Influência Judaica na Liturgia Cristã Primitiva:
Uma
Re-avaliação
Paul Bradshaw
Conquanto que, desde o começo do estudo científico do
culto cristão primitivo, havia alguns que examinavam o fundo
judaico para procurar antecedentes possíveis, essa linha de
inquirição era relativamente lenta no ser amplamente
estabelecida. Por um tempo muito longo, muitos cientistas não
olhavam naquela direção de modo algum, aparentemente a
partir duma convicção dogmática de que a fé
cristã teria necessariamente envolvida
transformação radical ou até
rejeição da religião anterior.1 Gerhard Delling, por exemplo,
escrevendo em 1952, asseverou que ‘o
culto que pertence ao reino que veio em Jesus é fundamental e
completamente destacado daquele de Israel2, e Ferdinand Hahn,
escrevendo ao redor de 1970, cria que os cristãos
primitivos eram originalmente livres de práticas rituais
judaicas, mas a seguir voltaram gradualmente a tais costumes como
jejuar e observância de Sabat.3 Mais recentemente, no entanto, chegou a
ser quase axiomático
para historiadores litúrgicos procurar elo possível entre
formas judaicas e cristãs – tanto assim que aparece ter
tendência às vezes para exagerar o caso, reivindicando
encontrando tais elos onde em realidade não parece ter tido
nenhum ou, pelo menos, nenhum tão perto como está sendo
alegado. Esta preleção, portanto, é tentativa de
re-examinar algumas das reivindicações que foram feitas
na esperança de chegar a uma avaliação mais
realista, evitando muitas das conclusões falsas que foram
alcançadas.
Parte do problema origina-se duma propensão entre alguns
cientistas cristãos de continuar utilizando conhecimento judaico
antiquado afim de demonstrar conexão entre práticas.
Assim, tem sido natural para cristãos supor que o serviço
semanal do Sabat possa ter deixado marcas na liturgia de domingo
cristã primitiva. De fato, tão duro Louis Bouyer tentou
estabelecer um elo entre os dois que veio a entrar com a teoria
ingênua de explicar a diferença nas duas ordens do
serviço – os cristãos tendo leituras primeiro e
então orações, e os judeus tendo as
orações antes das leituras. Reivindicou que eram os
judeus que subseqüentemente revertiam a ordem no seu
serviço afim de se diferenciar dos cristãos.4 Como
veremos mais tarde, enquanto não há evidência
qualquer de que tal ação particular ter tomado lugar, ele
não estava tão longe da marca em imaginar que algumas
mudanças litúrgicas pudessem ter sido feitas por judeus
antes de talvez por cristãos, afim de estabelecer a sua
própria identidade.
Embora muitos dos textos judaicos com os quais paralelas foram
procuradas estivessem conhecidos só de fontes datantes de tempos
muito posteriores que o primeiro século, no passado isso
não era visto como problema: gerações mais antigas
de cientistas judaicos criam que a tradição
litúrgica judaica exibira estabilidade notável
através das eras, e assim referencia a algum costume no Talmude
pudesse seguramente ser tomado como evidência para a sua
existência muitos séculos antes, especialmente se aquilo
que era dito sobre isso fosse atribuído a alguma figura da
antiguidade. Isso, porém, não está mais o caso na corrente
principal da ciência judaica. Está sendo reconhecido agora
que, como liturgia cristã, as práticas judaicas passaram
por mudanças significativas e desenvolvimento no curso da sua
história, e especialmente depois da destruição do
Templo, a qual levou a transformação fundamental tal ao
Judaísmo. A maioria agora crê que uma liturgia de Shabat
da sinagoga como tal era inteiramente produto do período
pós-Templo,5 quando muitas práticas formalmente
executadas exclusivamente no Templo foram transferidas à
sinagoga e outros elementos foram novamente criados aí como
substitutos pelos rituais do Templo que não podiam mais ser
realizados.6
Isso não quer dizer que não haveria quaisquer
reuniões de sinagoga no Shabat anterior a esse tempo, mas que
essas assembléias não eram litúrgicas no sentido
em que essa palavra está sendo usualmente entendida. Estavam em
vez primariamente para o fim de estudar a lei (e se Lucas 4,16ss. e
Atos 13,15 são testemunhos confiáveis para
práticas judaicas do período, para o ler os profetas
também). Longe de ser serviço litúrgico duma
duração limitada fixada, Filo reporta que em Alexandria
esse tempo de estudo não terminou até depois do meio dia
tarde (Apol. 7,12-13), embora as coisas estivessem sem dúvida
bem diferentes em lugares que não eram centros maiores de vida
intelectual. Conseqüentemente, parece muito improvável que
teriam havido ali quaisquer lecionários fixados em uso nessas
reuniões no primeiro século, exceto possivelmente em
relação às festas maiores do ano, ainda menos um
lecionário uniforme observado por toda a região. Assim,
as muitas tentativas feitas por uma cadeia inteira de cientistas
cristãs para encontrar pontos de contraste entre tais leituras
judaicas putativas e os livros do Novo Testamento, ou até
lecionários cristãos posteriores, devem largamente cair
ao chão, como também precisam as
reivindicações muitas vezes feitas de que Jesus tivesse
cantado os salmos no serviço de sinagoga semana por semana e que
isso é porque cristãos devessem continuar fazer o mesmo.7
Tudo que pode agora ser dito é que judeus estudavam as suas
escrituras cada semana, e cristãos fizeram isso em um ou outro
modo.
Até os festivais judaicos anuais que sabemos, que foram
celebrados durante o tempo de vida de Jesus, quase certamente
não tinham a forma que está descrita na literatura
rabínica posterior. Em particular, há consenso quase
completo entre cientistas judaicos hoje que o CêDèR de
PéÇaH não existia durante o período do
Segundo Templo e, embora alguns tentassem reconstruir o padrão
ritual da festa prior à destruição do Templo, tais
esforços têm também sido questionados.8 Assim,
cientistas cautelosos hesitariam agora tirar quaisquer paralelas
diretas entre a Última Ceia e o CêDèR
rabínico.
Igualmente condenadas são as freqüentes tentativas que
foram feitas para encontrar similaridades verbais estreitas entre
textos judaicos posteriores e aqueles dos cristãos primitivos.
Por exemplo, gerações de cientistas buscaram por
paralelas entre textos cristãos e aquilo que chegou a ser a
forma padrão da oração diária
judaica, AMIDóH ou SheMONéH
`ÉSRêH, ‘As Dezoito Benções’.
Semelhantemente, o que aparecem ser as mais primitivas
orações de refeição existentes na ordem
eclesial conhecidas como a Didahé [Didahé
tôn Dôdeka Apostólôn = Doutrina dos Doze
Apóstolos; trad.] têm também um foco particular de
atenção em esforços de encontrar paralelos. Bouyer, por exemplo, fez a
reivindicação espantosa de que
aqui não mais que poucas palavras e frases foram mudadas do
original judaico alegado, a BiRKaT-HaMòZÔN ou
graça depois refeições.9 Essa
afirmação é obviamente incorreta, mas outros
cientistas chegaram com teorias alternativas, afim de tentar demonstrar
alguma conexão entre as duas orações. A
conclusão alcançada pelo cientista Louis Finkelstein faz
aproximadamente oito anos, de que o primeiro e o segundo das três
unidades da oração judaica foram invertidas na
versão cristã,10 tem sido repetida por muitos cientistas
cristãos nos anos no meio, enquanto Louis Ligier preferisse
falar da primeira unidade como sendo integrada para dentro da segunda e
absorvida por esta,11 e Enrico Mazza argüiu que a Didahé
no lugar eliminou a primeira unidade totalmente, substituindo-a por um
começa plenamente diferente.12
O texto mais primitivo da BiRKaT-HaMòZÔN conhecida
a nós, no entanto, data do século nono de Era Comum, e
assim não temos caminho nenhum de saber que forma poderia ter
tomado muitos séculos antes. É verdade que no Livro dos
Jubileus, usualmente pensado como ser escrito no meio do século
segundo ACE [antes da Era Comum] há uma forma de graça
posta na boca de Abraão que mostra uma estrutura tripartite
similar dalgum modo à BiRKaT-HaMòZÔN: a
benção de Deus pela criação e pelo dom de
alimento, a ação de graças pela vida longa
concedida a Abraão, e a suplicação pela
graça e paz de Deus.13 A Mishnáh também fala duma
graça depois refeições composta de três
benções (Ber 6.8), mas não indica os
conteúdos dessas, presumivelmente porque já eram
já esperados serem familiares à leitores dela. No entanto, devemo-nos
cuidar de traçar estreita demais uma
linha dessas fontes ao texto primeiro conhecido centenas de anos
depois. O que é que mostram é a existência duma
oração tripartite depois das refeições com
um padrão definido. Mas não sugerem que os
conteúdos detalhados já estivessem sido fixados ou que
essa era a forma única naquele tempo. Semelhantemente, a maioria
das formas existentes de intercessão cristã são
plenamente diferentes em estilo dos textos posteriores na AMIDóH,
a oração judaica diária. Daí, aqueles
desesperados para encontrarem paralelas entre as duas se têm
geralmente reduzido a apontar semelhanças meramente nos seus
assuntos gerais, e não no seu estilo lingüista ou
vocabulário particular ou até na sua ordem,
parecenças que são simplesmente vagas demais para
suportar uma teoria de dependência direta.14
Em todo o caso, mais uma vez cientistas judaicas mais recentes
têm dúvidas graves de que orações judaicas
existiam numa forma estandardizada no primeiro século. Assim
Joseph Heinemann, um dos pioneiros da revolução na
ciência judaica nesta área da década dos 1960,
escreveu:
As orações judaicas eram originalmente as
criações do povo comum. Os idiomas e formas
característicos de oração, e de fato as
orações estatuárias da própria sinagoga,
não eram em primeiro lugar produtos da deliberação
dos rábis nas suas academias, mas eram antes espontâneas
improvisações na ocasião da gente que se reunia em
várias ocasiões para orar na sinagoga. Como as
ocasiões e lugares de veneração eram numerosos,
era só natural que dessem surgimento a uma abundância de
orações, mostrando ampla variedade de formas, estilos e
padrões. Assim, o primeiro estágio no desenvolvimento da
liturgia era caracterizado por diversidade e variedade, e a tarefa dos
rábis era sistematizar e impor ordem nessa multiplicidade de
formas, padrões e estruturas. Empreendiam essa tarefa depois do
fato; só depois de que as numerosas orações vieram
ao ser e eram familiares às massas, os sábios decidiram
que o tempo viera para estabelecer alguma medida de uniformidade e
estandardização. Só então é que
procederam cuidadosamente a inspecionar as formas e padrões
existentes, para desqualificar alguns, enquanto aceitando outros, para
decidir que orações eram para serem estatuárias em
quais ocasiões e em quais orações a pessoa
‘cumprisse a sua obrigação’.15
Heinemann argüia que o processo de estandardização
tomou lugar só gradualmente. Pelo segundo século CE,
‘só o número das benções, a sua ordem de
recitação e o seu conteúdo geral tivera sido
fixado, bem como as ocasiões da sua recitação e as
regras que as governavam, mas não sua verbalização
exata’.16 Enquanto algumas das suas conclusões foram mudadas por
cientistas judaicos mais recentes – por exemplo que a linha
evolucionária direta pudesse ser tratada a partir daquilo que
chamou ‘as criações da gente comum’ aos textos de
oração rabínicos17 – ainda muito daquilo que
escreveu chegou a ser geralmente aceito, e especialmente a vista de que
nunca tivesse um texto padrão original singular de
orações judaicas, mas antes uma ampla série de
variantes em existência entre grupos judaicos diferentes. Algumas
dessas variantes anteriores podem de fato ser detectadas em
prescrições posteriores. Assim, por exemplo, a mesma
passagem da Mishnáh que prescreve uma graça composta de
três benções também permite uma
bênção singular composta da substância das
três a ser falada no lugar. Semelhantemente, enquanto a
oração composta de dezoito benções veio a
ser requerida a ser falada três vezes em cada dia semanal, uma
forma variante composta de só sete benções era
para ser usada em Shabats e festivais. Em ambos esses casos e outros,
parece provável que houvera uma tradição rival de
que era simplesmente bem demais estabelecido em alguns círculos
para ser inteiramente suprimida pela uma favorecida pelos legisladores,
e assim um compromisso foi alcançado de reter ambas em algum
modo.
De fato, até o cientista judaico conservativo Ezra Fleischer
apoiava o seu suporte à visão de que três vezes de
oração diária só chegaram a ser
obrigatórias para todos os judeus depois da
destruição do Templo. Onde parece estar errado, no
entanto, era no supor que, uma vez que os rábis vieram a
prescrever a prática, o povo a tivesse imediatamente adotada, e
que não só as vezes específicas para orar, mas
também o conteúdo das orações tivesse
pulado plenamente formados do nada no tempo.18 Como Ruth Langer
observou numa crítica da obra dele, ele assumia que ‘Rabban
Gamliel pudesse decretar que cada um devesse orar um conjunto complexo
novo de orações três vezes ao dia, e que as pessoas
simplesmente tivessem re-arranjado as suas vidas para acomodar isso’.19
E ele ignorava a probabilidade forte de que os tempos
específicos escolhidos para orações e pelo menos
os contornos daquilo o que então era para ser orado tinham tido
antecedentes entre alguns grupos de judeus piedosos anteriores a esse
tempo, antes que a possibilidade muito menos provável de que
fossem inventados imediatamente como renovação completa.20
Isso levanta outro aspecto da questão – a tendência de
muitos cientistas cristãos, semelhante a muitos cientistas
judaicas anteriores, para restringir a sua investigação
de antecedentes judaicos exclusivamente a tradições
judaicas rabínicas encontradas na Mishnáh, Talmude e
outros escritos. Enquanto fossem essas tradições que
subseqüentemente formavam a ortodoxia judaica formada mais tarde,
criando conseqüentemente a impressão de que também
tivessem formado a corrente principal dominante de prática
judaica anteriormente no primeiro século, dever-nos-íamos
cuidar de tomar aquela impressão no seu valor de face. De fato,
uma escola recente, embora controversal, da ciência judaica
argüiu que o movimento rabínico permanecesse
periférico na sociedade judaica até pelo menos o terceiro
ou quarto século da Era Comum, e que até então
ganhou influência muito gradualmente, só chegando a ser
social e religiosamente dominante no século sexto ou ainda mais
tarde.21 Podemos formar uma impressão similarmente descaminhadora da
Cristandade primitiva, se assumirmos que a versão
gentílica, e especialmente a paulina, da fé que enche
tanto do Novo Testamento, formando eventualmente a corrente principal
da ortodoxia posterior, era já nessa posição na
primeira geração ou segunda do movimento. Isso nos faria
relegar Cristandade Judaica às linhas marginais no ver as
raízes mais primitivas, enquanto na realidade aparece ter sido
Paulo e o movimento gentílico deste que constituíam o
escape daquilo que fora o coração da
tradição religiosa nascente. Não temos
razão nenhuma para supor que os primeiros convertidos
cristãos foram tirados do partido farisaico, e qualquer
razão para esperar o oposto sendo o caso a partir das
controvérsias documentadas no Novo Testamento, e daí
precisamos olhar ao que sabemos sobre outras formas de fé e
prática judaicas no primeiro século para
influências possíveis nas tradições mais
primitivas do culto cristão.
Um exemplo simples ilustrará esse ponto. Sabemos que um costume
emerge na Cristandade primitiva de virar a face na
direção do leste afim de orar, seja que um crente
estivesse sozinho ou seja num grupo. Gerações anteriores
de cientistas assumiam que os cristãos escolhiam fazer isso afim
de se diferenciar dos judeus, estes que tivessem virado a face a
Jerusalém. Em outras palavras, o viam como resultado de
influência judaica, mas uma influência que levou os
cristãos primitivos a fazerem o oposto da tradição
prevalecente, e isso naturalmente apelava àqueles que quiseram
ver a Cristandade uma como rejeição de Judaísmo. Ciência mais recente,
no entanto, sugere que a prática
cristã possa em verdade ser a continuação dum
costume anterior de virar a face ao leste para orar, que era observado
por alguns grupos de judeus, e especialmente os essênios.22
Algo semelhante pode também ser o caso com respeito à
escolha cristã da quarta e sexta feiras como dias regulares de
jejuar. A Didahé, que menciona esses dias, tem sido
freqüentemente entendida como significando que também essas
seriam inovação cristã intentada para distinguir
cristãos judaicos de outros judeus que jejuavam na segunda e
quinta feiras. Mas outros cientistas levantaram a questão de porque
esses dias
particulares fossem escolhidos? Movendo um jejum de segunda feira
à terça feira e um jejum da quinta feira à sexta
feira poderia ter feito algum sentido, mas porque quarta feira
e sexta feira? Como a cientista bíblica francesa Annie Jaubert
apontou, movimentos religiosos não costumam fazer simplesmente
escolhas ao acaso em tais assuntos.23 Isso levou à
hipótese de que pode ter sido a proeminência daqueles dias
no calendário solar usado pelos essênios (e talvez outros
judeus) que esclareça a sua adoção por
cristãos.24
Assim, longe de serem inovações de estacar para a sua
identidade daquela de outros judeus, um número de costumes
cristãos possam bem ser perpetuação de
tradições mais antigas praticadas em certas seitas
judaicas que não sobreviveram no Judaísmo depois da
transformação deste seguinte à
destruição do Templo. É assim importante, quando
olhando para antecedentes e paralelos, aquilo que sabemos sobre todas
as práticas de todas as variedades de grupos judaicos que
existiam no primeiro século deva ser tomado em
consideração. Embora tal material possa não estar
em abundância tão grande como possamos querer, um bom
número de textos já existe,25 nem por último
aqueles de Qumran, os quais eventualmente estão sendo publicados
pela luz que podem derramar na liturgia judaica primitiva em geral, bem
como nas práticas daquela seita particular. A literatura recente
nesse campo vai prestar atenção cuidadosa, especialmente
com respeito a antecedentes possíveis de padrões da
oração diária cristã.26 Podemos também discernir referências a práticas
variantes de culto em outras fontes, inclusive a própria
literatura rabínica, que ocasionalmente menciona afrontosamente
as atividades rituais do povo comum.
Nesse ponto do nosso levantamento, no entanto, precisamos fazer a
pergunta fundamentalmente importante de se influência judaica em
liturgia cristã era restrita ao século primeiro ou se
continuou em tempos posteriores. É óbvio que a
influência primária deve ter sido exercida nas
raízes históricas do movimento cristão quando este
fazia, ainda muito, parte da cultura judaica mais ampla. Mas havia
também influências que foram sentidas depois
desse período? Aqui há divisão dentro da
ciência tanto judaica quanto cristã. A
posição tradicional era ver separação aguda
entre Igreja e Sinagoga com tendo tomado lugar em data bem cedo, como
resultado do que toda comunicação entre as duas
então terminou, e influência assim chegou a um fim. O
ponto em que os caminhos se partiram foi variamente fixado, entre a
data no meio do primeiro século em todo o caminho até 135
EC, mas usualmente não para além.27 No entanto, isso foi desafiado em
anos recentes por alguns cientistas,
que argüiram no lugar para um processo mais lento de
separação e uma influência mais continuante, se
diminuinte dos dois um ao outro por pelo menos alguns séculos
mais longos.28 Está bem conhecido que, pelo menos na Antioquia e
provavelmente
alhures, cristãos atendiam tanto sinagoga quanto igreja no fim
do século quarto, como foram severamente criticados por
João Crisóstomo nos sermões deste por ter feito
isso,29 mas está talvez menos bem conhecido que cânones de
vários concílios do fim do quarto século
proíbem o clero e a laicidade de manter jejuns ou festivais com
judeus ou aceitar doações ou alimentos enviados dos
festivais destes – regulamentos que dificilmente teriam sido
necessários, não tivesse havido um risco real de eles
fazerem isso.30 E recentemente, Daniel Stöld Ben Ezra argüiu para a
continuação duma tradição de alguns
cristãos mantendo festivais de outono judaicos, e especialmente
Yom Kipur, por vários séculos.31
Além disso, a noção de uma
fecundação cruzada continuante ajuda explicar a
emergência no quarto século de dois textos
litúrgicos cristãos como aparência fortemente
judaica que não parecem ter feito parte da
tradição do mais primitivo começo dela. O primeiro desses é coleção de
orações no Livro 7 da ordem eclesial no fim do quarto
século, conhecido com Constituições
Apostólicas que é que realmente têm alguma
semelhança surpreendente à Amidah judaica,
especialmente na sua forma mais curta de Shabat. Esse material
litúrgico particular é completamente excepcional em
caráter entre textos cristãos tanto anteriores como
posteriores, e assim parece provável que foi introduzido numa
data bem tarde, talvez o terceiro século, dum grupo judaico
afastados dos padrões.32 Enquanto esse texto parece não ter tido
influência ampla
na liturgia cristã, mas só dentro dum grupo limitado, era
outro modo com a emergência do Sanctus em algumas
orações eucarísticas do quarto século. Como
a questão de como o Sanctus veio a encontrar lugar no uso
cristão tem sido extensivamente ser examinado por outros,
não pretendo tratar esse sujeito em qualquer detalhe aqui,
exceto dizendo que é mais provável de ter sido um
empréstimo tardio do Judaísmo do que algo que alegrara de
uma existência contínua em culto cristão de tempos
primitivos, enquanto simultaneamente permanecendo completamente
invisível nas fontes existentes.33
Obviamente, influências tais como essas teriam diretamente
afetados só certos grupos cristãos e não todos,
mesmo se no caso do Sanctus a pratica foi mais tarde copiada mais
amplamente. Na maioria dos lugares, as autoridades eclesiais eram
ansiosas para se distanciar e as suas práticas daquelas dos
judeus. Tais fenômenos como os esforços de abolir a
observância do quartodécimo de páscoa e a
necessidade sentida por alguns cristãos de compilar as suas
próprias tabelas para predizer a data de páscoa cada ano,
antes de encarar o embaraço de ter ir na rua para baixo a
sinagoga vizinha para perguntar quando Peçah, iria cair,
que estão sendo encontrados até no século
terceiro, são sinais da contenda que estava avançando no
movimento religioso novo para estabelecer a sua identidade independente
própria, abolindo tanto quanto possível os sinais mais
óbvios de qualquer conexão a costumes judaicos.34
No entanto, diversidade similar no degrau de influência judaica
em comunidades cristãs diferentes deveria também ser
reconhecida para o primeiro século também. No passado,
nos historiadores litúrgicos tentamos esperar para encontrar
brutalmente o mesmo efeito, ou falta de efeito, de Judaísmo em
qualquer lugar na Cristandade primitiva, devendo ser dado
crédito em particular a Gerard Rowhorst para tentar a
persuadir-nos a ver diferentemente as tradições
liturgias cristãs na base no seu ponto particular de origem,
corrigindo assim as nossas apreensões desviadas. Aqueles que
procuravam antecedentes judaicos a práticas litúrgicas
cristãs precisam reconhecer que haverá provavelmente
diferenças significantes entre Igrejas que emergiram da
predominância do fundo gentílico e aquelas que têm
raízes mais fortes na Cristandade Judaica. Rouwhorst retamente
argüiu que, mesmo fazendo diferença entre Igrejas com
raízes judaicas e aquelas com origem gentílica é
categorização simplista demais: hátem havido
provavelmente formas intermediárias, como por exemplo Igrejas
que eram gentílicas em origem, mas tinham quase nenhum afinidade
à teologia paulina, estando por uma ou outra razão ainda
abertas para influências judaicas.35
Rouwhorst mostrou como uma aproximação tal ajuda para
explicar um número de fenômenos divergentes na
prática litúrgica cristã primitiva. Isso explica
porque há tanta polêmica nos escritos cristãos
primitivos sobre alguns cristãos seguirem observâncias
judaicas e, em particular, em observando o Sabat. Enquanto os seus
oponentes possam ter caracterizado isso como ‘judaizar’ – caindo para
trás em modos não-reformados – para aqueles grupos o era
nada da espécie, mas simplesmente a continuação da
sua prática tradicional.
Isso explica também a hora acordada a Sábados em algumas
Igrejas em fontes do quarto século, assim que não era um
dia em que os cristãos jejuavam, mas era um dia em que
regularmente celebravam a eucaristia, ao longo do tratamento oposto em
outras Igrejas. Explica porque em algumas Igrejas o ministério
eucarístico da palavra regularmente incluía uma leitura
do Antigo Testamento, ou até duas – da Lei e dos Profetas –
enquanto em outras não. Explica porque em algumas Igrejas a celebração
da
Páscoa está conhecida a nós numa data ceda em 14
de Nisan, enquanto em outras Igrejas a festa não está
sendo observada de modo algum até estar sendo adotada a uma data
posterior como uma noite de Sábado –
celebração de domingo com um significado inteiramente
cristão. E explica porque as orações eucarísticas de
algumas Igrejas têm odor semítico forte no seu
vocabulário e estilo, enquanto em outras é difícil
mostrar qualquer conexão com uma graça judaica depois das
refeições, porque as orações parecem
pertencer a um ambiente cultural inteiramente diferente. Podemos
contrastar, de um lado, a anáfora de Addai e Mari com,
de outro lado, o cânon eucarístico da Igreja Romana.36
Embora todos os exemplos citados até aqui sejam de casos onde
cristãos derivaram costumes litúrgicos de judeus,
não devemos automaticamente assumir que o tráfico era
todo de mão única. Israel Yuval abriu uma linha
interessante de pesquisa interessante, sugerindo que por vezes possam
ter sido judeus que mudaram os seus costumes afim de se diferenciar de
cristãos, antes que sempre de outra volta.. Reivindicou:
A vista judaica que vê Judaísmo
como sempre influenciando
Cristianismo, mas nunca de outro caminho de volta, está
teologicamente fundada, baseada na assunção de que
Judaísmo é a religião mãe da Cristandade.
Mas a Cristandade primitiva e o Judaísmo tanaítico
são são duas religiões irmãs que tomavam
forma durante o mesmo período e sob as mesmas
condições de opressão e destruição.
Não há razão nenhuma de não assumir um
desenvolvimento paralelo e mútuo de ambas as religiões,
durante o qual por vezes o Judaísmo internalizava idéias
do seu rival antes de que de outro modo de volta. Durante os
séculos segundo e terceiro, havia todas as espécies de
judeus e todas as espécies de cristãos, todas lutando
contra a Roma pagã e todas compartilhando a centralidade da
idéia messiânica e do ritual de PeÇah.37
Ele a seguir continua expandindo-se sobre essa idéia em
detalhe
em relação ao desenvolvimento do PeÇaH.
Seth Schwartz sugeriu que algo similar possa ser verdadeiro com
respeito à emergência de construções de
sinagoga elaboradas no quarto século, quando sendo a resposta
direta ao programa cristão de construir igrejas, que estava
tomando lugar no tempo.38 A isso podemos acrescentar a demanda rabínica
de que cada texto
de oração deva ser conformado ao padrão berakah,
incorporando a frase ‘Abençoado sejas, Senhor Deus’ etc., que
vemos sendo imposta até em material de oração
tradicional na codificação de Judaísmo depois da
destruição do Templo. Quaisquer orações que
não começavam já nesse modo foram modificadas por
juntar a fórmula ao fim da oração como selo ou
hatimóh antes de por re-escrever o texto inteiro desde o
começo. Porque as autoridades escolheram esse padrão berakah como
normativo, descartando todas as outras construções
possíveis? Poderia ter sido porque os cristãos primitivos
já estavam mostrando preferência para usar
orações jogadas na forma de eucaristia ‘Damos
graças a Ti, oh Senhor’ etc., que previamente fora variante
inteiramente aceitável da forma berakah no orar judaico? Antes
de ser isso desvio cristão duma norma já estabelecida,
poderia ser que a imposição da berakah na liturgia
judaica era reação a tendência cristã como
marcadora ulterior da identidade judaica ortodoxa sobre contra essa.?
De outro lado, não podemos completamente descontar a
possibilidade de que todos esses possam simplesmente ser casos de
desenvolvimentos paralelos inteiramente independentes antes de
reações de um ao outro.39 Seja qual for a verdade disso, há certamente
exemplos em que
cientistas pularam rápido demais à conclusão duma
dependência literária direta quando encontraram
similaridades em frases e expressões em oração
judaicas e cristãs posteriores. Freqüentemente, em
examinação mais estreita, essas se mostram não
estando devidas a emprestação direta por um do outro –
seja por judeus de cristãos, ou seja por cristãos de
judeus – mas sim para ser o resultado de uso duma fonte comum, das suas
escrituras compartilhadas, as quais os cristãos vieram chamar de
o Antigo Testamento. Está agora também sendo reconhecido
que algumas das comunalidades que existem entre certas práticas
de Qumran e aquelas da liturgia rabínica posterior possam
também ser explicadas no mesmo modo.40
O uso cristão de imaginações de Templo apresenta
caso particular em ponto. Está tentando imaginar que as
referências cristãs a práticas do Templo sejam
baseadas em lembranças históricas autênticas
daquilo que estava andando no Templo de Jerusalém, transmitido
dos convertidos mais primitivos por gerações sucedentes
de crentes, e um bom número de cientistas cristãos
caírem facilmente demais nessa mesma tentação.41
Mas até no caso de tradições judaicas posteriores
sobre costumes de Templo, alguns cientistas judaicos suspeitam que o
que possa por vezes estar acontecendo é um projetar para
trás daquilo que gerações posteriores pensavam que devesse ter
acontecido antes que o que era o caso. Por
exemplo,
o
material no tratado da Mishnáh Middot parece por vezes
estar
mais estreitamente relacionado a projeções
bíblicas do Templo do que àquilo que está agora
conhecido por pesquisa arqueológica como tendo sido verdadeiro
do site atual do Templo. Semelhantemente, as descrições litúrgicas no
tratado Temid não rendem uma única imagem
consistente tal
como se possa esperar se o seu objetivo tivesse sido realmente
registrar exatamente o ritual cotidiano. Tanto mais assim,
então, no caso de tradições cristãs
referentes a práticas cúlticas judaicas, que parecem
estar baseadas em descrições e prescrições
do Antigo Testamento do que qualquer fonte independente. Isso é
aplicável no ponto mais primitivo nas duas
tradições – polêmica anti-judaica entre os Padres
Apostólicos – do que é na apropriação de
linguagem imaginaria cúlticas em referência a
práticas de culto cristãs no século quarto.
Em conclusão, portanto, o que podemos dizer sobre
influência judaica na liturgia cristã primitiva?
Evidência disso certamente existe, mas não na
extensão que gerações anteriores de cientistas
imaginavam. Não podemos esperar encontrar paralelas
precisas na verbalização de textos ou os detalhes de
cerimonial. Também não podemos esperar encontrar ver o
mesmo degrau de influência em cada parte do mundo cristão
antigo. E por vezes a influência não era no
cristãos adotarem os mesmos costumes como judeus, mas fazendo o
oposto afim de se distinguir de judeus, enquanto em outros tempos posam
ter sido judeus que precisavam diferenciar as suas práticas
daquelas de cristãos. Mas freqüentemente que não, as
influências parecem ter vindo de tradições de
movimentos judaicos do século primeiro, que desapareceram de
vista na mudança repentina e completa na cultura depois da
destruição do Templo antes que das
tradições rabínicas que chegaram a ser codificadas
como Judaísmo ortodoxo em séculos posteriores. E é
possível que descobertas ulteriores têm de ser ainda a ser
feitas na pesquisa nesta área.
Não, a Cristandade não era uma religião nova que
devia pouco ou nada às raízes judaicas das quais emergia,
mas o seu relacionamento com aquelas raízes e com o
Judaísmo ortodoxo que estava sendo gradualmente formado ao longo
deste está antes aquele de duas crianças alienadas,
crianças que estão hoje finalmente começando a
descobrir os seus ancestrais comuns , e por isso deveríamos
agradecer.
Notas literárias 1 a 41: no fim do texto inglês.
Texto inglês: Jewish
Influence on
Early Christian Liturgy: A Reappraisal
Tradução: 9/7/2008 
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Pedro von
Werden, SJ
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