Deus Teve Uma Só Bênção Somente?
Judaísmo como fonte de auto-entendimento cristã
Mary C. Boys
INTRODUÇÅO DO LIVRO
Jacó e Esaú (Gênesis 25:19-34; 27, 1-45) podem ser os gêmeos mais famosos que jamais nasceram. A sua história. A sua história é uma de uma da luta desde a madre de Rebeca. Jacó segue o seu irmão para dentro do mundo, agarrando o seu calcanhar – e no fim o suplanta por ganhar tanto o seu direito de nascimento como da bênção do pai, o último por decepção. Num apelo pungente, Esaú pergunta Isaac: “Tens só uma bênção? Abençoa-me, pai, também!” O narrador então os conta: “E Esaú recobrou a sua voz e chorou” (Gênesis 27,38).
Uma dimensão do relacionamento problemático de judeus e cristãos tem sido a nossa premissa implícita de que Deus tem somente uma só bênção a dar – como se estivéssemos rivais para o amor de Deus. Daí, o impulso para a Cristandade presente está fazendo o Judaísmo obsoleto.
A iconografia cristã da Idade Média provê uma imagem vívida de rivalidade nas figuras “Synagoga” [Sinagoga] e “Ecclesia” [Igreja], duas mulheres representativas que ornavam muito uma catedral, capela e Livro de Horas na escultura, gravura em madeira, relevo de marfim, pintura e iluminação a partir do séculos nove até através do dezesseis. Tipicamente, o retrato 2está ereto e triunfante, símbolo da Igreja do Cristo vitorioso. A Synagoga, em contraste, é figura conquistada, símbolo de derrota e símbolo para cair em desuso do Judaísmo. Deus tem somente uma bênção a dar – e agora é a Ecclesia, e não a Synagoga, que a recebeu.
A nossa história teria sido radicalmente deferente se tivéssemos visto que o relacionamento de Deus com uma tradição não diminui a sacralidade da de outros:
O problema não está em Deus, mas sim na nossa falta de entender que Deus ama pessoas diferentes igualmente. Aprender como ser maduro e como crianças saudáveis, celebra os modos únicos em que amor está sendo dado de cima.. Talvez, como no Gênesis, esse entendimento novo só possa vir depois de rivalidades de crianças degenerem em fratricídio, exclusão ou abandono. Mas depois da Shoáh [Holocausto], não estamos dispostos a reconceitualizar a nossa família mais ampla por um paradigma mais amante. Podemos agüentar não fazer isso?1
Se Deus tem mais que uma bênção, então precisamos formar novas imagens de Synagoga e Ecclesia. As figuras de Synagoga e Ecclesia comissionadas para este livro retratam um relacionamento novo entre Igreja e Sinagoga. Cada uma consiste na sua integridade e vitalidade. Ambas são recipientes de bênção de Deus, ambas são modos verdadeiros a Deus. São parceiras no testemunhar e no agir pelo reinado de Deus.
A imagem de judeus e cristãos como parceiros em testemunho e obra é visão nova. Reverte aproximadamente dois mil anos de ensino da Igreja e religiosidade popular. Essa reversão, no entanto, só começou. O processo de adquirir informações novas, formando entendimentos mais adequados e discernindo as implicações para transformar a vida da Igreja será longos e árduo. Este livro é contribuição a esse processo.
Essa reversão-em-processo não está conhecida amplamente. Mas muitos cristãos estão abertos para pensar novo, embora inseguros das suas ramificações. Valorizamos relacionamentos ecumênicos e inter-religiosos em extensão não-precedente na nossa história, mas não sabemos saber plenamente o que fazer com eles. Dois exemplos ilustram isso.
Anunciando o serviço de re-dedicação da Igreja recentemente renovada, o pastor mencionou com entusiasmo que o clero e os líderes leigos de outras denominações cristãs, sinagogas e mesquitas na vizinhança se juntassem naquela tarde no celebrar o espaço restaurado de culto religioso. Mas na sua homilia marcou: “Para mim, fé é fé em Jesus Cristo – ou não é fé de jeito nenhum.” Pensou verdadeiramente que os hóspedes não-cristãos que convidou não tivessem fé?
Um segundo exemplo mostra a divisão entre cristãos sobre o caráter salvífica de outras religiões. Um pastor experimentado duma congregação larga na Igreja Reformada na América expressou a sua convicção de que fé em Cristo não é somente meio de salvação. “Creio que o escopo da graça de Deus está além da comunidade cristã,” disse rvdº Richard A. Rhem. Em resposta, a autoridade da Igreja regional o censurou em julho de 1995, julgando-o de estar “em má reputação diante de Cristo, da Igreja e do mundo”.2
Sempre que insistirmos no assunto, o “outro” religioso, de modo crescente, vive perto. Não precisamos ir à Índia ou Japão ou Israel para ter encontro sério e sustentado com outra tradição de fé. Muitos de nós temos de somente voltar-nos a nossos vizinhos. Se nos aventurarmos para além das nossas veredas usuais, encontramos muitas vezes pessoas eruditas cujas práticas e crenças possam parecer simultaneamente estranhas e fascinantes. Muitos de nós temos colegas cuja obra ao longo de pessoas aborígines ou moslins ou judeus ou hindus abriu perspectivas e questões novas. Muitos estão atirados para práticas de meditação oriental que favorecem percepção aprofundada.
Para cristãos, um “outro” religioso – o povo judaico – tem sido sempre na nossa consciência. Não há simplesmente modo nenhum de falar sobre Cristandade sem referência ao Judaísmo. Por muito da nossa história temos menosprezado o Judaísmo, pensando de algum modo que a validade da nossa fé dependesse na sua suplantação da tradição judaica da qual viemos.
Muitos cristãos pensavam da sua tradição como do “cumprimento” do Judaísmo. Teólogos se referem a essa perspectiva como a “supersessionismo”. Os cristãos substituíram os judeus como povo de Deus por causa da rejeição de Jesus Cristo.
O supersessionismo tem tipicamente deixado pouco espaço teológico para a existência continuada de judeus. Cedo no século segundo, Barnabé escreveu que os próprios judeus se provaram indignos da aliança. Assim. “O próprio Senhor a deu a nós, assim que pudéssemos chegar a ser o povo da sua herança, por sofrer por nós.”3 Melito, bispo de Sardis (na Turquia moderna), na sua homilia do século segundo “Homilia sobre a Páscoa”, acusou os judeus de terem cometido “deicídio”. “O Mestre está insultado. Deus está assassinado. O Rei de Israel está destruído por uma mão israelita.” Tendo “jogado o Senhor para baixo, éreis jogados à terra. E vós – jazeis mortos, enquanto ele levantou dos mortos e subiu à alturas do céu.”4
Entre as formulações mais infames está a convicção de Agostinho de que “a Igreja admite e aprova que o povo judaico seja amaldiçoado”. “Depois de matar Cristo”, Agostinho continua, os judeus “continuam cultivar o chão duma circuncisão terrestre, um Shabát terrestre uma Páscoa terrestre”, e “continuam em impiedade e descrença”.5 Tais declarações – os judeus jazem mortos, malditos, substituídos – possam chocar as nossas sensibilidades modernas, mas não devemos estar ingênuos sobre a retórica que deu surgimento ao que o historiador judaico Jules Isaac chamava de “ensino de desdém.”6
Certamente, cada uma dessas reivindicações por professores cristãos primitivos surge num contexto particular que requer o nosso estudo. Mas essas declarações também revelam como a história complica a conversação contemporânea entre judeus e cristãos. O passado acompanha cada encontro nosso, particularmente desde o Holocausto.
Líderes eclesiais contemporâneos, no entanto, falam em tons dramaticamente diferentes. O papa João Paulo II, dirigindo-se a uma congregação numa sinagoga em Roma em 1986, indicou o se desejo de “aprofundar diálogo em lealdade e amizade, em respeito pelas convicções íntimas de um do outro, tomando como base fundamental os elementos da revelação que temos em comum, como grande patrimônio espiritual”.7 Um grupo de batistas afirmou em 1995 o “ensino da Escrituras Cristãs de que Deus não rejeitou a comunidade de Israel, do povo da aliança de Deus”.8 O metropolitano Damaskinos da Suíça [grego ortodoxo] escreve que a verdade da fé da gente está sendo vivida “não como condição de ser embrulhado num síndrome arrogante de superioridade referente a outras religiões, mas antes como serviço responsável de diálogo e testemunho”.9
Os cristãos como um todo, no entanto, parecem inconscientes das mudanças dramáticas implicadas nos pronunciamentos dos líderes eclesiais modernos. Para o pôr sem corte, o diálogo judaico-cristão está sendo periférico na Igreja. Poucos demais cristãos parecem perceber que esse diálogo esteja no coração uma matéria de justiça: descobrir o modo reto em que possamos entender o povo de que viemos e com que estamos ligados ao Deus de Abraão e Sarah, assim que nós mesmos possamos andar a nossa diária de fé numa feição mais digna de confiança.
Em medida larga, o supersessionismo está ainda profundamente enraizado na Igreja, porque está sendo trazido numa “linha de história” – o que quero chamar o “relato convencional das origens cristãs” – apresentado em inúmeras classes de educação, sermões e obras teológicas cristãos. Está vivo e bem, sempre que ouvirmos reivindicações como as seguintes:
- O Deus do Antigo Testamento é um Deus de ira. O Deus do Novo Testamento e um Deus de amor.
- Os judeus rejeitaram Jesus como o seu messíah, porque estavam esperando por um messíah régio, glorioso, não podendo reconhecer Jesus como messíah sofrente.
- Os fariseus auto-retos e hipocríticos fariseus mostram como legalista o Judaísmo chegara a ser no dia de Jesus.
- Os judeus estavam infiéis à sua aliança com Deus, assim a sua aliança terminou. Os cristãos são agora o povo de Deus.
Embora o relato convencional esteja sendo contando com degraus vários de profundeza e sofisticação, está poderoso e perversor. Oferece um contraste dramático do Cristo amante contra judeus legalistas. Provê também uma imagem metódica dos inícios da Cristandade, uma clara racional para a deslocação da Igreja do povo judaico e uma garantia para a identidade cristã. Apesar do fato de que livros de texto não mais contêm caricaturas do judaísmo, o conto tradicional tem ainda um segurar profundo na imaginação cristã. Esta existe como o paradigma dominante, embora muitas vezes num nível implícito - a maioria dos cristãos simplesmente não encontrou a sua crítica e a construção dum outro relato.
O recado convencional está radicalmente furado. Além disso, a identidade oposicional que suporta – definindo-se acima contra fés de outrem – falha em favorecer um entendimento saudável da Cristandade num mundo pluralista. É crucial que nós cristãos entendamos que aquilo que deu surgimento do supersessionismo, o que está errado com este, que história alternativa o substitua e que diferença isso faça para como nós cristãos veneramos, usamos a Escritura, pregamos e ensinamos. Em breve: é isso de que este livro trata.
Ciência moderna revela como empobrecido o relato convencional é. Essa ciência, muitas vezes altamente técnica, precisa ser acessível numa forma narrativa. Para remediar isso, proponho substituir a linha convencional da história com uma narrativa alternativa – um relato revisado das origens cristãs – como a linha que deva formar a narrativa do auto-entendimento cristã. É uma interpretação mais fiel da nossa história e um estímulo para um entendimento mais profundo da vida cristã.
Este livro, então, é desafio a cristãos para que reflitam sobre a concepção de Judaísmo implícito no nosso entendimento da Cristandade. A visão que muitos de nós herdamos precisa ser reconsiderada à luz de ciência contemporânea. Reformulando ou refundindo o modo em que entendemos a nós mesmos em relação ao Judaísmo vai prover um retrato mais verdadeiro de judeus, mas também de nós mesmos.
O caráter pastoral deste livro
Este é um livro sobre como encontro com judeus e Judaísmo afeta o modo em que pensamos, ensinamos e pregamos sobre a vida cristã. Origina-se de duas convicções: (1) o que aprendemos da ciência recente sobre o relacionamento entre judeus e cristãos nos chama a ensinar e pregar diferentemente sobre Cristandade; (2) essa ciência deve ser feita acessível àqueles com responsabilidade educacional na Igreja.
Cristãos envolvidos no educar na fé – seja como professores, pregadores, ministros pastorais ou teólogos – são a audiência primária para este livro. Ele também finaliza os muitos cristãos que vivem a sua fé com convicção e seriedade grandes e desejarem aprofundar aquela fé. Ambos os grupos tipicamente não têm dado muito pensamento à contribuição do Judaísmo entrelaçado no seu entendimento de Cristandade. Este livro levanta consciência do problema, traça o seu desenvolvimento e propõe alternativas. Enquanto este livro se dirige principalmente a cristãos, possa também ser interessante para judeus, ambos em situando o legado amargo do anti-judaísmo e e no mostrar na mudança na visão da Sinagoga pela Igreja.
Este livro, secundariamente, é estudo de caso no educar para particularismo e pluralismo religiosos. Analisando em profundeza um único exemplo do engajamento cristão contemporâneo com o “outro”, sugere implicitamente modos de possamos educar mais adequadamente cristãos para participarem numa sociedade religiosamente pluralista. Ensinando nessa maneira, levanta questões maiores para as quais encontraremos relativamente adequadas. Não é por acaso que o teólogo David Tracy junta ambigüidade a pluralidade. Embora haja “poucas conversações mais importantes que os diálogos entre religiões grandes”, Tracy concede que haja “poucas mais difíceis”.10
Por mais que difíceis tais conversações possam ser, precisamos tomar parte nelas. Tendo pelo menos percebido que Deus tem mais que uma bênção, precisamos ampliar as estacas da nossa tenda em modos corajosos mas cuidadosos.
Clarificações
Vários termos chave, distinções e convenções científicas, usados através do livro requerem explicação desde o início:
- Supersessionismo, improvavelmente um termo corriqueiro, está sendo, apesar disso, com freqüência aqui, por causa da sua proeminência no diálogo judaico-cristão. Supersessionismo, do latim supersedere (sentar em cima, presidir sobre), é a reivindicação teológica de que os cristãos substituíam os judeus como povo de Deus, porque os judeus rejeitavam Jesus. Três reivindicações estão inerentes no supersessionismo: (1) o Novo Testamento cumpre o Antigo Testamento; (2) a Igreja substitui os judeus como povo de Deus; e (3) o Judaísmo é obsoleto, a sua aliança ab-rogada.11
- Primeiro Testamento e Segundo Testamento são geralmente usados para designar “Antigo” e “Novo” Testamento, respectivamente. Esse uso, crescentemente usado em círculos acadêmicos, indica rejeição do esquema promissão-a-cumprimento supersessionista que reduz o Primeiro Testamento à preparação para o Segundo.12
Nenhum consenso claro pode ser encontrado a respeito da terminologia. Primeiro e Segundo Testamento são termos quase não poéticos, podendo primeiro aparecer dissonantes. Mas têm menos problemas que as alternativas. Alguns cristãos, tentando a contrariar supersessionismo, usavam “Bíblia Hebraica” ou “Escrituras Judaicas” no lugar de “Antigo Testamento”. Ambos são problemáticos. O que temos tradicionalmente chamado de Antigo Testamento inclui textos aramaicos e gregos (particularmente os livros deuterocanônicos [apócrifos]), não somente hebraicos. Assim, em razões lingüistas, Bíblia Hebraica é impreciso. O termo Escrituras Judaicas implica que pertencem somente aos judeus – uma reivindicação que a Igreja rejeitou no debate com Marcião no século segundo. Judeus geralmente usam o acrônimo TaNa``K para se referir aos seus escrituras (Toráh [Cinco livros de Moisés], NBIIM [Profetas] e KetTUBIM [Escritos]. …
- Diálogo judaico-cristão está sendo usado amplamente para se referir a modos variados, nos quais cristãos e judeus estão envolvidos em conversação. Inclui sabedoria científica bíblica, teológica e histórica ocupando-se com aspetos vários de relações entre judeus e cristãos, e o intercâmbio em impressão e pessoa entre cientistas explicitamente envolvidos em “o diálogo”. Abarca diálogos formais fiançados por corporações denominacionais várias, nos quais clérigos eram os participantes predominantes, e diálogos informais, nos quais a laicidade judaica e cristã eram os participantes principais.
- Anti-judaísmo e anti-semitismo são distinguidos. Este livro focaliza na gênese e conseqüências de anti-Judaísmo, o qual está muitas vezes, mas não necessariamente, um fator no anti-semitismo. (Um ignoramus [não sabemos] pode ser um anti-semita). Anti-judaísmo se refere a atitudes, argumentos, polêmicas e ações que fluem do supersessionismo. Está então um termo teológico.13
… Heschel define anti-judaísmo como a “denegração tendenciosa do Judaísmo para o fim de elevar, por contraste, outra religião ou grupo étnico” e anti-semitismo como “sistema de opressão de judeus” …
Um dos assuntos mais prevalecentes de anti-judaísmo é que judeus e Judaísmo representam o que é religião má, tal com auto-retidão, legalismo e ritualismo. A Cristandade, em contraste, representa graça, amor e veneração verdadeira.14 O termo anti-semitismo é designação racista, cunhado no fim do século dezenove por Wilhelm Marr, para denotar ódio e hostilidade aos judeus, considerados como um grupo étnico semita inferior.
- Judeus e Judaísmo estão sendo muitas vezes postos juntos. Enquanto isso pode aparecer repetitivo, a justaposição está sendo entendida para enfatizar referência com o povo de carne e sangue e com uma tradição religiosa viva. A presença de judeus não contribui muito para favorecer a nossa percepção de anti-judaísmo.
- Cristandade, Igreja, Igrejas. A Cristandade contém três famílias maiores: católicos, protestantes e ortodoxos. O termo igreja está geralmente sendo usado como sinônimo com Cristandade , particularmente antes da Reforma. “Igrejas” se refere ao âmbito de designações denominacionais dentro da Cristandade. Quando uma denominação específica for intentada, está sendo especificada como tal (p.ex. Igreja Presbiteriana ou presbiterianos).
- O Movimento Renovador de Jesus e crentes em Jesus se referem à comunidade dos seguidores de Jesus nas décadas imediatas depois de morte-ressurreição de Jesus. Termos como “cristãos” ou “a Igreja” são anacrônicos, já que, no primeiro século, muitos no movimento renovador de Jesus eram ainda conexos ao Judaísmo. O apóstrofo (Jessus’ = de Jesus) está sendo usado para indicar que isso era, não um movimente fundamentalmente sobre Jesus (“the Jesus Movement” = o Movimento Jesus) mas sim sobre o reino de Deus.
- O uso de abreviações b.c.e. (Before the Common Era = antes da Era Comum) e c.e. (Common Era = Era Comum) segue convenções escolares recentes. Indicam um modo mais inclusivo de delinear épocas do que o fazem os mais familiares b.c. (Befor Christ = antes de Cristo) e a.d. (Anno Domini = Ano do Senhor).
- Shoáh, Holocausto. O termo hebraico Shoáh (“furacão” ou “destruição”) está sedo geralmente usado geralmente no referir ao Holocausto. Um holocausto, uma “oferta queimada por inteiro”, fazia parte do sistema de sacrifício no Templo de Jerusalém. Aplicando-o ao genocídio nazista cria problema para muitos.15
Teologias Feministas e Libertadoras de Anti-Judaísmo
Ilustrações de anti-judaísmo de obras teológicas e pastorais abundam nestas páginas. Tais ilustrações estão sendo intentadas para mostrar como penetrante esse fenômeno é. Não estão intentadas nem para embaraçar qualquer autor nem de acusar aquele escritor de de anti-semitismo. Particularmente desagradáveis são exemplos que aparecem em teologias de libertação, muitos dos quais estão sendo documentados nestas páginas.16
O uso do plural indica que “libertação” é um termo guarda-chuva sob o qual há tanto perspectivas comuns quanto aproximações variantes.
Estou simpática a teologias de libertação, e debitada aos seus praticantes pelo seu re-ler da tradição, cometimento para os pobres e minorias e crítica da Cristandade ocidental, branca, de classe média. Tomo exceção, no entanto, à caricatura do Judaísmo, que frequentemente demais acompanhava teologias de libertação desde o seu começo.17
Tenho respeito enorme pelo “pai” da teologia Gustavo Gutierrez. A sua Teologia de Libertação … é o texto fundamental do movimento. Ilustra também graficamente o problema. Gutierrez reivindica que, por causa da sua infidelidade à aliança, Deus terminou a aliança a aliança com os judeus: “… infidelidades do povo judaico fizeram o Antigo Testamento inválido, a Promissão era encarnada tanto na proclamação duma Aliança Nova que foi encarnada que era aguardada pelos ‘restantes’, bem como nas promissões que prepararam e acompanharam o seu advento. A promissão entra acima dos ‘dias últimos’ com a proclamação de que o Novo Testamento do dom do Reino de Deus”. …
Enquanto é verdade que muita sabedoria bíblica no Judaísmo de Segundo Templo apareceu depois da publicação da sua obra quebra-fundo, a edição d e 25º aniversário de Teologia de Libertação contém a mesma reivindicação sobre Deus terminando a aliança com os judeus. Alem disso, o teólogo mexicano-americano Virgílio Elizondo, bem como os teólogos latino-americanos Jon Sobrino, Juan Luis Segundo e Leonardo Boff, não puseram em data o seu pensar sobre a relação de Jesus com o Judaísmo. …
Consequentemente, muita gente puxada para a teologia de libertação porá causa dos seus próprios cometimentos para os pobres reforçaram inconscientemente o ensino de desdém. Ironicamente – e talvez mais insidiosamente – esse anti-judaísmo infetou até teólogos de liberação em áreas onde há poucos judeus, como em Ásia.18
Teologias feministas, tipicamente incluídas sob o guarda-chuva de teologias de liberação, tem sido também infetadas com anti-judaísmo.19
A maioria das teologias feministas (ou woman ist ou mujeristas) estão sendo feitas sob a rubrica de “teologia de liberação”. …
Duas tendências são particularmente notáveis: culpando os judeus por patriarcado e monoteísmo bíblico pela morte da deusa das culturas matriarcais; contrastando Jesus com judaísmo patriarcal e misógino. Em anos recentes, no entanto, teólogas líderes feministas trabalhavam para erradicar anti-judaísmo.21 Feministas cristãs refletiam progressivamente mais entendimentos refinados de judeus e Judaísmo.
Para falar pessoalmente, algumas pessoas, que mais respeito por seu envolvimento apaixonado com aqueles nas margens da sociedade, pensam da missão de Jesus em modos que acho importunos por causa da injustiça que o seu entender faz ao Judaísmo. Como alguém que está profundamente puxada à missão de Jesus, compartilho da convicção dos teólogos de liberação de que a visão de Jesus põe em movimento aqueles que andam no caminho do discipulado para quebrar pelas paredes do seu paroquialismo próprio. Como eles, creio que a inclusão de Jesus daqueles nas margens da sociedade nos desafia para ver a face de Deus nos pobres e para nos arrepender do nosso abuso de privilégio. Estou com os teólogos de liberação no crer que discipulado inclui carregar a cruz, o que quer dizer “assumir solidariedade com os crucificados deste mundo – com aqueles que sofrem violência, que estão empobrecidos, que estão desumanizados, que estão ofendidos nos seus direitos”.22
Boff, Paixão de Cristo, Paixão do Mundo, … : Esse livro, no entanto está ceio de inexatos sobre o Judaísmo do Segundo Templo. Por exemplo, Boff escreve “Observância da lei de Moisés chegara a ser a própria essência do Judaísmo pós-exílio. Interpretações sofisticadas e absurdas causaram a lei a degenerar numa escravatura terrível, imposta em nome de Deus. … a lei chegara s ser prisão com barras áureas. Em vez de ser ajuda aos seres humanos no encontro com os seus companheiros e com Deus, a lei os fechou de ambos, discriminando entre aqueles que Deus amava e aqueles que Deus não amava, entre os puros e os impuros, entre o meu vizinho a quem eu devesse amar e o meu inimigo a que pudesse odiar. Os fariseus tinham uma concepção mórbida de Deus. O seu Deus não falou mais a seres humanos. O Deus lhe deixara uma lei” …
Mas cometimento no modo de Jesus não pode vir à despesa de deprecar o povo de que Jesus veio. Se, como mantenho neste livro, o relato convencional de origens cristãs está baseado numa caricatura do Judaísmo, então, mesmo usando-o para os fins de teologia de liberação, não pode ser justificado. A teologia vai liberar na extensão em que a sua verdade leve à ação reta. Supersessionismo tem feito conseqüências trágicas. É matéria de justiça que encontremos modos de falar sobre nos mesmos em relação ao povo judaico se formos verdadeiramente para liberar.
O Deus que libera tem mais que uma bênção. É tempo para a Ecclesia estar em relação reta à Ecclesia.
Notas literárias 1 a 22 no fim do texto inglês da Introdução!
Texto inglês: Has God Only One Blessing? (Introduction)
Tradução: 9/3/2007 
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Pedro von
Werden, SJ
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