CRISTÃOS E JUDEUS |
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O Deus-instrutor do monte de SinaiReinhard NeudeckerDedico este estudo de preferência à memória de William L. Moran, quem só conheço das narrações dos seus antigos colegas e amigos do Instituto Bíblico Papal. Com o assunto escolhido deve ser expressa a alta estima pelas suas preleções importantes, feitas no nosso instituto sobre o livro Êxodo. IntroduçãoA contribuição seguinte faz parte duma pesquisa, na qual o autor empreende a tentativa de aproximar-se a interpretações rabínicas escuras, misteriosas que muitas vezes se subtraem do entendimento racional1.
Os textos que traduzimos das fontes hebraicas e citamos no que segue, originam-se da literatura conhecida sob o nome “Talmude e Midrash”, a qual experimentou o seu tempo de florir de 200 a 600 da nossa contagem de tempo e além dessa época. Entre as possibilidades de adivinhar o que se esconde por trás das noções que encontramos nessas interpretações, a comparação com outros textos análogos de outras tradições religiosas promete estar especialmente útil.3 No “diálogo inter-religioso” aqui empreendido lemos lugares bíblicos e rabínicos à luz de textos do sufismo4 e da tradição do zen-budismo5, inclusive algumas sutras mahayana6.
O apogeu do sufismo se deixa dividir num período clássico (séculos 8 a 10 da nossa contagem de tempo) e um período medieval (séculos 12 a 14). O primeiro está marcado por mestres individuais, o último por ordens de Sufi, filosofia monista – a esta pertence o no que segue muitas vezes citado Ibn al-‘ Arabi – e por poesia pérsica (p.ex. Rumi). A leitura das páginas seguintes não é assunto fácil, já que ao leitor – no sentido da palavra Zen: “Uma boa explicação nunca esclareça tudo”8 – só relativamente poucas ajudas de entender, às quais pertencem as numerosas divisões, estão sendo oferecidas. Trata-se de textos cunhados de experiência e que, no seu significado próprio, não podem ser entendidos sem experiência própria. No aqui exigido “ler” se trata então, menos dum querer entender racional, como antes dum encontro meditativo com os textos e com aquilo ao que apontam.9 1. JUDAÍSMO RABÍNICO1.1 Deus fala cada vez conforme a situação e capacidade de receber do indivíduoAs interpretações que queremos apresentar nesse trecho esclarecem porque Deus em Ex 20,2 e em geral nos dez mandamentos fala ao povo em singular: “Eu sou o Senhor teu Deus que te conduziu para fora do Egito… Tu não deves ter ao lado de Mim outros deuses alheios…” Não deveria Deus usar o plural dizendo: “Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos conduziu de Egito… Vós deveis ao lado de Mim não ter outros deuses…”? Para responder a essa pergunta, a interpretação rabínica seguinte aponta à seguinte (midrash), aponta ao MóN [maná], que Deus deu a comer aos israelitas na sua migração pelo deserto. Sobre o gosto desse alimento, a Bíblia faz estranhamente indicações diferentes. 1.2 Comparação com o MóN
A paralela em Êxodo Rabbah 5,9, a qual a doutrina do MóN liga a Jó 37,5 e Ex 20,18, menciona também as crianças, as mulheres, os doentes e os pagãos. Para estes últimos, o MóN tinhe segundo Nm 11,7 um gosto amargo: “O MóN era como semente de coentro.” Da comparação com o MóN, o midrash Pesiqta de Rav Kahama, com ajuda de Sl 29,4, tira a conclusão seguinte:
O texto paralelo em Êxodo Rabbah 5,9 cita dois outros lugares bíblicos para aplicar a doutrina do MóN à palavra de Deus:
1.3 Uma das vozes, dirigida a MoisésA fonte que acaba de ser citada também afirma que Moisés mesmo no monte Sinai recebeu a palavra de Deus, não como tal, mas sim como correspondia à sua força de compreender (e do tempo e da situação de então). A razão bíblica Ex 19,19 fornece: “Moisés falou e Deus lhe respondeu com uma voz.” Interpretação: “com uma voz que ele podia agüentar.” 1.4 A voz de Deus em 70 línguasSegundo uma tradição muito testemunhada, Deus falou na monte de Sinai, não só em hebraico, mas sim em todas as línguas da humanidade. Numa interpretação de Ex 20,18 lemos: Com ajuda das noções aqui apresentadas, entende-se que a teologia, então o empenho de apresentar o mundo religioso sistemática e universalmente, ocupa no Judaísmo uma posição subordinada. Alguns judeus até afirmam que teologia não seria assunto não-judaico, judeus ortodoxos a consideram em regra como impedimento e ameaça para a fé14 (… Enciclopaedia Judaica, XV, 1103). 1.5 Comparação com uma estátua: “Deus fala diretamente comigo!”O fato de que Deus com cada indivíduo fala de modo plenamente pessoal, pode em alguém que for assim solicitado provocar a experiência: “Deus fala diretamente comigo!” Essa idéia está sendo esclarecida nos dois textos seguintes pela comparação com uma estátua:
1.6 “Quando estas nas tuas fontes de água”A experiência plenamente pessoal acabada por ser circunscrita duma experiência com Deus é, como o breve texto seguinte o parece dizer, ligada a uma pressuposição: “Eu sou o Senhor, teu Deus.” O rábi Simeon bar Johai (século 2) disse [Isso vale então,] quando estás nas tuas [fontes] de água.17 (Midrash há-Gadol (…).A nossa tradução literal “estar nas suas fontes de água”18 acorda símbolos ricos, os quais a Bíblia talvez nos três lugares seguintes liga à água: Harry Freedman traduz interpretando: “Isso só vale quando estiveres firme na tua fé bem enraizada.” … Sl 1,3: “Ele (o justo) é como árvore que está plantado em correntes d’água.” Sl 23,2: “Conduz-me ao lugar de repouso na água.” Jr 17,13: “YHVH (o Senhor), a fonte de água viva".19 Midrash há-Gadol (…) Também no sufismo e budismo Zen são freqüentemente mencionadas pressuposições. Segundo os al-`Arabi, o saber ao redor do fato de que Deus já no aquém fala com cada indivíduo diretamente , está reservado a pessoas que designa como “conhecedores de Deus” ou com expressões semelhantes. 1.7 “De face à face”: Deus como exemplo de cada mestreUma das peculiaridades da exegese rabínica consiste em interpretar versículos bíblicos com a ajuda de outros versículos bíblicos. Para iluminar a instrução plenamente pessoal da qual Ex 20,2 fala, vários rabinos tiraram um versículo que se origina do relato paralelo ao decálogo do Êxodo: “De face à face (literalmente: cara na cara) o Senhor no monte no meio do fogo convosco” (Dt 5,4). No texto seguinte, também esse texto está sendo iluminado por outro, a saber Pr 27,19. Quando a instrução está para chegar um nível alto, precisam ambos, mestre e discípulo, estar compartilhando e responsáveis. Nesse nível, reflete-se a face do mestre na face do discípulo e vice versa; O mestre vê o seu coração refletido no discípulo, e o discípulo vê a sua refletida no mestre. O texto acima fala não só de como Deus no monte Sião ensinou a Toráh a pessoas humanas individuais; apontou simultaneamente ao ideal da instrução rabínica e da relação mestre-discípulo 21 De modo igual, todos os outros textos rabínicos que citamos falam, não só (e também não na primeira linha) de Deus, mas do mestre rabínico ideal. Apoiado e estimulado por especialidades e notabilidades do texto bíblico original, os rabinos formaram o Deus-ensinador do monte de Sinai segundo as suas próprias imaginações e ideais, segundo a sua própria “imagem e semelhança”. Finalmente, porém, também essa atividade humana e o resultado desta remonta a um fundo original, refletindo este, o fundo “em que vivemos, nos movimentamos e somos”22 (At 17,28). 2. SUFISMO2.1 A auto-revelação de Deus e a capacidade de receber de cada recebedorA sublimidade e sem par de Deus estão no centro de espiritualidade estão sendo sempre mais uma vez acentuadas no Corão e na tradição em frases como as que seguem:
Nenhuma pessoa humana pode conhecer Deus na sua sublimidade. “Ninguém conhece Deus além de Deus”, assim diz um princípio teológico freqüentemente citado também por sufis. Quando Deus se dá para ser conhecido a pessoas humanas e outros seres vivos, não Se pode revelar assim como corresponda à Sua essência como realidade última, tem de se ajustar à capacidade de receber dos seres vivos. 2.2 Comparação com a água“A cor da água orienta-se pela cor do vasilhame.” Com essas palavras marcantes e muito citadas, Junayd (falecido em 910) parafraseou acertadamente a auto-revelação de Deus na sua dependência de cada capacidade de receber, respectivamente das respectivas pressuposições no lado de cada pessoa humana.27 … Como a água no vasilhame assume a forma do vasilhame em forma e cor, sabemos com certeza que o conhecimento de Deus como medida da tua compreensão, da tua capacidade de compreender e daquilo que tu és em ti mesmo. Nunca duas pessoas humanas sob cada respeito compartilharão o mesmo conhecimento de Deus, porque em duas pessoas humanas diferentes nunca se encontra uma constituição única.28Sejam tão diferentes como forem os modos de entender referente do mistério divino, todos têm a sua origem e fundo original em Deus. Nas palavras de Ibn al-Àrabis:
2.3 Comparação com a luz do solNoutro lugar, Ibn al-`Arabi usa o exemplo do sol: Deus diz: “Os dons do teu Senhor não são limitados” (Corão 17,20). Em outras palavras: não podem nunca ser retidos. Deus diz que dá sempre [e em plenitude], enquanto os recebedores recebem [dons de Deus] na medida das realidades das suas capacidades de receber. De modo igual, dizemos que o sol irradia os seus raios sobre as coisas existentes. Ele não é avarento com a sua luz referente a qualquer coisa. Os recebedores recebem a luz na medida das suas capacidades de receber.Aos dons que Deus oferece em medida rica e que estão sendo recebidos pelas pessoas humanas cada vez segundo as suas capacidades, pertence também o Corão e cada uma das palavras deste. Também a isso Ibn al`Arabi aponta: “Uma única palavra do livro de Deus alcança os ouvintes como unidade. Um ouvinte percebe dela uma coisa, outro ouvinte não percebe essa coisa, mas sim algo diferente, enquanto um terceiro percebe muitas coisas. Por isso todos, que contemplarem esse versículo, citam-no em concordância com as suas possibilidades de entender cada vez diferentes.”31 2.4 “Mantenho-Me àquilo que o Meu servo pensar de Mim”Quando a auto-revelação de Deus se atender à capacidade de receber de cada indivíduo, como a água assume a cor do respectivo vasilhame, significa isso também que cada indivíduo só reconhece o Deus que estiver em condição de perceber. Esse Deus é que Ibn al-`Arabi chama o “Deus da fé”, isso é o Deus criado pelas concepções de fé.32 Quem for mais perfeito que os perfeitos é aquele que crê cada fé em relação a Ele (Deus). Reconhece-O na fé, em provas, e [também] na heresia, porque esta representa o desviar duma fé [específica] a uma outra fé específica. Se quiseres, que o teu olho veja exato, vê-lO com cada olho (quer dizer com o olho de cada ser vivo); pois na Sua auto-revelação penetra todas as coisas. Em qualquer forma Ele tem uma face e em cada conhecedor uma posição.38 2.5 “Tira a cada um do fluxo dele!”Que também o ensinador humano deva conduzir os seus discípulos cada vez correspondentemente da sua situação e capacidade de aceitar, deveria já nos textos precedentes chegar a ser claro, também quando esses tratam em primeira linha de Deus.. Restringimo-nos aqui a só poucos textos, os quais o instruir adequado de cada um inculcam com clareza especial. Um reconhecedor disse: “Quem falar às pessoas humanas segundo o tamanho do seu saber e na medida da sua inteligência, não dirigindo a palavra a elas a palavra correspondente dos limites delas, despreza o direito delas e não cumpre com eles o direito divino.”Quanto a sério estão sendo levadas essas excitações, chega a ser claro nas advertências que se dirigem aos ensinadores: Deus tem um segredo. Se o comunicasse, a ordem do mundo teria acabada. Os profetas tem um segredo. Se o comunicassem, o profetismo teria acabado. Os sábios têm um segredo. Se o comunicassem, o saber teria acabado.40 Ao sábio, três ciências estão próprias: uma ciência externa, a qual oferece às pessoas do fora, uma ciência interna, que só deve comunicar aos que estão no segredo, e uma ciência que é segredo entre o sábio e Deus – a saber a realidade da sua fé – e a qual não comunica, nem às pessoas de fora nem às pessoas do interno.41Especialmente quando se tratar de experiências espirituais profundas, reserva está necessária. “É melhor que o mistério do amigo [divino] fique velado” (Rumi).43. Nesse sentido, outro texto diz: Ainda não vi ninguém que tivesse notado visões de apaixonadamente amantes e os sentimentos exstáticos de conhecedores num livro. E não sou de opinião de que se deva isso escrever ou revelar ao público em geral. Pois pertence ao segredo da onipotência, revelando-se só àquele a quem está sendo concedida introspecção nele, falando-se sobre isso só com alguém que vê que tem lá dentro uma posição. Só está sendo aceito do coração dos eruditos, quando o revelarem, sendo dado de coração a coração.44Esteja ainda apontado ao que um ensinador ensina, não só com a sua palavra oral ou escrita, mas com a sua vida inteira. Isso exige que, no seu comportamento, respeite cada um dos seus alunos, o que muitas vezes significa que vá ao nível, antes de tudo, dos fracos. “Comportar-se assim como o corresponde aos fracos é … a obrigação dos profetas e amigos de Deus e eruditos de religião.”45 3. BUDISMO ZEN3.1 Buda como ensinador, hábil na escolha de meiosO conceito “habilidade na escolha de meios” (upaya) joga papel importante nos sutras Mahayana e especialmente no Lótus Sutra. Expressa o caráter “fluente”, acomodado a cada ouvinte da doutrina do iluminado. [Quando anuncia que está disposta a falar,] inúmeros milhares de miríades de milhões de espécies de seres vivos aparecem diante dele e percebem o Dharma. O Assim-Vindo 46Semelhantemente, diz no sutra Vimalakirti: O buda prega a lei num som único, Segundo as três tradições que estamos tratando aqui, a revelação inteira pode star contida numa única chamada ou num único pronunciamento; …Que um modo tal de ensinar está reservado ao Buda, está sendo acentuado em outros lugares. Assim Avatamsaka (Kegon) sutra: Porque a inteligência dos serres vivos não é a mesma E as suas inclinações e ações são diferentes, Ensina-lhes correspondentemente à suas necessidades: Buda está capacitado para isso pelas suas forças de saber.50A “habilidade na escolha dos meios”, com a qual o Buda ensina os seus ouvintes correspondentemente às circunstâncias, pressuposições, inclinações e preconceitos, está sendo comparada como a capacidade dum médico, o qual emprega remédios cada vez conforme a doença do paciente.51 3.2 Comparação com a chuva e águaTambém na literatura do budismo Zen, a imagem da água respectivamente da chuva não está desconhecida. A água, que a partir de si possui somente uma única propriedade, assume a forma do vasilhame, para dentro do qual estiver sendo vertida. A chuva que por si está imparcial, não tratando nada e ninguém prejudicialmente, depende no seu efeito do chão em que cair, tendo por isso aspetos ilimitados. Entre textos numerosos que expressam essa idéia52, só dois lugares sejam aqui citados os quais, segundo a literatura rabínica e do sufismo, não precisam mais de nenhuma explicação detalhada. A pregação do Buda não discriminante 3.3 O Buda fala com todos – e única e somente comigoA habilidade na escolha dos meios chega a ser clara também na voz do Buda. No cume do monte prega um sutra completo “com uma voz primorosa, a qual variava em muitos cem milhares de modos”55. Essa voz ressoa em todos os sons diferentes para se dirigir a cada ouvinte na sua cada vez diferente situação. Sim, o Buda faz soar tantos pronunciamentos quantos seres vivos há; cada uma soa em todos os sons, e todos os pronunciamentos são diferentes um do outro.56 Em todas as línguas dos seres vivos a sua palavra passa.57 O bem-aventurado se pronuncia num som único e os seres, cada um segundo a sua espécie, ganham disso introspecção; cada um se diz que o bem-aventurado falaria a língua sua: esse é característico exclusivo do vitorioso.58A voz do Buda, a qual ressoa em todo o mundo, está sendo – este é o assunto principal da nossa contribuição – no lado dos seres vivos diferentemente. Para aqueles que a ouvirem, isso se pode condensar na experiência: A voz fala única e somente comigo! Nesse sentido, diz no sutra Avatamsaka (Kegon): Buda traz em um único pronunciamento inúmeras vozes, correspondentes às diferenças nas mentalidades dos seres vivos … Aqueles cujas capacidades ainda não madureceram não as podem ouvir. Aqueles que ouvem a voz pensam, cada um por si, que Buda falaria somente a eles.59 3.4 Comparação com o oceano e as ondasNos textos citados acima por último, e muitos pronunciamentos, expressa-se a introspecção e experiência da filosofia Hwa-Yen (japonês: Kegon). Essa filosofia, que jaz na base do sutra Avatamska (Kegon) e do Zen60, está caracterizada pelos tópicos dependência mútua, relação recíproca e penetração recíproca. Quando o grande oceano compreender uma onda, nada o impede que compreenda todas as outras ondas com a sua totalidade. Quando uma onda inclui o grande oceano, também todas as outras ondas incluem em si o oceano na suas totalidade. Não há impedição recíproca..61A isso um comentário62: Como o grande oceano pode ser contido numa onda? Uma onda pode incluir em si o grande oceano, porque está idêntica com o oceano. Uma parte minúscula pode incluir em si o Li (a verdade absoluta, a qual está contida em todas as coisas), porque é o único e mesmo Li.Um pouco mais precisamente, o comentário constata a seguir, que Li e Shi (as coisas, que incluem Li), quando a gente as põe uma perante a outra, são nem idênticas nem diferentes.63 3.5 O encontro individual de ensinador e discípuloAo Buda é possível, em ensinamentos públicos, dirigir-se a cada ouvinte bem pessoalmente, correspondente à capacidade e situação dele. Isso vale de modo diferente de grandes mestres até o dia de hoje. O mestre Huang Pó (falecido em 850) ensinou os seus monges reunidos e lhes disse: “Sois todos comilões de borras! Só assim continuais andar [de um mestre a outro], quando experimentais então o vosso ‘hoje’?”67Procurar um mestre depois outro, se pode provar como pouco útil, quando o discípulo não experimentar o seu “hoje”.69 Num sentido semelhante, o “hoje” joga um papel importante na Bíblia e literatura rabínica; cf. … Nesse momento, na contenta com o bagaço; regozijar-se-á na bebida verdadeira, a qual só pode satisfazer à sede. “Na há ensinador de Zen.” Cada aluno precisa beber ele mesmo, nenhum mestre o pode fazer para dele. Quando beber, descobrirá o “mestre” unicamente verdadeiro, a natureza de Buda, em si mesmo. NOTA FINALEsta contribuição, na qual encontramos textos profundos de três religiões mundiais, não pode ser concluída em forma dum resumo, respectivamente síntese. Isso está no fundo possível para só uma das três tradições; pois todas compreendem níveis e espécies diferentes, exprimindo-se em muitas vozes de espécies diferentes. Não devemos também não tentar, premer os textos apresentados em conceitos de disciplina teológica, para não falar de enquadrá-los em sistemas conceituais. Com isso, não leríamos aspetos alheios para dentre desses textos fazendo-lhes assim injustiça, antes de tudo contradizeríamos ao tenor fundamental crescido de experiência religiosa, segundo o qual a realidade se comunica num modo que está adequado a cada um. Notas literárias 1 a 69: no pé do texto alemão. |