CRISTÃOS E JUDEUS |
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Religião Faz PazMarkus WeingardtComo no Burundi vizinho, na década dos noventa os hutu, também em Ruanda com 85 por cento representam a maioria enorme.1 Enquanto porém, a minoria tutsi em Burundi apresentava, porém, quase a inteira camada política e intelectual de liderança, os hutu em Ruanda exerciam o domínio. O relacionamento das duas tribos era tradicionalmente cunhado por desconfiança e tensões contínuas, as quais sempre mais uma vez levaram a erupções parcialmente desmedidas de violência. Nisso, ressentimentos antigos e receios novos jogavam papel, mas sempre se tratava também de vantagens econômicas e poder político.2P.ex., os soldados
tutsi
em Burundi perpetraram um massacre em 1972 nos
hutu, no qual, segundo avaliações, morreram entre 200.000
e 500.000 pessoas …
Essas disputas tinham também efeito direto ou indireto aos
relacionamentos entre-estaduais dos vizinhos estreitos: “Quando Ruanda
espirar, (…) Burundi pegará um resfriado.”3
… (essa metáfora
vale também vice versa).
O chefe ditador de estado de Ruanda, Habyarimana (hutu) tinha,
por
sua
vez, planos para a extinção dos tutsi de Ruanda; de outro
lado, no entanto, tinha negociado com o exército de rebeldes dos
tutsi um armistício e assinado em agosto de 1993 o
convênio de paz de Arusha (Tanzânia).4 Quando dois meses
depois o presidente no Burundi – um hutu – está sendo
assassinado e a guerra civil irrompe, também o convênio de
Arusha volta a estar em questão.5
No outubro de 1993,
o presidente de Burundi, Melchior Ndadaye (hutu)
está sendo assassinado em conseqüência duma
(finalmente mal-sucedida) revolta de oficiais tutsi. Em seguida
primeiro, por todo o país, hutu tomaram as armas, mas o
exército dominado por tuttsi repeliu matando milhares de hutu.
Com isso, a guerra civil tomou o seu curso a qual, no primeiro
mês, exigiu 50.000 vítimas de vidas humanas, até
hoje muitas acima de 200.000. A irrupção da
violência em Ruanda em 1994 não deve ser considerada
isolada dos massacres e da guerra civil: “Está amplamente
entendido que os conflitos contínuos em (…) Ruanda e Burundi
estejam ligados inextrincavelmente por insurgências
através de fronteira, ligações étnicas
através de fronteira e ligas econômicas através de
fronteira.” …
Contra a resistência de políticos hutu de
Ruanda,
Habtarimana, no entanto, faz negociações também
com o novo chefe borundense de estado, o tutsi Ntaryamira.
Alguns meses depois, os presidentes dos dois estados se encontram outra
vez em Dar Assalam (Tanzânia), para esclarecer finalizando o
convênio de Arusha. Mas na sua volta em 6 de abril de 1994, o seu
avião está sendo abatido no vôo de aterrar em
Kigali (capital de Ruanda); os presidentes de ambos os países
perdem a vida. Até hoje não está esclarecido se o
atentado foi cometido por adversários internos hutu do
convênio de paz ou lutadores tutsi.6 Os regentes hutu, em
todo o caso, carregam o ataque aos rebeldes tutsi, tomando isso
como motivo de um, talvez sem par, genocídio, “preparado
até nos mínimos detalhes no mais cuidadosamente
preparado”7:
… (Octave
Ugirashebuja
era membro da Comissão Justiça e
Paz de Ruanda).
Dentro de 100 dias, do 6 de abril até o 15 de julho de 1994
foi,
perante os olhos do mundo assassinado cerca de um milhão de tutsi
e hutu opocionais, respectivamente moderados, do modo mais
cruel; só dez por cento dos tutsi ruandeses.8
As
avaliações oscilam entre 800.000 e 1.2 milhões.
Para comparação: Os combates na (Ex-)Iugoslávia
exigiram nos quatro anos de junho de 1991 a maio de 1995 cerca 200.000
vítimas de morte …
Especialmente assustadora, ao lado da extensão e da brutalidade
desse autêntico massacre, é a cooperação da
população civil. Pessoas simples, homens como mulheres,
jovens e velhos, de um dia para outro se arrolaram sobre as sua
co-pessoas da tribo de tutsi com macetes e fuzis, com as quais foram
à escola e fizeram negócios, com as quais eram amigos e
talvez eram, por casamento inter-tribal, afins, com as quais falaram a
mesma língua e visitaram a mesma igreja. Os vizinhos antigos
foram esquartejados à vista, torturados, raptados, violentados e
queimados a corpo vivo – a crueldade, assim parecia, não
conhecia limites nesses 100 dias.9
Romperia o quadro
apresentar os massacres mais abrangentemente.
Informações excepcionais são que uma
apresentação apoiada pela de Sociedade para Povos
Ameaçados e pelos Médicos sem Fronteiras de entrevistas
com perpetradores e vítimas sobreviventes, …
Finalmente, no entanto, um exército pequeno, mas bem equipado
dos rebeldes dos tutsi, a Frente Patriótica Ruandense (RPF),
assumiu o controle e fez parar o genocídio. Por receio de atos
de vingança, dois milhões de hutu fugiram aos
países vizinhos, antes de todos Zaire e Tanzânia.10
Mais detalhadamente
ao
fundo e desenvolvimento dos combates cf. USIP
1995. Segundo a opinião de Kühne/Mair (1997; 132s.), um
genocídio em Ruanda teria sido por tropas das
Nações Unidas, se as 2.000 capacetes azuis que estavam
já estacionados ali, tivessem sido aumentados por uns poucos
milhares; no lugar disso, o Conselho de Segurança das
Nações Unidas impôs uma redução para
menos de 300 soldados, os quais estavam completamente desamparados
perante os assassínios. Isso custava, não só
inúmeras vidas humanas, mas também muito dinheiro:
Tivessem sido as despesas para um emprego ampliado de capacetes azuis
avaliadas em 155 a 350 milhões de dólares USA, as ajudas
para a reconstrução da comunidade internacional
perfaziam, só nos primeiros três anos, eram de mais que um
bilhão de dólares USA (…).
Contra as teses da ‘luta das culturas’, respectivamente
religiões, eram em Ruanda preponderantemente cristãos
católicos, que brutalmente massacravam outros cristãos
católicos. Ruanda é o país mais fortemente
cristianizado da África, e representantes eclesiais jogaram,
durante o assassinar, na maioria dos casos um papel sobremaneira
infausto. Embora sejam transmitidos alguns exemplos, nos quais gente
eclesial de ambas as tribos se esforçaram para evitar
violência e para proteção dos tutsi, pagando muitas
vezes por isso com a vida, é que são conhecidos
incomparavelmente mais exemplos nos quais pessoas eclesiais
contribuíram maciçamente em todos os níveis para o
agravamento do conflito e escalação de violência,
em parte compartilhando com as próprias mãos. Bispos
apoiaram a destruição dos tutsi e abençoaram os
assassinos; padres confinaram fugitivos nas suas igrejas, sabendo que
esses seriam mais tarde queimados de corpo vivo; freiras trouxeram a
gasolina necessária, catequistas pegaram mesmos nos machetes,
etc. Com especialmente problemático provou-se a
implicação sobremaneira estreita de muitos, exatamente
representantes líderes eclesiais com o regime hutu reinante.
Faltou-lhes obviamente qualquer distância objetiva e
ideológica para perceber a política genocidal, refleti-la
e condená-la como incompatível com a doutrina
católica, para não falar em proceder ativamente contra
ela: “Lamentavelmente, a Igreja tomou o lado dos regimes
políticos, sendo assim incapaz para exercer o seu papel
profético. Não denunciava injustiças
políticas e sociais, nem condenava as primeiras matanças
em massa, nem aquelas que seguiram.”O investigador especial das Nações unidas para Ruanda, Christian P. Scherrer (Suíça), chega portanto em resumo a um julgamento destruidor para as Igrejas cristãs: “Também as Igrejas de Ruanda não ofereceram proteção aos fiéis perseguidos. As Testemunhas de Jeová e os moslins eram os únicos grupos religiosos que não fizeram parte no genocídio.” E em outros lugares ainda mais claramente: “Todas as Igrejas ativas em Ruanda, com exceção das resistentes Testemunhas de Jehoá (das quais só poucos sobreviveram) fizeram parte no genocídio. Isso vale especialmente para a poderosa Igreja Católica.” As Testemunhas de Jeová se fizeram notar em muitos conflitos, não por crítica ao regime ou resistência política ativa, mas sim pela rigorosa recusa de serviço militar. (Durante o nacional-socialismo na Alemanha foram castigados – então chamados de “Ernste Bibelforscher” [Pesquisadores da Bíblia Severos] – pelo confinamento no Campo de Concentração, isso é: na maioria dos casos pela morte.) O Islame, ao contrário, está sendo no ocidente ligado ao uso de violência antes de à recusa de violência. Essa impressão é que se reforça pelo desprezo medial e científico de exemplos de espécie diferente. Enquanto existem numerosos exames à relação de Islame e violência, foi encontrada, apesar de ampla procura, só um único (embora conciso) estudo sobre o comportamento sem violência da comunidade islâmica na Ruanda. Mesmo se é que os moslins ruandeses com isso não podiam impedir o genocídio, até não uma relevância para os desenvolvimentos políticos de então esteja conhecível, são, apesar disso, um exemplo altamente notável de como uma comunidade religiosa quase unanimemente recusa uso de violência e ainda tenta a ajudar as vítimas (também de outras religiões). Em 1994, até a 10% dos ruandeses eram moslins, tanto da tribo hutu como também dos tutsi. O seu relacionamento aos hutu cristãos era tradicionalmente muito tenso, aos tutsi cristãos um pouco menos na vida cotidiana; apesar disso, os moslins experimentavam muitos prejuízos, os quais são em parte historicamente explicáveis e foram atiçados por propaganda estatal e eclesial. A comunidade moslêmica estava preponderantemente organizada na Assotiation des Musulmans du Rwanda (AMUR), formando-se na década dos oitenta ao lado um grupo novo de nome Ansar Allah. Embora o relacionamento entre os dois grupos fosse de vez em quando tenso, serviam ao mesmo tempo uns aos outros de corretivo, advertiam uma à outra de proximidade grande demais aos partidos políticos, aconselhando para neutralidade. Talvez promovidos por essa advertência intensificada, líderes islâmicos percebiam já muito antes do genocídio a desgraça, pressentiam a escalação da violência. Já no inicio da década dos noventa exortavam os fiéis – remetendo explicitamente ao Corão – de se manterem longe dos distúrbios políticos, advertiam de aplicação de violência e empreendiam passos visantes a sensibilizar a população moslêmica e enfrentar a propaganda estatal demagógica. A isso pertencia, p.ex., uma ‘campanha de sensibilização’ nas escolas moslêmicas, a qual foi realizada por iniciativa dos líderes religiosos. Nisso foram p.ex., a igualdade dos (direitos) humanos sem consideração de religião ou etnia, ou o mandamento de não matar e em vez disso ajudar aos necessitados, comunicados como valores decididamente islâmicos, fundados no Corão. Ainda se exortava, em tomadas de posição públicas corajosas, sobre rádio e mesquitas, em panfletos e ‘cartas pastorais’ para sem-violência e moderação. Também depois da erupção de violência, os líderes islâmicos ousavam pronunciar-se, publicamente e em mesquitas, contra a violência, condenando o assassinar. Em contradição crassa a todas as outras comunidades religiosas, nenhum caso é conhecido em que um clérigo moslêmico tivesse apoiado violência ou (mesmo silenciosamente) tolerado. Tutsi, que se refugiaram em mesquitas, não foram – como em muitas igrejas – deixados sem proteção aos assassinos, ou até lhes voluntariamente entregues. Esse procedimento prematuro, ativo e corajoso da comunidade moslêmica era de importância decisiva para o comportamento da comunidade moslêmica como inteira. A sua condenação de violência, respectivamente o seu empenho para sem-violência ativa era explicitamente motivada e fundamentada religiosamente; as suas advertências de proximidade estreita demais a partidos políticos preservou às comunidades islâmicas uma independência e autonomia maiores, não comparáveis com a Igreja Católica estreitamente entretecida com o sistema; a sua advocacia para o valer geral de valores éticas com igualdade, humanidade, direito a vida preparou o solo para a ajuda trans-tribal e trans-religiosa de comunidades e pessoas individuais moslêmicas. As medidas e exortações dos líderes religiosos foram amplamente atendidas na base, nos moslins ruandeses. Em comunidades islâmicas parecia antes ter sido uma regra do que uma exceção que perseguidos, seja qual tiver sido a religião desses, encontrassem abrigo e proteção – mesmo em fases quando a população restante tentava se proteger por fuga e mesmo quando os ajudadores mesmos se pusessem em perigo. Foi muitas vezes noticiado – também em processos contra assassinos prováveis do genocídio – que e como perseguidos foram ajudados, que moslins hutu não tinham ter feito parte na violência aproveitando, em vez, a sua posição relativamente segura a favor das vítimas, que comunidades islâmicas, por bloqueios de estradas, impediam a entrada das ‘esquadrões da morte’, que moslins ofereceram aos combatentes hutu dinheiro para que estes poupassem os procurantes de proteção, que tentavam, sob grandes riscos pessoais, mandar parar à violência, pagando por vezes também por isso com a sua vida. Além disso, moslins fundaram, para a proteção dos fugitivos, organizações de resistência, nas quais p.ex. foi garantido o abastecimento com víveres (tratava-se por vezes de centenas procurando asilo nas mesquitas), foi fingida participação no genocídio e, com isso, turmas reais de assino puderam ser mantidas longe (p.ex. por enterros de tutsi aparentemente assassinados, nos quais somente bananeiras foram ‘enterradas’), por ajuda de fuga para regiões seguras, por infiltração, respectivamente espionagem, nos hutu, para poder advertir a tempo os fugitivos ou os levar para lugar seguro. Certamente, a solidariedade interna da comunidade islâmica em Ruanda era, pela marginalização múltipla – econômica, política, social, religiosa – mais fortemente cunhada. Isso ajuda para esclarecer porque o ódio de tribo cego entre hutu e tutsi dentro da comunidade moslêmica não mostrava efeito. Mas não esclarece que a sua ajuda irrestritamente era em benefício também a pessoas de outra fé. Ao lugar disso, moslins ruandeses motivaram o seu comportamento em primeira linha com a sua fé, especialmente com a convicção de que o Corão ensinasse sem-violência, condenando assassínio como pecado; de que, segundo o Corão, todas as pessoas humanas fossem iguais e de que o Corão ensinasse a proteção dos fracos e suprimidos. Elementos religiosos como a oração comum cinco vezes ao dia, o mandamento de dar esmola e o mês Ramadan como tempo de recolhimento (exame de consciência) e ao mesmo tempo da comunidade (poucas semanas antes da irrupção da violência) apoiavam essas convicções e a sua conversão (em prática). Acrescenta-se porém, que a comunidade islâmica de Ruanda está sendo considerada por moslins como por pessoas de outra fé como explicitamente ‘piedosa’, temente de Deus, séria e digna de credibilidade – atributos que, depois do genocídio na Ruanda se dificilmente referissem ainda à Igrejas cristãs (circunstância, que em parte também pode ser explicada com desenvolvimentos históricos). Talvez tinha também moslins que participavam no genocídio em função e forma diferentes. Na medida do que está conhecido, o número desses é negligenciável perante a maioria esmagadora da comunidade islâmica que se recusava ativamente ao ódio e ao assassínio; nenhum líder espiritual dos moslins foi até hoje apresentado a um juízo em conexão com o massacre de 1994. Segundo se pode provar, porém, um número super-proporcionalmente grande deve a sua vida à proteção de autoridades, pessoas individuais e comunidades moslêmicas. Esse comportamento altamente extraordinário dos moslins ruandeses foi apreciado como exemplar tanto por não-moslins como pelo lado político: No investir do primeiro ministro islâmico em Ruanda, o presidente do estado pediu os moslins do país “para ensinarem os demais ruandeses a viverem juntos”.
Notas literárias 1 a 31: no fim do texto alemão. Texto alemão em Religion Macht Frieden Tradução: 25/6/2008 |