CRISTÃOS E JUDEUS |
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A “Nova Aliança” Um desafio para a linguagem do anúncioGerhard BodendorferTratas-se aqui de conclusões práticas do complexo da questão “Judaísmo e liturgia”, que era objeto da reunião anual em Eisenstadt em 1999. Um aspecto que nessa jogou um papel não pequeno é a problemática da fala da “Nova Aliança”. Tradicionalmente, está sendo designada com ela a realidade que instituída com Jesus na Última Ceia, a qual foi fundada com o sangue de Jesus e representada na palavra do cálice na Eucaristia e do beber do vinho durante da celebração da comunhão. Na história da Igreja era com isso muitas vezes ligado um desatamento da aliança “antiga” com Israel. Enquanto essa aliança antiga estava sendo igualada com o assim chamado Antigo Testamento, a Nova Aliança se precipitou também no Novo Testamento, o qual com isso também substituiu o Antigo. A esse mal-entendido corriqueiro é para ser objetado:
A “Nova Aliança” em JeremiasImportante é a fala da nova aliança segundo Jr 31,31. Ela diz, de modo nenhum uma renúncia à aliança antiga, mas sim (segundo Adrian Schenker):
Uma Aliança – inúmeras atualizaçõesAo lado da aliança de Noé, também Is 19,24 mostra que aliança possa ser entendida como grandeza universal para além de Israel. Também a tradição judaica nos pode ajudar para ir para frente, Conhece uma plenitude de conclusões de aliança e alianças com os mais diferentes parceiros. Isso já começa com que Deus conclui uma aliança com a terra na criação. Segundo bSota 37b, p.ex., conclui com cada pessoa determinações diferentes a cada mandamento, as quais se chamam de alianças, no total 48 x 603.550. Aqui temos de ver até uma inflação de alianças. Finalmente porém, não está dita com isso outra coisa do que Deus considera cada pessoa humana tão importante que conclui com ela uma aliança própria. Entendendo-as assim, podemos falar sem mais nem menos de alianças diferentes e várias. Até se abre a necessidade de ancorar também uma aliança em Jesus na Ceia, querendo pôr o acontecimento e o seu efeito na luz reta. Mas as demais alianças, nem estão sendo abolidas com isso, nem abaixadas nas suas significações. Antes, o conceito aliança se abre como expressão duma categoria intensiva e invulnerável da relação entre Deus e pessoa humana, a qual justamente pela pluralidade afirma a abertura e vivacidade dessa relação. A remessa à aliança do Sinai por Jesus esclarece nisso, que ele mesmo quis ligar a sua mensagem completamente na história da promissão de Deus com Israel. Paulo disse em Rm 9,4s. expressamente sobre o Judaísmo: “São israelitas, com isso têm a filiação, a glória, as ordenações de aliança; a eles está dada a lei, o serviço da graça e as promissões, têm os pais, e segundo a carne origina-se deles o Cristo, Aquele que sobre todos está como Deus, seja louvado eternamente. Amem.” A formulação de presente devia mostrar que essa aliança ainda hoje vale ao Judaísmo. O povo da Aliança escolhido permanecem os judeus. A Aliança não é abolida por Jesus. Mas também não é para falar das duas alianças, porque a aliança, que Jesus renova, não pode ser outra que aquela que já desde sempre anunciada ao Judaísmo. Os cristãos estão em uma única aliança com os judeus, sem que estes, por sua vez, caíram para fora da aliança. Cristãs e Cristãos: ALIANÇAdos com IsraelQuais são as conseqüências práticas que disso resultam para uma liturgia e teologia cristãs? A percepção de que a nova aliança designa, não uma dissolução, mas sim a certificação da antiga aliança, significa uma mudança de tendência na autoconsciência cristã. Não em distinguir-se do Judaísmo, mas sim em ligação com o Judaísmo é que a identidade cristã está sendo formada. Cada celebração da Eucaristia é, não só uma representação da salvação por Jesus, mas também uma representação da Aliança com o Judaísmo. Ela entra na consciência, ligando-nos também liturgicamente com a história e tradição judaicas. Sem o primeiro livro de aliança, logo sem o assim chamado Antigo Testamento, também cristãos têm um acesso sobremaneira restrito a Deus. A consciência dessa ligação com a primeira parte da Bíblia não deveria trazer consigo também uma significação litúrgica mais forte? Uma obrigação indispensável para a leitura do Primeiro Testamento, na qual os cristãos se levantem igualmente como na leitura do Novo Testamento, deve ser natural. Cristãos não têm razão de celebrar 2.000 anos de Cristianismo. Jesus era judeu e, durante a sua vida, não fundou outra religião. Deveríamos daí refletir o processo lento de separação, dirigindo a nossa atenção à perspectiva ecumênica da ligação, em vez de celebrar fundação de religião – a qual, alas não se realizou. A percepção de que os judeus continuam estar na Aliança na qual, por intermediação de Jesus, temos participação, exige solidariedade permanente com o Judaísmo. Simultaneamente, a circunstância de que também nós fomos aceitos para dentro da Aliança, não deve levar a interpretá-la unilateralmente im direção ao Cristianismo, herdando com isso o Judaísmo. Justamente ao contrário, a circunstância de que ao Judaísmo foi dada a aliança antes dos cristãos, sendo e permanecendo o Judaísmo o povo da Aliança escolhido por Deus, deveria conduzir a prestar atenção que, os cantos e hinos bem como a fala do povo de Deus, não vejamos precipitadamente dirigida aos cristãos, mas em primeira linha os judeus. Nos casos em que cantos forem equívocos a respeito disso ou até unilateralmente relacionados a cristãos, será preciso pensar urgentemente para não mais cantar esses. Texto alemão: Der „Neue Bund“ |