CRISTÃOS E JUDEUS |
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"O Trono de Deus sobre a Sagrada Escritura"Os Salmos embutidos no cânon da Bíblia como ajuda para lerGeorg SteinsNa Sagrada Escritura encontramos salmos, não só no “Livro dos Louvores”, mas irregularmente distribuídos também em outros livros. O primeiro salmo, a Bíblia o põe na boca de Moisés (Ex 15) o qual, no fim da Toráh, entoa mais uma vez um canto para, perante o auditório do céu e da terra, louvar o “Deus fiel e perfeito”, o qual é “a rocha” (Dt 32). Hinos a esse Deus perpassam a Bíblia inteira. No fim do TeNaK, o último grande desempenho de ofício consiste no louvor do rei Davi do reinado de Deus (1Cr 29). Entre esses pontos de canto está a Escritura rica em hinos do profeta Isaias 1. Quem estiver em casa nas versões católicas da Sagrada Escritura, encontra na leitura da Escritura um número especialmente grande de cantos referentes ao poder régio de Deus, pois os assim chamados livros deuterocanônicos Tobias, Judite, Sabedoria und Eclesiástico conhecem uma plenitude de cantos salmôdicos, e o livro canônico Daniel está enriquecido com tais textos em lugares chave da narrativa.2 Aparece quase uma “tendência de aumentar louvor” no curso do desenvolvimento da Bíblia. O Novo Testamento se encaixa sem sutura nessa tendência; lembrados sejam somente os cantos na história da infância do Evangelho de Lucas ou os numerosos hinos no Apocalipse de João, para não esquecer as peças correspondentes nas cartas de Paulo e da literatura de cartas restante. À Bíblia pertencem, não só um único livro de cantos, o Saltério ÇéFeR TeHiLIM, o Livro dos Cânticos de Louvores; num certo sentido, a Bíblia inteira é livro cunhado por cantos. Esse fenômeno não encontrou ainda , enquanto sei, na interpretação da Bíblia até agora a sua atenção que lhe convém. Para mim, há aqui um momento importante da “guiação canônica” de ler. O que isso significa, é que quero explicar no que segue. A minha tese seja proposta: Mas antes que essa tese está sendo desdobrada e fundamentada, o começo aqui apresentado duma leitura “unidade” da Bíblia precisa ser defendida numa reflexão breve, pois “unidade” está sendo, por muito tempo, na interpretação científica da Bíblia do Cristianismo, palavra de irritação, e o é freqüentemente ainda hoje. Uma mudança necessária de vistaQuem, bíblico-teologicamente, se debruçar muito para fora da janela, falando da “unidade da Escritura” ou até duma chave teológica à Escritura inteira, precisa (lamentavelmente ainda) perder o prazer numa exegese academicamente estabelecida. Dever-se-ia precaver também do campo fundamentalista. Mas talvez encontra também amigos novos! Porque é ou era uma aproximação tal à Bíblia precária? A exegese científica moderna começa pelo fim do século 18 com a renúncia à questão pela unidade da Escritura. A recentemente esboçada “Teologia Bíblica” se emancipa de ocupações dogmáticas, o seu interesse se dirige à diferenciação das diversas vozes no cânon, que agora estão sendo ouvidas cada uma por si, isso é novo nos seus contextos originais. Uma mediação entre exegese e dogmática procurava-se agora pela apresentação de estruturas ultratemporais nos pronunciamentos condicionados ao tempo dos autores bíblicos. Mas isso já não era mais o negócio próprio da exegese. Com isso está sendo esboçado um começo pesquisador, o qual devia ficar valendo até no tempo presente, cunhando a corrente principal da exegese cristã científica. “Unidade” chegou a ser o contra-conceito duma “teologia bíblica verdadeira”.5 Consequentemente, o assunto “Unidade da Escritura” perdeu, para a exegese científica, rapidamente de importância, sendo majoritariamente abandonada totalmente. Esse desenvolvimento tinha conseqüências de grande alcance. Os tratamentos da Bíblia na sistemática e na exegese corriam muito longe um do outro em direções diferentes. Problemas de comunicação na casa única da teologia não podiam deixar de vir. Para interessados na Bíblia, uma fonte de desespero. Estudantes, na formação exegética, não raramente ganham a impressão de que a ciência antiga- e neo-testamentária – plasticamente falado – está ocupada com a medição, com o contar e com o cuidar de árvores e do exame de muitas outras espécies de plantas e animais do espaço de vida “floresta”, mas ninguém lhes fale sobre a beleza da floresta, beleza essa que não reluze no contemplar das espécies singulares das plantas, mas sim requer outros modos de exploração.6 A praxe não se podia contentar com isso, e procurava e encontrou caminhos próprios. Um projeto como a “Semana judaica–cristã de Bíblia” o prova. Para mim como cientista de Bíblia, a reaproximação entre os campos dos práticos e dos acadêmicos – quando me for permitido formular isso tão placativamente assim – pertence aos desenvolvimentos mais importantes na teologia e Igreja nos últimos anos. Vejo nisso sinal de esperança, a chance para nova primavera bíblica, a qual não vá perder tão rapidamente o fôlego como a partida no decênio dos 60. Na renovação da “Teologia Bíblica” se trata de pesquisar a arquitetura do cânon, de perceber as linhas de ligação entre os escritos bíblicos, de ligar as exegeses do Antigo e Novo Testamento uma com a outra, de amolecer as fronteiras entre uma pesquisa histórica da Bíblia e da questão da sua significação atual, porque todo o pesquisar histórico está “presente”, cheio de intenção. Quem ler, procura sempre conexos, relata o lido um ao outro e a experiências anteriores de ter lido e conhecimentos havidos! Não se fica parado na multiplicidade do apresentado, também quando for tão diferente. No sujeito lente, as coisas se juntam sempre “dalgum modo”. A estética moderna de recepção, a qual vê o tratamento com a leitura não primariamente do autor dum texto, mas considerada duma coincidência de texto e leitores (plural!), abre a possibilidade de discutir o assunto “Unidade da Escritura” num modo novo e num nível de literatura-cientificamente reconhecido. A Bíblia vem muito ao encontro do ler que procura e funda unidade, pois – e isso vos queria hoje mostrar num fenômeno importante – a unidade engravou-se na própria Bíblia, sem anular a multiplicidade e multivocidade da Bíblia. Aqui o “antigo” conceito de cânon volta a entrar no jogo. “Cânon” significa, não só que os textos da Bíblia sejam obrigatórios e indicadores de direção para uma comunidade de fé, mas abrange também qualidade que jaz nos textos. A Bíblia é uma estrutura complexa. Quem a pretender entender (e comunicar), não deve ficar na multiplicidade dela. A percepção da sua unidade na multiplicidade conduz a maior concordância com a Escritura a cada ocupação com ela.7 Pioneiro a respeito desse complexo de problema é – mais uma vez – Martin Buber. Nele encontra-se a afirmação de que a Bíblia queria, “ser lida como UM Livro”. Buber destaca nisso o numérico “um” por escrevê-lo em maiúsculas. Algumas formulações das notas prévias “Zur Verdeutschung der Preisungen” [Para a Alemanização dos Louvores] fazem até abrir os ouvidos, porque ligam a perspectiva uniformizadora da leitura de Bíblia com observações para a construção do cânon da Bíblia. Buber se põe, com isso, transversal a uma tradição que enfatiza diversidade e multiplicidade, mas não toma simplesmente a posição oposta, integrando antes os aspetos de multiplicidade e unidade da Escritura: A Bíblica Hebraica quer ser lida como UM Livro, assim que nenhuma das duas partes fique concluída em si, mas antes que cada uma fique mantida aberta a cada outra, quer ser presente ao seu leitor como UM Livro em intensidade tanta que, no ler ou recitar dum lugar de peso, lembre de a ele idênticos em linguagem, próximos em linguagem ou parentes em linguagem, e que todos se iluminam uma ao outro, juntando-se uns com os outros a uma unidade de sentido de um teologúmeno não expressamente ensinado, mas imanente à palavra, emergente das suas referências. Essa não é ligação posteriormente feita pela interpretação mas, sob o surgir desse princípio, é que nasceu o cânon… Contemple-se, a partir dessa perspectiva, as referências lingüistas p.ex. entre Salmos e Profetas, e sempre se recebe novamente a sinótica poderosa da Bíblia… Algumas palavras guia não revelam a sua amplitude e profundeza de sentido não duma única página; os lugares se complementam, apóiam-se um ao outro … e o leitor, que chegou a ter uma memória bíblica orgânica, lê cada vez, não o conexo singular por si, mas sim abraçado pela plenitude dos conexos…8 O traço descrito por Buber deixa-se alargar mais quando se pesquisar por fenômenos pelos quais, em níveis diferentes da construção de texto, partes da Bíblia forem relacionadas uma a outra. O número dos fenômenos é muito grande, jazendo os fatores de unidade em níveis plenamente diferentes. Valem de ser notados, não só os fenômenos singulares, mas sim a aparência acumulada e o mesmo sentido de direção, no qual o grau de integração alto da Bíblia se manifesta. Apresentarei isso no que segue num fenômeno. Designo esse traço, que cunha toda a Escritura Sagrada, como “horizonte doxológico de interpretação”. O horizonte de interpretação doxológicoTrata-se dum fator de unidade, ao qual compete teologicamente uma significância especial, seja se tiver em vista a Bíblica Hebraica ou seja a duas-uma Bíblia cristã. A designação “horizonte doxológico” quer indicar que pende nos louvores de Deus distribuídos pelo cânon. Textos importantes – como mencionado acima – Êxodo 15, Deuteronômio32, 1Samuel 2 e 2Samuel 22s. e cantos de louvores nos livros dos Profetas, no Novo Testamento e então os cantos em Lucas 1 e 2, peças hínicas nas cartas e os numerosos hinos no Apocalipse do João. O material é, a primeira vista, disparato e distribuído bem desigualmente. Mas há concordâncias de conteúdo, para ser observado é também a função pragmática sempre idêntica. Para estudar o papel desses cantos de louvor, escolho já o primeiro canto maior, o canto de Moisés depois do milagre de salvação no Mar dos Juncos, Êxodo 15. Porque o canto tem moldura, da qual tratarei ainda mais tarde; preciso começar antes de capítulo 15,1: Capítulo 14
Capítulo 15
Uma linguagem solene e cheia de imagens, um esboço teológico abrangente. Esse canto de vitória quer ser muito mais que um mero enfeite da narrativa.9 Não também repete numa outra forma de linguagem conteúdos essenciais da narrativa e não oferece resumo poético nenhum. A terra também não serve em primeira linha a caracterização de Moisés, a quem esse texto está sendo posto na boca. À questão interessante pela relação ao canto mais breve seguinte da Mirjam me vou referir ainda mais tarde. A importância desse canto e dos textos mencionados comparáveis, excede longe para além do contexto narrativo imediato. Caso omitir-se 15,4, a referência do canto de Moises à salvação do poder de morte Egito não seria mais expressamente apresentada. Coisa plenamente semelhante há no canto da Ana, 1Samuel 2, a qual a sua penúria de sem criança exatamente expressa uma vez com uma menção breve (versículo 5). É, portanto, para ser mantido que esses cantos não se diluem plenamente na ligação de contexto, até agem, à primeira vista, um pouco fora do lugar. No canto da Ana, a referência ao “Ungido de YHVH”, logo ao rei futuro no tempo do nascimento do Samuel ainda não está atual de jeito nenhum. Em Êxodo 15, o apontar à divergência com os povos no Canaã, a entrada na Terra e o Templo, a moradia de Deus no meio do Seu povo parecem estourar a moldura dum canto, o qual é que esteja olhar para trás a uma vitória grandiosa, querendo primeiro, antes de mais nada, celebrar a salvação dos israelitas no mar. O que descrevi como escarranchação no contexto, pode também ser percebido de outro modo. Esses cantos estendem-se muito, abrem horizontes grandes. Só muito mais tarde está sendo narrado como Deus entra no Seu Templo. Quem ler disso em 1Reis 6-8, deva-se lembrar de que o Deus, que agora está tomando moradia em Sião, é o Deus de salvação de então. Àqueles que, tivessem perdido isso de vista com as muitas páginas jazentes no meio, 1Reis 6,1 poderia servir dum pequeno apoio para a lembrança (“no quatrocentésimo octogésimo ano depois do êxodo do Egito … Salomão começou a construir a casa de YHVH”). Pela antecipação poética em Êxodo 15, o Templo chega a ter uma significação teológica mais profunda; ele é a moradia do Deus que demoliu o poder de morte. Nesse exemplo se deixa ler o que as doxologias injetadas fazem. Eles ligam e juntam as partes do cânon da Bíblia, como não é facilmente possível por meio duma narrativa linear, pois concentram a atenção a Deus como o centro de todas as ações, construindo uma moldura teológica de interpretação para a Bíblia inteira. Essa idéia queria aprofundar no que segue. Formalmente falado, os hinos agem como plot breaker [quebra-trama], que faz parar a ação por um tempo. Criam possibilidade de comunicar numa outra forma de linguagem, o que está irrenunciável para o entendimento teológico reto do narrado. As cantoras e cantores têm à sua disposição um saber “sobrenatural” da guiação histórica de Deus e do sentido e fim da história. As e os porta-vozes revelam o que está no fundo, as suas expressões são profeticamente inspiradas. Quando esses textos quiserem caracterizar uma pessoa, então na aquela da respectiva locutora ou locutor, antes esses textos servem todos à acentuada “caracterização de Deus”10. Isso se deixa mais uma vez mostrar em Êxodo 15 exemplarmente. A narrativa precedente é para muitos hoje um texto difícil, até escandaloso. Ouvem-no um como relato de guerra, o qual termina com o extermínio total de um lado. Quando Moisés e os dele irrompem em júbilo, pode ser que também não se faça sentir uma alegria reta naqueles que não querem passar por cima de ver as vítimas. A narrativa em Êxodo 14, porém, já põe uma pista que possa conduzir para fora dessa dificuldade; no canto mosaico seguinte essa pista está então sendo largamente traçada. A narrativa do milagre do mar mesma já dá para entender que não quer ser ouvida como relato de guerra do antigo Egito. O texto relata, não sobre uma batalha antiga, porque aqui não é que dois povos se entrechocam. Notável é também que Faraó não tem nome em lugar nenhum. Não se esqueceu o nome no decorrer duma longa tradição, mas a fala generalizadora é programa. Aos israelitas o lutar está sendo explicitamente proibido, o único que luta no lado dos israelitas é Deus. O mando do dia aos israelitas diz, destituído de qualquer lógica militar: “Não vos mexeis! Vede (antes), como YHVH vos salva.” Aqui nenhum povo luta contra um outro, mas aqui está sendo narrado um milagre com espectadores. Os israelitas são, não participantes de guerra, mas sim testemunhas para o agir de Deus. Correspondentemente, o resultado do acontecimento não deve ser avaliado segundo a lógica (de guerra) usual. Isso assume o canto Êxodo 15. Ilustra a vitória de Deus sobre os inimigos num modo inteiramente inusual, e isso como acontecimento criativa de tempo primitivo. Assim, nenhum historiador, que quiser ser levado a sério, deva falar! Deus está sendo desenhado como reinador cósmico, que se serve das quatro poderes de natureza grandes, da água do mar, da ira fogosa, do vento e da terra, para derribar o inimigo enorme. A linguagem da luta está guarnecida de amálgema com a linguagem da criação.11 Essa mistura faz o texto escandaloso, no sentido duplo: provoca, oferecendo ao mesmo tempo ajudas para o entendimento reto. Visão nova do cânon da BíbliaÊxodo 15 descreve no fim uma ordem universal nova da criação, na qual Deus, no Seu santuário neo-fundado no meio do Seu povo (15,16) “criado” por Ele toma habitação, sendo a relação a esse povo cunhada por HéÇèD, isso é fidelidade de aliança (15,13). Para fora, o “medo de Deus” reprime a ameaça pelos povos estranhos. A ordem do Deus do êxodo é a contra-imagem do poder inimigo “avarentemente” ameaçante (15,9). Chega a ser claro que o canto, não descreva um cenário de política exterior histórico, mas quer doar um “golpe de vista” na base teológica da realidade. Chamamos essa linguagem de “mítica” porque se trata, não de “mitos e contas de fada” ou de linguagem florida dos orientais, mas sim porque essa linguagem abre outro acesso à realidade, acesso o qual entende a realidade como campo de lutar de poderes de morte e vida. Quem quiser falar sobre a salvação por Deus, não pode passar ao lado dessa linguagem mítica. Com isso está (mencionado ao lado) uma separação de teologia de êxodo e de criação tão ultrapassada como um programa radical da demitologização. Também quando, em outros comparavelmente destacados cantos da Bíblia as coisas acontecem menos “violentamente”, esses reassumem esse fundamental assunto da salvação da vida da morte. Assim não é por acaso que já no varias vezes mencionado canto de Ana em 1Samuel 2 o pronunciamento central diz: “O Senhor faz morto e vivo, leva para baixo ao reino dos mortos e também conduz para cima.” (v. 6). Esse assunto: vitória de Deus sobre a morte, pude agora prosseguir mais adiante nos salmos embutidos até ao último livro da Bíblia cristã, da Revelação de João. A liturgia celeste em Ap 19,6s. culmina nas palavras que lembram o fim do canto de Moisés: Halleluyah! E logo a seguir, está sendo tomada referência àqueles que pertencem àquele rei (19,7s.). Na formulação do “reinado de Deus” sobre toda a criação, o qual se encontra, aliás, em Ex 15,18 pela primeira vez na Escritura, esse complexo temático de muitas camadas está sendo compilado. Com toda a diversidade em detalhe, esses textos hínicos constroem um nível temático na Escritura. Falam, não só sobre este ou aquele lado do agir de Deus, mas encontram-se em um ponto: Sempre se trata da imposição do reinado de Deus contra os poderes do caos. Erigem um régio-teológico horizonte geral da Escritura. Esses textos embebem o cânon inteiro numa luz teológica determinada. As diferenças não se perdem, a acentuação cada vez específica pelo conexo narrativo está e fica importante. É que a Bíblia é, não um livro de cantos, mas sim recebe uma força de cunhar da concretidade das suas muitas histórias – sem dúvida nenhuma! Mas a Bíblia não pára com isso. Ela se faz uma sobre-estrutura, a concentração teocêntrica – seja como for que se quiser denominar isso. Na percepção lente, um grão-horizonte hermenêutico se constrói, o qual aponta para o reinado de Deus. Sugere-se a mim pata isso a paralela seguinte: A forma judaica de oração da BeRàKóH começa cada vez com a referência ao reinado de Deus, antes de então feitos de Deus estão sendo denominados. Essa estrutura de oração parece um reflexo dessa guiação de ler canônica. Em vista ao Novo Testamento chega então a ser claro que a mensagem da imposição do reinado de Deus e da ressuscitação dos mortos se mostra, não como direção nova temática ou até alienação, mas sim se baseia num fundamento largo da Sagrada Escritura mais antiga, do Antigo Testamento. Conhecimentos interessantes são que a pergunta pela pragmática desses textos media. Abrem um “espaço de conhecimento mais alto e abrangente”12, mediando um saber “outro”. Podem chegar a ser estímulo para uma exploração teológica correspondente das próprias experiências, as quais a seguir desembocam num louvor semelhante. Também isso se deixa ilustrar em Êxodo 15. A seqüência do canto de Moisés e do canto de Mirjam levanta muitas questões. Poder-se-ia entender a seqüência dos dois cantos assim que Moisés faz o partido e Mirjam assume com as mulheres o estribilho. Uma interpretação que dá a impressão de androcêntrica. Olhando mais justamente, outra interpretação chega a ser possível. O transito da proclamação de rei em 15,18 à narrativa seguinte exige a nossa atenção especial.13 O versículo 19 não continua simplesmente a narrativa interrupta em versículo 1, mas nos transpõe para dentro da narrativa de capítulo 14. O versículo é um resumo da narrativa do afundamento dos egípcios e da salvação dos israelitas, como havidos em 14,28-29. A conjunção KI no início do versículo 19 não pode ser continuação imediata da proclamação do versiculo18 no sentido duma motivação. O versículo 19 esteja sendo traduzido antes do melhor modo traduzido como sentença temporal: “Quando os cavalos do Faraó com carros e cavaleiros foram para dentro do mar, YHVH fez refluir a água do mar em cima deles, depois de que os israelitas em chão seco passaram pelo meio do mar. E a profeta Mirjam, a irmã de Aharôn, pegou o timbale na mão…” Agora a perspectiva se mudou completamente. O canto de vitória de Êxodo 15 é a resposta do Moisés e de todos os israelitas ao exemplo de Mirjam. Pela interpretação de Mirjam, os israelitas podem entender que era YHVH que os salvou, podendo crer nEle e em Moisés, Seu servo. Como Maria Madalena em relação à ressuscitação de Lázaro, Mirjam é a primeira testemunha do feito da salvação de Deus. O seu testemunho põe a base para a experiência dos outros. O canto de Mirjam é, não só resposta, mas assim mesmo parte do acontecimento de salvação, pois sem a palavra do testemunho dela não haveria experiência do Deus salvante. Ex 15,20 apresenta Mirjam como “profetiza”. A sua palavra abre o acontecimento como agir de Deus, a sua palavra pertence ao feito de Deus em Israel. Num jogo inglês de palavra… esse conexo está sendo acertadamente captado: Profecia bíblica é, não só foretelling, mas também forth-telling. Ensina olhar o mundo com os olhos de Deus e o ver de novo – como lugar da força transformadora do criador régio. No seu lugar atual e pela remessa narrativa acabada por mostrar, o canto da Mirjam é as duas coisas, revelação primária e começo da tradição no falar outra vez do canto de Moisés. Mirjam e as mulheres dançam e cantam. Essa é a experiência de liberdade. No texto bíblico, essa liberação se retrata, quando o curso normal da narrativa está sendo interrompido. Poesia e canto se referem à fala prosaica como o dançar ao andar comum. Está certo, pelo andar chega-se ao fim, mas no canto vivacidade e doação de espírito se exprimem. Um conviteNos hinos se nota que, embora falem muito plasticamente sobre o reinado de Deus, é que ficam, apesar disso, muito gerais. Isso oferece a possibilidade de referi-los a situações diferentes. Nesses textos estou sendo convidado - a cantar junto. Não é que se trata primeiramente e antes de tudo de que entenda essas histórias, tirando uma lição delas, um pensamento importante, leve comigo um entendimento teológico. Os hinos embutidos me mostram uma possibilidade, convidam-me a tomar, como se diz tão acertadamente, “na oração”, a o fazer igualmente como as figuras da narrativa bíblica o fazem. O efeito será, que seja “alcançado” ou “envolvido” num modo completamente próprio e “levado para além” de mim. Do andar para dançar e cantar… No texto bíblico se pode observar como o narrar desemboca na liturgia. O mesmo vale para as leitoras e leitores da Sagrada Escritura. Não só fico sabendo algo sobre outros, não estou sendo convidado a tomar posição refletindo. Ler desemboca em liturgia na celebração diante de Deus. Sobre a Sagrada Escritura o céu está aberto! Notas literárias 1 a 13 no fim do texto alemão Texto alemão: „Gottes Thron über der Heiligen Schrift“ |