Presença de Deus
I. Diferença Profunda e Conexão
Firme
Hans Hermann Henrix
“A diferença mais profunda de fé se manifesta na face de
conexão firme entre cristãos e judeus. A fé
cristã em Jesus Cristo que é da conseqüência
da sua crucificação e ressurreição
está sendo afirmada que proclamada, não só como o MeShIaH
prometido, mas também como o Filho consubstancial de Deus,
aparece a muitos judeus como algo radicalmente ‘não-judaico’:
vêem-no como contradição absoluta, se não
blasfêmia, ao monoteísmo estrito como este está
sendo afirmado todos os dias, particularmente por judeus devotos, no ‘SheM`A
de Israel’. O cristão precisa entender isso, mesmo se ele
mesmo não vê contradição a monoteísmo
no ensinar Jesus como Filho de Deus.”1 Isso é como, na sua
declaração sobre o relacionamento da Igreja ao
Judaísmo, os bispos alemães descrevem o proximidade entre
Judaísmo e Cristianismo e o seu limite enquanto a fé
cristã em Jesus Cristo está referida. Fazendo assim,
dão dois títulos a Jesus Cristo: Messias e Filho de Deus.
O desacordo cristão-judaico está centrado nesses dois
títulos cristológicos, que são de
significância desigual. A ênfase diferente no entender da
encarnação é mais profunda que a expectativa
messiânica, a qual não é tão central ao
Judaísmo como a é ao Cristianismo. Uma ênfase
diferente está sendo dada ao assunto messiânico nas duas
tradições. Conseqüentemente, a divergência
central entre judeus e cristãos jaz, não no
título de Messias, mas antes no outro título de Jesus.
Cristo, aquele de Filho de Deus, e especialmente a respeito de Deus e a
Sua presença – em outras palavras, o entender de Deus e da Sua
presença na história e na encarnação do
Filho de Deus em Jesus Cristo. Assim, o filósofo ortodoxo
judaico Michael Wyschogrod pode dizer: “Os assuntos pendentes mais
difíceis entre Judaísmo e Cristianismo são a
divindade de Jesus, a encarnação, a Trindade, três
conceitos que não plenamente sinônimos, mas que todos eles
asseveram que Jesus era, não só um ser humano, mas
também Deus. Comparado com essa reivindicação,
todas as outras reivindicações cristãs, tais como
Jesus como Messias, chegam a ser secundários no máximo.”2
Crítica Judaica
O diálogo cristão-judaico hoje madureceu e
discussões podem hoje tomar lugar sobre Deus e a
encarnação como uma forma muito pessoal da Sua
presença. Isso deu surgimentos a várias respostas
judaicas e teólogos cristãos devem estar percebentes de
vários argumentos e percepções na
objeção judaica à encarnação do
Filho de Deus.
Uma objeção importante está no nível de
filosofia (religiosa). O filósofo judaico Emmanuel Levinas
examinou o valor da “idéia” da encarnação (do
Filho) de Deus, sugerindo que a presença de Deus no mundo seria
“muito demais” para a pobreza de Deus e “pequena demais” para a Sua
glória [ou: KòBÔD = Ímpeto da Sua
essência; Buber: Wucht SEINES Wesens; trad.], sem a qual
a Sua pobreza não é abaixamento. Nega que Deus possa
chegar a “presença” em tempo e no mundo, argüindo que Deus
fica “Outredade que não possa ser assimilada, absolutamente
diferente a qualquer coisa que se manifesta”. Conseqüentemente,
fala de “da prioridade original de Deus ou validade última
original como considera o mundo, o qual não O pode receber e ou
abrigá-lO”, assim Ele “não pode … chegar a ser
encarnado”, não pode “incluir-se num fim, num alvo”.3.
Outra interjeição argúi um posterion: o
Judaísmo não pode aceitar a encarnação do
Filho de Deus, porque não ouve essa história, porque a
Palavra de Deus como está sendo ouvida no Judaísmo
não conta essa história e porque a fé judaica
não a testifica.4
Assim, a partir do ponto de vista judaico, a encarnação
não é tópico judaico de discussão. Isso
é porque, já na década dos 30 do século 20,
Martin Buber falou da ausência de encarnação de
Deus como sendo algo especificamente judaico: “a ausência duma
encarnação [Inkarnationslosigkeit] do Deus que Se
revela à ‘carne’ e Que está presente a esta num
relacionamento recíproco” é que ultimamente separa
Judaísmo e Cristianismo. ‘Unificamos’ Deus professando a Sua
unidade no nosso viver e morrer, não nos unimos a Ele. O Deus, a
Quem cremos, a Quem somos sendo em louvor, não se une com
substância humana na terra.”5
Mais uma objeção como vista por judeus, é que as
conseqüências de fé cristã na
encarnação resultaram em aprofundar o antagonismo sentido
por cristãos referente a judeus.6
Na teologia católica, a crítica judaica da
encarnação do Filho de Deus está sem certamente
ouvida atenciosamente.7 Quando teólogos refletirem nas
possibilidades e limites duma recepção
cristã dessas objeções, eles o podem fazer
com referência ao entender Cristo do Concílio de
Calcedônia (451) e da assim chamada hermenêutica
calcedônica. O Concílio de Calcedônia viu o
relacionamento de “humanidade” e “divindade” em Cristo como sendo
não misturado e, ao mesmo tempo, não separado. No rosto
humano de Jesus de Nazaré a Palavra de Deus, o Filho divino. Em
Jesus, o que é humano e o que é divino não
está misturado um com o outro e não pode ser separado um
do outro. A famosa fórmula conciliar diz: “Seguindo,
então, os santos padres, unimos no ensinar todas as pessoas
humanas a confessarem o um e único Filho, nosso Senhor Jesus
Cristo. … Esse e único Cristo-Filho, Senhor, gerado único
– em duas naturezas, e fazemos isso sem confundir as duas naturezas,
sem transformar uma natureza para dentro da outra, sem dividi-las em
duas categorias separadas, sem as contrastando segundo área de
função. A distintividade cada natureza não
é nulificada pela união. Em vez, as ‘propriedades’ de
cada natureza estão conservadas e ambas as naturezas e uma
‘pessoa’ e em uma realidade ‘hypostasis’ (…)”8. A guia
conciliar permanece importante quando a teologia cristã responde
à crítica judaica da encarnação do Filho de
Deus como forma concreta e pessoal da presença de Deus.
Fé Cristã na Encarnação
Os cristãos dizem em fé: “Cremos na
Encarnação, que o Filho de Deus chegou a ser carne ou
chegou a ser pessoa humana em Jesus Cristo”. Consideram a intimidade
entre Deus e a Sua criatura como evento na história do mundo que
não caia na terra como um meteorito, mas dentro duma
história específica de presença de Deus no
mundo, isso é: no encontro entre o Deus de Israel e o povo de
Israel. A presença específica forma a história do
encontro e intimidade.
Na Bíblia Hebraica, isso está descrito como habitar de
Deus em ou entre o povo de Israel. “Então os faz fazer um
santuário para Mim, e habitarei entre eles” (Êxodo 25,8).
O Seu habitar designa aqui forma especial de presença de Deus.
É – como Benno Jacob declara no comentário do livro
Êxodo – “a completação de seres humanos com o Seu
espírito e essência como residir representativo entre
eles”.9. Exatamente esse pensamento desenvolveu-se mais tarde em
Êxodo 29,42-46, sendo concretizado no conceito de aliança:
“Aí [a tenda de encontro] encontrar-Me-ei com o povo de Israel,
e serei santificado por Meu KòBÔD. E habitarei
entre o povo de Israel, e serei seu Deus” (Êxodo 29, 43-45).
Habitar entre o povo de Israel e conseqüência do
êxodo para fora do Egito: assim Ele pode ser “seu Deus”10. Quando
Salomão começou a construir a casa de Deus, o Templo em
Jerusalém, Deus disse: “Referente a essa casa que estais
construindo, se andardes nos Meus estatutos e obedecerdes as Minhas
ordens, observando todos os Meus mandamentos e andardes neles,
estabelecerei a Minha palavra convosco. E habitarei entre as
crianças de Israel” (1Reis 6,12s.). Deus tem assim dois lugares
de morar para a sua presença íntima: o Templo e o
povo de Israel.11
A fé cristã ousa declarar que o evento da
encarnação do Filho de Deus – Jesus Cristo, o
único filho do povo judaico como lugar concreto e único
da inabitação de Deus – efetuou mudança,
não só na história, mas sim da história
mesma. Isso está sendo expressado no Evangelho segundo
João na sentença climática na teologia do Novo
Testamento: “E a Palavra chegou a ser carne e habitou entre
nós.” Essa declaração dupla em João 1,14
deve ser tomada inteiramente a sério: “a Palavra chegou a ser
carne” é justamente tão importante como “e habitou entre
nós”. Segundo Friedrich-Wilhelm Marquardt, o testemunho sobre a
Palavra chegando a ser carne é o mesmo que o testemunho sobre
Deus fincando a Sua tenda e o Seu nome no meio de Israel.12 A primeira
metade do versículo diz num modo “cristão” o que a metade
segunda diz num modo “judaico”.
Durante o curso da história da Igreja, a linguagem
bíblica foi transformada para outras categorias de fala, assim
que categorias “judaicas” estão no fim expressadas
“filosoficamente”. A fé de que Deus, o criador de qualquer coisa
no céu e na terra, desceu pelo Filho e de que a palavra chegou a
ser carne e pessoa humana é muito estranha para entender
judaico do Deus de Israel, em cujo meio o evento de chegar a ser
carne e pessoa humana ocorreu e de cujo meio foi para fora
à nações, não falou em todo, nesse modo,
sobre a presença ou proximidade de Deus, mesmo embora tivesse –
e continua ter – introspecções profundas e íntimas
na presença e proximidade de Deus. A maioria do povo judaico
não ouvia isso, porque a Palavra de Deus, como ela a
entendia, não lhe contava isso.
Comentando a presença de Deus, o cientista judaico ortodoxo
Michael Wyschogrod não receava de escolher uma frase para
caracterizar Judaísmo, a qual a primeira vista parece como a
antítese ao que Buber disse sobre a “falta de
encarnação”. O Deus de Israel é “um Deus que entra
no mundo humano e que, fazendo isso, não receia de
parâmetros de existência humana, inclusive espacialidade.
É verdadeiro que o Judaísmo nunca esqueceu a
dialética, a transcendência de Deus. … Mas essa
transcendência permanece em tensões dialéticas com
o Deus que vive com Israel na impureza deste (Lv 16,16), que é
companheiro íntimo dos judeus, seja no Templo de Salomão
ou seja em milhares de salas de oração. … Assim,
Judaísmo é internacional – se entendermos esse conceito
como significando que Deus entra no mundo humano, que aparece em certos
lugares e vive ali, assim que esses cheguem a ser por isso santos.”
Segundo Wyschogrod, não há razões “dentro da
essência da idéia judaica de Deus”, que exclua a priori a
“presença em forma humana” de Deus.13 Segundo essa
posição, a idéia da encarnação em
geral não está antitética a Judaísmo.14
Uma Resposta Cristã
O quê é que um cristão possa dizer à
crítica judaica da fé cristã na
encarnação do Filho de Deus em Jesus Cristo e ao entender
judaico do habitar de Deus entre o povo de Israel ou até ao
auto-entendimento encarnacional dum pensador judaico como Michel
Wyschogrod? A resposta será, não filosófica, mas
sim teológica. Podemos começar com Wyschogrod. Era,
não a vitória duma idéia filosófica, mas
antes a decisão livre do Deus soberano de Israel assumir o Seu
habitar no único Filho do povo judaico, Jesus de Nazaré,
em tal modo que nós cristãos não podemos mais
falar de Deus sem incluir o Seu relacionamento a esse Filho. Na nossa
descrição de Deus, acompanhando essa estada, não
podemos corresponder com um conceito melhor do que aquela Palavra ou
aquele Filho de Deus chegou a ser carne. Aqui devemos outra lembrar a
declaração dupla em João 1,4: “E a Palavra
chegou a ser carne e habitou/viveu entre nós.” Segundo entender
joanino, o testemunho referente à palavra que foi feita carne
é o mesmo que o testemunho referente ao habitar ou viver de Deus
em Israel. Esse era o testemunho dado a partir do meio de Israel a
cristãos de entre as nações, como o feito livre do
Deus de Israel ao Filho do povo judaico, Jesus de Nazaré.
Em vista da objeção de Levinas de que a
encarnação seja muito demais para a pobreza de Deus e
pouco demais para o KòBÔD de Deus, a resposta
cristã consiste na contra-questão simples e
filosoficamente sem defesa: mas o quê se o Deus de Israel se
contentou entrar numa presença ou proximidade, o que de fato
não parece ser muito demais para a pobreza divina, e ousar uma
presença que parece ser pouca demais para o KòBÔD
de Deus, sem a qual a Sua pobreza não seja rebaixamento?
Essa é fé cristã. Reflexão
responsável sobre esse tópico proíbe triunfalismo,
como por exemplo a reivindicação de que a nossa fé
seja melhor ou maior ou mais profunda em comparação com a
dos judeus e do Judaísmo. Tal julgamento estará aparente
só no fim da história, quando a fé estará
ser pesada pelo Senhor da história. A nossa fé seja,
não cega, mas humilde, sem reivindicar ser melhor, sem ser
polêmica referente à fé judaica.
A interjeição crítica de Levinas contra a
idéia de “um Deus homem” faz parte da inquietação
que encontrava expressão na Idade média no conceito de ShiTUT
[vagueação]. Esse conceito surgiu da impressão de
que a veneração cristã de Jesus Cristo como Filho
igual de Deus introduzisse um elemento de misturar ou de elemento
não-divino para dentro de Deus mesmo.15
“Há razão boa para
a
severidade da rejeição
judaica da encarnação. Não importa quão
perto Deus chega à humanidade na Bíblia Hebraica,
não importa quanto Deus esteja incluído em
esperanças e receios humanos, Ele ainda permanece o juiz eterno
do ser humano, cuja natureza é ser a imagem de Deus (cf. Gn
1,26s.), mas que não pode ser misturado com Deus. … à luz
disso, a declaração de que um ser humano era Deus pode
só dar surgimento para a mais profunda concernência na
alma judaica”: …
Teologia cristã não será capaz de satisfazer
essa
crítica e preocupação judaicas, mas deve ser
sensível para os perigos de misturar e fundir o relacionamento
entre as naturezas humana e divina em Jesus Cristo.
Parece-me que ShiTUT tanga no entendimento do Concílio
de
Calcedônia, quando enfatiza o único e mesmo Cristo “em
duas naturezas; e é que fazemos isso sem confundir as duas
naturezas, sem transformar uma para dentro da outra”, e que o
Concílio então reforçou acrescendo: “A
distintividade de cada natureza não está sendo nulificada
pela união.” (…). Na sua cristologia, Walter Cardeal Kasper
enfatizou que Calcedônia inambiguamente mantinha a
declaração de “que Deus e homem não formam
simbiose natural. Ne encarnação, Deus não chega a
ser um princípio dentro do mundo, nem está sendo feito
para dentro duma realidade espacial nem para dentro do tempo. A
transcendência está sendo mantida tanto quanto a
independência e liberdade da pessoa humana.”16 O Concílio
de Calcedônia expressou uma sensibilidade que não acaba
com a preocupação judaica, mas é que indica algo
que está objetivamente referido. Não significa algum ser
sendo entre que esteja sendo formado por misturar o divino e o humano,
mas antes o único e mesmo Cristo “em duas naturezas não
misturadas”.
Um judeu como a Encarnação do Filho de Deus
Michael Wyschogrod ligava o entender cristão de
encarnação com a demanda de que Jesus não seja
separado do povo judaico. O vigor da teologia cristã de
substituição demonstra com bastante freqüência
que isso não aconteceu. O mesmo perigo surge quando se falar da
encarnação num modo de que o Filho de Deus em Jesus
Cristo para dentro dum “ser humano in abstracto, num modo geral e
neutro”. O Filho de Deus, a Palavra de Deus, chegou a ser um ser humano
em Jesus de Nazaré, não chegou a ser um ser humano in abstracto,
em geral ou num modo neutro. Antes, chegou a
ser
carne
judaica, um judeu, o filho duma mãe judaica e, como tal, chegou
a ser um ser humano.
O fato de que o Filho de Deus chegou a ser judeu é fundamental
para a teologia cristã. A concretude da encarnação
do Filho de Deus em Jesus Cristo tem ainda de ser levada a sério
na teologia cristã. Vários documentos do
magistério da Igreja tocaram nesse tópico nas
últimas décadas. O papa João Paulo II refletia
profundamente sobre a realidade concreta da encarnação do
Filho de Deus nas suas muitas declarações referentes ao
relacionamento da Igreja ao Judaísmo. Em 11 de abril de 1997,
recebeu a Comissão Bíblica Pontifícia em
audiência, e na sua alocução falou de
endereçar do elo inseparável do Novo Testamento com o
Antigo Testamento e da identidade humana de Jesus. Enfatizando que
Jesus chegou a ser judeu, descreveu a encarnação do Filho
de Deus como segue: A identidade humana de Jesus está
determinada na base do seu elo com o povo de Israel, com a dinastia de
Davi e sua descendência de Abraão. E isso significa
não só uma pertença física. Fazendo parte
nas celebrações de sinagoga onde os textos do Antigo
Testamento estavam sendo lidos e comentados, Jesus também via
também humanamente para conhecer esses textos, alimentou a sua
mente e coração com eles. Assim, chegou a ser filho
autêntico de Israel, profundamente arraigado na longa
história do seu próprio povo. … Privar Cristo desse
relacionamento (com o Antigo Testamento) é portanto
desligá-lo das suas raízes e esvaziar o seu
mistério de todo o sentido.”17
No diálogo cristão-judaico de hoje há tais que
querem enfatizar o peso histórico de culpa e falha dos
cristãos e da Igreja antes de discutir os ensinamentos de judeus
e cristãos e entre eles. Mesmo se alguém concordar com
esta tese, questões de fé ficam e, para cristãos,
fé depende do entender Jesus de Nazaré como Cristo. Se
alguém voltar a esse assunto mais difícil nas
relações cristas-judaicas, tem de enfrentar a
crítica judaica da encarnação do Filho de Deus em
Jesus Cristo. Está em resposta à essa crítica de
que a fé cristã na encarnação possa ser
vista mais claramente. Conversação judaica-cristã
sobre o entender de Deus e Sua presença pode resultar numa
proximidade inesperada. O entender judaico da presença de Deus
no mundo pode esclarecer e fazer frutífero pensar encarnacional.
Essa é experiência confortante na teologia e
diálogo do nosso tempo.
II.
Presença de Deus em Israel e
a Encarnação
Edward Kessler
Um dos fatos certos sobre Jesus era que ele era judeu. Era
criança de antepassados judaicos, criado num lar judaico e
educado entre tradições judaicas. Por toda a sua vida,
Jesus vivia entre judeus e os seus seguidores eram judeus. Nenhum outro
judeu na história rivalizou Jesus na magnitude da sua
influência. As palavras e feitos de Jesus, o judeu, têm
sido e são inspiração para milhões
incontáveis de homens e mulheres. Estranhadamente não
é que judeus deram pouca atenção à vida e
ensinar desse judeu saliente? Contudo, isso é verdadeiro porque
os seguidores cristãos de Jesus vieram a apreciar crenças
sobre a sua vida que nenhum judeu pudesse manter.
Quando a Igreja perseguia os judeus num esforço de
convertê-los, a indiferença judaica a Jesus virou
hostilidade. É fato triste de história que os seguidores
desse grande judeu trouxeram muito sofrimento sobre o povo judaico,
assim que por séculos era muito duro para qualquer judeu
até pensar de Jesus sem dificuldade. Até ao tempo
recente, a maioria judaica escolheu não pensar nele em geral.
Agora estamos testemunhando mudança significante e, embora
indiferença judaica referente a Jesus não desaparecesse
de jeito nenhum, os sinais estão sendo encorajantes.
Jesus e sua família teriam sido observantes da Toráh,
pagavam décimos, observavam o Shabat, circuncidavam os
masculinos, freqüentam a sinagoga, observavam as leis de pureza em
relação a nascimento e menstruação,
mantinham o código de dieta – a gente poderia continuar.
Enquanto os Evangelhos recordam disputas sobre a
interpretação por Jesus de algumas poucas delas, a
noção dum Jesus cristão, que não vivesse
pela Toráh ou só pelos valores éticos dela,
não encaixa com realidade histórica.
Não há vista judaica oficial de Jesus, mas em um respeito
judeus concordavam na sua atitude referente a Jesus: Os judeus
rejeitaram a reivindicação tremenda que está feita
para Jesus por seguidores cristãos – de que Jesus é o
Senhor Cristo, Deus encarnado, o próprio Filho de Deus o Pai.
Naquela crença, judeus e cristãos devem continuar a
diferir respeitosamente. Judeus crêem que todos compartilham do
espírito divino, sendo estampados com a imagem divina, e que
pessoa nenhuma – nem mesmo a maior de toda a gente – possa possuir a
perfeição de Deus. Ninguém pode ser igual de Deus.
O dr. Henrix está correto, portanto, quando indica que para
judeus, a doutrina de Jesus como Filho de Deus ou como ‘a Palavra
encarnada de Deus’ excede os limites do Judaísmo, mesmo embora
possamos admitir que desenvolva assuntos judaicos centrais. O conceito
de encarnação está sendo geralmente visto como um
das principais linhas divisoras entre Judaísmo e Cristianismo,
particularmente o entender que nada menos que a atualidade do amor,
sabedoria e auto-expressão divinos seja mediada por Cristo, que
capacitem a humanidade de participar na vida divina.18
Mas embora esse divino seja no meio, isso não significa que o
tópico deveria ser posto a um só lado. Há vantagem
no discutir esse tópico junto porque no fazer assim entendemos
um ao outro um pouco melhor, descobrindo também certas
comunalidades, feições compartilhadas, as quais
não percebemos que existem. Para judeus, um modo de se aproximar
ao entendimento cristão da cristologia encarnacional, é
ver essa ao longo da insistência judaica no Deus estando com o
seu povo. O termo, SheKINóH, é a analogia judaica mais
próxima à encarnação: ‘quando eles [Israel]
foram ao Egito, a SheKINóH foi com eles; em
Babilônia, a SheKINóH estava com eles’ (Talmude, Megillah
29a).
O termo SheKINóH origina-se com o KòBÔD
de Deus
‘habitando’ sobre o tabernáculo (Êxodo 40,35), indicando
tento presença divina como continuidade. Imagem importante
é a continuidade da presença divina mesmo quando em
exílio, vista na nuvem e fogo que conduziram o povo no relato do
Êxodo, sendo mais tarde tomada como estar presente depois da
caída do Templo em 70 EC.
O prólogo de João poderia ter desenvolvendo conceitos
similares, especialmente com a alusão aí ao
‘tabernácular’ da Palavra. Sacando sobre um trocadilho em grego,
onde a palavra para ‘tabernáculo’ é semelhante ao
hebraico para ‘habitar’ (1,14), Jesus, a Palavra de Deus, está
sendo pintado como encampando no povo do mundo – ‘e a palavra chegou a
ser carne e habitou (literalmente: tabernaculou) entre nós’.
Descobrimos assim similaridade dos conceitos judaico e cristão
da presença divina, que serve, não só como
emissão teológica de diálogo, mas de entendimento
maior das pontes entre as duas fés.
A gente poderia também fazer comparações com o
entendimento judaico de Toráh: Judaísmo rabínico
de corrente principal ensinou que Moisés recebeu a Toráh
do Sinai, mas havia também uma tradição de que a
Toráh estava em existência antes da criação
do mundo (p.ex. Ben Sira 1:1-5), ou até antes da
criação do Trono de KòBÔD
(Gênesis
Rabbah 1:4). Toráh era igualada com Sabedoria (Provérbios
8,22) e Filo escreveu sobre a pré-existência e papel na
criação da palavra de Deus (logos), que foi
identificada
com a Toráh (Migration 130). Embora Filo não tenha o
mesmo entender do logos encarnado que está sendo
encontrado no
prólogo do Evangelho de João, é notável que
um judeu que vivia no mesmo tempo que os autores do Novo Testamento e
que provavelmente nunca nem ouviu de Jesus, falou da paternidade de
Deus e do logos como a sua imagem: ‘Mesmo se ainda não
formos
adequados para sermos chamados filhos e filhas de Deus, podemos ainda
ser chamadas as crianças da Sua imagem eterna, da Sua palavra
(logos) mais sagrada’ (Sobre a Confusão das Línguas 147).
Mais tarde, naturalmente, a Cristandade entendeu logos como a ‘Palavra
de Deus’, que se referiu a Jesus como Deus encarnado.
O Judaísmo rabínico também personificou
Toráh, descrevendo como Deus discutia a criação do
mundo com a Toráh. Noutra ocasião, a Toráh
está sendo descrita como a noiva de Israel. Outra
feição da Toráh segundo os rábis é
que ela era eterna. A declaração de Jesus segundo Mateus
5,17 de que veio, não para destruir, mas para cumprir a
Toráh é recordativo do ensino rabínico da sua
não-abrogabilidade. Os rábis ensinavam que a Toráh
existiria no mundo por vir, mas interessantemente foi também
argüido que mudanças à Toráh tomariam lugar
na era messiânica (Gênesis Rabbah 98:9), embora isso fosse
rejeitado por Maimônides, que mantinha que não fosse haver
mudança nenhuma depois da vinda do MeShIaH.
Essa discussão da Toráh é outro exemplo de como
judeus possam entender melhor que primeiro pensamos o modo em que
teologia cristã trata Cristo, embora a origem divina da
Toráh não esteja sendo nunca vista como a
auto-manifestação de Deus. No entanto, poderia ser
sugerido que a descrição de Cristo que ‘carrega o
próprio cunho da natureza de Deus’ (Hb 1,3) não
está para ser dissimilado.
Vamos ver mais um tópico importante estreitamente relatado, que
penso que derrame luz na nossa reconciliação de
diálogo. Esse assunto, a primeira vista, demonstra as
diferenças significantes entre Judaísmo e Cristianismo –
notavelmente a natureza de seres humanos e a eficiência de
reconciliação vicária.
O entender judaico convencional da natureza humana vê as pessoas
como tendo duas inclinações, uma chamando as pessoas ao
bom e a outra a ações erradas. As pessoas, tendo vontade
livre, são capazes de responder a uma das
inclinações ou à outra. Para tal entendimento da
natureza humana, “pecado” é menos condição do que
um adjetivo para descrever ações erradas escolhidas.
Além disso, as conseqüências de tais
ações na são ineradicáveis. Antes, podem
ser revertidas por TeShUBóH.
No pensamento cristão, o entender de reconciliação
está condicionado num entender diferente da natureza humana. As
pessoas estão sendo entendidas como serem concebidas em pecado e
mantidas nos laços de pecado original, o que Agostinho chama de
“corrupção inerente”. Nesse estado caído,
são incapazes para se salvar a si mesmas. A morte de Jesus
(nascido sem polução por pecado original) está
entendida como reconciliação necessária para
salvar pessoas num modo em que não se possam salvar a si mesmas.
Um segundo assunto significante é reconciliação
vigária. Os rábis requerem o envolvimento do individual
na sua própria TeShUBóH. A prática da
reconciliação vicária chegou a fim no
Judaísmo com a cessão do culto sacrifical quando o Templo
foi destruído. No ensinar cristão, o evento Cristo
está sendo entendido como o grande ato de
reconciliação na história humana. A morte de Jesus
chega a ser, em efeito, reconciliação vicária em
nome de todos aqueles que creram nele. Para uma perspectiva tal
é significante, não a ação do crente, mas
sim a ação feita em nome do crente.
No entanto, apesar dessas diferenças significantes, há
comunalidade considerável na prática religiosa das duas
comunidades de fé. Ambas as liturgias oferecem ao fiel a
oportunidade de confessar os seus pecados a Deus e a procurar
perdão de Deus para tais falhas. E, como matéria
prática, a prática tanto judaica como cristã
inclui ênfase firme em reconciliação entre pessoas
e entre o indivíduo e Deus, de Quem possam ter chegado a serem
alheadas. Ambas as tradições incluem práticas
concretas de ritualização o ato de
reconciliação: o rito de Confessão na Igreja
Católica, as várias formas de reconciliação
ritual nas tradições protestantes e o Dia de
Reconciliação – ao longo de outras
ritualizações – no Judaísmo.
Vamos portanto voltar à questão de se possa haver
qualquer comunalidade em termos de teologia encarnaçal. De fato,
havia algum interesse judaico nesse sujeito, mais importantemente por
Michael Wyschogrod (The Body of Faith. God in the People of Israel [O
Corpo de Fé. Deus no Povo de Israel], 1989), que enfatiza o amor
livre mas irrevogável de Deus pelo povo de Israel e, em
conexão com Israel, para o mundo como um todo.
Assunto Maior para Wyschogrod é que a eleição de
Israel por Deus esteja baseada somente no amor inalterável de
Deus, não podendo ser ab-rogado pelo lado humano. Deus
não escolheu Israel porque este era superior em qualquer modo a
outros povos; de fato, em alguns respeitos possa até possuir
ligeiramente mais negativas características que outros grupos.
Também a escolha de Deus não é condicional sobre a
obediência de Israel aos mandamentos que Deus impõe a
Israel como a expressão da vontade de Deus para a conduta de
Israel. A eleição de Deus traz consigo o mando de Deus e
a ameaça de punição severa, caso Israel falhar a
viver à altura da sua eleição. Mas apesar do fato
de que pessoas judaicas lutaram incessantemente contra a sua
eleição, com as conseqüências mais desastrosas
para si mesmas e para o restante da humanidade, a eleição
divina permanece inafetada, porque ela é incondicional, baseada
somente no amor de Deus.19
Cristologia encarnaçal é sujeito de interesse para
Wyschogrod na sua discussão de Cristianismo que percebe certa
divergência entre Judaísmo e Cristianismo. Esclarece que
reivindicações cristãs referentes a Jesus
são problemáticas a partir da fé judaica. A
reivindicação de que Jesus era o MeShIaH é
difícil para judeus aceitarem, porque Jesus não realizou
a função messiânica chave: não introduziu o
reino messiânico. Muito mais difícil ainda, todavia,
é a reivindicação cristã de que Deus era
encarnado em Jesus. Para um judeu assinar a essa crença
significaria violação grave da proibição
contra idolatria.20
Apesar disso, Wyschogrod não pensa que os judeus estejam
intitulados para rejeitar a reivindicação cristã
sobre a encarnação de Deus em Jesus de improviso.
Rejeitar a encarnação por razões a priori
seria
impor constrangimentos externos à liberdade de Deus,
noção fundamentalmente alheia ao Judaísmo. Segundo
Wyschogrod, há só uma condição sob a qual
Israel estivesse intitulado a rejeitar as reivindicações
da Igreja sobre Jesus de improviso, e essa é que se essas
reivindicações fossem implicar que Deus teria repudiado
as promissões de Deus a Israel. Pois isso é algo em que
Israel pode seguramente confiar que Deus o nunca fará,
não porque Deus seja incapaz, mas porque Deus honra as
promissões de Deus.
A questão, então, é se a teologia
encarnaçal implica a ab-rogação das
promissões de Deus a Israel. É isso necessariamente o
caso?
Para cristãos, a questão da validade de Judaísmo
desafia algumas proclamações de triunfalismo
cristão. Esse assunto, que precisamos questionar, é se
Cristianismo possa diferenciar-se do Judaísmo sem asseverar-se
como de um ou outro modo oposto a Judaísmo ou simplesmente como
substituição de Judaísmo.
Mas é que Cristianismo ensina a substituição de
Judaísmo?
Se examinarmos os escritos dos Padres de Igreja, a única
resposta possível é: ‘sim’! Os Padres argüiram que,
porque os judeus rejeitaram Jesus, eles foram punidos por ter o seu
Templo destruído e por serem exilados da Terra de Israel. Os
cristãos permitiam aos judeus sobreviverem num estado
empobrecido, assim que a sua posição inferior possa
testemunhar a verdade do Cristianismo. Como resultado, desdém
para Judaísmo chegou a ser central ao ensinar cristão e
ao desenvolvimento da identidade cristã.
Felizmente – para tanto judeus quanto cristãos – os dias quando
identidade cristã era dependente em negação de
todas as coisas judaicas passaram. De fato é, não
só um re-acordar ao Judaísmo da Cristandade, mas sim o
reconhecimento de que a formação de identidade
cristã hoje é dependente num relacionamento positivo como
Judaísmo.
Ironicamente, essa é, não aproximação
teológica nova, mas sim re-descoberta duma doutrina
teológica antiga, a qual está expressa nos escritos mais
antigos do Novo Testamento – nas cartas de Paulo. Na carta so Romanos
(especialmente capítulos 9-11), Paulo maneja exatamente esse
ponto, quando levanta uma questão particularmente controversal:
o quê com a validade contínua da aliança de Deus
com o Seu povo judaico? Era que a Igreja, o Israel Novo, simplesmente
substituir o Antigo como herdeira das promissões de Deus?
Se assim, é que isso significa que Deus renegasse da Sua
palavra? Se Deus fez isso a respeito dos judeus, que garantia há
para as Igrejas que não faria isso outra vez, aos
cristãos?
A gente poderia argüir contra Paulo que, se os judeus não
mantinham fé com Deus, então Deus tem pleno direito de
jogá-los fora. Cristãos que argúem desse modo
não fizeram muitas vezes a mesma dedução sobre
fidelidade cristã, que não foi um característico
notável e constante dos últimos dois milênios.
Atualmente, Deus parece ter tido capacidade notável para ficar
fiel com tanto cristãos quanto judeus quando não
mantinham fé com Deus, um ponto de que Paulo está
profundamente consciente em Romanos 9-11. Ele deixa o seu modo (de
criticar judeus; trad.), para negar que Deus rejeitou o povo escolhido,
asseverando que o seu tropeçar não leva a sua
caída.
Na vista de Paulo, era impossível para Deus eleger o povo
judaico como um todo e então mais tarde o destituir. Na sua
vista, o endurecimento tomou lugar assim que os gentílicos
recebessem a oportunidade de se juntar ao povo de Deus. A
eleição da Igreja, portanto, deriva daquela de Israel,
mas isso não implica que a aliança de Deus com Israel
esteja quebrada. Antes, permanece inquebrada – irrevogável.
Paulo também oferece uma advertência severa de que os
cristãos gentílicos não devessem ser arrogantes ou
jactanciosos aos judeus incrédulos – muito menos cultivar
intento mal e engajar-se em perseguição contra eles. Essa
advertência crítica ficava quase totalmente esquecida por
cristãos na história. Cristãos relembravam os
judeus como “inimigos”, mas não como “amados” por Deus, tomando
no coração as críticas de Paulo e as usavam contra
os judeus, enquanto esquecendo o amor de Paulo pelos judeus e as
tradições destes.
É comum para teólogos cristãos voltar aos
argumentos de Paulo e chamar a Cristandade para abandonar a sua
animosidade religiosa histórica, tendo sido esmagadora a
caricatura descaminhadora de Judaísmo. Essas estão sendo
agora admitidas como algo errado, e a sua rejeição
pública era requerida antes da possibilidade de diálogo
pudesse existir. Assim, antes que o diálogo pudesse realmente
começar com Judaísmo, a Cristandade precisava mudar
daquilo que, para a maior parte, era necessidade inerente para condenar
Judaísmo mudar para uma de condenação de
antijudaismo. Esse processo não levou a uma
separação de todas as coisas judaicas mas, de fato, a um
relacionamento mais estreito com “o irmão mais velho”. Nos
nossos tempos, estamos testemunhando a ocorrência duma
mudança demonstrável dum monólogo cristão
sobre judeus a um diálogo instrutivo (e por vezes
difícil) com judeus.
Para Wyschogrod, a doutrina de encarnação de Deus poderia
ser entendida uma como intensificação da aliança
de Deus com Israel. Embora a encarnação não esteja
previsível na base da Bíblia Hebraica, uma que o fato da
encarnação está assumido (como é por
cristãos), pode ser considerada como extensão do truste
básico da Bíblia.
Num artigo intitulado Incarnation and God’s Indwelling in Israel
[Encarnação e a In-habitação de Deus em
Israel], Wyschogrod argúi que a aliança entre Deus e
Israel resulta, não justamente numa estreiteza e intimidade
entre eles, mas inclui um in-habitar de Deus no povo de Israel cujo
status como povo santo possa ser dito como derivar desse in-habitar.
Sugere, controversamente, que a divindade de Jesus não esteja
radicalmente diferente da santidade do povo judaico.21
John Pawlikowski tomou também interesse nesse tópico tal
como Christ in the Light of the Christian-Jewish Diologue
[Cristo
à Luz do Diálogo Cristão-Judaico]22, tendo
sugerido que “Cristologia Encarnaçal tem a melhor possibilidade
para preservar tais dimensões universalistas do Evento
Cristão enquanto abrindo ‘espaço teológico
autêntico para Judaísmo’, como o falecido cardeal Joseph
Bernardin o terminou.”23
Finalmente, no entanto, a questão de em que extensão a
Igreja faz parte do plano de Deus para o mundo depende, a partir duma
perspectiva judaica, no se a Cristandade almeja para substituir Israel.
Tradicionalmente, a Igreja proclamou-se a si mesma a ser o Israel
verdadeiro (verus Israel), consistindo dos fieis de todas as
nações, em relação à qual o Israel
carnal antigo existia como presságio temporário.
Reivindicando ser o novo povo de Deus, substituindo o antigo, a Igreja
mina as promissões de Deus, sendo rebelião contra palavra
de Deus.
Isso é reminiscente do período primitivo das
relações judaicas-cristãs, quando judeus lembravam
cristãos que Jesus vivia a sua vida, não como
cristão, mas sim como judeu. Jesus era judeu, não um
intruso alheio na Palestina do 1º século. Seja o que for
que era ainda, era reformador de crenças judaicas, não um
censurador indiscriminado delas. Para judeus, a significância de
Jesus deve estar na sua vida antes de na sua morte, uma vida de
fé em Deus. Para judeus, não Jesus, mas só Deus
é Senhor.
Mas um número crescente de judeus era orgulhoso de que Jesus
nasceu, viveu e morreu judeu. Agora poucos de nós estão
querendo considerar as doutrinas teológicas ainda mais
desafiantes dos nossos parceiros. Estamos olhando por pontes para criar
entendimento maior entre as nossas comunidades, para estabelecer HeBRUTóH,
parceria, na qual procuramos, não
só
construir respeito, mas também para entendimento ulterior,
não só para reconhecer diferença, mas para
construir pontes.
Separados e juntos, devemos trabalhar paras trazer cura ao nosso mundo.
Nesse empreendimento somos, como cristãos e judeus, guiados pela
visão dos profetas de Israel:
“Virá acontecer no fim dos dias que o monte do Senhor
será estabelecido no pico dos montes e exaltado acima das
colinas, e as nações fluirão a ele … e muitos
povos irão dizendo: ‘Vinde vós e vamos subir ao monte do
Senhor à casa do Senhor de Jacó e Ele nos ensinará
os Seus caminhos e andaremos nas Suas veredas.’” (Isaias 2:2-3).
Notas literárias 1 a 23: no fim do
texto inglês.
Texto inglês: God’s Presence in
Israel and Incarnation: a Christian-Jewish Dialogue

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Pedro von
Werden, SJ
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