
O reino dos céus é semelhante ao fermento. Uma mulher o
pega, o esconde em três medidas de farinha, até que tudo
fermente.”
24,26-28: "Se eles vos disserem: <Eis, ele está
no
deserto!>, não saiais! <Eis, está nas celas!>,
não adirais a isso!"
Sim, assim como o relâmpago sai do levante e brilha até o
poente, assim será a vinda do filho do homem.
Onde está o corpo, lá se reúnem os abutres.
37-51: Sim, tal como nos dias de Noah, assim será a
vinda
do
filho do homem. Sim, como estavam naqueles dias, antes do cataclismo
mastigando, bebendo, esposando e sendo esposadas até o dia em
que Noah entrou na caixa, não sabendo nada até a vinda do
cataclismo que os levou os todos, assim serão na vinda do filho
do homem.
Então eles estarão dois no campo; um será levado e
o outro deixado.
Elas serão duas moendo no moinho; uma será levada e a
oura deixada.
Por isso, vigiai, porque não sabeis a que hora vosso Adôn
virá.
E guardai isso: se o patrão souber em que vigília o
ladrão vem, ele vigia e não permite o arrombamento de sua
casa. É por isso que vós também deveis estar
prontos! Na hora em que vós não esperais, o filho do
homem virá.
Quem é, então, o servo fiel e prudente, que seu
Adôn encontrar assim ao chegar. Amem, eu vos digo: ele o
constituirá sobre todos os seus bens.
Mas se o mau servo disser em seu coração: <Meu
Adôn está demorando>, e se ele se puser a espancar seus
co-servos, e se ele comer e beber com os bêbados, o Adôn
deste servo virá no dia em que ele não sabe. Ele o
separará e porá sua parte com os hipócritas, onde
há prantos e ranger de dentes.
25,14-30: “Sim, é como um homem que parte do
país.
Chama
seus servos e lhes entrega seus bens. A um deles, ele dá cinco
talentos, a um outro dois, a um outro um: a cada um segundo suas
capacidades. Depois ele parte do país. Logo aquele que recebeu
cinco talentos negocia com eles e ganha mais cinco. Igualmente aquele
dos dois, ele ganha mais dois. Aquele que recebeu um só vai-se,
cave a terra, e ali esconde o dinheiro de seu Adôn. Muito tempo
depois, o Adôn desses servos volta; ele acerta suas contas com
eles. Aquele que recebera os cinco talentos se aproxima e apresenta
outros cinco talentos. Ele diz: <Adôn, tu me entregaste cinco
talentos. Eis aqui outros cinco talentos; eu os ganhei.> Seu
Adôn lhe diz: <Muito bem, servo bom e fiel; sobre muito te
colocarei. Entra no júbilo de teu Adôn!> Aquele dos
dois talentos também se aproxima e diz: <Adôn, tu me
entregaste dois talentos. Eis aqui mais dois; eu os ganhei.> Seu
Adôn lhe diz: <Muito bem, servo bom e fiel! Sobre pouco foste
fiel; Entra no júbilo de teu Adôn!> Aproxima-se
também aquele que recebeu um único talento. Ele diz:
<Adôn, eu sei que és um homem duro. Tu colhes onde
não semeaste, recolhes onde não investiste. Eu estremeci,
eu fui embora, e escondi teu talento na terra. Ei-lo, tu o tens,
toma-o!> Seu Adôn responde e lhe diz: <Servo mau,
preguiçoso! Tu sabes que colho onde não semeei, que
recolho onde não investi. Tu devias, pois, guardar meu dinheiro
com os banqueiros. E quando estivesse de volta, eu o receberia com
juros. Pegai então o talento que ele tem e dai-o àquele
que tem dez talentos. Sim, a quem tiver, lhe é dado, e tem em
abundância. Mas a quem não tiver, mesmo o que tem lhe
é tomado. Lançai este servo inútil à treva
exterior, onde há prantos e ranger de dentes!>”
em Lucas
6,46: “Por que vós me chameis: <Adôn!
Adôn!>,
e não fazeis o que eu digo?”
7,1-10: ...Ele entra em Kephar-Nahum. Ora, o servo de um
centurião está à morte e lhe é muito caro.
Ele ouve falar de Yéshoua’ e lhe envia os Anciãos dos
Yehoudîm para rogar que ele venha salvar seu servo. Eles se
dirigem a Yéshoua’, suplicam-lhe com insistência e dizem:
“Ele merece que lhe concedas isto. Sim, ele ama nossa
nação e foi ele quem nos construiu a sinagoga.”
Yéshoua’ vai com eles. E assim, quando ele não
está longe da casa, o centurião envia-lhe amigos para
dizer: ”Adôn, não canses! Não, eu não
mereço que entres sob meu teto. É por isso também
que não vim, eu mesmo, a ti. Mas diz uma palavra: meu rapaz se
estabelecerá. Sim, sou um homem submisso a uma autoridade, e
tenho soldados abaixo de mim. Digo a um: <Vai!> e ele vai; a
outro: <Vem!> e ele vem; e a meu servo: <Faze isto!> e ele
faz.” Yéshoua’ ouve e se admira dele. Vira-se em
direção à multidão que o segue e diz: “Eu
vos digo: não encontrei em Yisraël tamanha adesão.”
Os emissários voltam a casa e encontram o servo com saúde.
31-35: A quem, então, comparar os homens desta
geração? A quem eles são semelhantes? Eles
são semelhantes a meninos sentados no mercado, que se interpelam
um ao outro, dizendo: <Tocamos flauta para vós, mas
não dançastes! Cantamos lamentações, mas
não chorastes!> Sim, Yohanân, o Imersor, veio, sem
comer pão e sem beber vinho; e dizeis: <Um demônio
está nele!> O filho de homem vem, comendo e bebendo; e
dizeis: <Eis um glutão e um bebedor, amigo dos coletores e
dos faltosos.> Mas a sabedoria se justifica por todos os seus filhos.
10,22: Tudo me foi entregue por meu pai. Ninguém
sabe
quem
é o filho, senão o pai; e quem é o pai,
senão o filho, e aquele a quem o filho quer revelá-lo.
11,14-23: Ele expulsa um demônio; ele era mudo. E
assim,
quando o
demônio sai, o mudo fala.
As multidões se espanam.
Mas alguns dentre eles dizem: “É por Ba’al Zeboul, o chefe dos
demônios, que ele expulsa os demônios..” Outros, para
pô-lo à prova, procuram dele um sinal do céu. Mas
ele sabe seus pensamentos e lhes diz: “Todo reino dividido contra si
mesmo é devastado, e, casa sobre casa, desmorona. Assim como
Satâ: se está dividido contra si mesmo, como seu reino
subsiste? Porque dizeis que é por Ba’al Zeboul que expulso os
demônios. Mas se expulso os demônios por Ba’al Zeboul,
vossos filhos, por quem eles expulsam? Eles serão então
vossos juizes.
Mas se for pelo dedo de Elohîm que expulso os demônios,
então o reino de Elohîm veio até vós.
Quando o valente, bem armado, guarda sua corte, seus bens estão
em paz. Ao vir um mais forte e bater nele, tira-lhe sua armadura, na
qual confiava, e distribui seus despojos.
Quem não está comigo está contra mim; quem
não junta comigo dissipa.
12,39-40: Mas, sabei, se o patrão soubesse a que
horas o
ladrão viria, ele não o deixaria entrar em sua casa.
Vós também, estai prontos: na hora em que não
imaginais, o filho do homem virá!
42b-46: Que (servo) o Adôn põe sobre seus
empregados, para
dar-lhes a medida de trigo a tempo? Em marcha, esse servo que, ao
chegar, seu Adõn encontra agindo assim! Verdade, eu vos digo,
ele o porá sobre todos os seus bens.
Mas se esse servo diz em seu coração: <Meu Adôn
demora a vir>, e começa a bater os servos e as servas, come,
bebe e se embriaga, o Adôn desse servo virá no dia em que
ele não espera, na hora em que ele não sabe. Ele o
eliminará e porá sua parte com aqueles que não
aderem.
13,18-21: Ele diz então: “A que é semelhante
o
reino de
Elohîm? A que assemelha-lo? Ele é semelhante a um
grão de mostarda que um homem toma e joga em seu jardim. O
grão cresce e se torna uma árvore; os pássaros do
céu habitam em seus galhos.”
Ele diz ainda: “A que assemelhar o reino de Elohîm? Ele é
semelhante ao fermento. Uma mulher o toma, esconde-o em três
medidas de farinha, até que tudo seja fermentado.”
17,23-24: Eles vos dirão: <Ei-lo, lá!
Ei-lo,
aqui!>
Não vades embora! Não sigais!
Sim, como o relâmpago ilumina o céu, tal será o
filho do homem em seu dia.
26-27: Como foi nos dias de Noah, assim será nos
dias do
filho
do homem. Eles comiam, bebiam, casavam-se, davam-se em casamento,
até o dia em que Noah entrou em sua caixa. O cataclismo adveio,
e fez todos perecerem. 30: Assim será no dia do descobrimento do
filho do homem.
34-35: Eu vos digo: Naquela noite, estarão dois em
um
único leito. Um será levado e o outro deixado.
Estarão duas a moer juntas. Uma será levada e a outra
deixada.
37: Eles respondem e lhe dizem: “Onde, Adôn?” Ele lhes diz: “Onde
está o corpo, ali se reúnem os abutres.”
19,12-27: Ele diz então: Um homem de família
nobre
vai a
uma região longínqua para receber a realeza e voltar. Ele
chama dez de seus servos e lhes dá dez minas. Ele lhes diz:
<Fazei negócios até a minha chegada.> Ora, esses
cidadãos o odeiam. Enviam uma delegação
atrás dele e lhe dizem: <Não queremos que este reine
sobre nós.> E assim, quando ele volta, após haver
recebido sua realeza, manda chamar seus servos nos quais havia dado
dinheiro, para saber o que cada um havia ganho nos negócios. O
primeira chega e diz: <Adôn, tua mina rendeu dez minas.>
Ele lhe diz: <Bem servo bom! Como foste fiel no pouco, recebe o
comando de dez cidades!> O segundo vem e diz: <Adôn, tua
mina rendeu cinco minas.> Ele diz a esse também: <Tu
também, governa cinco cidades!> O outro vem e diz:
<Adôn, eis aqui: tua mina, eu a guardei bem guardada em um
pano. Sim estremeci, pois és um homem exigente. Tomas o que
não depositaste; colhes o que não semeaste.> Ele lhe
diz: <Eu te julgo segundo tua boca, servo mau! Sabes que sou um
homem exigente, que tomo o que não depositei, e colho o que
não semeei. E por que não puseste meu dinheiro no
banco? No meu retorno, eu o teria retirado com juros.> Ele diz
àqueles que se encontram lá: <Tomai-lhe a mina e dai-a
àquele que tem as dez minas.> Eles lhe dizem: <Adôn,
ele tem dez minas!> Eu vos digo, a quem tem, lhe é dado: e a
quem não tem, mesmo o que tem lhe é tomado. Entretanto,
meus inimigos, aqueles que não queriam que eu reinasse sobre
eles, trazei-os aqui e degolai-os diante de mim!”
Marcos
Material pré-marquiano
Galiléia ...
1,2-15: Como está escrito em Yesha'yahu, o
inspirado:
“Eis,
envio o meu mensageiro diante de tua face: ele aplanará o teu
caminho. Voz de quem clama no deserto: Preparei o caminho de
IHVH(Adonaï), retificai suas veredas!” É Yohanân
imergindo no deserto. Ele clama pela imersão do retorno para a
remissão das faltas. Toda a região de Yehouda sai em sua
direção, e todos de Yeroushalaîm; são por
ele imersos no rio Yardèn, confessando suas faltas.
Yohanân veste-se de pêlo de camelo, traz um cinto de couro
nos quadris, come gafanhotos e mel selvagem.
Ele clama e diz: “Vem um mais forte do que eu depois de mim;
abaixando-me, não mereço desatar o cordão de suas
sandálias. Eu vos imergi na água; ele vos emergirá
no sopro sagrado.”
E assim, naqueles dias: Yéshoua’ vem de Natsèrét
em Galil. Ele é imerso no Yardèn por Yohanân. Logo,
ao sair da água, ele vê: os céus se rasgam; sim, o
sopro desce sobre ele como uma pomba. E uma voz dos céus: “Tu
és o meu filho amado; de ti eu me agrado.”
Logo o sopro o impele para o deserto.
Ele fica quarenta dias no deserto, sendo posto à prova por
Satâ. Esta acompanhado de feras selvagens, e mensageiros o servem.
Após Yohanân ter sido entregue, Yéshoua’ vem a
Galil. Ele clama o anúncio de Elohîm. Ele diz: “O tempo
está cumprido, e está próximo o reino de
Elohîm. Retornai, aderi ao anúncio.”
21a: Chegam a Kephar-Nahum.
29-39: Logo eles saem da sinagoga e vêm à
casa de
Shim’ôn e de Andreas com Ya’acob e Yohanân. A sogra de
Shim’ôn está deitada, com febre. Logo lhe falam dela. Ele
se aproxima, desperta-a pegando-lhe a mão. A febre a deixa. Ela
os serve.
Vinda a noite, quando o sol declina, trazem-lhe todos os doentes e
endemoninhados. Toda a cidade se reúne em frente da porta. Ele
cura muitos que estão doentes, de diversas doenças. Ele
expulsa inúmeros demônios. E não os deixa falar;
sim, eles sabem quem ele é.
De madrugada, antes do fim da noite, ele se levanta, sai e vai a um
lugar deserto. Lá, ele ora.
Shim’ôn o segue com seus companheiros. Eles o encontram e lhe
dizem: “Todos te procuram.” Ele lhes diz: “ Vamos a outros lugares, nos
burgos vizinhos. Clamarei, lá também: sim, para isto eu
saí.” Ele vem e clama nas sinagogas deles, em toda a
Galil. Ele expulsa os demônios.
2,15-28: E assim, quando ele se estende à mesa, em sua casa
(de
Lévi), muitos coletores e faltosos põem-se à mesa
com Yéshoua’ e seus adeptos. Sim. São numerosos os que o
seguem.
Os Soferîm dos Peroushîm vêem: ele come com faltosos
e coletores. E dizem aos adeptos de Yéshoua’: “Vede! Ele come
com coletores e faltosos!” Yéshoua’ escuta o que dizem. E lhes
diz: “Os fortes não têm necessidade de médico, mas
sim que estão doentes. Não vim para chamar justos, mas
faltosos.”
Os adeptos de Yohanân e os Peroushîm jejuavam. Eles
vêm e dizem-lhe: “Por que os adeptos de Yohanân e os
adeptos dos Peroushîm jejuam, e teus adeptos não jejuam?”
Yéshoua’ responde-lhes: “Os filhos das bodas podem jejuar quando
o esposo está com eles? Todo o tempo em que o esposo está
com eles, não podem jejuar. Mas eis, vêm os dias em que o
esposo lhes será tirado, nesse dia, então, eles
jejuarão.
Ninguém cose um remendo de tecido não batido sobre uma
vestimenta velha, senão a peça nova força a velha,
e o rasgão fica pior. Ninguém despeja um vinho novo em
odres velhos, senão o vinho racha os odres, perde-se o vinho, e
os odres também. Mas: <Para vinho novo, odres novos>.
E assim, no shabat, ele passa pelos campos de trigo. Seus adeptos, ao
caminharem, começam a debulhar espigas. Os Peroushîm
dizem-lhe: “Vê! Por que eles fazem o que não é
permitido no shabat?” Ele lhes diz: “Não haveis nunca lido o que
fez David? Ele passava necessidade, tinha fome, e seus companheiros
também. Ele entrou na casa de Elohîm, nos dias de
Èbiatar, o sumo ministrante. E comeu o pão das faces, que
não é permitido ser comido, senão pelos
ministrantes. E ainda o deu a seus companheiros.” E lhes diz: “O shabat
é feito para o homem e não o homem para o shabat.”
3,1-12: Ele torna a entrar numa sinagoga. Lá,
há
um homem
com a mão seca. Eles o espreitam: irá ele curar no
shabat? Poderiam acusá-lo. Ele diz ao homem com a mão
seca: “Desperta! Vem para o meio!” Ele lhes pergunta: “É
permitido, no shabat, fazer o bem ou o mal, salvar um ser ou
matá-lo?” Porém eles se calam. Olhando-os ao seu redor,
ele se inflama, ferido pela dureza de seus corações. E
diz ao homem: “Estende tua mão.” Ele a estende, e sua mão
se restabelece.
Os Peroushîm saem logo; tramam com os homens de
Hèrôdes contra ele, para matá-lo.
Yéshoua’ se retira em direção ao mar com seus
adeptos. Uma grande multidão de Galil o segue. Mesmo de Yehouda,
de Yeroushalaîm, de Edóm e de além do
Yardèn, dos arredores de Tsor e Tsidon, uma grande
multidão ouve falar sobre o que ele fez e vem até ele.
Ele pede a seus adeptos que um barco fique perto, por causa da
aglomeração, para que não o empurrem. Sim,
ele fez tantas curas que caem sobre ele para tocá-lo todos os
que são molestados pelo sofrimento.
Os sopros contaminados o vêem, caem diante dele, gritam e dizem:
“Tu és bèn Elohîm.” Ele os repreende com rigor: que
eles não o tornem manifesto!
4,1-10: De novo, ele começa a ensinar na beira do
mar.
Uma
numerosa multidão se reúne perto dele, e são
tantos que ele sobe em um barquinho e, no mar, ele se assenta. A
multidão toda está em terra, ao longo do mar. Ele lhes
ensina muito através de exemplos.
Em seu ensinamento, ele lhes diz: “Ouvi! Eis: o semeador sai a semear.
E assim, quando semeia, deixa cair uma parte ao longo do caminho. Os
pássaros vêm e a comem. Outra parte cai sobre o rochedo,
sem muita terra. E logo brota por não ter terra profunda.
Porém, quando o sol nasce, ele a queima, pois, sem
raízes, ela seca. Outra cai entre espinhos. Os espinhos crescem
e a asfixiam. E não dá fruto. Outras caem em boa terra. E
dão fruto, vingam e crescem. E uma produz trinta, outra
sessenta, e outra cem.” E ele diz: “Quem tem ouvidos para ouvir,
ouça!”
E quando ele está afastado, os que estão à sua
volta com os Doze perguntam-lhe sobre os exemplos.
13-20: Ele lhes diz: “Não compreendeis este
exemplo? Como
compreendereis todos os exemplos? O semeador semeia a palavra. Assim
são os da beira do caminho onde a palavra é semeada:
quando eles a ouvem, logo vem Satâ; e retira a palavra que neles
foi semeada. Igualmente, aqueles que são semeados sobre os
rochedos. Estes, quando ouvem a palavra, logo a recebem com alegria.
Eles não têm raízes em si mesmos, são
efêmeros. Depois, quando vem a tribulação ou a
perseguição por causa da palavra, logo tropeçam.
Outros, semeados entre espinhos, ouvem a palavra. Mas a
preocupação desta era, a sedução da
riqueza, e as outras cobiças entram neles e asfixiam a palavra;
ela se torna sem fruto. Os que são semeados sobre boa terra
entendem a palavra, a acolhem e produzem fruto, um trinta, outro
sessenta e outro cem.”
26-33: Ele diz: “Assim é o reino de Elohîm:
ele
è
como um homem que joga a semente na terra. Ele adormece e desperta
noite e dia. A semente germina, cresce, ele não sabe como. A
terra, por si mesma, produz o fruto; primeiro a erva, depois a espiga,
e em seguida enche-se de trigo, a espiga. Mas quando o fruto
está maduro, logo ele envia a foice, porque é chegada a
colheita!”
Ele diz: "A que se assemelha o reino de Elohîm? Através de
que exemplo apresentá-lo? È como um grão de
mostarda: quando é semeado sobre a terra, é a menor de
todas as sementes da terra. Mas, quando ele é semeado, cresce e
torna-se maior que todas as plantas, e cria ramos tão grandes,
que as aves do céu podem repousar em sua sombra.”
Através de numerosos exemplos semelhantes ele lhes diz a
palavra, tal como eles a podem entender, e não lhes diz nada sem
exemplos.
35-39: Nesse dia, vinda a noite, ele lhes diz: “Passemos
ao
outro
lado.” Eles deixam a multidão e o levam tal como está, no
barquinho. Outros barquinhos vão com ele.
Sobrevem uma forte ventania. As ondas se lançam sobre o
barquinho a ponto de enchê-lo de água. E ele está
na popa, sobre a almofada, dormindo. Eles o despertam, dizendo: “Rabi,
tu não te importas de que pereçamos?” Ele acorda,
repreende o vento e diz ao mar: “Silêncio, cala-te!” O vento
abranda, e tudo se acalma.
41: Eles estremecem com grande tremor. E dizem, uns aos
outros:
“Quem
é, pois, este? Sim, até mesmo o vento e o mar lhe
obedecem.”
5,1-43: Eles vêm do outro lado do mar, ao
país dos
Gadariîm.
Ele sai do barquinho.
Logo saindo dos sepulcros, um homem vem ao seu encontro. Ele tem dentro
de si um sopro contaminado e habita entre as sepulturas. Ninguém
pode amarrá-lo, nem mesmo com uma corrente. Sim, muitas vezes o
haviam amarrado com travas e correntes; mas ele rompeu as correntes e
quebrou as travas. Ninguém tinha força para
dominá-lo. Todo o tempo, noite e dia, entre as sepulturas e nas
montanhas, ele fica a gritar e a se golpear com pedras. Ele vê
Yéshoua’ de longe. Corre e se prostra diante dele. Grita com voz
forte e diz: “O que há entre mim e ti, Yéshoua’
bèn Elohîm ‘Éliôn? Eu ti conjuro por
Elohîm, não me atormentes!” Sim Yéshoua’ dizia-lhe:
“Sai deste homem, sopro contaminado.” E o interroga: “Teu nome:” Ele
lhe diz: “Legião é meu nome. Sim, somos uma
multidão.” Ele lhe suplica insistentemente para não
enviá-los para fora daquela região. Ora, havia lá,
perto da montanha, uma grande manada de porcos; eles pastavam. Eles lhe
suplicam e dizem: “Lança-nos aos porcos para que entremos
neles.” Ele o permite: os sopros contaminados saem; eles entram nos
porcos. A manada se arremessa do alto do penhasco ao mar.
Aproximadamente dois mil afogaram-se no mar. Aqueles que os guardam
fogem e o anunciam na cidade e nos campos. Vêm ver: o que se
passou. Vêm em direção a Yéshoua’;
vêem o endemoninhado sentado, vestido, são de
espírito, ele, que tivera uma Legião; estremecem. As
testemunhas contam-lhes o que fora feito ao endemoninhado e aos porcos.
Começam a suplicar-lhe para ir embora da fronteira deles. E,
quando ele sobe ao barquinho, o endemoninhado suplica-lhe para
permanecer com ele. Ele não permite, mas diz-lhe: “Vai para tua
casa, para perto dos teus; anuncia-lhes tudo o que o Adôn fez por
ti, e como ele te matriciou.” Ele se vai e começa a proclamar
nas Dez Cidades o que Yéshoua’ fizera por ele. Todos ficam
admirados.
Yéshoua’ atravessa novamente a barco para o outro lado. Uma
numerosa multidão se reúne ao redor dele. Ele está
na beira do mar.
Um dos chefes da sinagoga vem até ele. Seu nome: Yaïr.
Vendo-o, ele cai a seus pés, suplica-lhe insistentemente e diz:
“Minha filhinha está morrendo, vem, impõe as mãos
sobre ela, e ela será salva, ela viverá.” Yéshoua’
vai com ele. Uma enorme multidão o segue e se comprime contra
ele.
Havia, ali, uma mulher de quem fluía sangue há doze anos,
ela sofria muito com inúmeros médicos. Gastou todos os
seus bens sem apresentar melhora. Ao contrário, piora. Ela
ouvira falar de Yéshoua’. Em meio da multidão, chega por
trás dele e toca-lhe as vestes. Ela dizia: “Sim, se eu puder
tocar-lhe ao menos as vestes, serei salva!” Logo a fonte de seu sangue
seca. Ela penetra em sua carne que está curada do mal que
a importunava. Yéshoua’ logo penetra que dele saiu poder.
Vira-se para a multidão e diz: “Quem me tocou as vestes?” Seus
adeptos dizem-lhe: “Vês, a multidão te comprime e tu
dizes: <Quem me tocou?>” Ele olha a seu redor para ver aquela que
fizera isto. A mulher freme, estremece, sabendo o que lhe aconteceu.
Ela vem, cai diante dele, e diz lhe toda a verdade. Ele lhe diz:
“Filha, tua adesão te salvou. Vai em paz! Fica sã do mal
que te importunava.”
Quando ele ainda fala, eis, vêm da casa do chefe da sinagoga e
dizem: “Tua filha está morta. Por que ainda fatigar o Rabi?” Mas
Yéshoua’ ouve as palavras pronunciadas por eles. E diz ao chefe
da sinagoga: “Não estremeças! Adere somente!” Ele
não deixa ninguém segui-lo, salvo Petros, Ya’acob e
Yohanân, irmão de Ya’acob. Eles chegam à casa do
chefe da sinagoga. Ele percebe o tumulto: choram e gritam em voz alta.
Ele entra e lhes diz: “Por que chorais? A criança não
está morta, mas dorme.” Zombam dele. Mas ele os põe para
fora. Toma o pai da criança, a mãe, os que estão
com ele, e entra onde a criança está. Pega a mão
da criança e lhe diz: “Tali taqoumi!”, que se traduz por:
"Filha, eu te digo: desperta!" Logo a menina se levanta e anda. Sim,
ela tem doze anos. Eles ficam fora de si. Ele lhes ordena
insistentemente que ninguém saiba disto. Diz para darem a ela
algo para comer e sai.
6,32-56: Eles vão embora de barquinho à procura de um
lugar isolado, à parte. Muitos os vêem partir. E os
reconhecem. Então acorrem até lá, a pé, de
todas as cidades, e chegam antes deles.
Ao sair, ele vê uma imensa multidão. Tem compaixão
deles, porque são como ovinos sem pastor. E começa a lhes
ensinar muito.
A hora já está avançada., seus adeptos se
aproximam e lhe dizem: “O lugar é deserto e a hora está
avançada. Despede-os; eles irão às aldeias e
fazendas vizinhas para comprar alguma coisa para comer.” Ele responde e
lhes diz: “Dai-lhes vós mesmos o que comer.” Eles lhe dizem:
“Iríamos nós comprar duzentos denários de
pão para lhes dar de comer?” E ele diz: “Quantos pães
tendes convosco? Ide ver.” Eles verificam e dizem: “Cinco, e dois
peixes.” Ele lhes ordena que se instalem todos em grupos, sobre a relva
verde. Eles deitam no chão, em fileiras de cem e de
cinqüenta. Ele toma os cinco pães e os peixes. Eleva o
olhar para o céu, abençoa e divide os pães. Ele os
dá a seus adeptos para lhes servir. Depois reparte entre todos
os dois peixes. Todos comem e se saciam. Eles recolhem as
porções: doze cestas cheias, e peixes. Os que haviam
comido os pães eram cinco mil homens.
Logo ele obriga seus adeptos a subirem no barquinho e irem à sua
frente, para o outro lado, a Béit-Tsaïda, enquanto ele
despede a multidão. Ele se separa deles e vai à montanha
para orar.
Vinda a noite, o barquinho está no meio do mar, e ele, sozinho,
em terra. Ele os vê atormentados a remar: sim, o vento lhes era
contrário. Por volta da quarta vigília da noite, vem em
direção a eles andando sobre o mar. Quer
ultrapassá-los. Mas eles, vendo-o andar sobre o mar, pensam:
"É um fantasma!" e vociferam. Sim todos o perceberam e se
perturbam. Mas logo ele lhes fala e diz: “Coragem! Eu sou. Não
tremais.” Sobe para junto deles no barquinho. O vento se acalma.
Estão muito espantados, estupefatos ao extremo em si mesmos.
Não, eles não haviam compreendido sobre os pães;
seus corações estão endurecidos.
Eles fazem a travessia, chegam à terra em Genesaré e
aí desembarcam. Ao sair do barquinho, ele é logo
reconhecido.
Eles percorrem toda esta região. Começam a trazer-lhe
sobre catres os que estão doentes, até onde ouvem dizer
que ele está. Onde quer que ele chegue, aldeias, cidades ou
campos, nos mercados, trazem-lhe os enfermos e suplicam-lhe para apenas
lhes deixar tocar os tsitsit de suas vestes. Todos os que o tocam
são salvos.
... Jerusalém
8,27-33: Yéshoua’ e seus adeptos saem para as
aldeias
de
Caesarea Philippos. Na estrada ele interroga seus adeptos. Diz-lhes:
“Quem dizem os homens que eu sou?” Eles declaram-lhe: “Alguns dizem:
Yohanân, o Imersor. Outros: Éliyahou. E outros: Um dos
inspirados.” Ele os interroga: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Petros responde e lhe diz: “Tu és o messias.” Ele os repreende:
que não falem sobre ele a ninguém.
Começa a ensinar-lhes: o filho do homem deve sofrer muito, ser
rejeitado pelos Anciãos, pelos chefes dos ministrantes, os
Soferîm, ser morto e, após três dias, levantar-se.
Petros o toma à parte e começa a repreendê-lo. Mas
ele se volta e, vendo seus adeptos, repreende Petros. Ele diz: “Fica
para trás de mim, Satã! Sim, tu não pensas os
pensamentos de Elohîm, mas os dos homens.”
9,2-13: Seis dias depois, Yéshoua’ toma Petros,
Ya’acob e
Yohanân e os faz subir uma alta montanha à parte,
sozinhos. Ele se metamorfoseia diante deles. Suas vestes tornam-se
resplandecentes, muito brancas, tal como nenhum lavadeiro na terra
poderia clarear. Apareceu-lhes Éliyahou, com Moshè; eles
falam com Yéshoua’. Petros responde. Ele diz a Yéshoua’:
“Rabi, é bom que estejamos aqui. Façamos, então
três tendas: uma para ti, uma para Moshè, uma para
Éliyahou.” Não, ele não sabe o que dizer;
estremecem fortemente.
E assim, uma nuvem os cobre com sua sombra. E assim, vinda da nuvem,
uma voz diz: “Eis o meu filho, meu amado: ouvi-o” E, repentinamente,
olham ao seu redor; não vêem mais ninguém, a
não ser Yéshoua’, sozinho, com eles.
Eles descem da montanha. Ele recomenda-lhes que não contem a
ninguém o que viram, até que o filho do homem se levante
dentre os mortos.
Eles cumprem a recomendação, mas discutem, entre si: "O
que significa levantar-se dentre os mortos?"
Eles questionam e dizem: “Por que os Soferîm falam que primeiro
deve vir Éliyahou?” Ele lhes declara: “Seguramente, primeiro
virá Éliyahou e restaurará tudo. E como
está escrito sobre o filho do homem, que sofrerá muito e
o desprezarão? Mas eu vos digo: Éliyahou veio e o
trataram como quiseram, como está escrito sobre ele.”
30-35: E saindo de lá, atravessam a Galil. Ele
não
quer
que ninguém saiba o que fez. Sim, ele ensina a seus adeptos. E
lhes diz: “O filho do homem será entregue nas mãos dos
homens. Eles o matarão e, morto, após três dias,
ele se levantará.” Porém eles não entendem as
palavras. E tremem diante de interrogá-lo.
Eles vêm a Kephar-Nahum. Em casa, ele os interroga: “Em que
rumináveis, durante o caminho?” Eles se calam. Sim, no caminho,
haviam discutido uns com os outros sobre 'quem é o maior?' Ele
senta-se, chama os Doze e lhes diz: “Quem quer ser o primeiro, que
seja, de todos, o último, e, de todos, o servo.”
10,1-12: Ele se levanta e vai dali à fronteira de Yehouda e
além do Yardèn.
Multidões, novamente, vão com ele; e novamente, segundo o
seu costume, ele lhes ensina.
Peroushîm aproximam-se e o interrogam: “É permitido a um
homem repudiar uma mulher?” Eles querem pô-lo à prova. Ele
responde e lhes diz: “O que vos prescreveu Moshè?” eles dizem:
“Moshè permitiu escrever um ato de ruptura e repudiar.”
Yéshoua’ lhes diz: “Foi por causa da esclerose de vossos
corações que vos escreveu essa mitsva. Mas, no
princípio, quando da criação: Macho e fêmea,
ele os criou. Por isso, o homem abandona seu pai e sua mãe; e
são, os dois, uma só carne. Portanto, o que Elohîm
uniu, que um homem não separe.”
Em casa, novamente, seus adeptos interrogam-no sobre esse fato. Ele
lhes diz: “Quem repudia sua mulher e desposa outra, adultera com esta
última. E se ela repudia seu marido e esposa outro, ela
própria adultera.”
17-27: Ele parte pela estrada. Eis acorre um homem, cai de
joelhos
diante dele e o interroga: “Bom rabi, que farei para herdar a vida em
perenidade?” Yéshoua’ lhe diz: “Por que me chamas bom?
Ninguém é bom senão um: Elohîm. Sabes as
mitsvot: Não mates, não adulteres, não roubes,
não respondas em testemunho de mentira, não fraudes,
glorifica teu pai e tua mãe.” Ele lhe diz: “Rabi, tudo isso
observo desde a minha juventude.” Yéshoua’ olha-o fixamente,
ama-o e lhe diz: “Estás em falta somente nisto: vai, vende o que
o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no
céu. Em seguida, vem, e segue-me.” Mas, ao ouvir essas palavras,
fica pesaroso. Ele vai, entristecido: sim, ele possui muitas
propriedades.
Yéshoua’ olha ao redor e diz a seus adeptos: “Como é
difícil a quem tem riquezas entrar no reino de Elohîm!”
Seus adeptos ficam assustados com suas palavras. Yéshoua’
responde-lhes novamente e diz: “Filhos, como é difícil
entrar no reino de Elohîm! É mais fácil um camelo
passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de
Elohîm.”
Mas eles ficam extremamente impressionados e dizem uns aos outros: "E
quem pode ser salvo?" Yéshoua’ os fixa e diz: "Aos homens,
impossível, mas não a Elohîm: sim tudo é
possível a Elohîm."
32-52: Agora estão na estrada; sobem a
Yeroushalaîm.
Yéshoua’ vai diante deles. Estão temerosos, e os que o
seguem estremecem.
Ele toma novamente os Doze consigo. Começa a lhes dizer o que
lhe vai acontecer: “Eis, subimos para Yeroushalaîm. O filho do
homem será entregue aos chefes dos ministrantes e aos
Soferîm: eles o condenarão à morte, eles o
entregarão aos goîm. Eles o escarnecerão,
cuspirão nele, o açoitarão e o matarão. Em
seguida, após três dias, ele se levantará.”
Ya’acob e Yohanân, os dois Bèn Zabdi, aproximam-se e lhe
dizem: “Rabi, queremos que qualquer coisa que te peçamos, tu o
faças por nós.” Ele lhes diz: “Que quereis que eu vos
faça? “ Eles responderam: “Dá que nos sentemos, um
à tua direita, outro à tua esquerda, na tua
glória.” Yéshoua’ lhes diz: “Não sabeis o que
pedis. Podeis beber o cálice que eu bebo, ou ser imerso na
imersão onde vou ser imerso?” Eles lhe dizem: “Nós
podemos.” Yéshoua’ lhes diz: “O cálice que eu bebo,
bebereis; na imersão onde serei imerso, sereis imersos. Quanto a
sentardes à minha direita ou esquerda, não cabe a mim
fazê-lo, mas... para quem isso está preparado.”
Os dez ouvem e começam a se irritar com Ya’acob e Yohanân.
Yéshoua’ os chama e diz-lhes: “Vós sabeis: sim, os que
são tidos por governadores dos goîm os dominam, e os seus
principais exercem, do alto, sua autoridade sobre eles. Não
assim convosco. Sim, aquele dentre vós que quiser tornar-se
grande deve ser o vosso servo. Aquele dentre vós que quiser ser
o primeiro deve ser o servo de todos. Sim, mesmo o filho do homem
não veio para ser servido, mas para servir, e dar seu ser como
resgate para muitos.”
Eles vêm para Yeriho.
Quando ele sai de Yeriho com seus adeptos e uma numerosa
multidão, eis, o filho de Timaï, um cego, está
sentado perto da estrada e mendiga. Ele ouve dizer que é
Yéshoua’, o Nazareno. Põe-se a gritar e a dizer:
“Bèn David, matricia-me!” Muitos os repreendem para que se cale,
ele grita mais forte ainda: “Bèn David, matricia-me!”
Yéshoua’ pára e diz: “Chamai-o” Chamam o cego e lhe
dizem: “Ânimo! Desperta! Ele te chama.” Ele tira fora suas vestes
e, num salto, vem até Yéshoua’. Yéshoua’ lhe
responde e diz: “Que queres que eu ti faça?” O cego lhe diz:
“Rabbouni! Que eu veja!” Yéshoua’ diz-lhe: “Vai! Tua
adesão te salvou!” Logo ele enxerga e segue-o na estrada.
11,1-23: Quando se aproximam de Yeroushalaîm, de
Bèit-Paguéi e de Béit-Hananyah, próximo ao
monte de oliveiras, ele envia dois de seus adeptos, dizendo-lhes: “Ide
à aldeia à vossa frente. Logo ao chegar lá,
encontrareis um jumentinho amarrado, no qual nenhum homem montou.
Desamarrai-o e trazei-o. Se alguém vos disser: <Por que
fazeis isto?> Direis: <O Adôn precisa dele. Logo ele o
mandará de volta até aqui.>” Eles se vão e
encontram um jumentinho amarrado, perto de uma porta, do lado de fora,
na encruzilhada. Eles o desamarram. Alguns dos que estão
lá por perto lhes dizem: “Que fazeis? Desamarrais o jumentinho.”
Eles respondem-lhes como Yéshoua’ lhes dissera; e os deixam ir.
Trazem o jumentinho até Yéshoua’. Jogam sobre ele suas
vestes; Yéshoua’ monta nele. Muitos estendem suas vestimentas
pelo caminho; outros, ramos que cortaram nos campos. Os que vão
adiante e os que seguem gritam: “Hosha’na - Salva, então! -
É bendito o que vem em nome de YHVH(Adonaï), e bendito o
reino que vem de David, nosso pai! Hosha’na nas alturas!”
Ele entra em Yeroushalaîm, no santuário; e olha a seu
redor. É tarde, agora. Ele sai para Béit-Hananyah, com os
Doze.
E assim, no dia seguinte: eles saem de Béit-Hananyah. Ele tem
fome. De longe, ele vê uma figueira com folhas. Aproxima-se;
lá, talvez encontrará algo? Aproxima-se mais e não
encontra senão folhas: não era tempo de figos. Ele
responde e lhes diz: “Ninguém, jamais, em perenidade,
comerá fruto de ti.” Seus adeptos o escutam.
Eles chegam a Yeroushalaîm; ele entra no santuário. E
começa a colocar os vendedores e compradores para fora do
santuário. Derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos
vendedores de pombas. Ele não deixa ninguém transportar
utensílios pelo santuário. Ele os ensina e diz:
“Não está escrito: Minha casa é chamada casa de
oração para todos os goyîm? Mas fizestes dela um
covil de bandidos.” Os chefes dos ministrantes e os Soferîm o
escutam. Eles buscam uma maneira de matá-lo mas tremem diante
dele: sim, toda a multidão está impressionada com seu
ensinamento.
E quando entardece, eles saem da cidade.
Ao passar, de manhã, vêem a figueira seca, desde as
raízes. Petros se lembra e lhe diz: “Rabi! Vê! A figueira
que amaldiçoaste secou.” Yéshoua’ responde e lhe diz:
“Aderi a Elohîm. Amèm, eu vos digo: aquele que disser a
esta montanha: ‘Levanta-te e lança-te ao mar’, sem ter
dúvida no coração, mas aderindo, crendo que o que
disser vai se realizar, assim será para ele.
27-33: Eles regressam a Yeroushalaîm; ele anda pelo
santuário.
Os chefes dos ministrantes, os Soferîm e os Anciãos
vêm até ele e dizem-lhe: “Com que autoridade fazes isto?
Quem te deu essa autoridade para fazer isto?” Yéshoua’ lhes diz:
“Eu também vos interrogarei: uma única palavra.
Respondei-me, e vos direi com que autoridade faço isto: A
imersão de Yohanan, era ela do céu ou dos homens?
Respondei-me.” Eles ruminam entre si e dizem: “Se nós dissermos:
<Do céu>, ele dirá: <Por que então
não aderistes a ele?> Mas se dissermos: <Dos homens?>”
Eles tremem diante da multidão. Sim, todos acreditam que Yohanan
era realmente um inspirado. Eles respondem a Yéshoua’ e dizem:
“Não sabemos.” Yéshoua’ lhes diz: “Eu também
não vos direi com que autoridade faço isso.”
12,1-17: Ele começa a falar-lhes através de
exemplos: “Um
homem plantou uma vinha. E ao seu redor ergue uma cerca, cava um lagar
e constrói uma torre. Arrenda a vinhateiros e parte para longe.
Vindo o tempo, ele envia um servo até os vinhateiros, para deles
receber os frutos da vinha. Eles o agarram, espancam-no e o despacham,
sem nada. Envia-lhes, novamente, um outro servo. E a esse também
ferem a cabeça e o insultam. E envia ainda outro: a uns,
espancam, a outros, matam. Resta ainda um: seu filho amado. Esse,
envia-lhes por último. E diz: <Respeitarão meu
filho.> Mas os vinhateiros dizem entre si: <É o herdeiro!
Vamos, matemo-lo! A herança será nossa!> Agarram-no,
matam-no e o lançam para fora da vinha. O que fará o
Adôn da vinha? Virá, fará perecerem os vinhateiros,
e daria a outros a vinha. Não haveis lido este escrito: <A
desprezada pelos construtores tornou-se pedra angular: Isto é de
YHVH(Adonaï), é maravilha a nossos olhos.>?"
Procuram prendê-lo, mas tremem diante da multidão. Sim,
sabem que ele deu este exemplo pensando neles. Deixam-no e vão
embora.
Enviam-lhe alguns Peroushîm e homens de Herôdes, para
pegá-lo com alguma palavra. Eles vêm e lhe dizem: Rabi,
sabemos que tu és verdadeiro; não te intrometes com
ninguém. Não levas em conta as faces dos homens, mas
ensinas, conforme a verdade, o caminho de Elohîm. È
permitido pagar imposto a César, ou não? Pagar ou
não pagar?” Mas ele penetra a sua hipocrisia e lhes diz: “Por
que me pondes a prova? Trazei-me um denário, para eu ver.”
Trazem-lhe. Ele diz: “De quem é esta efígie: E esta
inscrição?” Dizem-lhe: “De César.” Yéshoua’
diz-lhes: “O que é de César, dai a César; e o que
é de Elohîm, a Elohîm.” Ficam intrigados com ele.
34c-37: E ninguém ousa interrogá-lo mais.
Yéshoua’ ensina no santuário. Ele responde e diz: “Como
os Soferîm dizem que o messias é filho de David? David
disse no sopro sagrado: <Discurso de YHVH(Adonaï) a meu
Adôn: Senta-te à minha direita, até que eu ponha
teus inimigos sob teus pés.> O próprio David diz:
<Adôn>, como é ele seu filho?” Uma numerosa
multidão ouve suas palavras com alegria.
41-44: Ele se assenta diante do tesouro, e observa a
multidão
lançar moedas no tesouro. Muitos ricos lançam muitas. Uma
viúva, pobre, vem e lança dois centavos: sim, um quarto
de soldo. Ele chama os discípulos e lhes diz: “Amèm, eu
vos digo: esta viúva que é pobre lançou no tesouro
mais do que todos os que lançaram. Sim, todos lançaram de
sua abundância; mas ela, em sua penúria, lançou
tudo o que possuía, toda a sua vida.”
13,1-2: À saída do santuário,
um de
seus
adeptos lhe diz: “Rabi, olha! Que pedras! Que edifícios!”
Yéshoua’ lhe diz: “Vês estes grandes edifícios?
Não será deixada aqui pedra sobre pedra que não
seja destruída.”
14,1-72: Ora, será Péçah e os
Ázimos
dentre
de dois dias.
Os chefes dos ministrantes e os Sofherîm procuram uma forma de
prendê-lo com um ardil e mandá-lo à morte. Dizem:
“Não durante a festa, para que não haja desordem no meio
do povo.”
Ele está em Béit-Hananyah, na casa de Shim’ôn, o
leproso, estendido à mesa. Vem uma mulher. Ela tem um vaso de
alabastro com um perfume de nardo puro, muito caro. Quebra o vaso e
derrama-o sobre a cabeça de Yéshoua’. Então,
alguns se irritam com aquele gesto: “Por que desperdiçar este
perfume? Sim, este perfume podia ser vendido por mais de trezentos
denários para dar aos pobres.” E eles a tratam mal. Mas
Yéshoua’ diz: “Deixai-a! Por que importuná-la? Ela teve
um bonito gesto para comigo. Sim, os pobres tereis sempre convosco; e
quando quiserdes, podereis fazer-lhes o bem. Eu, porém,
não me tereis para sempre. O que ela tinha, usou. Agiu
antecipadamente, e perfumou meu corpo para o sepultamento. Amèm,
eu vos digo: Onde quer que o anúncio venha a ser proclamado, em
todo o universo, o que esta mulher fez será contado,
também em sua memória.”
Yehouda, o homem de Qériot, um dos Doze, vai ao encontro dos
chefes dos ministrantes para entregá-lo. Eles o ouvem, se
alegram, e prometem dar-lhe dinheiro. Ele procura a ocasião para
entregá-lo.
Ao primeiro dia dos Ázimos, quando sacrificam o
Péçah, seus adeptos dizem-lhe: “Onde queres que
preparemos o Pèssah para que tu comas?” Ele envia dois de seus
adeptos e lhes diz: “Ide à cidade. Lá encontrareis um
homem carregando um cântaro de água. Segui-o. Onde ele
entrar, dizei ao dono: <O Rabi diz: Onde é minha sala, onde
comerei o Péçah com meus adeptos?> Ele vos
mostrará, no local, uma grande sala, toda decorada. Lá
prepareis tudo para nós.” Seus adeptos saem. Vão a cidade
e encontram aquilo que ele lhes havia dito. Preparam o
Péçah.
Vinda a noite, ele vai com os Doze. Sentam-se à mesa e
comem. Yéshoua’ diz: “Amèm, eu vos digo, um de vós
me entregará, aquele que come comigo.” Eles começam a se
entristecer. Dizem-lhe, um a um: “Serei eu?” Ele lhes diz: “Um dos
Doze, aquele que põe a mão no prato comigo. Sim, o filho
do homem se vai, como está escrito a seu respeito; mas oïe,
aquele homem, por quem o filho do homem é entregue! Melhor seria
para aquele homem não ter nascido!”
Enquanto comem, ele toma o pão, abençoa-o, parte-o e lhes
dá. E diz: “Tomai! Isto é o corpo, o meu.” Ele toma um
cálice, dá graças e lhes dá. Todos bebem
dele. Ele lhes diz: “Isto é o sangue, o meu, o do pacto,
derramado por muitos. Amèn, eu vos digo: Não beberei mais
do fruto da videira, até aquele dia em que beberei um novo, no
reino de Elohîm”.
Após haver cantado o Hallel, saem em direção ao
monte das Oliveiras.
Yéshoua’ lhes diz: “Todos tropeçareis, como está
escrito: <Golpearei o pastor, e os ovinos se dispersarão.>
Mas, depois de despertar, irei adiante de vós em Galil.” Petros
diz-lhe: “Mesmo se todos tropeçarem, eu certamente não
tropeçarei!” Yéshoua’ diz-lhe: ”Amèm, eu ti digo:
sim tu, hoje, esta noite ainda, antes que o galo cante duas vezes, me
negarás três vezes!” Mas insistindo ainda mais, ele diz:
“Mesmo que eu deva morrer contigo, não, não te negarei!”
Todos também dizem o mesmo.
Eles vêm em direção a um lugar chamado
Gat-Shemanîm. Ele diz a seus adeptos: “Assentai-vos aqui,
enquanto eu oro.” Leva consigo Petros, Ya’acob e Yohanân.
Começa a sentir-se invadido de pavor, oprimido. Ele lhes diz:
“Meu ser está encoberto por uma tristeza de morte. Ficai aqui e
vigiai.” Ele se afasta, cai em terra e ora para que, se
possível, aquela hora passe longe dele. Ele diz: “Abba, pai,
tudo é possível para ti! Então afasta de mim este
cálice! No entanto, não o que eu quero, mas o que tu
queres!” Ele retorna e os encontra adormecidos. Diz a Petros:
“Shim’ôn, tu dormes! Não tiveste força para vigiar
uma hora? Vigiai e orai, para que não venhais à
provação! O sopro, ele é verdadeiro, é
ardente, mas a carne enferma.” Ele se retira novamente; e ora, dizendo
a mesma palavra. Volta e os encontra adormecidos: sim seus olhos
estavam pesados; eles não sabem o que lhe responder. Ele vem uma
terceira vez e lhes diz: “Dormi agora e repousai. Basta, é
chegada a hora. Eis, o filho do homem é entregue nas mãos
dos faltosos. Despertai! Vamos! Eis, aquele que me entrega se aproxima.”
Enquanto ele fala, logo chega Yehouda, um dos Doze, e com ele, uma
multidão com espadas e pedaços de pau, enviados pelos
chefes dos ministrantes, os Soferîm, e os Anciãos. Aquele
que o entregava lhes havia dado um sinal, dizendo: “Aquele que eu
beijar, é ele. Prendei-o, levai-o com segurança.” Logo
ele vem, aproxima-se dele e diz: ”Rabi!” E se inclina para
beijá-lo. Lançam as mãos sobre ele; prendem-no.
Uns dos que lá estão desembainha sua espada. Ele fere o
servo do sumo ministrante. Corta-lhe um pedaço da orelha.
Yéshoua’ responde e lhes diz: “Como para um bandido,
saístes com espadas e pedaços de pau, para prender-me.
Todos os dias estava convosco, ensinava no santuário, e
vós não me prendestes. Mas para que se cumpram os
Escritos...”
Deixam-no, fogem todos.
Um adolescente o segue, enrolado com um pano, sobre o corpo nu. Eles o
prendem. Porém, largando o pano, ele foge, nu.
Levam Yéshoua’ até o sumo ministrante. Todos os chefes
dos ministrantes, os Anciãos e os Soferîm se
reúnem. Petros o segue, de longe, até o interior do
pátio do sumo ministrante. Ele fica sentado com os guardas e se
esquenta, próximo ao fogo.
Então, os chefes dos ministrantes e todo o Sanhedrîn
procuram um testemunho contra Yéshoua’, para condená-lo
à morte. Não encontram. Muitos testemunham falsamente
contra ele; mas os testemunhos não são coerentes. Alguns
se levantam, proferem contra ele um falso testemunho e dizem:
“Nós o ouvimos dizer: <Destruirei este Templo feito pela
mão do homem e em três dias construirei ou outro,
não feito pela mão do homem.>” Mas mesmo nisso seus
testemunhos não são coerentes. O sumo ministrante se
levanta, no meio deles. Interroga Yéshoua’ e diz: “Tu não
respondes nada? Que testemunhos contra ti!” Mas ele se cala e nada
responde.
O sumo ministrante o interroga novamente. E lhe diz: “És tu o
messias, o filho de Benedito?” Yéshoua’ diz: “Eu sou. Vereis o
filho do homem sentado à direita do Poder. Ele vem com as nuvens
do céu.” O sumo ministrante rasga suas túnicas e diz:
“Que necessidade temos, ainda, de testemunhas? Ouvistes a
blasfêmia. O que vos parece?” Todos o condenam: passível
de morte!
Alguns começam a cuspir nele; cobrem-lhe o rosto, esbofeteiam-no
e dizem: “Faz-te de inspirado!”
Os guardas o recebem a bofetadas.
Petros está no pátio, embaixo. Vem uma das servas do sumo
ministrante. Ela vê Petros se esquentando; fixa-o e diz: “Tu
também estavas com Yéshoua’, o Nazareno.” Mas ele nega,
dizendo: “Não sei; não compreendo o que dizes.” Sai em
direção ao primeiro pátio. E eis, um galo canta. A
serva o vê e recomeça a dizer aos que lá se
encontram: “Este é um dentre eles!” Mas ele nega de novo. Pouco
tempo depois, novamente, os que lá estão dizem a Petros:
“É verdade, tu és um dentre eles. Sim, inclusive, tu
és de Galil.” Ele começa a jurar com anátemas:
“Não sei quem é esse homem de quem falais.” Logo um galo
canta. E Petros recorda-se da palavra que Yéshoua’ lhe havia
dito: “Antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás
três vezes.” Fora de si, ele chora.
15,1-47: Logo de manhã os chefes dos ministrantes entram em
acordo com os Anciãos, os Sopherîm e todo o
Sanhédrîn. Amarram Yéshoua’, transportam-no e
entregam-no a Pilatos.
Pilatos o interroga: “Tu és o rei dos Yehoudîm?” Ele
responde e lhe diz: “Tu o dizes.”
Os chefes dos ministrantes multiplicam suas acusações
contra ele. Mas Pilatos o interroga novamente: “Não respondes
nada? Vê tudo de que te acusam!” Mas Yéshoua’ nada mais
responde, a ponto de Pilatos se admirar.
Ora, a cada festa, ele lhes soltava um prisioneiro, o que eles
pedissem. Havia um, chamado Bar-Abba - Filho do Pai - ligado aos
revoltosos, que havia cometido homicídio durante uma revolta. A
multidão sobe e começa a pedir que fizesse para eles
segundo o costume. Pilatos lhes responde e diz: “Quereis que eu vos
solte o rei dos Yehoudîm?” Ele sabia, sim que os chefes dos
ministrantes o haviam entregue por inveja. Mas os chefes dos
ministrantes incitam a multidão, para que, de preferência,
ele lhes solte Bar-Abba. Ora, Pilatos responde novamente e lhes diz: O
que quereis que eu faça deste que dizeis ser o rei dos
Yehoudîm?” E novamente eles gritam: “Crucifica-o!” Mas Pilatos
lhes diz: “Afinal, que mal ele fez?” Eles gritam cada vez mais alto:
“Crucifica-o!”
Pilatos querendo satisfazer a multidão, lhes solta Bar-Abba.
E Yéshoua’, ele o entrega para ser açoitado, e em seguida
crucificado.
Então os soldados o transportam para o interior do pátio,
isto é, ao pretório. Convocam toda a coorte. Vestem-no de
púrpura e o cingem com uma coroa trançada de espinhos.
Começam a saudá-lo: “Shalôm, rei dos
Yehoudîm!” Batem-lhe na cabeça com um caniço,
cospem nele, ajoelham-se e prostram-se diante dele. E após o
terem escarnecido, despem-lhe a púrpura e tornam-lhe a vestir
suas vestes. Em seguida, o conduzem para fora, para ser crucificado.
Requisitam um passante, Shim’ôn de Cirene, que vinha dos campos,
- é o pai de Alexandros e Rufus -, para que lhe carregue a cruz.
Arrastam Yéshoua’ ao lugar chamado Gólgota, que se
traduz: Lugar da Caveira. Dão lhe vinha com mirra, mas ele
não toma. Repartem suas vestes, lançando a sorte: quem
pegará o que? È a terceira hora.
Crucificam-no.
Na inscrição de sua acusação está
escrito: “O rei dos Yehoudîm.”
Com ele, crucificam dois bandidos, um à direita e outro à
esquerda. Cumpre-se o escrito que dizia: “Com malfeitores ele foi
contado.”
Os que passam blasfemam contra ele. Meneiam a cabeça e dizem:
“Oïe, tu que destróis o santuário e o
reconstróis em três dias! Te salva a ti mesmo! Desce da
cruz!”
Os chefes dos ministrantes também zombam dele. Com os
Soferîm, dizem uns aos outros: “Ele salvou os outros, não
pode salvar a si mesmo! Messias, rei de Israël, desce agora da
cruz, para que possamos ver e aderir!”
E os que estão sendo crucificados com ele também o
insultam.
Chega o meio-dia, a sexta hora. E a treva vem sobre toda a terra,
até a nona hora.
À nona hora, Yéshoua’ grita em alta voz: “Elohaï,
Elohaï, lama sabaqtani!” Que se traduz: “Meu Elohîm, meu
Elohîm, por que me abandonaste?” Alguns dentre os presentes ouvem
e dizem: “Eis, ele chama por Éliyahou.” Alguém corre,
embebe uma esponja em vinagre, a põe na ponta de um
caniço, lhe da a beber e diz: “Deixai! Veremos se
Éliyahou virá para descê-lo!”
Yéshoua’ deixa escapar um forte brado; ele expira.
E o véu do santuário se rasga em dois, de alto a baixo. O
centurião que está a sua frente vê que ele expirou.
E diz: “É verdade, este homem era o filho de Elohîm.”
Há também mulheres, ali; elas olham de longe. Entre elas
Miriam de Mágdala, Miriam, a de Ya’acob, e Shelomit. São
as mulheres que o seguiam e o serviam, quando estava em Galil; e muitos
outros também, que haviam subido com ele até
Yeroushalaîm.
E já sobrevém a noite. É a
preparação, isto é, a véspera do shabat.
Chega Yosseph de Ramataïm, um nobre conselheiro. Ele também
esperava o reino de Elohîm. Tomando coragem, vai até
Pilatos e pede o corpo de Yéshoua’. Pilatos se admira de que ele
já esteja morto. Chama o centurião e o interroga: ele
já expirou? Ele é informado pelo centurião e
concede o cadáver a Yosseph. Este compra uma mortalha, e o
deposita numa sepultura escavada na rocha. Em seguida, rola uma pedra
até a entrada do sepulcro.
Miriâm de Magdala e Miriâm a de Yosseph, contemplam onde o
depositaram.
16,1-8: Passando o shabat, Miriâm de Magdala,
Miriâm, a de
Ya’acob, e Shelomit compram aromas para vir messiá-lo. E de
manhã, no primeiro dia da semana, elas vêm à
sepultura, ao nascer do sol. Dizem umas às outras: “Quem
rolará, para nos, a pedra à entrada do sepulcro?” Elas
elevam o olhar e vêem um adolescente sentado à direita,
vestido de branco. Elas se atemorizam. Ele lhes diz: “Não vos
atemorizeis! Procurais Yéshoua’, o Nazareno, que foi
crucificado? Ele despertou. Não está aqui. Eis o lugar
onde o puseram. Mas ide, dizei a seus adeptos e a Petros: Ele vai
adiante de vós, a Galil; lá o vereis, como ele vos
disse.” Elas saem, fogem do sepulcro: sim, pois um tremor as tomara, um
estupor.
Não dizem nada a ninguém: sim, elas tremiam.
Material
marquiano
Galiléia ...
1,1: Princípio do anúncio de Yéshoua’
messias
bèn Elohîm.
16-20: Caminhando junto ao mar de Galil, ele avista
Shim’ôn e
Andreas, o irmão de Shim’ôn. Eles jogam rede no mar: sim,
são pescadores. Yéshoua’ lhes diz: “Vinde atrás de
mim, eu vos tornarei pescadores de homens.” Logo eles deixam suas redes
e o seguem.
Ele anda um pouco à frente. E vê Ya’acob bèn Zabdi
e Yohanân, seu irmão: eles também estão nos
seus barcos consertando as redes. Logo ele os chama. Eles deixam seu
pai Zabdi, no barco com os empregados. E vão atrás dele.
21b-28: Logo, no shabat, ele entra na sinagoga e ensina.
Ficam impressionados com seu ensinamento. Sim, ele lhes ensina como
quem tem autoridade, e não como os Soferîm.
Logo chega à sinagoga deles um homem com o sopro contaminado.
Ele vocifera. E diz: “O que há entre nós,
Yéshoua’, o Nazareno? Vieste extermina-nos! Sei quem tu
és: o consagrado de Elohîm!” Yéshoua’ o repreende:
“Cala-te! Sai dele!” O sopro contaminado agita-o convulsivamente, solta
um forte grito e sai dele.
Todos se assustam, a ponto de discutir uns com os outros. Eles dizem:
“O que é isto? Um novo ensinamento! Cheio de autoridade! Sim,
ele dá ordens até mesmo aos sopros contaminados. E eles
lhe obedecem!” Logo sua fama se difunde em toda a região em
torno da Galil.
40-45: Um sarnento vem em sua direção,
suplica-lhe, e
cai de joelhos, dizendo: “Sim, se tu quiseres, podes purificar-me.”
Tomado de compaixão, ele estende a mão, toca-o e diz-lhe:
“Eu quero, sê puro!” Logo sua sarna desaparece; ele fica
purificado. Ele o repreende. Logo o manda embora. E diz-lhe:
“Atenção! Não digas nada a ninguém: mas
vai, mostra-te ao ministrante, e oferece para tua
purificação o que Moshè impôs como
testemunho para eles.” Mas ele sai, começa a proclamá-lo
muito e a difundir a palavra, a tal ponto que Yéshoua’
não pode mais entrar abertamente em uma cidade, tendo que ficar
fora, em lugares desertos. E vêm a ele, de todas as partes.
2,1-14: Ele entra novamente em Kephar-Nahoum alguns dias
depois.
Ouve-se dizer que ele está em casa. Lá, reúnem-se
todos, e são tantos que não sobra mais lugar, nem mesmo
diante da porta. Ele lhes diz a palavra.
Vêm e colocam diante dele um paralítico carregado por
quatro pessoas. Como não podiam apresentá-lo a
Yéshoua’ por causa da multidão, desfazem uma parte do
teto, onde ele se encontrava. Tendo aberto um buraco, fazem passar o
catre onde o paralítico estava deitado. Yéshoua’ vê
a adesão deles. E diz ao paralítico: “Filho, tuas faltas
te são perdoadas.” Ora, alguns Soferîm estavam sentados
lá perto, e ruminavam em seus corações: “Como!
Aquele ali fala assim! Blasfema! Quem pode perdoar as faltas,
senão um só: Elohîm?” Logo, em seu sopro,
Yéshoua’ sabe que eles ruminam interiormente. E lhes diz: “Por
que ruminais assim em vossos corações? O que é
mais fácil? Dizer ao paralítico: <Tuas faltas te
são perdoadas> ou dizer-lhe: <Desperta, toma o teu catre e
anda>? Ora, o filho do homem tem poder, sobre a terra, de perdoar as
faltas. E para que vós saibais...” Ele diz ao paralítico:
"A ti, eu digo: Desperta, toma o teu catre e vai para tua casa." Ele
desperta e, logo, toma seu catre e sai diante de todos. Todos ficam
estupefatos; e glorificam Elohîm dizendo: “Isto, nós nunca
vimos antes.”
Ele sai novamente para a beira do mar. Toda a multidão vem
até ele. Ele lhes ensina.
Ele passa, e vê Lévi bèn Halphaï sentado na
coletoria. E diz-lhe: “Segue-me.” Ele se levanta e o segue.
3,13-35: Ele sobe a montanha. E chama para si os que ele quer. Eles
vão até ele.
Ele constitui doze para que estejam com ele, e para enviá-los a
clamar com o poder de expulsar demônios. Ele constitui os Doze:
impõe a Shim’ôn o nome de Petros; Ya’acob bèn
Zabdi, Yohanân, irmão de Ya’acob; e ele lhes impõe
o nome de Benéi Ra’ash, isto é os Filhos de
Trovão; Andreas, Philippos, Bar-Talmaï, Matiyah, Toma,
Ya’acob bèn Halphaï, Tadaï, Shim’ôn, o
Qanaï, e Yehouda, o homem de Qériot, aquele que o entregou.
Ele vem à casa. A multidão se reúne de novo, de
tal forma que eles não podem nem mesmo comer o pão.
Os seus o ouvem; e saem para agarrá-lo. Sim, eles dizem: “Ele
está fora de si!”
Os Soferîm, descendo de Yeroushalaîm, dizem; “Ele tem o
Ba’al Zeboul! Pelo chefe dos demônios, ele expulsa os
demônios!” Ele os chama e lhes fala através de exemplos:
“Como Satã pode expulsar Satã? Se um reino está
dividido contra si próprio, tal reino não pode subsistir.
Se uma casa está dividida contra si própria, tal casa
não pode subsistir. Se o Satân se levanta contra si
próprio e se divide, não pode subsistir, pois está
acabado. Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e saquear
seus pertences sem antes ter amarrado o homem forte. Então, pode
saquear a casa. Amèn, eu vos digo: tudo será
perdoado aos filhos dos homens, as faltas, as blasfêmias, todas
as que blasfemarem. Mas o blasfemador contra o sopro sagrado não
tem remissão em perenidade, mas é passível de
falta em perenidade.” Isto, porque eles diziam: “Ele tem um sopro
contaminado.”
Vêm sua mãe e seus irmãos. Ficam do lado de fora e
mandam chamá-lo. Uma multidão está sentada ao
redor dele. Dizem-lhe: “Eis aqui tua mãe, teus irmãos e
tuas irmãs; eles estão lá fora e te procuram.”
Ele lhes responde e diz: “Quem são minha mãe e meus
irmãos?” Olha ao redor, aos que estão sentados em
círculo em torno dele, e diz: “Eis aqui minha mãe e meus
irmãos. Quem faz o querer de Elohîm, este é meu
irmão, minha irmã minha mãe.”
4,11-12: Ele lhes diz: "A vós, o mistério do reino de
Elohîm foi revelado. Porém, a esses outros que
estão de fora, tudo é por exemplos, para que, olhando,
olhem e não vejam, e ouvindo, ouçam e não
compreendem, a fim de que eles não façam o retorno e
não lhes seja feita a remissão.”
21-24: E lhes diz: “Vem a lâmpada para ser posta sob
o
alqueire
ou sob a cama? Ela não é para ser posta sobre um
lampadário? Não, nada está oculto que não
deva ser manifestado; nada é secreto que não deva
tornar-se manifesto. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”
Ele lhes diz: “Acautelai-vos no que ouvis! A medida com a qual medis
serve para vos medir e ainda vos será acrescentado.’’
6,1-31: Ele sai de lá e vem à sua
pátria,
seus
adeptos o seguem.
Chega o shabat; ele começa a ensinar na sinagoga. Muitos o
ouvem, ficam impressionados e dizem: “De onde, isso? A este aí!
Que sabedoria! Ela lhe é dada? A ele! E que admiráveis
prodígios feitos por suas mãos! Aquele não
é o carpinteiro, filho de Miriám? Irmão de
Ya’acob, de Yosséi, de Yehouda, de Shim’ôn? E suas
irmãs, não estão aqui conosco?” Tropeçam
nele. Yéshoua’ lhes diz: “Um inspirado só não tem
glória em sua pátria, entre seus próximos, e em
sua casa.” Ali, ele não pode efetuar nenhum prodígio,
salvo para alguns inválidos: ele lhes impõe as
mãos e os cura. Admira-se por causa da não-adesão
deles.
Circula pelas aldeias próximas. Lá, ele ensina.
Chama os Doze e passa a enviá-los dois a dois. Ele lhes
dá autoridade sobre os sopros contaminados. Ele lhes ordena que
não levem nada pelo caminho, apenas um só bastão:
nem pão, nem alforje, nem bronze na cintura, mas calçados
de sandálias e: “Não leveis duas túnicas.” Ele
lhes diz: “Quando entrardes em uma casa permanecei nela, até
dela vos retirardes. Se um lugar não vos acolher, que eles
não vos ouçam, parti de lá, sacudi o pó que
está sob vossos pés em testemunho contra eles.” Eles saem
para clamar o retorno, expulsar inúmeros demônios, messiar
inúmeros inválidos e curar.
O rei Herôdes ouve falar: sim, seu nome tornou-se célebre.
Dizem: “Yohanân. o Imersor, despertou dentre os mortos: por isso
os poderes agem por ele.” Outros dizem: “O próprio
Éliyahou!” E outros ainda: “Um inspirado, como um dos
inspirados.” Mas Hèrôdès ouve e diz: “Aquele que eu
decapitei, Yohanân. Foi ele que despertou.” Sim, Herôdes
mandara prender Iohanân e o deixara atado na prisão, por
causa de Herôdias, a mulher de seu irmão Philippos, que
ele desposara. Sim, Yohanân dizia a Hèrôdès:
“Não te é permitido possuir a mulher de teu
irmão!” A partir de então, Herôdias o odeia, quer
matá-lo, mas não pode fazê-lo: sim, Herôdes
estremece diante de Yohanân, pois sabia ser ele homem justo e
consagrado. Protege-o, ouve-o, perplexo, e gosta de ouvi-lo.
Chega um dia propício: o aniversário de
Hèrôdès. Ele dá um jantar para seus grandes,
seus oficiais, para os principais de Galil. Entra a filha daquela
Hèrôdias: dança e agrada a Herôdes e aos
convivas. O rei diz à adolescente: “Pede-me o que quiseres, eu
to darei, até a metade de meu reino.” Ela sai e diz à
mãe: “Que pedirei?” Ela diz: “Cabeça de Yohanân,
Imersor.” Logo ela volta, com pressa, para junto do rei, pede e diz:
“Quero que me dês imediatamente, sobre um prato, a cabeça
de Yohanân, o Imersor.” O rei fica muito penalizado. Por causa do
juramento e dos convivas, não quer recusar o pedido. Logo o rei
envia um guarda e ordena-lhe que traga a sua cabeça. Ele vai e o
decapita na prisão. Ele traz a cabeça sobre um prato e a
entrega à adolescente. A adolescente a dá à sua
mãe.
Os adeptos dele ouvem. Vêm, tomam seu corpo e o sepultam em um
túmulo.
Os enviados se reúnem em torno de Yéshoua’. Eles lhe
anunciam tudo o que haviam feito e ensinado. Ele lhes diz: “Vinde, vos
outros, a um lugar deserto, à parte. Repousai um pouco.” Sim,
são numerosos os que chegam e os que partem. E não
encontram nem mesmo um instante para comer.
7,1-37: Os Peroushîm e alguns Sopherîm, vindos de
Yeroushalaîm se reúnem em torno dele. Eles vêem que
alguns de seus adeptos, com as mãos sujas, isto é,
não lavadas, comem o pão.
Sim, Os Peroushîm e todos os Yehoudîm observam a
tradição dos antigos e não comem sem lavar as
mãos, até o pulso. Ao chegarem do mercado, eles
não comem sem serem aspergidos. E ainda, muito do que receberam,
eles guardam: imersão de taças, cântaros e
utensílios em bronze.
Os Peroushîm e os Soferîm o interrogam: “Por que teus
adeptos não andam segundo a tradição dos antigos,
mas com as mãos sujas, comem o pão?” Ele lhes diz:
“Yesha’yahou foi bem inspirado a respeito de vós,
hipócritas, como está escrito: <Este povo me glorifica
com os lábios, mas seu coração está longe
de mim. Eles me rendem culto em vão. Os ensinamentos que ensinam
são apenas mitsvot aprendidas dos homens!> Vós deixais
a mitsva de Elohîm e guardais a tradição dos
homens.” Ele lhes diz: ”Vós, verdadeiramente rejeitastes a ordem
de Elohîm para guardar vossa própria
tradição. Sim, Moshè disse: <Glorifica teu pai
e tua mãe.> e: <O que maldisser pai ou mãe
será punido de morte, de morte.> E vós dizeis: <Se
um homem diz ao pai ou á mãe: é Qorbân, isto
é ‘Presente para Elohîm’, aquilo que possuo e que
poder-te-ia ser útil>, vós não o deixais fazer
mais nada em favor do pai e da mãe. Anulais a palavra de
Elohîm com vossa própria tradição, que nos
transmitis. E fazeis muitas outras coisas semelhantes.” Ele convoca
novamente a multidão e lhe diz: “Ouvi-me todos e compreendei!
Nada do que entra no homem, vindo de fora, pode sujá-lo. Mas o
que sai do homem suja o homem.
Quem tem ouvidos para ouvir ouça.”
Quando ele entra em casa, longe da multidão, seus adeptos o
interrogam sobre o exemplo. Ele lhes diz: “Então vós
também não tendes discernimento? Não compreendeis
que tudo o que de fora entra no homem, não o pode sujar, porque
não entra em seu coração, mas no ventre, e
é expelido?” Ele tornava puros todos os alimentos. E diz: “O que
sai do homem, é o que suja o homem. Sim, de dentro, do
coração dos homens, emanam as más
ruminações: prostituição, furtos,
assassinatos, adultérios, amor pelo lucro, crimes, fraude,
devassidão, olho mau, blasfêmias, orgulho, loucura. Todas
essas perversões emanam de dentro e sujam o homem.”
Levanta-se dali e vai para a fronteira de Tsor. Entra em uma casa. Quer
que ninguém o saiba. Mas é impossível
escondê-lo.
Logo uma mulher ouve falar dele, e tendo uma filhinha com um sopro
contaminado, vem e cai a seus pés. A mulher é uma
helênica, de raça siro-fenícia. Ela pede-lhe que
expulse o demônio de sua filha. Ele lhe diz: “Deixa os filhos se
fartarem primeiro. Não é bom que se tome o pão dos
filhos para jogá-lo aos cachorrinhos.” Ela responde e lhe diz:
“Sim, Adôn, mas os cachorrinhos, sob a mesa, comem as migalhas
dos filhos.” Ele lhe diz: “Por causa desta palavra, vai. O
demônio saiu de tua filha.” Ela retorna à sua casa.
Encontra a criança deitada sobre o leito: o demônio havia
saído dela.
De novo, ele deixa a fronteira de Tsor. Passa por Tsidôn, em
direção ao mar de Galil, em meio às fronteiras das
Dez-Cidades.
E eis, lhe trazem um surdo que se expressa com dificuldade.
Suplicam-lhe que imponha sobre ele sua mão. Ele o toma à
parte e, afastando-se da multidão: coloca os dedos em seus
ouvidos, cospe, e toca-lhe a língua. Eleva o olhar para o
céu, geme e diz-lhe: “Efatha”, isto é “Abre-te.” Logo
seus ouvidos se abrem, desfaz-se o laço de sua língua:
ele fala direito. Ele o proíbe de contar a qualquer pessoa; mas
quanto mais os proíbe de fazê-lo, mais amplamente o
proclamam.
Estavam sobremaneira impressionados. Dizem: “Ele faz tudo bem: faz
ouvir os surdos e falar os mudos.”
8,1-26: Naqueles dias, há novamente uma multidão
numerosa. Não tem nada para comer. Ele chama seus adeptos e lhes
diz: “Estou tomado de compaixão por esta multidão. Sim,
eis já três dias que eles estão ao meu lado; e nada
têm para comer. Se eu os fizer retornar a suas casas em jejum,
desfalecerão no caminho. Alguns dentre eles vieram de longe.”
Seus adeptos respondem-lhe: “Como se poderá saciá-los de
pão, aqui, no deserto?” Ele os interroga: “Quantos pães
tendes convosco?” Eles dizem: “Sete.” Ele ordena à
multidão que se estenda no chão. Tomando os sete
pães, dá graças, reparte-os, e entrega-os a seus
adeptos para serem servidos. Eles servem à multidão. Eles
têm alguns peixinhos. Ele abençoa-os e manda que sejam
servidos também. Eles comem e se saciam. Recolhem as partes que
sobram: sete cestos. Ora, eram aproximadamente quatro mil pessoas. Ele
os despede. Logo ele sobe ao barquinho com seus adeptos e vem para as
proximidades de Dalmanoutha.
Os Peroushîm saem. Começam a discutir com ele, pedindo-lhe
um sinal do céu, para pô-lo à prova. Ele geme em
seu sopro e diz: “Por que esta geração procura um sinal?
Amèm, eu vos digo: não será dado nenhum sinal a
esta geração.” Ele os deixa e novamente sobe no barquinho.
Vai para o outro lado. Eles esquecem de levar os pães: salvo um
único pão, nada mais tinham consigo no barquinho.
Ele lhes recomenda e diz: “Vede, guardai-vos do fermento dos
Peroushîm e do fermento de Herôdes.”
Mas eles continuam a ruminar, uns aos outros: è que eles
não têm pão. Ele lhes penetra e diz: “Por que
ruminais por não terdes pão? Ainda não percebeis?
Não compreendeis? Tendes o coração endurecido!
Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis!
Não vos lembrais, quando eu reparti os cinco pães para os
cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes?” Eles
lhe dizem: “Doze.” “E os sete, para os quatro mil? Quantos cestos
cheios de pedaços recolhestes?” Eles dizem: “Sete.” Ele lhes
diz: “Ainda não compreendeis?”
Eles chegam a Béit-Tsaïda.
Trazem-lhe um cego. Suplicam-lhe para tocá-lo. Ele toma a
mão do cego e sai com ele da aldeia. Cospe em seus olhos,
impõe-lhe as mãos e o interroga: “Vês alguma
coisa?” Ele levanta os olhos e diz: “Vejo homens como árvores;
vejo-os andando.” Então, ele novamente impõe as
mãos sobre seus olhos: ele vê claramente, está
restabelecido; e fixa tudo distintamente. Ele o envia de volta para
casa e diz: “Não entres na aldeia.”
... Jerusalém
8,34-38: Chama a multidão e seus adeptos, e lhes
diz:
“Se
alguém quer seguir-me, que se negue a si mesmo, carregue a sua
cruz e me siga.
Sim, quem quer salvar seu ser, o perde. Mas quem perde seu ser por
minha causa e por causa do anúncio, o salva.
Sim, que utilidade terá para um homem ganhar o universo inteiro
e destruir seu ser? Sim, que daria um homem, em troca de seu ser?
Sim, aquele que se envergonhar de mim e de minhas palavras, nesta
geração adúltera e faltosa, o filho do homem
também se envergonhará dele, quando vier na glória
de seu pai, com os mensageiros sagrados.”
9,1: Ele lhes diz: “Amèm, eu vos digo: há
aqui
entre os
presentes alguns que não experimentarão a morte antes de
terem visto o reino de Elohîm vir no poder.”
14-29: Vêm em direção a seus adeptos.
Vêem
uma grande multidão em torno deles: e os Soferîm discutem
com eles. Logo toda a multidão o vê e, assustada, corre
para saudá-lo.
Ele os interroga: “Sobre o que discutíeis com eles?” Um dentre a
multidão responde: “Rabi, eu ti trouxe meu filho. Ele tem um
sopro mudo, que, quando se apossa dele, o rasga todo e baba, rilha os
dentes e fica seco. Pedi a teus adeptos que o expulsassem, mas eles
não tiveram força.” Ele lhes respondeu e diz: “Ó
geração sem adesão, até quando estarei
convosco? Até quando vos suportarei? Trazei-mo.” Trazem-no
até ele. Ao vê-lo, o sopro logo o sacode em
convulsões. Cai no chão, rola e espuma. Yéshoua’
interroga seu pai: “Há quanto tempo isto lhe ocorre?” Ele
responde: “Desde a infância. Sim, freqüentemente o sopro o
lança sobre o fogo ou sobre a água para matá-lo.
Mas, se tu podes, socorre-nos, compadece-se de nós.”
Yéshoua’ diz-lhe: “Este <se tu podes>!... Tudo é
possível a quem adere.” Logo o pai da criança grita e
diz: “Eu adiro! Socorre minha não-adesão.”
Yéshoua’ vê a multidão que acorre. Repreende o
sopro contaminado e lhe diz: “Sopro mudo e surdo! Eu te ordeno: Sai
dele, e não entres mais nele.” Ele grita, o convulsiona com
força e sai. E ele está como morto, de tal forma que
muitos dizem: “Está morto.” Mas Yéshoua’ toma sua
mão e o desperta: ele se levanta. Quando chega em casa, seus
adeptos, à parte o interrogam: “Por que não o pudemos
expulsá-lo?” Ele lhes diz: "Essa espécie não sai a
não ser através de oração e jejum.”
36-50: Ele toma uma criancinha e a coloca no meio deles.
Toma-a
nos
braços e diz-lhes: “Quem acolher uma criancinha como esta em meu
nome, a mim me recebe. E quem me recebe, não é a mim que
recebe, mas ao que me envia.”
Yohanân diz-lhe: “Rabi, vimos um homem que expulsa demônios
em teu nome. Nós o impedimos de fazê-lo, porque ele
não nos segue.” Porém Yéshoua’ diz: “Não o
impeçais. Não, nenhum homem que faça
prodígio em meu nome pode, em seguida, falar mal de mim.
Quem não é contra nós é por nós.
Sim, aquele que vos der de beber um copo de água em nome do
messias, de quem vós sois, amèm, eu vos digo: não
perde a sua recompensa.
Quem fizer tropeçar a um destes pequenos que aderiram, melhor
seria que uma mó de jumento lhe fosse posta ao pescoço e
que fosse lançado ao mar.
Se tua mão te faz tropeçar, corta-a. Melhor para ti
entrar na vida maneta, que teres as duas mãos e ires à
Geena, para o fogo inextinguível. Se teu pé te faz
tropeçar, corta-o. Melhor para ti entrar na vida coxo, do que
teres os dois pés para seres lançado no Geena. Se teu
olho te faz tropeçar, tira-o fora. Melhor para ti entrar com um
só olho no reino de Elohîm, que teres os dois olhos para
seres lançado na Geena, onde seus vermes não morrem
jamais e o fogo não se apaga.
Sim, tudo se salga ao fogo. O sal é bom; mas se o sal fica sem
sabor, com que o temperareis? Guardai o sal em vós mesmos, e
estai em paz uns com os outros.”
10,13-16: Trazem-lhe umas criancinhas para que as tocasse. Os
adeptos
as repreendem. Mas Yéshoua’ vê isso, irrita-se e lhes diz:
“Deixai vir a mim as criancinhas. Não as impeçais: sim,
é para seus iguais, o reino de Elohîm.
Amèm, eu vos digo: quem não aceita o reino de
Elohîm como uma criancinha, não entra nele.”
Ele as toma nos braços, e as abençoa pondo sobre elas as
mãos.
28-31: Petros começa a lhe dizer: “Eis, nós
mesmos
tudo
deixamos e te seguimos.” Yéshoua’ diz: “Amèm, eu vos
digo: ninguém deixa casa, ou irmãos, ou irmãs, ou
mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por minha causa e por causa
do anúncio, sem receber o cêntuplo agora, neste tempo:
casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos - com
perseguições - , e no tempo por vir, a vida em
perenidade. Muitos primeiros serão os últimos, e os
últimos, os primeiros.”
11,24-25: Assim, vos digo:: “A tudo o que vierdes pedir orando,
aderi.
Crendo que recebereis, assim será para vós.Quando
estiverdes de pé para orar, se tiverdes alguma coisa contra
alguém, perdoai, para que vosso pai celeste, também,
perdoe vossas quedas.”
12,18-34a: Tsadouquîm vêm até ele,
aqueles
que
afirmam não haver levantar. Interrogam-no e dizem: “Rabi,
Moshè deixou escrito para nós: <Se o irmão de
alguém morre e deixa uma mulher, se não deixou filhos,
seu irmão tomará a mulher e suscitará uma semente
para seu irmão.> Ora, havia sete irmãos. O primeiro
toma uma mulher e morre sem deixar semente. O segundo toma-a e morre,
sem deixar semente atrás de si. O terceiro, de igual modo. E os
sete não deixam semente. Após todos eles, morre
também a mulher. No levantar dentre os mortos, quando eles
levantarem, de qual deles será ela esposa? Sim, os sete a
tiveram por esposa.” Yéshoua’ diz-lhes: “Não vos deixeis
desviar por estas coisas! Não sabeis os Escritos, nem o poder de
Elohîm. Sim, aqueles que levantam dentre os mortos não
casam e não se dão em casamento. Mas são como os
mensageiros dos céus.
Mas quanto aos mortos, sim eles despertam. Não haveis lido no
livre de Moshè, na sarça, como Elohîm fala-lhe e
diz: <Eu mesmo, o Elohîm de Abrahâm, o Elohîm de
Yitshac, o Elohîm de Ya’acob>? Ora, ele não é o
Elohîm de mortos, mas de vivos. Vós vos desviais muito.”
Um dos Soferîm aproxima-se dele; ouve-os discutir, e penetra que
Yéshoua’ lhes havia respondido bem. Ele interroga-o: “Qual
é a primeira de todas as mitsvot?” Yéshoua’ responde: A
primeira é: <Ouve, Yisraël, YHVH(Adonaï), nosso
Elohîm, YHVH(Adonaï) único, e amarás
YHVH(Adonaï) teu Elohîm de todo o teu coração,
de todo o teu ser, de toda a tua inteligência, e de toda a tua
intensidade.> E a segunda é: <Ama teu companheiro como a
ti mesmo.> Mitsva maior que esta não há.” O
Sofèr diz-lhe: “Bem, Rabi! Falaste com verdade: ele é o
único, e não há outro senão ele.
Amá-lo de todo o coração de todo a
inteligência, de toda a intensidade, amar o companheiro como a si
mesmo, é mais importante que todos os erguidos, que todos os
sacrifícios.” Yéshoua’ vê que ele responde com
sagacidade. E lhe diz: “Não estás longe do reino de
Elohîm.”
38-40: Em seu ensinamento ele diz: “Guardai-vos dos
Soferîm: eles querem andar com vestes e saudações
nos mercados, e primeiras cadeiras nas sinagogas, e primeiros lugares
nos jantares, estes devoradores das casas das viúvas que, pela
aparência, oram longamente. Eles receberão a pior
condenação.”
(13,1-2: À saída do santuário, um dos
adeptos lhe
diz: "Rabi, olha! Que pedras! Que edifícios!" Yéshoua'
lhe diz: "Vês estes grandes edifícios? Não
será deixada aqui pedra sobre pedra que não seja
destruída.")
13,3-37: Ele se assenta no monte das Oliveiras, de frente
para o
santuário.
Petros, Ya’acob, Yohanân e Andreas o interrogam, à parte:
“Dize-nos, quando isso ocorrerá? E qual será o sinal de
quando tudo isso deverá se cumprir?”
Yéshoua’ começa a lhes dizer: “Acautelai-vos para que
ninguém vos desvie. Muitos virão em meu nome. E
dirão: <Eu sou> e desviarão muitos. Ouvireis sobre
guerras e rumores de guerras, não vos inquieteis: é
preciso que isso aconteça. Mas não será ainda o
fim. Sim, se levantará nação contra
nação, reino contra reino, com sismos em vários
lugares e fome: o início das dores! Mas acautelai-vos!
Entregar-vos-ão aos sanhedrîns. Nas sinagogas, vos
espancarão. Comparecereis diante dos tiranos e reis por minha
causa, como testemunho para eles.
A todos os goîm, primeiramente, o anúncio deve ser
proclamado.
Quando vos conduzirem e vos entregarem, não vos inquieteis, de
antemão, com o que ireis dizer: mas aquilo que vos for dado a
dizer, naquele momento, dizei. Não, não sereis vós
que falareis, mas o sopro sagrado.
O irmão entregará outro irmão à morte, o
pai um filho, os filhos se levantarão contra os pais, e os
entregarão à morte. Sereis odiados de todos por causa de
meu nome. Mas quem perseverar até o fim será salvo.
Mas quando virdes o horror devastador, lá, onde ele não
deve estar - quem lê, perceba! - , então, aqueles de
Yehouda, que fujam as montanhas! Quem está no terraço,
que não desça; nem entre em sua casa para pegar nada. E
quem está no campo, que não volte atrás para pegar
suas vestes! Mas oïe, as que carregam no ventre, e amamentam,
naqueles dias! Orai para que isto não advenha no inverno! Sim,
aqueles dias serão uma tamanha tribulação, como
nunca houve antes, desde o princípio da criação,
criada por Elohîm, até agora, e jamais haverá. Se
YHVH(Adonaï) não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne
seria salva. Mas, por causa dos eleitos que ele elegeu,
abreviará tais dias.
Se alguém vos diz, então: <Vede, aqui está o
messias! Vede, ali!> não adirais. Sim, falsos messias, falsos
inspirados se revelarão. Farão sinais e prodígios,
para desviar, se possível, até mesmos os eleitos. Mas
vós mesmos, acautelai-vos! Eis: tudo vos anunciei
antecipadamente.
Porém, naqueles dias, após tal tribulação,
o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade,
as estrelas cairão do céu, os poderes dos céus se
abalarão.
Então, verão chegar o filho do homem nas nuvens, com
grande prodígio e glória. Então, enviará os
mensageiros; reunirá os eleitos dos quatro ventos, da
extremidade da terra à extremidade do céu.
Ora, da figueira, aprendei um exemplo: quando os seus ramos ficam
tenros e suas folhas brotam, sabeis que o verão está
próximo. Assim, vós também, quando virdes isso
acontecer, sabei: está próximo, as portas.
Amèm, eu vos digo: não passará esta
geração sem que advenha tudo isso.
O céu e a terra passarão; mas minhas palavras não
passarão.
Mas aquele dia e aquela hora, ninguém os conhece; nem mesmo os
mensageiros nos céus, nem mesmo o filho, mas somente o pai.
Acautelai-vos, vigiai. Não, não sabeis quando será
o tempo.
É como um homem que parte para longe. Ele deixa sua casa e
dá autoridade a seus servos, a cada um segundo o seu trabalho.
Ao porteiro ordena que vigie. Vigiai, então! Não sabeis
quando vem o Adôn da casa: se ao crepúsculo, à meia
noite, ao cantar do galo, ou pela manhã, para que, vindo
subitamente, não vos encontre adormecidos.
Ao que vos digo, digo a todos: Vigiai!"
Material
pós-marquiano
(em alguns dos manuscritos)
O final longo (16,9-20)
9-15: Ele se ergueu de manhã, no primeiro dia
após o
shabat. E apareceu primeiro a Miriâm de Mágdala, de quem
ele havia expulsado sete demônios. Ela vai e anuncia
àqueles que, tendo estado com ele, se enlutavam e choravam.
Quando ouvem que ele vive e que lhe apareceu, não aderem.
Depois disso, a dois dentre eles que andavam, indo para o campo, ele se
torna visível, sob outra forma. Aqueles se vão, e o
anunciam aos outros, Àqueles dois também não
aderem.
Mais tarde, ele se torna visível aos Onze, quando estavam na
mesa. Censura-lhes a não-adesão, a esclerose de
seus corações: não, àqueles que o haviam
visto despertado, eles não aderiram.
15-20: Ele lhes diz: "Ide por todo o universo. Proclamai o
anúncio a toda a criação. Aquele que aderir e for
imerso será salvo. Mas aquele que não aderir será
condenado.
Eis os sinais que acompanharão aqueles que aderem: em meu nome,
expulsarão demônios; falarão novas línguas;
segurarão serpentes em suas mãos. Se ingerirem veneno,
não lhes fará mal. Imporão suas mãos sobre
os inválidos, e eles ficarão curados."
Então, após lhes haver falado, o Adôn
Yéshoua' é elevado ao céu, ele está sentado
à direita de Elohîm.
Eles saem e proclamam em todos os lugares. YHVH(Adonaï) age com
eles, confirmando a palavra através de sinais que os acompanham.
O final longo de Marcos vem substituindo, no decorrer do tempo
O final curto
que se encontra também em alguns poucos
manuscritos
(tradução minha do texto em Nestle/Aland, NOVUM
TESTAMENTUM GRAECE, 24a. Edição, Stuttgart 1960,
página 187):
Tudo o anunciado informaram, sem rodeios, àqueles em redor de
Petros.
Depois disso, o próprio Jesus, do levante e até o poente,
enviou através deles o santo e imperecível anúncio
da eterna salvação.
|
Pedro von
Werden, SJ
Artigos
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