CRISTÃOS E JUDEUS |
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A Esquerda na Europa: Unida contra IsraelMartin KlokeNo início do verão de 2007, organizações
palestinenses e árabes fizeram uma discussão de estrado
na Universidade Técnica de Berlim: "O povo palestinense entre
muro e sanções". Aí entraram dois senhores idosos
os quais, na esquerda política da Alemanha, faz decênios
que são citados e feitos circular como "expertos do Médio
Oriente": Norman Paech, porta-voz do partido de esquerda no
Bundestag [parlamento alemão], bem como Udo Steinbach, que era
até 2007 diretor do Instituto para Estudos do Médio
Oriente em Hamburgo. 1. À dialética de anti-semitismo e filo-semitismo antes de 1967: Célula germinativa dum anti-semitismo novo?Os alemães de pós-guerra e também os seus
representantes esquerdistas, depois do choque de Auschwitz, não
ou quase não criavam por um tempo conversa sobre si por
ressentimentos anti-semíticos, pois coisa judaica contava por
enquanto como estar com tabu: A maioria dos alemães não
só evitava a discussão crítica com o seu passado
nacional-socialista, ignorava também a obra sionista de
construção e as contendas judaicas-árabes.
Tinha-se de fazer outra coisa — "os alemães", assim semanas
depois do fim da guerra a judia berlinense sobrevivente Inge
Deutschkron observou, "foram naquele tempo guiados por um
estímulo de auto-sustentação primitivo, o qual
excluía todos os interesses para outras coisas ."2 "’Raça’
está de todo
comprometida. Como se
deve chamá-los (os judeus, MK)? Pois algo há com eles, e
não só algo mediterrânico. Essa experiência
é anti-semitismo? Heine, Kerr, Harden, Kraus até a esse
tipo fascista Goldberg — é que é raça!" …
Marion Gräfin Dönhoff, já no tempo pós-guerra
colunista procurada da ZEIT, escreveu uma equiparação do
governo israelense com o regime nazista;6
"A gente só pode
esperar que o
choque que a morte do conde
Bernadotte significa para os homens responsáveis do governo de
Israel os deixa por um momento pelo menos parar e consternadamente
perceber aonde já chegaram naquele caminho que faz pouco tempo
levou outro povo à fatalidade"
Karl Thieme afirma uma co-culpa judaica na "eternização
do anti-semitismo"; como reforçamento argumentativo apresenta
uma testemunha principal judaica7 — uma praxe que está ainda
hoje própria aos filo-semitas e anti-semitas.Segundo resultados da opinião empírica, o número de anti-semitas confessantes na Alemanha do oeste voltou a ser, no agosto de 1949, a 23 por cento — com tendência para subir (dezembro de 1952: 34 por cento).8 De outro lado, o anti-sionismo do tempo pré-guerra era profundamente desaprovado, o pessimismo histórico sionista verificado de modo terrível. Assim era precisamente a União Soviética comunista que, no maio de 1948 — ainda antes dos EUA — reconheceu de direito nacional o Estado de Israel. No curso do assim chamado Wiedergutmachungsabkommen [convênio de indenização] de 1953, apareceu o jovem Estado judaico de Israel também na Bundesrepublik cada vez mais no radar da opinião pública — não por último na esquerda política. Na União Soviética, o degelo amigável a Israel chegou ao fim já pelo fim de 1949. A liderança soviética sob Stalin atiçou uma campanha anti-semita. No retículo dos perseguidores entraram antes de todos pessoas de "origem judaica". Também a SED [Sozialistische Einheitspartei Deutschlands, o partido único da antiga Alemanha Ocidental] juntou-se às ondas de limpeza: Quem for atingido o veredicto "emigrante (ao) oeste", "trotzkista" e/ou "cosmopolita", entrou no remoinho de duvidosos processos espetaculares e segredos. Mesmo comunistas antigos de muitos anos foram proscritos. Sob o pretexto de serem "agentes sionistas", a liderança da SED tentava dirigir o mau-humor da população aos judeus. Só no curso de destalinização de 1956, as formas mais abertas do fantasma anti-semita chegaram a um fim. Não é milagre então, que os lugares de ruptura entre uma esquerda democrática e comunista também eram assombrados pelo complexo de assuntos "judeus, Judaísmo e sionismo". Não só na Alemanha do oeste, na década dos 1950, uma posição básica pro-israelense chegou a ser pedra-de-toque duma verdadeira mentalidade democraticamente apurada. Esquerda social-democrática e cristã pusera-se na vanguarda dessa mudança de paradigma. Apesar das diferentes condições de partida histórico-políticas, o desenvolvimento pós-guerra nos países vizinhos europeus, p.ex. na Suíça, decorria semelhantemente, se bem que menos dramático. Exemplarmente sejam apontadas as lembranças do psiquiatra e político social-democrático de cantão Emanuel Hurwitz, que experimentou anti-semitismo como parte cunhadora duma infância judaica no Zurique dos anos da guerra. Depois da guerra, o clima mudou: "Porque era judeu, fui especialmente respeitado e apreciado. Anos mais tarde, quando viajei pela primeira vez à Alemanha (o que entre judeus era considerado vergonhoso por muito tempo, receberam-se em todos os lugares de braços abertos. ‘És judeu, como esplendido, como maravilhoso!’ disseram. ?…? Não posso negar que disso — apesar de leves dúvidas — gostei: Era sedutoramente agradável e incomparavelmente muito mais saudável que a impotência e o desamparo antigamente."9 Alguns agentes bem-intencionados levantaram o braço para o golpe de libertação filo-semítico. À imagem difamatória de "Jud Süß" foi oposto "Nathan der Weise" de Lessing. Quase ninguém percebia que o novo estereótipo do judeu tolerante, iluminado e emancipado era uma encenação popular pedagógica, a qual tinha pouco a ver com a realidade da situação geral européia-judaica, respectivamente cristã-judaica; sem querer, o zelo cego mobilizava ressentimentos anti-semitas. Muitos esquerdistas na Europa, no entanto, entusiasmaram-se pela obra progressiva de construção no "estado pioneiro anti-colonialista" Israel. 2. A Guerra dos Seis Dias de 1967 e as conseqüências na AlemanhaNo mais tarde pelo fim da assim chamada Guerra dos Seis Dias,
a
tendência filo-semita da esquerda chegou a um fim: Israel
tentava, no início do junho de 1967, defender-se da
estratégia de isolamento e das ameaças de
destruição dos árabes por um golpe preventivo. Uma
onda de simpatia compreendia o estado judaico por toda a parte no mundo
ocidental. … Todo o poder
político vem dos
canos de fuzis, …
Precisamente na noite do 9 ao 10 de novembro de 1969, anti-sionistas
jovem-alemães levaram as suas fantasias glorificadoras de
violência a sério, colocando uma bomba na casa da comuna
judaica, a qual só por causa de falha técnica de
função não explodiu.21Sete anos depois começou ponto culminante de praxe anti-semítica de violência para pôr em questão a auto-certeza anti-sionista na solidariedade-Palestina neo-esquerdista. No verão de 1976, o comando alemão-palestinense de membros das "células revolucionárias", do "movimento do 2 de junho" e da "frente popular para a libertação da Palestina" tomou um avião francês de passageiros no seu poder, mudando a direção do aparelho a Entebbe (Uganda). O alemão Wilfried Bose organizou a separação espacial dos passageiros judaicos dos não-judaicos. Só agora o choque sobre afinidades entre ressentimentos direcionados à direita e radicais esquerdistas era tão efetivo que o fim do monopólio anti-sionista de opinião na esquerda se anunciou. Alguns ativistas perceberam que a luta contra injúria pudesse também assumir traços monstruosos.22 Amplas parte de esquerda alemã estão amalgamadas, pelo fim da década dos 1970, com o movimento alternativo verde, tendo-se mudadas nesse processo até irreconhecibilidade. Apesar disso: Quando o exército israelense no verão 1982 entrou no Líbano, para ali destruir bases da PLO que ali se encontravam e que tinham partes do estado libanês firmemente nas mãos, Israel, em unanimidade rara, foi condenado acusado de "genocídio" nos palestinenses. Não por últimos, publicistas alternativas de esquerda sucumbiram à fascinação de rompimentos de tabu conceituais; triunfando farejaram a oportunidade de conciliar antifascismo e anti-semitismo um com o outro. Também jornalistas da "tageszeitung" berlinense participaram dessa ofensiva histórico-psicológica de descarregamento, na qual os palestinenses atingidos foram designados como os "novos judeus" e os invasores israelenses comparados com os nazistas. A misturação almejada de níveis históricos cumulou na acusação do "Holocausto invertido" e numa "solução final da questão palestinense".23 Pelo fim da década dos 80, o engajamento não plenamente fervido do Médio Oriente de esquerdistas radicais e ativistas alternativos de esquerda gerou mal-estar crescente. Especialmente os verdes foram sacudidos por "provas de rompimento catárticas". Paralisada por mudanças de política mundial gigantes desde 1989, uma esquerda começou a chegar a ser uma sub-cultura — com todos os sintomas de sectificação. 3. "Mobilização de sentimentos de ódio dormitantes": Experiências suíçasChristina Späti lembra no seu estudo sobre a esquerda
suíça e Israel24, que o anti-semitismo "faz parte dos
constantes de saber coletivos da maioria das sociedades modernas". A
Suíça aqui não é exceção,
também quando o anti-semitismo esquerdista aí não
aparece com a mesma tenacidade na qual bate contra nós na
Alemanha — pense-se só nas dimensões terroristas da
amizade a Israel na década dos 1970. 4. Europa, a esquerda e o anti-semitismo hojeNo século novo, experimentamos um aumento novo de
teorias de
conspiração. Quem atiçar boatos sobre instigadores
clandestinos judaicos duma conspiração gigantesca
da humanidade tem ainda permissão de estar seguro de gerar uma
espécie de “prazer de angustia". A ressonância mundial do
livro “A Lobby de Israel" que vem no vestido dum estudo
científico mostra como amplamente divulgados são desejos
de teoria de conspiração, como atual é a procura
por um bode (judaico) de expiação, que se possa prender
por faltas da política externa dos EUA. A edição
alemã insinua já na capa a equiparação sem
sutura do “Lobby de Israel" com a comunidade judaica.28 Quando em 2003 um grupo Attac alemão chamou para o boicote de mercadorias israelenses, podia isso ainda ser interpretado como problema marginal — uma coleção de assinaturas a respeito foi retirada depois de protestos públicos.30 Mas na Grã-Bretanha, pelo fim do maio de 2007, delegados da União de Universidade e Colégio de grande influência resolveram “um boicote abrangente" de todas as universidades israelenses — contra a vontade da sua liderança de sindicato.31 … Pouco depois se
levantou um protesto,
sob
representação da organização de
acadêmicos “Cientistas para Paz no Médio Oriente" um
protesto internacional amplo: Vários milhares de
acadêmicos, entre eles 32 premiados de Nobel e 53 diretores de
universidade, declararam-se solidários com os seus colegas
israelenses, nomeando-se numa espécie de
auto-acusação, a serem cientistas israelenses.
Os sindicatos alemães guardaram silêncio a essas chamadas
de boicote de sindicatos iranianos, canadenses e sul-africanos.32
Depois de que já de círculos americanos de sindicatos
ouvira-se crítica, também o chefe do DGB Michael Sommer
distanciou-se categoricamente de qualquer boycote de Israel.33 Também no maio de 2007, participantes de reunião na academia evangélica Bad Boll, “não comprar produtos de Israel tanto tempo até quanto a ocupação for terminada".34 Uma chamada a boicote anti-israelense resolveu em junho de 2007 também a conferencia ecumênica “Igrejas juntas para Paz e Justiça no Médio Oriente" em Amã da Jordânia.35 Anti-sionistas esquerdistas protestaram em agosto de 2007 contra uma “Semana de Israel" do Kaufhof de Berlim, o sucessor duma casa de compras judaica Wertheim arizada sob os nazistas, porque ali estivessem oferecidas também mercadorias das colônias israelenses da região ocidental do Jordão.36 A questão da origem do fascinoso dum boicote contra a economia do estado judaico — em pessoas que deveriam conhecer o santo-e-senha nazista pelo menos das aulas de história — toca no cerne de valores europeus. “Os judeus são o nosso infortúnio!" era a convicção do historiador nacional-liberal reputado Heinrich von Treitschke no último terço do século 19. “O Estado de Israel é o problema!" é o que ouvimos e lemos hoje. Assim se formam diante os nossos olhos alianças transversais internacionalmente explosivas — p.ex entre o presidente populista esquerdista e “guerrilheiros de Deus" Hugo Chaves (Venezuela) e Mahmud Ahmadinedshad (Irã). Temo-nos acostumado na Europa que o anti-semitismo voltou a pertencer à cultura cotidiana? O embaixador francês em Londres fez troça em dezembro de 2001 na margem duma recepção social na conversa com um editor de jornal sobre “that chitty little country Israel". Daniel Bernard não quis primeiro não lembrar da sua expressão, mas admirou-se mais tarde de que uma “expressão privada de opinião" fosse apanhada da mídia e escandalizada “anti-semiticamente". Nem o embaixador nem o ministério do exterior francês desculparam-se pelo fauxpas [passo em falso].37 O prefeito londrino do Labor de orientação esquerdista, Ken Livingstone, insultou em 2006 um jornalista judaico como “guarda de Campo de Concentração". Um tribunal de Londres julgou a seguir que o Livingstone, conhecido como crítico notório de Israel, não teria infringido o “código ético de pertencentes ao serviço público".38 A deputada britânica de Labour Clare Stort atreveu-se com toda a serenidade à afirmação de que Israel minasse com a sua política os esforços da comunidade internacional contra o aquecimento global, porque o conflito não resolvido do Médio Oriente desviasse o mundo dos problemas verdadeiros.39 A revista social-democrática de teoria “Neue Gesellschaft / Frankfurter Hefte" publicou em 2007 na sua edição de junho uma recensão, na qual Rudolf Walther cobriu os autores com uma análise de anti-semitismo com tiradas de ódio carregadas de ressentimentos: “Como a figura ?…? dum oficial nazista num ?…? num filme de Francis Truffaut formalmente cheira judeus, assim Graumann ?vice-presidente do conselho central dos judeus? Ao redor de crianças e netos alemães, levado pelo desejo de diminuir a culpa dos pais e avós, convocando por isso para fechar firmemente as fileiras na guerra da visão do mundo contra terrorismo e islamismo." O redator chefe Thomas Meyer justifica a contribuição — “ a fronteira entre crítica legal de Israel e anti-semitismo" teria sido “univocamente" mantida: “A nossa redação não se deixa, na luta contra anti-semitismo, superar por ninguém."40 No mensal vienense social-democrático “Zukunft", o publicista e “esquerdista austríaco" Fritz Edlinger, editor da mal feita obra anti-semita “Blumen aus Galiläa" [Flores de Galiléia] no verão de 2007 veio polemizar contra o “bastante conhecido e publicista sionista Karl Pfeifer" e “os representantes oficiais do Judaísmo vienense".41 … O processo é
escandaloso
também porque o
publicista vienense Karl Pfeifer mesmo publicou durante anos artigos na
“Zukunft".
A historiadora austríaca Margit Reiter tirou já em 2001 a
conclusão desiludinte: “A ele [Edlinger] não só
eram antipáticos os escassamente fluentes pagamentos de
‘reparação’, mas sabia também delimitar os judeus
e judias austríacos em maneira conhecida desde já do
coletivo de nós austríaco, atribuindo-lhes sutilmente a
instrumentalização da Shoáh para finalidades
políticas."42Luisa Morgantini, deputada comunista italiana e vice-presidenta do parlamento europeu, deu no outono de 2007 uma entrevista exatamente à “Nazional-Zeitung" alemã. Ali teve oportunidade a partir para frente com palavras ásperas contra o estado judaico, a encarnação mal na política médio-oriental. O terror cotidiano palestinense não valia à política nem uma menção a margem: Nota!: Quando se vai contra Israel, até extremistas esquerdistas e direitistas gostam de lutar uns com os outros.43 Seria que a esquerda européia, a qual luta pela sua justificativa de existir, fosse tentada a voltar a fincar pé na etiqueta de anti-semitismo? Poderia, no quadro duma confederação de povos globalização-crítica, uma esquerda pós-moderna acomodar-se a perceber “os judeus", respectivamente "o Estado de Israel" como incorporação de influências abstratas (vagabundantes para lá e para cá) — e responsabilizar esses por repudiações sociais crescentes no século 21? As respectivas metáforas, já faz muito tempo, estão prontas em palavra e imagem. Lembrada seja só aquela campanha de "gafanhotos" em publicações sindicais, abrindo portas e portão às conotações antijudaicas e antiamericanas — é como se não houvesse empreendimentos alemães ou europeus que operam, investem e revendem internacionalmente como o querem. Gregor Gysi confessou em 2006: "O mundo de pensamentos e sentimentos em referência a Israel e aos países árabes não está clara na minha geração, confusa e contraditória."44 Uma pontificação hermenêutica no caminho à auto-iluminação urgentemente necessária poderia ser a percepção. Quando alemães, esquerdistas e europeus falam sobre judeus, Israel e sionismo, sempre falam também sobre si mesmos — muitas das suas auto-desnudações, sentenças e santo-e-senhas anunciam exigências de descarregamento historicamente condicionadas e projeções de defesa de culpa. Anti-semitismo era neste país "normalidade" durante séculos. Enquanto amplas partes da esquerda se esquivam da percepção de que o anti-semitismo como dantes é ferida supurante na alma da Europa, a exortação de Theodor W. Adorno fica atual: "Posta em dia seria o passado só quando as causas do passado fossem afastadas. Só porque as causas continuam existindo, o seu encanto ainda não desapareceu."45 Notas literárias 1 a 45: no fim do texto alemão! Texto alemão: Compass-Infodienst.de Die Linke in Europa: Vereint gegen Israel? |