Do dr. Sammet (Thomas Mann) até ao dr. Semig (Uwe Johnson)
O fracassar da assimilação alemã-judaica no
espelho de figuras médicas literárias
Peter Voswinckel
Não curiosidade ligeira e gosto intelectual no folhetim
variegado deram o impulso a essa obra, também não um
interesse germanista de história literária, ainda menos
um desejo de perfiliação filo-semítico obrigado ao
espírito do tempo; também não se trata dum
exercício de obrigação barato no discurso atual
sobre a “cultura de lembrança” – embora essa
contribuição possa ser vista muito bem em conexão
com isso.
Não: só o desespero e a necessidade interna do autor
foram os impulsos; de um historiador de medicina, o qual partiu para
elaborar um dicionário biográfico do meio do
século 20, aquele que saiu espalhado mundialmente “Biographisches
Lexikon hervorragender Ärzte” [Dicionário de
médicos distintos], como esse o saiu em Viena sob a autoria de
Isidor Fischer em Viena.1 Um dicionário, no qual cada 6ª
biografia (na Alemanha cada 5ª, na Polônia cada 3ª, na
Áustria aproximadamente cada 2ª) é aquela de um
cientista o qual, logo depois acometido com o estigma de “judeu”, foi
expulso da comunidade “comunidade Científica”.2
Até hoje a biografia cientista não encontrou resposta ao
como se devesse lidar com esses “curriculos de vida interrompidos”.3
Por muito tempo, apresentações medicínicas se
contentaram com uma referência ao “indizível”,
“incompreensível”, (“um à face da sua desumanidade
só dificilmente descritível traço da medicina”4).
Entrementes, a ciência geral de história coletou
imensidões em informações sobre o tempo do
nacionalsocialismo, mas a biográfica ficou de modo
notável deficitária.5
Ainda na
recentemente
(2001)
saída “Enciclopédia
Biográfica de Médicos Alemães” muitos
suicídios de cientistas judaicas não estão sendo
feitos conhecíveis como tais, nem o fato de
perseguição racista precedente está para ser
visível (…). Também uma maioria dos emigrantes
apresentados na enciclopédia foi-se obviamente “por
decisão livre” (talvez por motivos de carreira? sem que
estão sendo feitas conhecidas demissões e
vexações anteriores pelo lado alemão claramente
denominadas. …) …
Obviamente, aquela “ruptura de civilização”6 rompeu
também todas as imaginações de “biografia” como
essas se eformaram no tempo moderno sob o ideal do pensar burguês
civilizatório. A tentativa de dar a cada biografia singular,
como ciência, uma consistência interna lógica e de
sentido, precisa forçosamente falhar, parecendo como se
teríamos alcançado um limite do entendimento
lingüista.
“Quem falar do Holocausto, deve portanto co-pensar o fracasso de
qualquer compreensão e transmissão adequadas do seu
objeto”7:
Um biógrafo hodierno se vê confrontado com dados que
até agora não havia, os quais são: o perigo da
estigmatização renovada das vítimas pela
atribuição a um grupo de vítimas, cuja
definição é tudo menos unívoca;
então o problema, para um nascido depois da sociedade dos
feitores quase insolúvel, de apresentar de modo adequado
sofrimento alheio milenariamente sofrido, “sem assumir uma –
sentimental e de bico fio – identificação com a
perspectiva de vítima”8; ao contrário a tarefa de
encontrar categorias as quais fazem jus a vítimas e feitores,
sem ao mesmo tempo cair na moda de atribuição permanente
de culpa a “os” alemães. Nisso precisaríamos, em todos os
casos, manter presente a diferença entre pronunciamento
científica e literária.
A pergunta pelos rabanetes ou: Contra a
desacreditação do não-concreto
Fala científica sobre pessoas singulares, como esta se
apresenta
em inúmeros “Who’s Who [Quem é Quem]” ou biografias
nacionais (ADB, NDB, DBE), está caracterizada pelo
esforço por objetividade e modo conciso da
apresentação. Nomes, dia de nascimento e data da morte
formam os dados angulares, entre os quais as estações
mais importantes estão sendo alinhadas, no caso de
médicos em regra estudo, habilitação,
emeritamento, publicações, decorações, etc.
Para cientistas judaicos, essa seqüência canonizada
experimentou uma ampliação. Assim, como Heuer e Wolf9 na
privação da autorização de ensinar
vêem o ponto de virada decisivo, assim aoutros autores se
capricham na perda da aprovação médica [1938], o
momento de emigração ou deportação. Mas
essas categorias são suficientes? E tem sentido conjurar a
seqüência sempre igual de dados (com só ligeiras
variações) sempre de novo? Não é que esses
dão, repetidos miliariamente, não contribuam ao
monstruoso uma legitimidade fictícia, sugerindo
explicação para algo que se subtrai do explicar? “Por
causa da sua descendência judaica, x emigrou no ano y”. Essa
formulação10 freqüentemente encontrável,
teria até como ser um abuso da preposição causal.
Pois o sujeito próprio a ser historicamente
responsabilizável, o qual impõe ao desacreditado um
comportamento determinado, não está sendo mencionado
nessa versão, antes aquele, a vítima, está ainda
sendo encarregado com a responsabilidade pelo curso das coisas. Duma
liberdade da decisão era já muito longe de que pudesse
falar!
Mais um recife lingüista: “Falecido em 26 de abril de 1943 em
Dresden”, marca objetivamente correto o fim da vida do prof. Heinrich
CONRADI (evangélico), bacteriólogo na TH [Technische
Hochschule] de Dresden desde 1913. Por acaso ficamos, porém,
sabendo dos diários, recentemente avançados para
best-seller de Viktor Klemperer, que o “Volljude” [judeu pleno]
CONRADI (segundo definição das Leis Nuremberguenses) foi
preso na compra de um maço de rabanetes e se suicidou na
prisão da Gestapo [Geheime Staatspolizei = Policia
Segreda de Estado] na segunda feira da Páscoa em 1943.
Rabanetes foram, segundo “lei sobre entrega de víveres a judeus”
do 31/5/1942 como mercadoria escassa; a compra dos mesmos era
interditada a judeus; além disso, uma ordem do 1/6/1942 proibiu
aos judeus a entrada a átrios de mercado Antonsplatz e
Dresden-Neustadt.
“Nisso então, CONRADI deveria morrer.”11 Mas onde esses
“rabanetes” encontram em compêndios biográficos o seu
lugar? É permissível, por motivo de brevidade
científica, deixar cair fora esse detalhe, eliminando isso do
inventário futuro do saber? Não são exatamente
só esses detalhes concretos que conduzem aos olhos toda a
absurdidade e veracidade daquele tempo? Coragem para detalhe, para
pedaço de quebra, é que Horst Bieneck exige no seu poema “Sagen
Schweigen Sagen” [Dizer Calar Dizer]
“Sem o dizer, não
há nada;
se não aquilo
que aconteceu
digo, conto e descrevo,
o que aconteceu
não aconteceu de jeito nenhum […],
pedaço de quebra por pedaço de quebra,
nunca será o todo.”12
Encorajamento também de outra direção, a qual
é que reconhece os limites que nos hodiernos são
traçados reconhece, tirando desses conclusões: No conto
“Eine Reise [Uma Viagem] – segundo Joachim Campe13, a talvez mais
importante obra épica, que em língua alemã foi
escrita sobre deportação e campo – deixa falar H[ans]
G[ünther] Adler14, o contador: “Entender a gente não
precisa. Não há nada para ser compreendido. Saber o
que aconteceu é que a gente precisa.”15
H. G. Adler depõe
o seu nome Hans Günther
demonstrativamente, porque o representante de Adolf Eichmann para o
protetorado técnico tinha o mesmo nome. …
Realidade, ilusão e ciência
A pessoa principal no conto de H.G. Adler 1950/51 redigido é
o
médico praticante dr. Leopold LUSTIG, que está sendo
“buscado” com a sua família, sendo deportado a um campo.
Só vagamente é que Adler, em “Eine Reise”, alude
os contornos da realidade. Pelo seu estilo inconvencional, até
lírico, nasce uma atmosfera de irrealidade pesadelosa, segundo a
frase chave repetida em vários lugares: “Tudo isso não
é verdadeiro.” Diferentemente de advogados e cientistas
naturalistas, o médico consegue perceber o conteúdo de
doença dessa perda de realidade. O desfazer-se de ratio e
sentido de vida, o “partir da compreensibilidade” perfaz, segundo o
psiquiatra Kurt Schneider, a essência da psicose. Também o
dr. LUSTIG não se pode explicar os acontecimentos senão
pelo estender-se dum processo verdadeiro:
“Agora Leopoldo não é mais médico. O mundo no
qual estava posto com a aplicação e sua capacidade
adoeceu primeiro devagar e morreu a seguir. Tratava-se duma
doença que o doutor primeiro quase não percebia e mais
tarde nunca entendeu completamente. Antes de tudo, não via que a
gente tivesse precisado atacar esse mal com medicinas poderosas, pois
disso nada estava nos livros, nada nas suas revistas do ramo […]. Isso
pertencia a psiquiatria, da qual Leopoldo nunca simpatizara. […] O mal
se aproximara às furtadelas, sem avisos prévios os quais
estivessem sido conhecidos ao mundo da medicina; mas de repente todos
estavam doentes; era a primeira doença psíquica
epidêmica; mas ninguém o percebera imediatamente,
ninguém sentira, nem os pacientes nem os médicos. […]
Sim, se eles [os psiquiatras] tivessem prestado alguma coisa, tivessem
devido advertir e publicar os casos a tempo com histórias de
doença detalhadas, mas todas as obrigações foram
omitidas, a divulgação da epidemia não foi
evitada, comunicações às repartições
foram omitidas; nas associações de médicos
não foram feitas advertências; até professores na
faculdades altas calaram-se. Ninguém sabia, até as
repartições, o ministério de saúde em
frente, não fizeram o mínimo para agir contra a
desgraça ameaçante. […] “Completamente louco!” Mas essa
é, não diagnose clínica, mas tagarela de leigos,
aquilo que põe em questão a dignidade de medicina
séria, deixando tristemente baixar a mão no
estetoscópio.”16
O dr. LUSTIG vivia sempre só para seu consultório e os
clientes. O que acontece agora, não entende mais. Fala de que
precisa ir viajando com a sua família. Também no campo
ele não muda de orientação, mas se agarra no
passado: Interiormente continua vivendo no mundo da
civilização e da ordem cheia de sentido. E quando se
apresente à “Tausendschaft der Greise” [milhar dos
anciãos] que tira o lixo do campo, se faz crer que continuaria
servir aos seus anseios antigos: à limpeza e à higiene,
ao cuidado pelas pessoas humanas. Finalmente morre de
extenuação.
Continuamente voltando, a diagnose dum acontecer psicopatológico
permeia os pronunciamentos médicos sobre o “Terceiro
Império” na literatura contemporânea – das boas-letras
como da autobiográfica. “De que este povo sofre, homem,
é uma doença aguda”, barulha o velho conselheiro
titular Lorez no “Geschwister Oppenheimer”, expressando com isso
em conseqüência raivosa a sua solidariedade com o
laringólogo demitido Edgar OPPENHEIM.
“Medicamente visto, o anti-semitismo é psicose
cíclica, da qual povos maníaco-depressivos de vez em
quando sofrem” – anuncia a voz do conselheiro áulico
Nothagel em Franz Werfel.
“Mania alucinatória epidêmica”, essa diagnose é que
também o médico-escritor Friedrich Wolf entrelaça
no seu drama “Professor MAMLOCK”, no lace do adversário a
colega dr.ª de medicina Inge RUOFF:o explica: “Tudo isso
não tem mais nada a ver com razão. Aqui capacidade,
disciplina, culpa ou não-culpa caiem fora; aqui falam
forças de sangue, sendo sangue o destino .”
A partir da visto do seu exílio de Nova Iorque, o escritor
Martin Gumpert, cujos livros sobre Dunant e Hahnemann contam hoje ao
repertório fixo da história da medicina:
“O que hoje
experimentamos na Europa
é forma de demência,
paranóia de poder, a qual contaminou um continente com a sua
demência. O choque da guerra levará possivelmente a
pricose a parar, mas o defeito fundamental ficará.”17
Não surpreende que esse jeito de atribuição dum
defeito “fundamental” doentio no tempo após-guerra encontrou
ouvidos surdos. Quando a “Reise” de H.G. Adler em 1962 saiu pela
primeira vez no mercado, o livro ficou no público, também
em círculos médicos, plenamente despercebido, não
se podendo impor contra “dominação de passado”
alemã federal. A ordem dos médicos alemães
encontrara nos “processos nuremberguense de médicos” os seus
culpados e foi de mangas arregaçadas à ordem do dia.
Essa normalidade auto-definida porém era, deste o começo,
unilateral. A cisma mesma continuou existindo: a saber o fato de que,
para milhares de famílias, a cultura alemã, a qual
anteriormente estava para humanismo e iluminismo, chegara a ser
fonte de destruição e auto-destruição. “A
pátria deles, a Alemanha deles, se tem mostrada como embusteira”,
Feuchtwanger resumiu no capítulo final de “Geschwister
Oppenheimer”, quando o mais jovem dos irmãs e irmãos
parte para a emigração.
Ao julgamento de exilados e “enganados” de tal modo é para
atribuir peso o qual, nos primeiros anos pós-guerra, foi
sistematicamente deixado fora ou desqualificado.
A diagnose recém-citada de loucura da pena de Martin Gumpert
está sendo ainda superada em ímpeto pela sua prognose
que vai para mais além: à reflexão de se possa
imaginar-se uma volta à Alemanha respondeu:
“Para os próximos cem anos, a Europa será um
manicômio; os seus habitantes precisam ser tratados como
pacientes. O que se refere a mim, não tenho empenho a viver
entre loucos.”18
Semelhantemente pronunciou-se o médico Max Hodann que emigrou a
Estocolmo, quando se recusou depois da guerra a voltar ao redor
psicopaticamente infetada da Alemanha19 (come se sabe, Peter Weiss
Hodann pôs um memorial no seu romance de três volumes
“Estética da Resistência”).
Até agora, passarem exatamente dois terços dos cem anos
apostrofados por Gumpert. Depois dum debate Walser “doido” e duma briga
prolongada de memorial, o discurso público na Alemanha
está atualmente cunhado dum lutar desamparado por rituais de
lembrança e luto de um lado, pela questão por pagamentos
de indenização e da defesa contra correntes
direito-radicais de outro lado. Ao lado disso, cada Tagesschau
[Vista do Dia], com as suas reportagens do Médio Oriente,
põe a prova a nossa simpatia frágil pelo país
Israel, evocando velhos preconceitos.
A história da medicina, ainda antes que os destinos dos
médicos eliminados judaicos tiver posto em dia aproximadamente,
está igualmente ameaçada por economização
estreitadora como por trans-orientação (em
direção à bioética). Com todos esses
espasmos, também a imagem do “médico judaico” sucumbe ao
perigo de degenerar-se para estereótipo e clichê. No
âmbito clínico, na publicística e ciência
encontramos historização e idealização,
bem como desfiguração, desconsideração
ou tédio. Ambas as coisas deslocam a vista para a realidade.
Literatura como espelho da realidade
Nessa situação pode ser que ajude recorrer à
literatura contemporânea, jogando nisso a vista primeiramente na
apresentação do médico judaico em romance de drama
do século 20. “Literatura mostra não só a
realidade como esta é. Mostra a tensão entre aquilo que
é e aquilo que poderia ser e deveria ser.”, formulou Hilde Domin
num ensaio de 1979.20
Em diferença a apresentações históricas, as
quais forçosamente relatam os acontecimentos retrospectivamente,
quer dizer com saber de “Auschwitz”, testemunhos literários
podem fornecer uma imagem de ambiente autêntico, nos quais
simultaneamente desejos e esperanças, mas também
preconceitos, tapados pouco inteligentes e ilusões estão
mantidos.
Esses precisam pelo leitor recipiente, naturalmente, primeiramente ser
juntados para um todo, ao que Dietrich von Engelhardt apontou:
“Literatura, porém, não fica absorvida na
reprodução da realidade e também não
é ciência; representa um mundo por si, com pensamento
próprio, com leis próprias e significação
própria.”21
Um quanto mais vale isso para o mundo judaico de modo único
entrelaçada em tradição, cuja imagem desde
séculos era ligada com aquela da diáspora e cuja partida
para a emancipação e assimilação na
Alemanha só acabou de começar!22
Convenientemente deveriam, na nosso contemplação, ser
distinguidos três trechos de tempo um do outro:
Da virada do século a 1933 – com exemplos de
assimilação praticada (em Fontaine, Th. Mann, Schnitzer,
A. u. St. Zweig e outros).
A fase imediatamente depois de 1933, quanto numerosos escritores
alemães pegaram na pena no seu exílio (Bruckner, Wolf,
Feuchtwanger, A. u. H. Döblin e outros:
Anos da ameaça e
neo-orientação.
O tempo pós-guerra depois de a Shoáh ter chegado a ser
conhecida; um tempo que era cunhado tanto por apologética (Goes,
Zuckmayer, Kellermann) como também pelo esforço
desesperado de expressar “Auschwitz” e “Holocausto” por palavras em
geral agora mesmo (Adler, Sylvanus, Johnson, Tabon).
Todos os autores juntos possibilitaram uma imagem rica em facetes e
diferenciada do “médico judaico” e da posição
deste na sociedade alemã (literatura auto-biográfica foi
aqui deixada fora, com exceção dos diários de
Viktor Klemperer). Numa primeira passagem encontrei 45 figuras de
médico individualmente marcadas e indicadas com nomes;
pertenciam todas à mesma geração, como o “Biografisches
Lexikon” de Isidor Fischer as apresenta, a saber dos anos de
nascimento entre 1860 e 1910 (…).
Certamente, o número dos exemplos literários se deixaria
aumentar com facilidade. (Enquanto isso, o meu alistamento se entende
tanto como estímulo para leitura e ensino quanto como pedido por
apontamentos complementadores ao autor.) Da plenitude dos objetos
possíveis de exame sejam escolhidas alguma
observações.
Profissionalidade e sucesso
Um traço essencial característico para todos os
médicos judaicos retratados, o qual não pode ficar
escondido ao leitor imparcial, é a profissionalidade alta e a
dedicação ao mundo deles. Seja o professor
universitário ou seja o pesquisador de câncer, o
médico-chefe de cidade ou (na Áustria) o médico
primário ou o médico o campo com o seu
consultório: sucesso profissional, descobertas inovadoras,
livros de ensino abridores de caminho, reconhecimento e
apreciação de perito valem como atributos gerais,
acompanhados com dedicação extraordinária à
ciência medica. O seu “ser judeu” não joga papel nenhum no
dia-dia profissional; quaisquer apontamentos a tradições
judaicas, a costumes antigotestamentários e costumes religiosos
são secundários, quer dizer remontam a
provocações anti-semitas de fora (começando no
“prof. BERNHARDI”) ou a atribuições ingênuas por
parte de autores não-judaicos (p.ex. Goes).23
No conto “Begegnung
in
Ungarn”
[Encontro na Hungria], escrito em
1945, o teólogo Albrecht Goes descreve o alojamento do
pároco de hospital militar na casa aristocrática dum
médico judaico: “Ambos os médicos entram. O pai, de
setenta anos, como se queria pensar, mas pelo vigor resistente da sua
raça: olhos grandes, escuros, penosamente velados […]. Lembro-me
que ser judeu significa neste país também ser israelita,
qualidade de membro na Antiga Aliança e Lei. Moisés,
penso, Davi, Jeremias.” No fim, o pároco entoa o “SheMÁ
Yisroel”. (…) .
Só uma única vez, um único médico judaico,
o orientado para esquerda dr. HOMLINKSKI (Graf) está sendo
explicitamente como “severamente judaico-ortodoxo”: (“Embora fosse
socialista convencido, inteiramente pertencia a lugar nenhum. Talvez a
partir dessa consciência de solidão […] ficou severamente
ortodoxo judaico.”)24
Para todos, porém, vale o credo, como Feuchtwanger o põe
na boca do seu dr. OPPENHEIM: “Não he medicina alemã,
não he medicina judaica; há ciência e mais nada.”
“Ele [o dr. Oppenheim] não era judeu, não cristão,
não semita, não ariano: era laringólogo,
cientista, pertencendo aos dez ou vinte médicos alemães
de reputação mundial.”25
Semelhantemente, o professor MAMLOCK em cenas repetidas na sua sala de
operação: “Aqui na minha clínica termina a
política, aqui domina a ciência. […] Na nossa obra
há somente médicos e doentes, médicos e doentes,
mais nada!”26
Outros exemplos:
[BENDA] “Sentia-se como médico, como austríaco, como
vienense, sentia-se como judeu só por mais último:
professor universitário e conselheiro da corte: dr. Heinrich
von Benda, o cirurgião de reputação mundial
e especialista para doenças de rins e caminhos de urina,
presidente da repartição denominada com o seu nome do
Hospital Geral em Viena. […] A sua obre de dois volumes
“Nephrosklerose” era em todas as academias o livro de ensino
padrão da urologia moderna.”27
[KIRSCHBAUM] “Era uma celebridade autêntica com carimbo e
assinatura e mil decorações, chefe dum hospital de
Cracóvia, especialista coronário procurado.
Conferências em universidades no mundo inteiro, fluente eme
francês, espanhol e alemão, teria em correspondência
relaxada com Albert Schweitzer.”
[FAHLE] “Era internista e radiólogo no hospital da cidade,
médico excelente e, como especialista em radiologia, nas suas
salas de hospedes já habitaram lordes ingleses, portadores de
preço Nobel, membros da Academia Francesa, repetidamente e
muitos dias e semanas.”30
Até onde esses feitos grandiosos foram adiantados pelo
Außenseiterrolle [papel de forasteiros] do judeu, era primeiro
Thomas Mann que o tematizou (expressando com isso simultaneamente o seu
parentesco de essência com o forasteiro artístico),
deixando o doutor jovem SAMMET responder à pergunta do
grã-duque de se como judeu seria prejudicado profissionalmente:
“Nenhum princípio equiparador, se me posso permitir essa
observação, o poderá impedir uma vez que se
mantêm no meio da vida comum exceções e formas
especiais, as quais sejam destacadas num sentido elevado ou suspeito
perante a norma burguesa. O indivíduo fará bem,
não questionar pela sua espécie da sua
posição especial, mas em ver na decoração o
essencial, derivando em todo o caso dessa uma obrigação
extraordinária. A gente está contra a maioria regular e
portanto cômoda, não em desvantagem, mas sim em vantagem
quando tem um motivo a mais que ela [sic!] para feitos
inusitados. Sim. Sim.”31
Não sem jeito, Ruth Klüger aponta para que o dr. SAMMET, ao
lado de todos Leo Naphtas, Fitelbergs, Rosenstiels e outras figuras
judaicas, é a única simpática na obra de Thomas
Mann (desconsideradas as suas figuras bíblicas “Joseph”):
No momento da escrita do romance “Königliche Hoheit”
[Alteza Real], prevalecia nos círculos
burguês-intelectuais ainda o otimismo de que
assimilação plena pudesse trazer a próxima
“solução da questão judaica”.32
Com a tese do dr.
Sammet
- de que Außemseitertum [estar fora]
faria produtivo - Thomas Mann remontou à uma
citação de Voltaire, o qual fizera assunto já na
sua contribuição para “A solução da
questão judaica. Uma pergunta circular” (organizada em 1907 pelo
médico e posterior deputado do Reichstag [parlamento
alemão naquele tempo do Segundo Império], o dr. Julius
Moses): “Aliás, não faz mal quando a gente tenha de
reparar um erro. Obriga a grandes esforços, para obrigar a
publicidade para respeito e admiração.” [Voltaire] (…).
“Chegar a ser em fim um alemão pleno, enfim um francês
pleno, enfim um inglês pleno, e se for só um
camaronês pleno, só não essa sombra judaica.33
Assim persifilou
Alfred
Döblin, na
sua crítica mordaz em
1934, o “caminho tão plausível e cordial” dos judeus
ocidentais. (…).
Alemão, alemão, alemão
A confissão à cultura alemã está
então também o segundo motivo condutor que sempre
continua a voltar. Seja esse o recurso explícito aos
clássicos alemães, à monarquia e sucessor dela
(MAMLOCK é membro do “Comitê Hindenburg”) ou ao
serviço na frente na Primeira Guerra Mundial como a
pedra-de-toque verdadeira de mentalidade racional. O apontamento “Eisernes
Kreuz” [Cruz de Ferro] é um tópico sempre voltante –
embora por vezes escondido e vestido em cenas laterais – correspondendo
no mais acertado com aquela “vivência de guerra” o qual, segundo
Kurt Sontheimer, era constitutiva para o auto-retrato duma inteira
geração de acadêmicos.34
[MAMLOCK / irmã Hedwig] “Nada de etapa! O sr. professor
saboreou mais fumaça de pólvora do que
clorofórmio, ele estava quatro anos na frente na tropa, recebeu
já em 1916 o EK I [das Eiserne Kreuz Erster Klasse =
Cruz Férrea de 1º Classe] depois da batalha no Somme .”35
[KARTHAUS] “K.u.k. [Kaiserlicher und Königlicher] médico
chefe dr. R. Karthaus, Viena, o qual na Galícia,
Macedônia, no Isonzo e finalmente prestou serviço com
morteiros pesados austríacos diante de Verdun.36
[KORCZAK]:
Primeiro ator: „a
Cruz de
Ferro…“
Segundo ator: “De Primeira Classe. Sim, encontra-se entre as
decorações.”
Primeiro ator: “Isso não é possível. Esse se
estafou!”37
[LARSEN] “A terra cobre em Flandres os nossos irmãos
Hermann
e Jakob.”38
[HOIMINSKI] “Como jovem estudante de medicina foi em 1914 ao campo
de batalha pela sua pátria…”39
[SEMIG] “É que o dr.Semig queira, no aniversário do
imperador, carregar as suas decorações de guerra pela rua
da cidade… ”40
[Frau von KAMMER] “Quem afirmar que um judeu não possa ser um
bom patriota alemão, é ignorante, ou mente.”41
Análogo está em Schnitzler [1912] a cicatriz na face a
qual, para o convertido dr. SCHRETMANN representa o selo mais alto de
qualidade da mentalidade nacional, deixando-o até renunciar a
solidariedade judaica ao importunado professor BERNHARDT.
Atributos da assimilação
Grande atenção é que encontram – especialmente
em
autores considerados como judaicos outros pronunciamentos
fenotípicos considerados como judaicos da aparentemente
bem-sucedida assimilação. O batismo cristão
(frequentemente ligado à mudança de nome), o concluir dum
“matrimônio misto” com mulheres arianas-nórdicas e o
ambiente grã-burguês como sinal exterior do sucesso
(freqüentemente contrastado pela acentuação da
proveniência judaica-oriental).
Característico é talvez a instrução com a
qual Hugo Doblin, irmão mais velho de Alfred Doblin, no seu
drama “Golias mata Davi” equipa a moradia do seu protagonista, do
bem-sucedido pesquisador de câncer LARSEN, o qual – com sabemos
dum aperçu da filha – parece ter também imigrado do
oriente (“Esqueces que o berço do teu pai não esteve
em Postsdam”42).
“Escritório elegante: um Klubsessel largo está
diante duma secretária imponente. Nas paredes de papel escuro,
emolduradas em ouro duas poiuras em ólio: o o professor Georg
Larson no Gehrock, a senhora Anne-Maria em vestido de seda preto, a
mão direita segura um leque. Smyrna e pontes persas eliminam
qualquer eco. Uma pequena esquina com uma mesa redonda, candeeiro e Klubsessel
convida para conversar. Clássicos, cientistas,
filósofos enchem a biblioteca aberta. Pancadas de campainhas de
Westminster dão o tempo. Luz ampla de velas do refeitório
ao lado cintila pelas vidraças das altas portas de empurro. A
tábua branca longa no ornato festivo traz as cartas de mesa dos
hospedes convidados.”43
Para a festa do seu 60º aniversário, a cozinha da cidade de
Kapinski fornece o cardápio (“Caviar com Toast, sopa de
tartaruga, forelle à la reine, poularde garnie, bomba de gelo”44).
O haver dum matrimônio misto encontra em des- e
circun-scrições múltiplas, freqüentemente
ricas em detalhes (em LARSEN, chego a ser p.ex. à luz não
antes dos pronunciamentos do sogro invejoso).
Por razões de técnica de contar, respectivamente
dramáticas, conflitos abrintes estão sendo muitas vezes
na geração das crianças, em que já os nomes
delas significam programa, p.ex. “Ruth”, “Günther”, “Siegfried”
versus “Ruth”.
Só em três famílias de médico (MAMLOCK,
LARSEN, OPPENHEIM) encontramos uma filha com o nome bíblico de
Ruth, a qual então toma contra-posição combatedora
aos seus irmãos (reforma judaica/sionista;
sionística/popular-nacional [Larsen jun.] ou comunista [Mamlock
jun.]. Os pais se acham – mais ou menos expressos – já
plenamente assimilados, sendo só em 1933 confrontados com a sua
origem.
Numa maioria dos médicos judaicos, o batismo cristão
funcionava, como Heinrich Heine então formulou, como “bilhete de
entrada” na sociedade burguesa. Mudanças de nome, porém,
não vão em uma só direção
(Laserson-LARSEN; Devidson-WILSON; Cohn-CONRADI); mas é que a
filha de Larsen, Helga, depois dos acontecimentos de 1933, insiste no
nome de “Ruth”. (Assim, aliás, o nome da superiora do abrigo de
crianças na rua Kochmalna de Varsóvia em KORCYAK,
respectivamente Sylvanus.)
O espetro largo de identidade judaico-alemamente assimilado com os
seus, em parte contrários, interesses e hábitos,
já Arthur Schnitzler ilustra no círculo de doze colegas
ao redor do professor vienense BERNHARDI. Em regra, tais tensões
não foram levadas ao público. Para fora, diminuía
até 1933, como em todos os demais médicos também,
o tipo do cientista apolítico, o qual somente vivia para a sua
profissão, sabendo aceitar e desfrutar do reconhecimento social
disso resultando.
E apesar disso…
Embora nenhum dos médicos da nossa clientela literária
defenda quaisquer posições extremadas (p.ex em
direção a ortodoxia ou sionismo), as quais poderiam ainda
primeiramente provocar a reserva e a contradição,
tratando-se quase sempre de co-cidadãos “decentes”, assimilados
(no sentido da observação desmascaradora de colegas de
BERNARDI, o ginecólogo dr. FLITZ: “Perante judeus decentes
não há anti-semitismo”) – já que todas as
apresentações possuem uma ambivalência
característica: aquela entre reconhecimento e popularidade do
médico judaico do um lado e reservas profundamente assentadas e
restos duma alheidade em princípio do outro. Exatamente a
descrição de acontecimentos cotidianos no nível
pessoal-vizinho – longe de santo-e-senhas nazistas – nos parece
especialmente impressionante, já que motiva a refletir o nosso
comportamento na sociedade “multicultural” hodierna. Assim p.ex. o
velho Papenbrock sempre liga importância em deixar ficar, nas
suas relações a Arthur SEMIG, na área de
negócio:
“Fosse que tinha o dr. Semig dois diplomas na parede e carregar no
aniversário do imperador as suas decorações de
guerra pela rua da cidade, Paperbrock o achou suficiente pagar a Semig
as suas contas, e isso pela volta do correio. [.] Semig se foi ainda
antes do beber café […] e em Bothmers como em Paperbrocks, o seu
comportamento valia como admiravelmente discreto para um judeu.”45
Mais crassa ainda: a descrição em Ernst Weiss:
“Embora os meus pais fizessem-no [o dr. Kaiser] sempre o chamassem
vir imediatamente quando era necessário, mas o chamavam ser um
mal necessário. Por vezes foram, no seu menosprezo, até
que abriram, depois do seu partir, as janelas arejando o espaço.
E não porque o médico espalhasse um cheiro
desagradável, mas porque era judeu. À minha mãe
é que cada judeu era “repugnante”, embora de nenhum deles
soubesse algo realmente repreensível.”46
Tal comportamento chegou a ser chão em que propagando
anti-semítica pudesse ser fértil a qualquer tempo. Seja o
que for que judeus fizeram, atribuía-se lhes como mal,
invertindo-o lhes para acusação, condenação
e perseguição – como o professor consternado BENDA
desenvolve ao seu filho na conversa:
“Foi que se andassem às furtadelas ao longo da parede fossem
covardes, saíssem da sobre, fossem insolentes, fossem avaros com
os seus meios, fossem avarentos, manejassem o seu dinheiro
liberalmente, impusessem-se, aspirassem para frente, estivessem
roídos de ambição, dessem-se modestos,
faltasse-lhes coragem, lutassem, como acontecesse, para acolher honras,
não lutassem, estivessem infames.”47
Reduzido ao seu núcleo nu, sobrou finalmente aquela
argumentação desamparada-teimosa, com a qual o
médico de assistência, o dr. HELLPACH (em: “Professor
Mamlock’) – e com ele a maioria da medicidade “de sangue alemão”
– se delimita do colega e superior judaico:
Dr. HELLPACH: “Judeu continua sendo judeu! Nunca terá mais
oportunidade de estar acima de um alemão!”
MAMLOCK: “Ahá, então medo, então medo pelo
concurso? Então, nos proibirão que estudemos nas
universidades na medida das nossas forças, proibir-nos-ão
a trabalhar, a pensar, a compor, tocar publicamente, não se
reconhecerá as nossas descobertas… mas será que
nós judeus cheguemos a ser piores por causa disso e os outros
cheguem a ser melhores? Entre sessenta milhões de alemães
os judeus chegam a ser seiscentos mil judeus, então exatamente
um por cento, e contra esse um por cento convocais céu e
inferno, com esse um por cento não sabeis lidar, esse um por
cento não podeis assimilar?”
Dr. HELLPACH: “Porque não queremos ! Pois o nosso povo
decidiu, e a decisão é: ‘Juden raus!’ [Judeus
fora!]”48
O fim está conhecido, manifestando-se também, como
mencionado, também na biográfica medicinal. Mas
não será que, no ler, apanhamo-nos no costume fatal de
aceitarmos os conceitos “prisão de proteção”,
“deportação”, “emigração”, onde se trata de
destino judaico, como natural? Para agir contra inadvertência e
cegueira de sentimento tais, seja aqui trazida diante os olhos a
vivência inicial dum único colega, do urologista H. von
BREDA (na descrição por Hans Habe); o que não
carece duma cômica macabre:
“O professor foi às seis horas de manhã trazido da
cama por homens da SA [Sturmabteilung = Destacamento de Assalto], sendo
levado à prisão de polícia na Rossauer Lände.
A sua prisão o surpreendeu mais do que o assustou, e se seja
só que sentir-se tão alheio no papel que lhe agora era
imposto a jogar, como se lhe teriam posto um vestido de carnaval ao
redor dos ombros.[…] Tivessem-o aprisionado junto com vagabundos,
assassinos, ladrões, teria talvez compreendido mais
rápido que a lei não mais valia, nem a lei do
país, nem a sua própria lei de vida. […] O quase
cômico da situação – pois assim, primeiro, o
professor von Benda a sentia – foi ainda mais esclarecido e sublinhado
pelo comportamento dum co-aprisionado. Armin Silberstein, o
presidente da comunidade judaica de culto, que assumiu fazer os
senhores a se conhecerem um ao outro, e o fez - - ‘o sr. advogado dr.
Schönglas, o sr. professor conselheiro de corte von Benda’, ‘o sr.
diretor de teatro Grünwald, o sr. professor doutor von Benda’ –
com tanta cortesia cerimonial como se entrassem na sala de
reunião da ópera de estado. Também a
distribuição das camas – cada vez dois catres aparelhados
um em cima do outro nas paredes – deu-se segundo as regras de cortesia
extrema: ‘Não, sr. professor, o sr. dorme naturalmente em
baixo’, ‘Por favor, sr. doutor, disponha do meu travesseiro’, ‘Posso
realmente carecer do cobertor, sr. advogado’. […] Só no
almoço – quatro panelas de lata foram empurradas para dentro por
um guarda, - o vidro fosco diante os olhos de Benda, através das
quais vira até agora os acontecimentos, começou a
esclarecer-se pouco a pouco.”49
Quando BENDA (atrás do qual temos de ver o otólogo
Heinrich Neumann, 1873-1939), pouco tempo depois, em julho de 1938, foi
delegado para a conferência de Evian – esse é o
acontecimento fundamental verdadeiro no romance de Habe “A
Missão”! – leu no “Völkischer Beobachter” sob o
título “Wohin mit den Juden?” [Aonde com os Judeus?]
escancarador do ideólogo chefe alemão Alfred Rosenberg:
“Na Palestina está se assaltando, fazendo greve, atirando e
enforcando. Entrementes, cresce o entendimento da
não-assimibilidade dos judeus no mundo inteiro. O povo
alemão está firmemente decidido para levar esse problema
à sua solução unicamente conseqüente…”50
Resta ao biógrafo somente anotar que o “genuíno”
professor Heinrich Neumann em 1939 morreu em Nova Iorque, e não
no compartimento de trem na fronteira suíça, como o
romance imagina.51 E o último emigrante sobrevivente do
“dicionário biográfico de médicos eminentes”, o
dr. George Löwenstein, morreu em 1938 em Florida, deixando uma
filha “Ruth” (hoje moradora em Pelham/Massachusetts). Também
Löwenstein precisava em 1933 – como nos relata – comer da gamela
de lata: aos quatro patos, empurrado sobre o pavimento, no
Wühlischplatz em Berlim. Mas com isso encontramo-nos outra vez na
realidade histórica, transgredindo a fronteira do nosso assunto.
Essas histórias ingressas na nossa história –
ninguém diga que elas não teriam na da a ver conosco!
se tiver mais algo a dizer,
não deveremos parar de
dizer o que estiver para ser dito52
Notas literárias 1 a 52: no fim do texto alemão.
Texto alemão em Von
Dr. Sammet (Thomas
Mann)
bis Dr. Semig (Uwe Johnson)
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Pedro von
Werden, SJ
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