CRISTÃOS E JUDEUS

 

A tradução da Escritura por Martin Buber

Helmut Foth

Carregai-a com orgulho, a mancha amarela!

Assim diz a manchete da revista “Jüdische Rundschau” em 4 de abril de 1933. O editorial do seu redator chefe Robert Welsch chama a campanha difamatória “um dia importante na história dos judeus alemães”. Enfrenta o ódio anti-semítico - o qual se dirigia, não só a proprietários de casa de comércio judaicos, mas sim à judiaria alemã inteira - com consciência da sua dignidade e até com tons auto-críticos: “Porque o judeu não levou orgulhosamente o ser judeu para ser visto, porque se quis esquivar, ele se fez co-culpado na degradação do Judaísmo. … A resposta judaica está clara. É a frase breve que Moisés falou ao egípcio: Iwri anoki.[hebreu eu = sou hebreu] … Dizer sim ao ser judeu”.1 Weltsch, que a essa chamada fez sair uma série de editorais na qual, entre outras coisas, também agradece a co-cidadãos cristãos que não acreditavam na campanha difamatória dos nazistas contra os judeus e que, nesses dias difíceis, salvaram a fé na humanidade” 2, escreve em proximidade espiritual a Martin Buber, o qual o inspirara decisivamente em 1909 como estudante em Praga com os seus sermões sobre o Judaísmo, que chegaram mais tarde a serem célebres.3
Um dos ouvintes era também Franz Kafka, o qual, estimulado por Buber, chegou a uma identidade judaica interessante e mais tarde também escreve para a revista de Buber “Der Jude” [O Judeu].

Martin Buber, que ainda em 14/2/1933 numa carta formula: “A hitleria não só até agora não tem feito nada diretamente, mas estou preparado para tudo …”4, declara em 22/6/1933: “A atmosfera tem efeito destrutivo ao sistema de respirar da alma”.5

Buber percebe agora rapidamente a pena dos companheiros de fé completamente insegurados.

Fala em abril e maio de 1933 e depois sempre mais uma vez por contribuições breves na “Jüdische Rundschau” e outros órgãos de imprensa judaicos ao seu povo, exortando como pastor das almas e protegendo.

“A pessoa judaica de hoje é a pessoa internamente lançado fora do nosso mundo … Querem experimentar se a pessoa lhes possa ainda resistir, e se experimentam no judeu. Este vai resistir? Irá em pedaços? Querem experimentar pelo seu destino o que há acerca da pessoa humana. Fazem experimentos com o judeu, tentam ele. Sai vitorioso?”6

“Os judeus alemães foram confrontados com o destino judaico do mundo. Seja o que for acontecendo ainda, não vão poder viver de alhures senão desta confrontação. … Que essa hora é prova da Cristandade, esse fato não diz respeito a nós; o que diz respeito a nós é que é uma prova de fogo do Judaísmo. … Se mantivermos o nosso eu, nada nos pode desapropriar. Se estivermos fiéis à nossa vocação, nada nos pode desapossar. Se ficarmos ligados com origem e fim, nada nos pode desarraigar”7

Buber vê a hora de destino judaica concreta ligada com a questão pelo ser humano em geral, se crianças de Adão possam resistir ao mal e se vá haver feitos de co-humanidade. Lembra essa confiança imensa de poder ser enraizado por Deus do começo até o fim, e a obrigação de manter a fidelidade à vocação plenamente especial.

Buber continua trabalhando, nessas semanas e meses difíceis, na sua tradução da Bíblia, dos Provérbios e dos Salmos, onde aparece freqüentemente o conceito de crianças de Adão. Continua guardião da língua alemã, enquanto, não só na propaganda de Hitler, mas também nas universidades e escolas essa língua está sendo pisada com os pés. A tradução da Bíblia por Buber era também sempre resistência espiritual contra o não-espírito dos “Cristãos Alemães” e a hitleria!

Ao Ano Novo judaico, Rôsh Hashanáh, ne setembro de 1933, Buber confronta os seus leitores com noções que, no seu ímpeto, podem ter ido até os limites do exigível e ainda hoje vão:
“Hoje o mundo está no nascimento, hoje Ele põe no juízo toda a formação de vida dos mundos. … No dia do Ano Novo, o mundo volta ao seu estado original, a partir do qual se decide, se entre de novo no existir ou decaia, a decisão, porém depende da volta. … A volta, assim os nossos sábios ensinam, é mais antiga que o mundo. … A judiaria alemã sabe ainda o que é este dia? Sabe que aquilo que afirma é, não imagens da linguagem religiosa, mas sim a mais imediata realidade? … A judiaria alemã está posta no juízo; sair vitoriosa, chegar-lhe-á renovação… Não estamos em juízo como indivíduos, mas cada um como Israel; e não individualmente, se sairmos vitoriosos, receberemos a renovação.”8

Buber, o judeu que durante toda a vida pensava autonomamente, que ficava fora de serviços sinagogais e recusou ritual e oração obrigatória judaicos por convicção, encoraja e exorta com toda a força e sabedoria da mensagem bíblica original: A conversão é mais antiga que o mundo, no juízo jaz a oferta da renovação do mundo inteiro. Este está sendo posto em juízo, “toda a formação de vida dos mundos”. Israel, isso é também que a judiaria alemã deve estar solidária, chegar a ser comunidade. E como nenhum outro o poderia, a sua linguagem “não-religiosa” fala para dentro do cotidiano mudado dos ouvintes perplexos:
“A desgraça que veio sobre a judiaria alemã, ainda não tem dela, que não era mais uma comunidade, feita outra vez uma comunidade. Cada um de nós sofre a sua pena, sofre com aquela dos seus familiares, mas quem de nós sofre da pena da totalidade, à qual o modo da sua existência, da simbiose de destino, atestada por vida e obra com o povo alemão foi destruída?”9

Buber raramente pôs em aberto os seus sentimentos, a sua entrada em cena era sempre nobre e aristocrática. Aqui porém na primavera de 1933 a gente pressente o seu choque sobre a quebra incrível de relação, que acontece entre alemães e judeus nesses dias.

Emocionante é ler é o artigo da “Jüdische Rundschau” Die Kinder [As Crianças] do maio de 1933:
“As crianças experimentam o que acontece e se calam, mas durante a noite alas gemem do sonho, acordam, cravam os olhos no escuro: o mundo chegou a ser inconfiável. A gente tinha um amigo, o amigo era natural como a luz do sol. Agora de repente ele olha para a gente estranhado, as suas comissuras dos lábios fazem troça. Será que imaginaste que te atribuo alguma importância? Tinha-se um professor, entre outros um; sabia-se que havia essa pessoa, então tudo em ordem. Agora ele não tem mais voz… A paisagem boa mesma, na qual se andava e brincava chegou a ser sinistra… Para poder na alma durar e crescer, a criança precisa o constante, o confiável… A casa não basta, o mundo pertence a isso. O que aconteceu com o mundo? O sorrir familiar chegou a ser uma careta”.10

Buber mostra aqui em tempo cheio de miséria uma mestria de adjudicar a parentes judaicos, que sabe da alma da criança, a qual queria pegar no confiável, para “poder crescer na alma”. Quando hoje terapeutas de forma, psico-analístas e recentemente até neurobiólogos descobrem novamente a obra de conhecimento de Buber em vista do seu Princípio Dialógico; aqui ela é palpável em vista da vida ameaçada da família judaica.

Apela aos pais de se fazer familiar com a unicidade, a saber como ser Israel; e isso não no sentido de povo nacional, mas sim no vis-a-vis de Deus apesar de toda a desnudação, Israel que ficou “in-alinhável no grupo dos povos”. É um esperar, na base da aliança primitiva de antiguidades. E a seguir segue a idéia de nós cristãos podermos propriamente ler somente com timidez, porque dá introspecção no fundo mais íntima da alma de Buber:
“ … digo-o com temor e tremulo. A Israel pertence historicamente este destino de estar assim implicado no destino dos povos e assim despejado deste. … Mas a Israel pertence também a graça de cada vez, numa miséria desta, renovar a aliança primitiva, pela qual nasceu.”11

A capacidade de Buber de chamar, em tempo caótico, não geralmente para cultura e senso comum, mas angariar confessadamente das fontes da Escritura para conteúdos judaicos e comunidade judaica, o deixou fazer figura incontestada de guia. Em credibilidade profunda foi aqui diante de Deus falado de Deus sem religião.12
Será que Dietrich Bonhoeffer, que na carta célebre da prisão em 30/4/44 pergunta: “Como falamos de Deus – sem religião?” conhecia os textos de Buber?

A pergunta de porque o sionista Martin Buber nesse momento de tempo não deixa a Alemanha, embora o sempre mais outra vez tentasse, é muito difícil a ser respondida.
De um lado, foi aqui usado pela comunidade judaica.
De outro lado, a elite jovem emigrada da Alemanha esperava por ele.13 Eram angústias de deixar
Gershom Sholem escreve mais tarde a isso: “Buber convocara essa juventude para ir a Terra de Israel para, por estímulo criador, … empreender a formação da vida nova. Nunca lhe perdoou que não foi junto com ela quando a hora bateu.” …
Eram medos de deixar a casa da língua alemã para ele que a dominava magistralmente? Era um sentimento recusante face ao desenvolvimento político que se desenhava na Palestina? Não há, enquanto eu sei, pronunciamentos unívocos de Buber a isso.

Porque não convoca mais claramente para deixar esse país, é muito mais dificilmente a ser respondido e não livre de traços trágicos.

Quebrai-me as tábuas antigas

Robert Weltsch honrou Buber ao seu 80º aniversário com a sua alocução, que impressionantemente explica o desenvolvimento do grande pensador, sionista de cultura, pesquisador de haçidismo e interpretador da Bíblia. A ele importava em graus cada vez mais profundos sobre um único assunto: Renovação do Judaísmo da Europa oeste. O seu santo-e-senha era nisso: Todo o fazer é em vão, senão nas almas das pessoas humanas, que portam esse movimento judaico, haja a ânsia grande pela mudança da vida arder. “Não chegaremos a participar de Sião, senão o edificarmos nos nossos corações.”14 Assim soava o moto do Buber jovem no transporte romanticamente interiorizado. A sua ânsia de Sião almeja o renascimento da pessoa judaica e como esta de toda a humanidade sem peso legalista; idealmente em proximidade grande ao Zarathustra de Nietzsche: “Quebrai, quebrai-me as tábuas antigas”. Esse utopismo a distanciava cada vez mais do pragmatismo nacional-político de Theodor Herzl. A ocupação chegando a ser mais forte de Buber com a cultura popular judaica antes de tudo na Europa oriental o fez logo chefe dum Renascimento judaico. O isolamento de indivíduos judaicos surgido pela emancipação devia ser superado pelo re-contato a uma “comunidade dos sexos.”

Dormis, Mirjam? Mirjam, minha criança:
Somos só margem – e profundamente em nós corre
Sangue do que era; corre para o que está vindo,
Sangue dos nossos pais cheio de inquietação e orgulho!
Em nós são todos! Quem se sente sozinho?
Tu és a vida deles – a vida deles é tua.
Mirjam, minha vida, minha criança – adormece!15

A segunda fase na vida de Buber está cunhada pelo desdobramento dum conceito de religião, que se serve da tradição judaica num modo existencialista muito livre. Conversão, ação, santificação do mundo e dialogo são agora as palavras chave duma convicção que está livre de qualquer obrigação de lei religiosa e propaga um Judaísmo “pré-sinaítico” (Abraão, Jacó, os juizes e profetas eram as figuras prediletas de Buber). Em 1916, no meio da Guerra Mundial, Buber funda a revista “Der Jude” [O Judeu], um foro sem par para vida de espírito judaica vivo, auto-consciente e o passo corajoso contra o anti-semitismo violento que estava surgindo.

A tradução da Bíblia

O testemunho talvez mais duradouro que Buber deixou é a sua ocupação com a Bíblia, da Escritura hebraica. Já antes da Primeira Guerra Mundial jogava com a idéia duma nova tradução, para possibilitar a um Judaísmo alemão amplamente secularizado acesso esse maior tesouro da tradição. Nos anos da guerra, porém, esse projeto se malogrou, mas Buber também depois da guerra não desistiu da questão: “…de que livro é este, no sentido, na língua, na estrutura, porque, apesar de tudo, quer ser posto de novo no mundo das pessoas humanas, de novo, quer dizer renovado na sua originalidade. …”.16 Era em 1925 o jovem editor cristão Lambert Schneider, que na sua editora recém-fundada quis começar com uma tradução da Bíblia e escreveu a Buber. Este entendeu a carta “como um sinal” e pediu o seu amigo Franz Rosenzweig (1886-1929), o grande filósofo de religião e fundador Casa Judaica de Ensino em Francoforte, pela colaboração. Esse empreendimento de alemanização da Bíblia parece da vista hodierna quase incrível, medido na carga pessoal de Buber e do pôr exigente do alvo de uma tradução completamente nova. Acresceu-se o adoecimento grave de músculos de Rosenzweig – não podia mais falar nos últimos anos, podendo-se fazer entender somente com a ajuda da sua mulher sobre uma aparelhagem dificultosamente com um único dedo.

E Buber não era de jeito nenhum um exegeta formado por natureza. Promovera sobre a mística alemã e se ocupara até lá detalhadamente com a tradição haçídica rica.

Mas já como criança de divórcio, viera na casa dos avôs em Lemberg em contato com as línguas hebraica e yídiche, falou fluentemente polonês e foi ensinado em francês. O avô Salomon Buber, um mecenas abastado da comunidade judaica, conselheiro da Câmera de Comercio e diretor de banco era um erudito importante e editor de manuscritos de midrash antigos.17
Buber conta como gostava como menino de ter podido ajudar o avô linguisticamente numa remessa francesa no comentário Rashi. …

Buber, primeiro com Rosenzweig e a seguir os muitos anos sozinho lutado com o projeto imenso. Quis fazer jus a cada conceito e faze-lo audível de novo. Por isso, essa tradução enfatiza a palavra falada como ad-locução imediata aos ouvintes. O texto deve corresponder à forma de som alemã. Nisso a articulação do texto em “intervalos de fala regidos pelas leis da respiração humana” (assim chamados Kolen) joga um papel importante. A disposição de impressão dessa Bíblia mostra evidentemente também em textos de narração a articulação em linhas de sentido.

Um segundo princípio de formação significativo é o ritmo. Para Buber é com isso para entender antes de tudo “a ligação fonética que aparece numa ordem engenhosa de algo que fica igual com uma variedade”.18 Essa repetição fonética, rítmica de sons, estruturas de sons, palavras e seqüências de palavras era extraordinariamente importante para Buber. Igualmente importante para ele era a palavra guia, que num conexo de texto se repete rica em sentido e exige o seu desenvolvimento integral dinâmico. Isso significa então para ele que grupos hebraicos parentes de raízes devem ser reproduzidos por grupos alemães parentes em raízes: p.ex. héçed como Huld [graça], haçad como hold sein [ser gracioso], haçidim com die Holden [os graciosos]. O acordo de palavras faz a mensagem palpável. A Bíblia inteira é para Buber uma obra de rede grandiosa de som, relações de palavras e conteúdos. Por isso, é para ele a intenção da redação final, que produziu ou apoiou essas conexões, tão importante. Uma idéia brilhante, que somente em tempo recentíssimo encontra entrada na exegese de Bíblia.

Para Buber era igualmente importante não deixar Peçah ficar sem ser traduzido com Peçah tecnizado, mas sim manter acordada a associação viva daquele saltar por cima ou passar (Êxodo 11 e 13): “Sinal de saltar por cima o é para ELE”. E o shabat deve ser salvado de volta da coagulação para dentro da vitalidade da solenidade: “Comemora o dia da solenidade” (Êxodo 20,8).
Um outro exemplo interessante de tradução está na história de Caím e Abel (Gênesis 4). Lutero traduz o versículo 9: “A voz do sangue grita para mim da terra”. É que a palavra sangue (hebr. dam) está no plural.19 Buber conhece obviamente a tradição talmúdica de que, no casa de assassínio, também os descendentes são atingidos e traduz: “Die Stimme des Geblüts deines Bruders schreit zu mir aus dem Acker” [A voz da linhagem do teu irmão grita para Mim do campo].
Um das narrativas prediletas de Buber era o capítulo da fuga de Hagar, a qual nos seus diferentes escritos à Bíblia emerge sempre mais uma vez: Deus está no lado da oprimida. Ela quer levar à liberdade. Buber mantém também a fidelidade à sua palavra guia: “Sara a premia“ “preme-te sob as mãos dela” “atendido é que ELE tem a tua pressão“. Certamente, Buber conhecia a interpretação duvidosa de Paulo dessa narrativa na Carta aos Gálatas,20 na qual Sara está sendo identificada com a comunidade cristã e Hagar representa a sinagoga repudiada.
… Buber nunca escondeu a sua aversão referente a Paulo e a inimizade deste ao corpo.…
Buber vê a si e seu povo completamente como Hagar, com a qual a doação de Deus se dirige. Esse é o midrash novo em Buber, que foi lido em tempos de perigo e opressão, que conta dELE, que pode também atender à pressão. As circunstâncias atuais de vida estão na interpretação de Buber armazenadas na narrativa. No texto bíblico, também a situação nova, que causa medo, já está conhecida, só que agente a precisa reproduzir retamente. Esse estilo específico de midrash floresceu no tempo medieval de perseguição. Buber o desperta outra vez para vida.

O diálogo

Buber amava o diálogo aberto. O seu modo original de deixar a palavra da Escritura para dentro do tempo, possibilitou-lhe já logo depois da Primeira Guerra Mundial o colóquio com cristãos.21
<“Ich und Du” [Eu e Tu] (1923) e “Zwiegespräche” [Diálogos] são obras significantes dessa filosofia do diálogo, que também em círculos cristãos encontraram ressonância grande. Uma citação típica de “Ich und Du”: Que o mundo, que a pessoa humana, que a pessoa humana, tu e eu existimos, tem sentido divino. …
Também católicos e protestantes aprenderam com judeus na Casa de Ensino Judaica Livre em 1920 em Francoforte, a qual então foi claramente cunhada pela cooperação de Buber; a case de ensino, uma instituição fantástica, sobre a qual seria para ser relatado em especial. Teólogos e evangélicos fizeram ali cursos.
Buber tem-se também inter-cambiado por carta com Albert Schweitzer sobre Kiergegaard, reagido detalhadamente a um artigo de Gerhard von Rad ao reinado de Deus22 e tido o mais intensivo intercâmbio de colóquio com o socialista religioso e teólogo Leonard Regaz. Com Paula Buber, ele casou quando ela ainda era católica – ela só mais tarde converterá ao Judaísmo.
Em 1926 fundou, com o médico protestante von Weizäcker e o teólogo católico Wittig a revista quadrimensal “Die Kreatur” [A Criatura]. Com colaboração de numerosos eruditos, os editores propagam “a ligação com o mundo criado , bem como a fé comum na origem, a qual chama a humanidade à renovação das suas fundamentos espirituais e para o agir responsavelmente no mundo”23. Uma solução, cunhada pela idéia de inteiridade e o fim duma ética engrenadora de religões e confissões.

Em 1926, a revista de Buber “Der Jude” editou um caderno especial ao assunto “Judaísmo e Cristianismo”, no qual teólogos tão proeminentes como Martin Dibelius e Alfred Jeremias escreveram contribuições a assuntos bíblicos.

Em março de 1930, faz perante das sociedades de missão aos judeus de língua alemã em Estugarda24 uma palestra sobre “A alma do Judaísmo”.25 Buber confere já no começo, em plena franqueza uma recusa categórica a uma missão cristã aos judeus, vendo nela até um impedimento do reino de Deus. Para ele, a alma do Judaísmo oscila elipticamente ao redor de dois pontos:
“O um é uma experiência primitiva de que Deus está inteiramente distinto da pessoa humana, completamente oculto a sua compreensão, e que, apesar disso, está presente em relação imediata em modo incondicional a essa mesma pessoa humana que Lhe está incomensuravelmente presente e dedicado.”
“E o outro foco … é o sentimento fundamental de que a força redentora de Deus age por toda a parte e sempre e que, apesar disso em lugar nenhum e nunca há um ser redimido.”

E para o fim fala a frase grandiosa:
“Assim de vós apartados, somos ajuntados a vós. … Para vós o livro é um átrio, para nós é o santuário. Mas nesse espaço podemos ficar juntos, ouvir juntos a voz que fala nele. Iss significa que podemos trabalhar juntos no salientar do ser falado enterrado desse falar, no soltar dessa palavra viva enterrada.”

O colóquio em 14/1/1933 na Casa de Ensino Judaica (a qual, aliás, em 1926 foi co-fundada por Buber) com neotestamentólogo de Bona, Karl L. Schmidt, entrou na história.26 Schmidt, democrata convencido – logo deixará a Alemanha – é amigo de Buber, mas não se consegue soltar do papel do mestre de escola cristão: Buber deixar ser perguntado na Casa de Ensino Judaica porque não acredita no messias cristão. A sua resposta sincera: “Uma cesura não percebemos na história. Não conhecemos nela um meio, mas somente um fim, o fim do caminho de Deus, que não para no Seu caminho.” Esse colóquio foi muito transfigurado, provavelmente por causa fim grandioso de Buber, da imagem da catedral de Worms e o cemitério dos judeus com a cinza e lamento silêncios dos pais primitivos, com os quais Buber se identifica, porque “retirado de nós não foi nada”. Schmidt, aliás, diz no fim da sua réplica a Buber:
“Se a Igreja estaria mais cristã do que o é, a discussão com o Judaísmo seria mais aguda, do que agora é e pode ser agora. Nós cristãos não devemos cansar de manter essa discussão alertada.”27

Então, a agudez da “discussão” seguiu apenas meio ano depois. Gerhard Kittel, o conhecido neotestamentólogo e editor do famoso “Theologisches Wörterbuch zum Neuen Testament” [Dicionário Teológico ao Novo Testamento] (o primeiro volume saiu em 1933) escrevera um escrito “Die Judenfrage” [A questão Judaica] (alcançou 3 edições) e a enviara com uma carta pessoal a Buber – a quem obviamente estimava, esperando consentimento. Kittel quer aos judeus alemães conceder somente ainda o status de estrangeiro como o destino querido por Deus, privá-los dos direitos de cidadania, guetoizar a sua cultura alemã-judaica e excluir a sua literatura – também a de Martin Buber – do espaço lingüística alemão. Discute até como uma possibilidade de solução: “Pode se tentar a exterminar os judeus (pogroms)”, a qual, porém, então rejeita com a-cristã. Buber, em dois respostas públicas, defendeu com grande nobreza o Judaísmo perante Kittel. Uma carta pessoal a Kittel termina com resignação profunda: “O Sr. fala num espaço que está fechado para minha resposta”.29 As duas cartas públicas a Kittel encontram-se em Buber 1994, … A história recebe mais uma nota afliginte pela informação do amigo de Buber, Ben Chorin, de que Buber, até ao fim da sua vida, tinha a Bíblia Hebraica de Estugarda na edição de Rudolf Kittel, o pai de Gerhard Kittel, aberta deitada na sua escrivaninha,: …

Gershom Scholem lera em Jerusalém esse escrito com nojo e revolta: “Que mentira. Que exemplo cínico com Deus e a religião”, escreve em 24/8/33 a Buber.

Só a neotestamentólogo professor Ernst Lohmeyer de Greifswald exprime a Buber as sua solidariedade repleta de vergonha.30
Carta de 19/8/1933, na qual também está sendo expressa a noção: “que a fé cristã é clara somente, enquanto carregar a judaica no seu coração”, … Numa carta ulterior de Lohmeyer de 11/9/1933, este agradece textos de Buber, “que agora me falaram com som novo e sentido novo, …”
Porque os “parceiros de diálogo” cristãos de Buber se esconderam nessa situação degradante?

Ainda no abril, Buber escrevera também para cristãos: “Como vós comportais na nossa zero hora do destino? Os nazistas não são só problema nosso! “Que essa hora é uma prova do Cristianismo, esse fato importante não importa a nós,”31

Construção no ocaso

Os pensamentos de Buber circulavam já em 1923 ao redor da pena da pessoa humana e do amor com-padecente de Deus. No agosto de 1922, escreveu a Rosenzweig: “Quanto mais velho fico, tanto mais amo os profetas sem nome, percebo o meu mundo natural”. Em 1923 e 1924, fez na Casa de Ensino judaico cursos de Salmos e preleções sobre o Servo de Deus.
Interessante – a tradução comum da Bíblia chega até Isaias 53, quando Rosenzweig gravemente sofrente morre. Em 1938, Buber fracassa primeiro no livro Jó e, quando em 1940 enviara, para uma obra de coleção holandesa à história de religião de Israel, o trecho sobre o mistério de sofrer no livro Isaias, o correio voltou “não-entregável”.32 A Holanda foi ocupada pelo exército de Hitler. Isto era também uma experiência importante para Buber: Textos bíblicos se podem recusar na história da vida.

Em 1933, sai, como volume da Schockenbücherei33 “Die Tröstung Israels. Aus Jeschajahu 40 – 55, Hebräisch mit der Verdeutschung von Martin Buber und Franz Rosenzweig” [A consolação de de Israel. [De Isaias 40 – 55, hebraico com a alemanização por Martin Buber e Franz Rosenzweig].
A “Jüdische Rundschau” chamou em 1935 essa série de livros, favoráveis em preço, mas formados muito afetuosamente da editora judaica Schocken, na qual por autores de nome foram oferecidos textos chave para a identidade judaica, um “Gebäude Jüdischer Bildung” [Edifício de Formação Judaica]. Buber tinha escrito, para essa série, volumes vários.<
“O que faz essa tradução para os judeus, dá para sentir aqui intensivo em particular. Isso está tão forte que também o ignorante possa sucumbir ao engano de perceber imediatamente a palavra original”, se diz naquele tempo numa resenha de livro. Textos bíblicos quase sem comentário, mas na maneira de Buber traduzidos acertadamente. Falam no tempo da pena e confusão começantes. Onde a voz humana ameaça a emudecer, a palavra original bíblica fala, comovente, compreensível, tomanda pela mão.

Da força dessa consolação, Buber junto com Leo Baeck chega a ser o pastor da Judiaria alemã. Assume tarefas centrais de formação pedagógica de formação de adultos, iniciou em 1933 a re-fundação da Casa de Ensino Judaico e dirigiu a partir de 1934 o “Ponto meio para formação de adultos judaica na Representação Imperial dos Judeus na Alemanha”. O seu aluno e amigo Ernst Akiba Simon (1899 – 1988) A consolação de Israel,34 que será mais tarde a grande instituição pedagógica em Israel, emigrara em 1928 à Palestina, mas volta em 1934 com mulher e pequeno filho, a pedido de Buber, para um meio ano na Alemanha de Hitler, para ajudar na construção duma aperfeição de adultos e professores judaicos.35
Jan Woppowa dedicou … as concepções de educação diferentes de Buber (não-halahica) e de Simon (afirmando a Halaha) um espaço largo.

Professoras e professores judaicos foram excluídos de todas as escolas e lugares de formação estatais. Todo o sistema de formação de professores precisava ser de nova desde o fundo. Mas com que conteúdos, com que fim, para ficar aqui ou para a emigração? Questões e tarefas que nos podemos hoje quase não mais imaginar na sua problemática. A formação e ensino foram vencidos em escolas privadas judaicas, academias populares, casas de escola de campo (a Casa Einstein em Caputh perto de Potsdam era uma delas), em tempos livres de fim de semana, cursos de gerentes e cartas circulares. Joseph Walk dedicou a essa obra, que só se pode chamar de heróico, uma investigação grande. Nesta, conta ele mesmo o seu primeiro encontro com um tempo de aprendizagem para professores jovens em 1934 com Buber36, mas também não oculta a oposição inicial de Buber entre círculos conservativos assimilados na representação imperial e, de outro lado, a crítica dos ortodoxos, que não quiseram confiar os seus jovens educadores de comunidade a Buber por causa do entendimento de religião não-halahico deste.37
“A linguagem singular e teimosa de Buber, sem a ajuda contínua de Ernst Simon, teria sido incompreensível”, em: Joseph Walk, … No entanto, um fiel à Toráh, o dr. Abraham Cohn … para o trabalho de Buber somente palavras de louvor: “…com que seriedade, no círculo novo ao redor de Buber, está sendo lutado pela unidade da Bíblia e pela sua reivindicação de validade de hora em hora”.
Ernst Simon comenta a intensidade inabalável de aprender e força inquebrada de vida, que se podia encontrar naquele tempo, com as palavras: “Nunca eram conferências mais assistidas, jornais mais divulgados, organizações enchidas mais vivamente do que nesse tempo de pena.” O moto educativo resume: “Somos, nem canaanitas nem prussianos, mas sim os netos dos profetas e dos fariseus e também discípulos do humanismo e do iluminismo.”38. O seu grande professor – a quem contribui mais tarde o título de hora “construtor de pontes” aprecia já cedo com as palavras: “Buber está conosco num caminho escuro. Não segura na mão o archote da verdade, tão pouco como qualquer um hoje entre os filhos das pessoas humanas. Mas a luz brilhante de longe guia a ele e a nós.”39

Buber sai na primavera de 1938 o seu domicílio de Heppenheim para, em Jerusalém, para assumir a cátedra estabelecida para ele, primeiro ainda com a intenção de assistir educativamente, para alguns meses, os que ficaram na Alemanha.

A sua oração Eles e Nós no aniversário da Noite dos Cristais40 entra então com amargura na barbaria horrível na Alemanha. Exprime o abalo profundo de Buber sobre o fim por ele naturalmente inimaginável da simbiose alemão-judaica.

O midrash novo

Em 1936, saíram de Martin Buber “Vinte-e-três Salmos na escrita primitiva com a Alemanização” como volume 51 na Biblioteca Schocken. Um ano antes, saíram, como livro 14 de tradução da Bíblia Die fünf Bücher der Weisung [Os Cinco Livros de Indicação] (Os Salmos), além de dum pequeno escrito ainda acrescido à nova edição e muito instrutivo “Zur Verdeutschung der Preisungen” [Para a alemanização dos Louvores].

Buber, nessa seleção, “uniu 23 Salmos de lamentação e de agradecimento do indivíduo com tais em que aflição e salvação estão sendo prometidas à comunidade”. Na introdução breve a um texto hebraico-alemão, apresenta tematicamente cada um dos Salmos. Interessante é agora que nenhum desses Salmos aparece no serviço judaico – a tradição motiva isso com que o louvor e a adoração da comunidade devam ser preponderantes e não as penas do indivíduo. Buber “inventa” agora uma nova seqüência litúrgica, extra-sinagogal, mundial.41
Ernst Simon aprecia no seu livro como primeiro e – enquanto vejo – até agora como único a importância desse midrash novo.
Disso é que sempre falou, que a palavra procura caminho ela mesma, bem imediatamente, para dentro da situação da existência.

Assim diz a seguir ainda: “É segundo a história de vida que então os Salmos aqui escolhidos estão sendo alinhados”. E deixa a linha42 começar com o Salmo 130: “Dos profundos chamo a TI! Meu Senhor, escuta a minha voz!”
A ordem dos Salmos é a seguinte: 130, 42, 43, 6, 12, 5, 74, 64, 59, 69, 14, 10, 73, 7, 94, 4, 80, 77, 102, 120, 124, 126 e 57. Esse livro de Salmos está ainda em somente poucas bibliotecas. A gente, porém, se pode compor a ordenação mesma com a ajuda da versão CD-ROM da tradução da Escritura por Buber, para poder ressentir a força extraordinária de afirmação dessa composição.

O destino do Israel curvado na Alemanha nazista fala de repente diretamente do texto: os tons jactanciosos de propaganda de um Goebbels (“Extermine ELE todos os lábios lisos, a língua de falas grandes!” 12,4), a campanha difamatória aos judeus pelo Stürmer [uma revista dos nazistas; trad.] (“o inimigo TE escarnece! Gente fútil insulta Teu nome!” 63,18); o Göring enfeitado atrevido (“Por isso desvanecimento do adereço do seu pescoço, iniqüidade pendura ao redor deles como adorno. Da gordura aflora o seu olho”, 73,6s.), as humilhações pessoais na rua, batidas no campo e na cave de tortura (“Dos malvados me salva, liberta-me dos homens assassinos! (59,3), o escárnio religioso (“Minha lágrima me chegou a ser pão dia e noite, porque o dia inteiro me falam: Onde está o teu Deus?” 4,4+11), o esperar e ter sede pelo fim da pena (”Como a corça brama43 em águas correntes, assim a minha alma brama por Ti”, 42,21). A apresentação se poderia continuar de modo fascinante.
Na reimpressão jerusalemita da Escritura, Buber traduz, em vez de “röhrt” [brama], “lechzt” [está ávida].

Todas as preocupações jazem aqui nele, no texto de Bíblia bom antigo na tradução e disposição bubéricas, o qual abre os olhos para aquilo que a gente sempre ainda não quer tomar como verdade, mas ao que se pode confiar, que volta a dar voz ao que emudeceu.

A Judiaria alemã, no ano de 1936, fora elimitada, socialmente destruída, cada dia envergonhada publicamente e abandonada para a destituição de direito. Com os textos desse livrinho de Salmos, toda a raiva e desespero vieram à expressão, podia, também, ser olhado na face de um TU outra vez confiado.

Acabou a fidelidade
Entre as crianças de Adão
Falam jogo de ilusão 44
Cada um com o seu companheiro 12,2s.

Buber diz ao shav hebraico:, o que traduz por “Wahnspiel” [jogo de loucura]: “como sugerir o fictivo, jogar injurioso com o outro … gerada loucura”. Essa crítica oculta na propaganda nazista encontra-se no suplemento ao 4º volume; Die Schriftwerke [As Obras da Escritura] (1935) …

Queimaram
Todos os lugares da presença de Deus no país 74,8

Fui alienado dos meus irmãos,
posto fora do lar para os filhos da minha mãe 69,9

Depravado, medonho o seu costume chegou a ser,
não há mais ninguém que faz o bom.
Do céu ELE mira
às crianças de Adão,
para ver se haja um que compreenda,
um que pergunte por Deus. 14,1s.

Em esconderijos sufoca o impreensível,
Os seus olhos perseguem o mísero.
Embosca-se no esconderijo
Como o leão na sua espessura. 10,8s.

Se eu tivesse dito: “quero contar como é!”
teria traído raça dos teus filhos. 73,15

Oh ai de mim,
Que me hospedei em Meshec
Acampado junto às tendas de Cedar!
Tempo demais minha alma se hospedou45 [na concepção nova diz: morou]
Junto ao odiador da paz 120,5s.

O diálogo judaico-alemão fracassou com essas palavras também para Buber. O país, a sua língua, as suas pessoas chegaram ser “Cedar”. Cedar é, na Bíblia, uma tribo nômade ismaelita hostil, ameaçadora. Com esse apontamento de texto, está sendo convertido o mito anti-semítico do judeu sem descanso. Forma brilhante da resistência espiritual!

No último terço de linha de Salmos (a partir do Salmo 4), esperança e confiança se fazem lembrar. O “Sela” estereótipo, aliás incompreensível chegou a gora a ser sempre transferido com a “exaltação” presuntiva. ELE não pode abandonar o Seu povo. Sião será moradia.

Deixaste sair uma vide do Egito,
expulsaste tribos, ela, porém, a implantaste …
ordena à essa vide,
o tanchão, o qual a Tua direita plantou. 80, 9+15

Quando Ele deixar voltar a regressidade de Sião
chegaremos a ser como sonhantes nós…
Que agora semeiam em lágrimas,
em júbilo colherão. 126, 1+5

Para cima!
Firme é o meu coração, Deus,
Firme é o meu coração. 57,8

Para a conclusão

Buber reagiu, durante a guerra e no tempo depois, num modo estranhamente quieto à grande catástrofe que acontecera ao povo judaico. Falou da Gottesfinsternis [eclipse de Deus], e chamou uma vez a Shoáh a grande ferida na ordem do ser.46 O judeu fica para ele testemunha da não-salvação do mundo.47
“Sente o não ser salvo na sua pele, saboreia-a com a sua língua, o fardo do mundo não salvo jaz em cima dele.” Por Buber já pronunciado em 1930 …
Anos antes, explicara num artigo quase profeticamente que não pudesse ver um sentido direto na história.48
“Está-nos então simplesmente recusado pensar retamente da historia acontecida: Isso e isso é o seu sentido”, escreve na contribuição Geschehene Geschichte [história acontecida] para a “Jüdische Rundscha”no verão de 1933. Esse pequeno artigo teológico não foi, interessantemente, depois da guerra não mais publicado outra vez. Fora assumido em Die Stunde und die Erkenntnis [A hora e o conhecimento].
Incansavelmente pôs, no novo Estado de Israel, a sua força na organização duma formação de adultos e na integração lingüística de neo-imigrantes, completando a tradução da Escritura. Ficou fiel à obrigação judaica fundamental de superar tristeza e perda por aprender aprofundante.

Buber está sendo em Israel – antes de tudo nas gerações mais jovens – amplamente esquecido. Para muitos teólogos nos “Judiarias” diferentes, o seu entendimento nâo-halahico da tradição judaica. Outrora tão rico em efeito, não mais representa opção interessante. Na solenidade para a conclusão da tradução da Bíblia em 1961 na casa jerusalêmica de Buber, Gershom Shalôm falou as frases trágicas: “Historicamente vista, ela é, não mais um presente de hospede dos judeus aos alemães, mas sim o monumento de uma relação extinta num horror indizível. Os judeus, para os quais o sr. traduziu, não há mais.”49

Como nós cristãos podemos receber esse presente precioso e lidar com ele adequadamente? Provavelmente, quase ninguém poderá alcançar a capacidade incomparável de intuição na Escritura de Buber – na fonte eternamente brotante, como ele a chamava. Atual, porém, permanece a sua exigência de deixar o texto sempre falar outra vez de novo, a saber escutar ele, e não o perceber só visualmente. Ele então chegará, inteiramente no sentido de Buber, a ser alocução, ficando poupado de desgaste. Devolver à palavra da Bíblia a sua o seu ser falado original inclui, porém, também a observação dos princípios de tradução e interpretação de Buber: tentar a compreender o texto na sua forma final como unidade de sentido e rítmica, seguir o traço das suas palavras guias e descobrir os seus enredes conceituais.

O trabalho primitivo de traduzir de Buber com Rosenzweig era, além disso, um de diálogo, o qual tinha como conseqüência o mais intensivo penetrar no conteúdo de palavra. Isso significa, para a prática hermenêutica hoje, que entendimento de bom resultado se realiza em comunidade, porque é que o texto bíblico foi transmitido em trabalho comunitário.
Certamente porém, somente encontros pessoais com tradição judaica de interpretação e o aprender em comum com professores e rabinos judaicos revelarão possibilidades imprevistas.

Buber lembra em 1961, na sua alocução na ocasião da tradução da Bíblia, a frase crítica de Rosenzweig do ano 1925, quando ambos começaram o seu trabalho de tradução: “Com Bíblia, o cristão entende hoje somente o Novo Testamento, talvez com os Salmos, dos quais então ainda ache que pertenceriam ao Novo Testamento. Portanto, vamo-los missionar.” E Buber termina com as palavras: “Estou aliás um adversário contra todo o missionar. Mas nessa missão aí me comprazo, a qual se trata, não de Judaísmo e Cristianismo, mas sim da verdade original comum, de cuja revivência depende o futuro de ambos. A escritura está missionando. E já há sinais que lhe responda um sucesso.”50
… “Sete modos de ler” do Corão forem reconhecidos pelo próprio profeta, pela divisão do Islame acrescentaram-se mais outros. …



Notas literárias 1 a 50 e Indicações de literatura: no fim do texto alemão
Texto alemão: Martin Bubers Übertragung der Schrift

Helmut FothHelmut Foth. Jhg. 1948, Studium der Theologie und Psychologie in Heidelberg, seit 1975 Pfarrer im Schuldienst an einem Frankenthaler Gymnasium, Fachberater für Gymnasien im Bereich der Evangelischen Kirche der Pfalz;
seit 1982 Mitglied des landeskirchlichen Arbeitkreises Kirche und Judentum, seit Jahren engagiert im christlich-jüdischen Dialog, Leitung des Landauer Arbeitskreises "Christen und Juden lesen gemeinsam die Bibel".

16/12/2007top

 
 

Pedro von Werden, SJ

Artigos